sábado, 15 de abril de 2017

Uma aula de curvas!

Dia 8: Cusco a Uripa - 390 km
O sétimo dia da viagem passamos em Cusco, em um dia livre para descanso e preparo para o restante da viagem. Foi muito bom, pois descansamos bastante, e todos melhoraram muito o moral, após aquela noite muito ruim em Desaguadero... Acordamos mais tarde, tomamos um ótimo café da manhã, conversamos bastante, depois fomos à pé mesmo almoçar ali perto, e após o almoço eu e o Guy voltamos para o hotel e o Renato e o Edson foram para a praça central ver o comércio e alguns pontos turísticos. O Guy dormiu e eu tinha que trabalhar um pouco no computador, responder uns emails, etc... Acabei saindo do micro quase 19 hs, quando saímos para jantar com a Rocio Arenas, a guia turística amiga do Renato, muito gente boa, que nos levou em um restaurante típico peruano, com danças típicas, e comida muito boa. Comi só o ceviche, e uma sobremesa. Após umas comprinhas na praça, voltamos para o hotel, fizemos uma pequena reunião a respeito do dia seguinte, pois mudamos a rota um pouco, encurtando, ao invés de dormir em Ayacucho, escolhemos Uripa, mais perto e mais tranquilo pra fazer. Eu fui dormir, novamente usando o oxigênio que estava no quarto, o qual paguei $150 soles para 2 dias. Foi muito bom, mas as 2 da manhã mais ou menos eu desliguei, achei que tinha acabado, e não consegui mais dormir direito, sem ar... Uma hora e meia depois, liguei novamente o oxigênio e dormi até as 6:15, perdendo a hora... Eu realmente tenho dificuldade em dormir na altitude, mas espero me adaptar hoje ou amanhã, pois já são 3 dias sofrendo... Cada um tem uma reação, a minha é não conseguir dormir. Durante o dia, não tenho nada, além da falta de ar, mas à noite... Sofro!
Hoje acordamos cedo, eu até perdi a hora, mas conseguimos sair do hotel as 7:15 hs mais ou menos. O tempo limpo, 11 graus, saímos de Cusco tranquilos, com o GPS apontado para Abancay, a 181 km. A estrada estava até bem movimentada no início, mas depois foi ficando mais tranquila. Paramos antes de Abancay uns 40 km para abastecer, já estávamos a 1900 metros de altura, esquentou e eu tirei a segunda pele, pois estava literalmente cozinhando... A estrada, cheia de curvas, passando por vilarejos, pequenas chácaras, plantações de milho, aveia, quinoa, etc... Muito carneiros, porcos, gado e cachorros na estrada. Tem que tomar cuidado! Estamos andando na faixa de 80 a 100 km/h e as vezes nem isto. A minha moto fez 23 km/litro. Com o tanque de 30 litros da GS Adventure, dá pra andar mais de 600 km! Muito bom! Após Abancay, rodamos uns 15 km e pegamos para a direita, sentido Ayacucho. A estrada foi asfaltada recentemente, e o GPS ficou doido! Mandava voltar, ou não reconhecia a rodovia. O asfalto impecável, a estrada cheia de curvas, passando por lugares simplesmente maravilhosos, tornou hoje o melhor dia da viagem, até agora, com certeza! Rodamos por várias altitudes, de 1,8 mil a 4,4 mil, sempre parando para tirar fotos, filmando, e curtindo a paisagem estonteante! Muito legal! Eu creio que se parece muito com a Europa, e o Guy me confirmou depois, pois ele conhece bem por lá. São montanhas e mais montanhas, tudo muito verde, gado, ovelhas, fazendas, gente trabalhando no campo, e curvas, muitas curvas! Hoje foi uma verdadeira aula de curvas! Chega até a dar medo de cair, pois a gente acaba abusando um pouco, minha pedaleira raspou algumas vezes no chão... Mas nada de mal aconteceu, ninguém caiu, só alegrias! Chegamos em Uripa as 17:15 hs. Isto mesmo, demoramos 10 horas para rodar 400 km! Aqui é assim, não tem como andar muito, simplesmente impossível! Abastecemos, e fomos procurar um hotel, nos indicaram um novinho, em frente a plaza de armas e igreja, chamado Hotel Chaska. O valor: $30 soles por pessoa, cerca de R$30,00! Muito barato! Hotel excelente, o pessoal até me arrumou um cilindro de O2! Graças a ajuda do Guy, me emprestaram o cilindro, que é da dona do hotel, que mora em Lima, e usa quando vem pra cá, que fica a 3.200 MSNM. O pessoal saiu pra jantar, eu não vou, fizemos um lanche agora a pouco, e eu acredito que isto vai até me ajudar a me adaptar melhor a altitude. No mais, a viagem está indo muito bem, os parceiros de viagem são nota 10, cada um com a sua particularidade, mas todos se respeitando, e o senso de grupo prevalecendo. No final da viagem farei um comentário a respeito disto, com mais detalhes.
