sábado, 4 de abril de 2015

Dias 1, 2, 3 e 4: Nada tem valor se não houver alguma dificuldade em conseguir...

Dias 1, 2 e 3: Campo Grande a Catamarca: 1950 km
Dia 1: Na quarta, dia 01, o combinado era sair depois do almoço, e dormir em Ponta Porã. O Capitinga, Ravedutti, Gilson e Janio foram de manhã, as 9:00 hs, os apuradinhos... Eu, Padilha e Jardim saímos 11 hs, e o Giovany saiu depois do almoço. Saímos todos esparramados. Na verdade esta primeira perna é mais pra quebrar a ansiedade da viagem. Começa a contar mesmo à partir de Ponta Porã.
Em Ponta, Fizemos o permisso pra entrar no Paraguay (carimbo no passaporte), e cambio, cada um trocou R$100,00 em guarani, quantidade suficiente para atravessar os 450 km do Paraguay, abastecer uma vez e fazer um lanche. Também tinha a idéia de fazer um pouco de cambio (US$300,00) de peso argentino, mas resolvemos deixar pra fazer na aduana.
Fomos até a Casa China, sempre tem alguma coisa pra comprar, pilha, adaptador de tomada, cartão de memória, etc... Comemos lá mesmo, e fomos dormir cedo, no hotel Barcelona.
Era para ficarmos em 3 aptos triplos, mas no final o Pintado desistiu da viagem, e ficamos em 8 pessoas, portanto a melhor acomodação vai ser 4 aptos duplos.
Estamos eu e o Padilha, Capitinga e Janio, Giovany e Jardim e Ravedutti e Gilson.
Dia 2: Na quinta, acordamos 5:15 hs, ainda escuro. Arrumamos tudo, e fomos tomar o café, que começa às 6:00 hs. Café tomado, conseguimos a proeza de sair às 6:30 hs. Tempo friozinho, 20 graus, bem gostoso pra andar de moto. Na verdade o dia todo foi bom, mesmo no calor do chaco, não passou dos 31 graus.
Atravessamos o Paraguay parando pra abastecer apenas uma vez perto de San Estanislao. Na verdade o melhor local pra parar seria na churrascaria Boi na Brasa, que é de gaúcho, pois fica bem no meio do caminho (+-240 km), e tem o posto e restaurante do lado. Mas acabamos abastecendo um pouco antes, em um ótimo posto Petrobrás, novinho.
Paramos em Emboscada para comprar umas chipas, pra tapear a fome, e seguimos para a aduana. Estava LOTADA de carro, pois era quinta-feira santa, feriado no PY. Uma das vantagens de andar de moto é esta: furar fila de carro! Rsrsrrs... Seguimos ao lado dos carros, até a aduana. Fizemos rapidinho, não gastamos meia hora. Logo na saída, fiz cambio de US$100,00 só pra abastecer, até RS Peña.
Calor danado, paramos em Clorinda pra abastecer e lanchar. Tinha fila pra abastecer... Tivemos que esperar. Ali é a metade do caminho, de Ponta Porã até RS Peña. Ainda tinha muita estrada pela frente... Seguimos pelo Chaco Argentino, altitude média entre 60 a 70 metros, abafado. Sempre mantendo os 120-130 km/h, a tocada que eu mais gosto, sem parar muito, a coisa rende. Depois de Formosa, paramos antes de Resistencia pra abastecer e lanchar. Hoje fiquei só no Gatorade e quase não comi nada.
Saímos para a última pernada, de 170 km. Sol na cara, muito ruim de andar. Duplicaram uma parte da saída de Resistencia para Roque Saenz Pena. Arrumaram o asfalto tbm, recapeado, está bem melhor do que antes. Chegamos ainda com sol em Roque, abastecemos, e fomos para o ótimo hotel CASINO ATRIUM GLALOK. Fizemos o check-in, banho, baixar email, ver as mensagens, etc... Haviam dois amigos de SP, com duas GS1200 indo para o Atacama, no hotel. Ficamos conversando e trocando idéias de roteiros, viagens, etc... Como sempre, os assuntos de moto, fluem muito bem! Fomos jantar lá mesmo no hotel, aliás um ótimo bife de chorizo com salada, acompanhado de uma cerveja Patagonia.
Fomos dormir, já era passado das 22 hs, eu apaguei, cansado, pois rodamos hoje quase 900 km (888 km do Hotel Barcelona até a porta do Hotel Atrium Glalok).
Dia 3: Na sexta-feira, o Padilha acordou 5:30 hs, horário argentino, totalmente escuro ainda! Acabei acordando também, e descemos para ir arrumando as coisas, e esperar abrir o “desayuno”, que começa 6:30 hs. Tomamos o café, arrumamos as coisas, e fomos esperar o restante do pessoal descer. O combinado era sair entre 7:30 e 8:00 hs, no máximo. O Janio, já reclamando, apareceu por último. Ele tinha deixado a moto lá fora, não guardou no estacionamento, e ainda deixou destrancada! Colocamos a moto dele dentro da garagem, escondida, de sacanagem. Rsrsrs... Ele logo achou, arrumou tudo, e saímos do hotel exatamente 8 hs.