Em relação a dicas para viajantes, posso falar algumas. Uma delas, é que venham preparados para frio! Tragam 2 pares de luvas e inverno e 2 pares de verão, pois se chover e molhar um par de luvas, você tem o outro seco. Uma segunda pele boa de inverno, casaco para usar durante os passeios, boné, luvas, etc... Aqui na altitude é muito frio! A segunda, é que venham preparados para encarar a altitude. O ideal é se adaptar, subindo devagar, mil metros por dia, se hidratar bastante, tomando pelo menos 2,5 litros de água por dia, e fazendo tudo com calma, respeitando o seu limite. Quanto a moto, pneu novo, óleo trocado, revisão feita, e pau na máquina! Estamos viajando com 1 moto GS650, 2 GS800 e 2 GS1200, e andando muito bem, todos juntos, independente da cilindrada e potência de cada moto. O ritmo é tranquilo, curtindo bastante as paisagens e o local.
Amanhã vamos mais ao norte, rumo a Huaraz. Faremos os cãnions em breve!
Grande abraço!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Dias 5, 6 e 7: Da Bolívia para o Peru!

Dia 5: Coroico/BOL a Desaguadero/PE - 270 km
Acordamos mais tarde, lá pelas 6:30 hs, estava escuro ainda, e o tempo fechado com muita neblina. O café da manhã do hotel começava as 8:00 hs e por isso não tínhamos muita pressa, o percurso do dia era curto, e queríamos ver se o tempo limpava um pouco. Acabou limpando mesmo, mas ainda com um pouco de neblina. Arrumamos as motos, e tomamos o café já com as roupas de viagem. Preparamos para o trecho de rípio, murchando um pouco os pneus das motos (gosto de usar 26 libras no pneu dianteiro e 33 no traseiro), pois melhora demais a aderência na terra. Saímos de Coroico por volta de 9:00 da manhã mais ou menos. O hotel Esmeralda, achei "meia boca", não tinha mais ninguém além de nós, e o atendimento não era lá estas coisas. Os quartos são grandes e espaçosos, e o acesso um pouco difícil, uma ladeira muito íngreme com piso escorregadio.
O Guy foi na frente, pois já conhecia o acesso e tinha feito este percurso no ano passado. Passamos pelo centrinho de Coroico, descemos a ladeira de acesso a cidade, e depois à esquerda, na bifurcação por onde chegamos no dia anterior. Logo chegamos em uma vila, e começa a estrada da morte, com seus pouco mais de 25 km de rípio (cascalho), muito bom por sinal. Seguimos, o tempo foi limpando, paramos algumas vezes pra tirar foto, e logo à frente tinha uma cancela, aonde nos cobraram $50 bolivianos por pessoa para atravessar o parque.
Pagamos e seguimos em frente. Ao lado da estrada, várias casas, pessoas trabalhando, secando folhas de coca, serrando madeira, etc... Mas pouco movimento, e não tinha nenhuma bicicleta descendo, até então. Mas aí, começou a chover, mais ou menos do meio do percurso em diante. Na verdade uma garoaO único perrengue da estrada foi que pegamos uma subida bem forte, com uma curva fechada em cima, com cascalho solto e um pouco de barro, e tivemos que passar algumas motos empurrando, pois havia dificuldade de passar, mas nada demais. Fora isto, foi muito tranquilo, mesmo com a chuva fina, a estrada é muito bonita e valeu demais ter feito! Uma ou duas motos compraram um terreninho, mas coisa à toa, nada de mais. Fizemos a estrada subindo, pelo lado de dentro, na mão inglesa, o que é muito melhor do que fazer por fora, descendo, na minha opinião. Mas tudo vale a pena, de qualquer forma! Do meio pra frente, paramos para descansar, e aí sim, começaram a chegar os ciclistas, aos montes, em turmas de 5 a 10, descendo a estrada da morte, e uma van acompanhando. A maioria turistas estrangeiros, inclusive vimos um grupo de australianos que estavam do nosso lado. Seguimos até o final da estrada de rípio, e pegamos o asfalto novamente, sentido a La Paz, que estava a 56 km de distância. A neblina aumentou, e o frio também, até porque saímos de Coroico a 1800 metros de altitude e chegamos em La Paz a quase 4 mil metros! Antes de chegar tem um trecho que chega a 4300 metros, que quase nevou, a temperatura externa marcou 3 graus. Paramos no segundo posto que tem na entrada da cidade, à esquerda, para encher os tanques e os pneus das motos. Como havia parado de chover a uns 5 km atrás, aproveitamos para trocar as luvas, e comer alguma coisa, pois já era passado do meio dia! Gastamos 3 horas pra fazer de Coroico a La Paz, pela estrada da morte, mas andando de boa, sem pressa, e curtindo bastante. Atravessamos novamente o trânsito caótico da capital Boliviana, mas estava bem melhor do que na ida, talvez pelo horário. Após subir até El Alto, pegamos a direita, sentido Desaguadero, que fica a uns 100 km de distância. Seguimos por retas, e poucas curvas, no altiplano, com clima frio, 11 a 14 graus, mas sem chuva. No entanto, como perdemos uma hora e meia para atravessar La Paz, estávamos com o tempo já apertado para conseguir dormir em Puno. E dito e feito. Chegando em Desaguadero, ainda do lado Boliviano, tem que pegar à direita, até a aduana e imigração, fazer a saída da Bolívia e depois a aduana. Perdemos 1 hora mais ou menos com isto tudo, pois tinha uma fila enorme, de alguns ônibus que estavam lá parados. Na verdade se não tivesse a fila, faríamos em 10 minutos, pois é bem rápido. Depois, pegamos as motos e fomos para o lado peruano. Já no Peru, paramos as motos em frente a imigração, pois havia espaço, e ali estava a mesma fila da Bolivia, pois todo aquele pessoal estava indo para o mesmo lado que nós... Pegamos a fila e ficamos esperando. Aproveitamos para fazer um câmbio para a moeda peruana chamada Soles. O câmbio estava de 1 dólar para $ 3,22 soles, quase igual o valor do real. Cada um fez um pouco, eu fiz uns US$ 500,00. Logo fizemos a imigração, e fomos fazer a aduana. Ali foi um pouco estranho, era uma porta com grade igual de cadeia, com uma aglomeração enorme de gente esperando, eram na verdade caminhoneiros esperando a liberação de cargas para entrar e sair do país. De repente saiu um oficial da aduana, gritando "Las 4 motos, las 4 motos", que eu deduzi serem as nossas motos, já que o Guy teve alguns problemas na imigração devido ao nome, e preenchimento da guia, e a moto dele ainda não aparecia, afinal éramos 5. Ele deu uma olhada rápida nas motos, e nos levou com ele para dentro, aos gritos de protestos dos caminhoneiros que nos cercavam. Isto já começou a escurecer, e dali até Puno - nosso destino do dia - ainda restavam 145 km... Entregamos para o oficial os documentos das motos, CNH e passaporte, e ele entrou lá pra dentro para fazer as guias. Logo voltou, e nos perguntou se tínhamos seguro das motos para rodar no Peru. Dissemos que não. Já sabia, do SOAT, um tipo de seguro contra terceiros que tem no Peru, mas não havia tempo ainda, tínhamos acabado de entrar no país! Ele deu uma risadinha, e como no