Seguimos pelo chaco, logo após Roque, roda cerca de 40 km, segue direto no trevo, não pega para Salta. Abastecemos em Quimili, e fizemos um lanche. Depois de Suncho Corral, tem aquela parte com uma pista só, mas já estão acabando de asfaltar tudo. As pombas pelo caminho, sempre incomodando, mas não tanto como da outra vez, em que uma bateu no meu capacete e quase me derrubou! Desta vez tinha menos. Chegamos em Santiago del Estero, já meio dia, com a idéia de abastecer e “almoçar”. Abastecemos, mas o posto muito ruim, não tinha como comer nada. Seguimos em frente, pra comer algo mais pra frente. Esquecemos que era sexta-feira Santa! Tudo fechado! Seguimos mais uns 100 km à frente, e em Lavalle, paramos no trevo, e comemos no posto à esquerda. Eu, o Janio e o Gilson, comemos um pollo com ensalada.
Seguimos para chegar logo em Catamarca. Graças a Deus, começaram as curvas, a estrada melhorou muito, pois já não aguentávamos mais tanta reta! Logo chegou aquela serra antes de Catamarca, e as curvas de alta. Com os pneus Mitas, não dá pra fazer muita graça, mas deu pra brincar um pouco. Paramos uns 30 km antes, pra esperar o pessoal que ficou pra trás. Senti um cheiro de gasolina, e o Capitinga viu que estava manchado de gasolina ou óleo logo abaixo do tanque, do lado esquerdo, na carenagem da moto. Parecia ser óleo da embreagem. Mas não era... Era gasolina mesmo. Fiquei em pé na moto, e vi que tinha muita gasolina acumulada em cima da bomba de gasolina do lado esquerdo. Gelei na hora! Estas coisas acontecem, você já pensa: será que a minha viagem vai acabar? Fiquei ali, pensando, sem saber o que iria acontecer, e até com medo de pegar fogo na moto! O Amim e o Amado foram nos receber, de carro, uns 20 km antes de Catamarca. Foram nos acompanhando, até o hotel. São ótimos amigos, sempre muito atenciosos! Assim que cheguei no hotel, já falei com o Amim sobre o problema na moto. Já tinha pensado: amanhã vou pra Tucuman (250 km de Catamarca), e arrumo isto. O Amim ligou na hora para um mecânico de confiança dele, o Daniel. Enquanto eu fiz o check-in no hotel, subi e tomei banho, o mecânico já havia chegado e feito o diagnóstico: tampa do reservatório de combustível trincada! E agora? Bem, não vou falar todo o segredo, mas ele arrumou! Fizemos uma cola, e a rachadura foi tapada!
Fomos para Rodeo, aonde o Amim e o Amado tem casa, de carro, pois havia um asado nos esperando! O Amim fez um excelente asado, tudo ali mesmo, ele mesmo.
Estavam no hotel também o amigo Renato Lopes, e o Vitor Hugo, de Santa Maria/RS. Eles haviam chegado no dia anterior, e também estavam no grupo. O Renato é um amigo de longa data, um grande motociclista, escritor e viajante. Foi umas das pessoas que me incentivou a viajar de moto. Ótimas companhias! Ficamos na casa do Amado, conversando e resolvendo o que fazer, pois a nossa rota inicial foi interrompida, por causa de chuvas nos Andes chilenos, neve, avalanches, os Pasos Agua Negra e San Francisco, não tem como atravessar!
Resolvemos ir até Jachal, subir o Agua Negra até o portal da divisa com o Chile, e voltar. Depois vamos subir a ruta40, até Cachi, na segunda. Ou seja, vamos antecipar e mudar a rota, mas preservando pelo menos duas travessias da cordilheira, uma no Paso Sico e outra no Jama, que estão abertos, pelo menos ainda...
Saímos de lá já passado das 22 hs, depois de comer uma ótima carne, salada e pão, regado a vinho e muita conversa e risadas! Que turma boa!
Chegamos no hotel quase meia noite, fomos dormir, quarto triplo, eu, Padilha e o Jardim.
Aliás, ótimo o hotel Casino!
Dia 4, sábado: Acordamos mais tarde hoje, 7:00 hs, mas estava totalmente escuro! Aqui deveria ser pelo menos 2 horas A MENOS, mas é o mesmo horário de Brasília! Vai entender... Banheiro, descer pro café, arrumar as coisas, vestir a roupa, arrumar a moto, e BORA, BORA!