outro dia era feriado, quinta-feira santa, disse que não teria mais como comprar o tal seguro... Resolvemos ficar sem seguro mesmo, e se fosse o caso compraríamos em Cusco. Resolvemos também dormir em Desaguadero, pois já estava tarde e não rodamos à noite. Achamos um hotel chamado CAIRO, pertinho da aduana. Estava vazio, e muito barato, cerca de R$ 30,00/pessoa. Meia boca, lógico! kkk! Paramos as motos dentro do saguão do hotel, pois não tinha estacionamento. Ali eu passei uma das piores noites da minha vida, pois não consegui dormir a 3900 metros de altitude, simplesmente sufocava a cada tentativa de dormir, e passei a noite andando de um lado para o outro no hotel e no quarto... Nem gosto de lembrar! O restante do pessoal até dormiu, o Guy teve problemas com dor na coluna, mas tomou um remédio que eu tinha levado, e melhorou bem. O Castilho também reclamou que não dormiu direito. O Renato e o Edson dormiram bem. Cada um tem uma relação com a altitude, a minha é não conseguir dormir, fico sem ar, outros tem dor de cabeça, outros até desmaiam. E alguns não sentem nada! O problema foi que subimos demais, e muito rápido, sem adaptação. Segundo o Guy, meu consultor oficial em altitude, o ideal é subir 1000 metros por dia. Subimos de Coroico a Desaguadero em 1 dia, ou seja 2 mil metros. Mas deu tudo certo, a noite foi longa mas acabou... No outro dia, sem café da manhã e sob um frio de 10 graus, saímos 7:00 hs do hotel rumo a Cusco.

Dia 6: Desaguadero a Cusco - 560 km
Saimos bem cedo e sem tomar café da manhã, pois o hotel não tinha. Eu ainda meio zonzo, pois não havia dormido nada aquela noite, só precisava de um bom café, e nada de achar um lugar pra parar na pista! Achei um mercadinho em uma cidade a 40 km de Puno, pois era feriado de quinta-feira santa, e quase tudo estava fechado! Comemos um pão, suco, iogurte e só! Tocamos até Puno, abastemos e continuamos a viagem. A única coisa boa da altitude é a economia de combustível! A minha moto está fazendo 25 km/litro! Coisa que eu nunca havia visto! Normalmente faz 15 a 16 km/litro. Chegou a fazer 26. Também estamos tocando devagar, abaixo do que eu costumo andar (120-130), na faixa de 100 a 120 km/h. Isto ajuda muito, além dos pneus durarem bem mais. Depois de Puno uns 80 km, logo após passar Juliaca, tinha um lugar bem legal, uma lanchonete e restaurante, aí paramos, tomei um energético com café, e aí sim, fiquei "zerado", pois quase que dormi na moto por duas vezes! Estava muito mal! Deste trecho em diante a viagem mudou para melhor, pois chegaram as curvas, passamos por um local bem alto e muito bonito, com picos nevados, um mirante, tiramos fotos, e depois seguimos até Cusco, chegando lá as 17:00 hs no horário peruano, que é 2 horas a menos do que o de Brasília. Fomos direto para a Plaza de Armas, nos encontrar com a Rocio Arenas, a guia turística amiga do Renato Lopes, que eu também já conhecia, e que nos levaria para um hotel. O engraçado é que dois guardas municipais nos escoltaram desde a entrada, até a praça, querendo nos ajudar a encontrar hotel, e nos "permitindo" parar as motos ali, que é proibido para carros. Cusco está lotada, feriado de Páscoa, tem gente do mundo todo, e por isso que o Renato ligou para a guia, e nos pediu hotel. Nesta viagem, após muitos anos viajando com hotel reservado, estou viajando sem reservas, e é muito legal, pois imprevistos acontecem, e com a reserva vira loucura para chegar no destino de qualquer maneira. Veja só o exemplo do dia anterior! Resolvemos passar o dia seguinte livre em Cusco, para descansar, sem andar de moto, e nos prepararmos para os Canions! Foi uma sábia decisão, e muito acertada! Eu pedi um tubo de oxigênio no hotel, paguei $150 soles para 2 dias, e isto foi a minha salvação para o bom sono! Saimos para jantar ainda, em um restaurante na praça central. Após o jantar, literalmente apagamos, muito cansados devido a altitude e mal sono da noite anterior. Hoje acordamos mais tarde, totalmente descansados, almoçamos aqui perto mesmo, e daqui a pouco vamos sair para jantar. Nem saí do hotel! Coloquei o serviço em dia, descansei um pouco a tarde, e atualizar o blog! Amanhã começa o foco maior da viagem, que são os Canyons da Cordilheira Branca. Vamos rodar quase 600 km o dia todo, com muitas curvas!
Mas isto eu conto outro dia! Abraços! Não consegui abaixar fotos hoje, mas amanhã eu posto!






terça-feira, 11 de abril de 2017

Dias 3 e 4: início da subida ao altiplano Boliviano!

Dia 3: Santa Cruz de La Sierra a Cochabamba - 480 km
No domingo à noite o Arley, nosso amigo de Sta Cruz de La Sierra, passou lá no hotel e levou o Renato pra trocar o pneu da moto dele, que ele havia levado desde Campo Grande. Trocamos em uma borracharia da cidade mesmo, e depois fomos dormir.
No outro dia, acordamos cedo, antes das 6:00 hs, para tentar sair até as 7:00 hs. Deu certo, mas amanheceu chovendo, e já saímos de capa de chuva e tudo. A chuva não parou o dia todo, mas com capa e bem protegido, é até melhor, pois a temperatura ficou na média dos 18 a 20 graus, o dia todo. Apesar da quilometragem não ser grande, gastamos o dia todo para fazer este trajeto, são cidades, vilas, e muito movimento pela estrada, e a viagem não rende muito. A tocada, na faixa dos 110-120 km/h, bem tranquila, a minha moto começou a fazer 20 km/litro de gasolina! Bom demais! Almoçamos em Vila Tunari, a última cidade antes de começarmos a subir a cordilheira. Comemos um peixe, e seguimos viagem. Depois de Vila Tunari começaram as curvas, com força total, e um asfalto ruim, muitas ondulações, pedaços sem asfalto, e isto tudo com chuva. Depois que subimos, a chuva parou, e chegando em Cochabamba o tempo abriu totalmente, com o sol a brilhar forte, chegando a secar as roupas que estavam úmidas. Abastecemos (sempre abastecemos quando chegamos na cidade que vamos dormir). Fomos atrás de hotel, o Guy sugeriu o mesmo que ele havia ficado no ano passado, mas acabamos ficando em um ao lado, mais barato e bom também. Saimos após o banho para jantar, à pé. Demos umas voltas na praça central da cidade (Plaza de Armas), e depois começou a chover, pegamos um táxi (Em 5!), e fomos a um restaurante, bem perto do hotel. Jantamos e fomos para o hotel descansar. Viajar de moto, cansa o corpo, mas descansa a mente! Impressionante como ficamos inteiros no outro dia cedo! Cochabamba dizem que é a melhor cidade da Bolívia para morar. Me surpreendeu a beleza da cidade, tudo bem arrumado, limpo, muitos restaurantes e lugares para sair. Gostei!
Dia 4: Cochabamba a Coroico - 470 km
Não dormi muito bem, apesar de estarmos a 2.550 metros acima do nível do mar, senti um pouco de falta de ar, logo após dormir. Acordei sem ar, levantei, dei uma respirada, e depois acho que melhorou, pois acordei as 4 da manhã. Tenho isto, durante o dia não sinto nada, mas à noite não consigo dormir direito, em locais com altitude acima de 2500 metros. Mas depois de 3 dias me adapto e acaba.
Acordamos 5:45 hs, para deixar tudo arrumado, e sair logo após o café da manhã, que no hotel que estávamos, começava as 7 hs. E realmente saímos logo após o café, mas acabamos nos perdendo dentro da cidade, e gastamos quase 1 hora pra sair! Cochabamba é grande, não acaba nunca, uma avenida muito longa, e vai emendando uma cidade em outra vila, e assim vai... Saimos da cidade e pegamos a rodovia mesmo, as 8:30 hs. Coisas do GPS...