O combinado era 9:00 hs sair do hotel. Antes disto todos estavam prontos. Passamos na catedral de Catamarca para tirar umas fotos, e depois fomos até o posto de gasolina do Amado, para abastecer e espera-lo por lá. Estavam lá o pai e o irmão dele. Aproveitei para tentar configurar o Scala Rider (comunicador bluetooth que fica no capacete), do Janio, para tentar pareá-lo com o meu e o do Padilha. Aliás, foi legal, desta vez viemos conversando, desde Ponta Porã, a viagem toda. Seria muito bom se todos tivessem um aparelho destes, para irmos conversando durante a viagem.
No final, o Janio conseguiu se comunicar comigo por um tempo, mas logo depois que parou, comecei a falar com o Padilha novamente, e perdemos o sinal. Mas está dando certo... Até o final da viagem, conseguiremos falar os três juntos... kkk! Tem que configurar no site do Scala Rider, mas no meu notebook não está dando certo.
Depois de abastecer, o Amado chegou, e saímos de Catamarca já passado das 10:00 hs da manhã, em 10 motos, sentido La Rioja e depois Jachal, por um caminho novo, recém asfaltado, que o Amin disse ser muito bonito. Em La Rioja, fiquei esperando o Jardim/Padilha/Janio, que estavam para trás, o Padilha foi na frente, acabou errando um trevo, fui atrás dele, e nos perdemos do restante do grupo! Vai começar a saga... Pegamos sentido Patquia, dentro do roteiro, e segui. Em um posto policial perto de Patquia, perguntei a um policial se havia passado algumas motos por lá, e ele disse que não... Uai! Pensei que eles estavam na nossa frente! Paramos em um posto YPF em Patquia, abastecemos, e fomos tomar um café. Logo eles chegaram... Haviam voltado para abastecer, e estavam para trás... Ali combinamos de ficarmos todos juntos, fui pra trás do grupo, na culatra, “arrebanhando” os retardatários, que param pra tirar fotos, etc... Deu certo... A estrada, que até então estava só reta, começou a mudar, umas curvas, montanhas coloridas, e a coisa foi melhorando... Do posto até Jachal eram 240 km. Os primeiros 70 km foram de retas, mas depois foi ficando cada vez mais bonito, até chegarmos em uma grande montanha, que fomos cortando, primeiro subindo, depois descendo, era o tal Valle de La Luna, um asfalto novinho impecável, realmente muito bonito! Subimos a uns 1.600 mts e depois descemos a 1.100 até Jachal. Paramos várias vezes pra filmar e tirar fotos. Todos muito admirados pela beleza do lugar, que inclusive tinha vários túneis.
Depois de tanto sofrimento para atravessar o Chaco por quase 1,5 mil km, tivemos esta grata surpresa, com estas lindas montanhas!
Chegamos em Jachal 16:15 hs, fomos direto a um posto YPF da A.C.A. abastecer, que pra variar tinha fila... Abastecemos e fomos para o hotel. Parece coisa de chato e sistemático este esquema de abastecer sempre que chega na cidade, mas realmente funciona, pois no outro dia cedo, imagina vc sair o hotel, coloca toda a roupa, luvas, capacete, etc... e depois tem que retirar tudo de novo, pra abastecer?! TEM QUE ABASTECER SEMPRE QUANDO CHEGA, só se o grupo não tiver pressa no outro dia, ou vai sair tarde, como foi hoje na saída de Catamarca.
Chegamos no hotel em Jachal, a mulher da recepção disse que não tinha mais vaga e estava lotado, só que ela não sabia que eu já havia reservado antes pelo booking.com e estava com o voucher na mão... rsrsrs... Entramos, e cada dupla no seu apto. Hotel simples, pequeno, mas gostoso. APART HOTEL C&C JACHAL, a R$162,00/apto duplo. Por falar nisto, aqui na Argentina nas cidades grandes passa cartão de crédito, mas o bom mesmo é levar dólares, fazer o câmbio para peso argentino (US$ 1,00 = AR$ 12,00), e pagar tudo em cash (efectivo), pois dão de 10 a 20% de desconto em quase todos os hotéis. Posto de combustível, a grande maioria só aceita em dinheiro. Então, tem que ser moeda local!
Estamos aqui, o Amim saiu, fez umas compras em um mercado, e assou uma carne pra gente, com pão e salada. Especial de bom! Compramos uma cervejas e uns vinhos também.
Nosso roteiro mudou totalmente. Os Pasos Agua Negra e o San Francisco estão fechados, pois houve uma grande chuva no Chile há 2 semanas atrás, e não tem como atravessar. Resolvemos então vir a Jachal, subir o Agua Negra até o cume, fazer uma singela homenagem ao Marco Tulio, e depois voltarmos. De Jachal vamos a Chilecito amanhã.
A internet aqui é lenta, e está difícil postar as fotos... Quando conseguir, posto as novidades, e as fotos.
Continuem conosco!

Um abraço a todos!

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.