A estrada até o trevo para Oruro é bem diferente do dia anterior! Muitas curvas de alta, asfalto bom, e começamos a subir cada vez mais, até chegar próximo dos 4 mil metros. Paramos várias vezes para tomar água, conselho do Guy para combater o mal da altitude, só que por consequência, tem que parar toda hora para aliviar e "tirar a água do joelho". No terço final para chegar no trevo para Oruro, estão recapeando e reformando a rodovia, e tem vários desvios e partes de terra batida com cascalho, algumas poças d'água, mas nada demais, e passamos de boa. Paramos no trevo para comer alguma coisa, e depois seguimos rumo a La Paz, agora em pleno Altiplano Boliviano, sempre andando em altitude entre 3900 a 4 mil metros. Paramos mais uma vez para abastecer, e desta vez conseguimos pagar quase o mesmo preço dos nativos daqui... Chegamos em El Alto, a cidade que fica antes de La Paz, as duas são praticamente emendadas, as 15:00 hs mais ou menos. O trânsito maluco, milhares de vans nas ruas, buzinando sem parar, pois lá não tem transporte público, e tudo é feito por vans. Mesmo com toda esta bagunça, como ainda era cedo, até que o trânsito estava bom, e conseguimos atravessar a cidade toda em cerca de 1,5 horas! La Paz fica dentro de um enorme buraco, e a diferença de altitude entre a parte mais alta e a mais baixa chega a mais de 500 metros! Pegamos a saída para Coroico, e logo começou a chover frio, subimos quase a 4700 metros, eu pensei que ia nevar, mas ficou nisto mesmo, quase até chegar no nosso destino final do dia, por cerca de 100 km. Passamos por túneis, precipícios, curvas e mais curvas, e muitas vans com bicicletas em cima, voltando do passeio da estrada da morte, o principal passeio da cidade, e que vamos fazer amanhã, de moto, se o tempo ajudar!
Estamos todos bem, um pouco cansados mas muito bem!
Amanhã será o último dia na Bolivia, e iremos para o Perú, nosso destino principal. Fiquem com a gente! Abraços!







domingo, 9 de abril de 2017

Dia 1 e 2: Começo de viagem e aventura!

Dia 1, 08/04, sábado: Campo Grande a Santiago de Chiquitos - 700 km
Na sexta-feira, dia 07/abril, os amigos Renato, Castilho e Edson chegaram em Campo Grande no final da tarde, vindos de Guaira/PR. Foram para o hotel de trânsito dos oficiais do exército, pois são todos militares da reserva. O Renato tinha me pedido para encomendar um pneu traseiro Karoo3 para a GS800, que eu achei lá no Razzini, para levar na viagem. Como eu estava muito corrido, ele mesmo foi lá buscar. Após concluídas todas as tarefas e compromissos na empresa, saí já passado das 17:00 hs e fui lá encontrar os meus amigos. Fomos para a minha casa, para conversamos e acertarmos os últimos detalhes da viagem. Eu tinha combinado de entregar as camisetas e adesivos do Bora Bora para o pessoal que tinha encomendado, e eles foram lá em casa buscar. A correria foi grande, mas ainda bem que eu tinha arrumado quase tudo, inclusive a moto, no domingo anterior. Ficamos conversando animadamente, alguns amigos de Campo Grande ficaram por lá, o Capitinga, Padilha, Flávio, e quando vi já era passado das 22 hs. Fui levar o pessoal no hotel, e aproveitei pra buscar o meu filho Marcos no aeroporto, que estava chegando de São Carlos. Acabei dormindo depois da 1 da manhã, pois estava pilhado, ansiedade a mil, e ainda, para completar, a metade da minha casa estava sem luz, pois tinha queimado uma fase... Acabei não acordando na hora e quase perdendo a hora, saí quase doido e apurado, pois tinha marcado às 5:45 hs no hotel. Cheguei 15 min atrasado. O Guy estava nos esperando no posto em frente a base aérea, apresentei os amigos a ele, que não conhecia nenhum, e seguimos viagem. Paramos no Redondo, a 100 km de Campo Grande, pra tomar o nosso café da manhã. Saímos para abastecer em Miranda, já com aquele calor típico da região pantaneira. Atravessamos o nosso Pantanal, o pessoal do sul não conhecia, mas não vimos muitos animais, pois estava muito cheio, muita água. Paramos ainda mais uma vez logo após a ponte do rio Paraguai para tomar água e descansar, e chegamos em Corumbá as 11:30 hs. Só abastecemos e já fomos para a aduana da Bolívia, pois a fama era que iria demorar mais de 2 horas. E realmente demorou... Quase 3 horas! O trâmite é: primeiro você vai na Polícia Federal do Brasil dar a SAÍDA do país, pois a Bolívia exige. Demorou uns 10 minutos. Depois, você vai até a imigração da Bolívia, a uns 100 metros adiante, para dar entrada lá. Não tem aonde estacionar as motos, fica meio estranho, o medo de furto, mas acabamos estacionando atrás do local, aonde tem algumas casas de câmbio, e uma senhora que trabalha lá "cuidou" as motos pra gente. Demorou uma meia hora, e estávamos com tudo pronto. Quer dizer, quase pronto... Fizemos o câmbio (1 dólar = $ 6,90 bolivianos), e fomos fazer a aduana das motos, agora. Tivemos que tirar cópias da CNH, passaporte, documento da moto e do papel da imigração, pra fazer a aduana. Feita a aduana, seguimos em frente, já dentro da Bolívia, para fazer o último trâmite, que é na verdade quase que uma armadilha, é uma autorização para circulação dentro do país, um tipo de "salvo conduto" que a policia de trânsito de Puerto Suarez dá, mas ninguém te avisa, e se te pararem na rodovia (E vão parar!), vão te multar ou mandar voltar... Não dá pra entender estas coisas... Fomos lá, pagamos $ 50 bolivianos cada um, e saímos com este documento na mão, na verdade um papel com um carimbo. Ainda bem que fizemos, pois não andamos 50 km e já nos pararam e pediram o tal documento. Seguimos pela rodovia 4N, com o intuito de seguirmos até San José de Chiquitos, a 375 km de Puerto Suarez... "Meio" apertado, já que era mais de 3 da tarde... Tocamos firme por 280 km, até Roboré, para abastecer. Antes de Roboré, eu vi uma placa de San Tiago de Chiquitos, e me lembrei de uma dica do Glauco, que dormiu já uma vez e me falou muito bem. Abastecemos, já bastante cansados, 700 km rodados, aduana demorada, temperatura bateu nos 37 graus, e após uma breve conversa resolvemos dormir em San Tiago de Chiquitos. Encontramos um amigo, cunhado do Arley, no posto, o César, que conhece o Padilha tbm, uma grande coincidência, o mundo é pequeno mesmo...
Santiago de Chiquitos nos surpreendeu, positivamente! É um lugar MUITO tranquilo, tem um hotel muito bom, um colégio antigo, os quartos enormes, muito confortáveis, coisa antiga mas muito bem feita. Tomamos um banho, e fomos jantar, logo ao lado do hotel. Umas cervejas Paceña, comemos um peixe e "pollo" frito, salada, mandioca e arroz. Muito bom! Eu quase não tinha dormido nada na noite anterior, menos de 3 horas de sono, e literalmente apaguei!
Tiramos poucas fotos hoje, e estão no celular, assim que conseguir baixar eu publico.

Dia 2, 09/04, domingo: Santiago de Chiquitos a Santa Cruz de La Sierra - 470 km
Hoje quando acordei já era passado das 6 da manhã, dormi pelo menos 8 horas sem parar. Bom demais! Cama boa, ar condicionado, lugar muito tranquilo e silencioso. O hotel é TOP, fica bem em frente a praça principal, é bonito e bem organizado. Pagamos $300 bolivianos o quarto duplo, o que da mais ou menos uns R$140,00 ou R$ 70,00/pessoa. Difícil achar preço assim no Brasil, com a qualidade que tivemos! Este lugar, Santiago de Chiquitos, foi uma bela surpresa, e eu recomendo pra quem quiser descansar, sem ser incomodado! Tem várias atrações, entre elas cachoeiras, rios, ruínas jesuíticas, monumentos naturais, etc... Tinha muita gente fazendo excursão por lá. Fica a 3 horas de Corumbá de carro, mais ou menos.
Tomamos o café da manhã, mais tarde, às 7:30 hs, depois nos arrumamos, tiramos umas fotos na frente da igreja matriz, e seguimos viagem.
Lá é mais alto do que a região, cerca de 660 metros, e por isso é bem mais fresco. Quando descemos os 14 km até chegar na rodovia principal, já esquentou e saiu de 26 para 30 graus, e isto porque não era nem 9 da manhã... Seguimos para abastecer em San José de Chiquitos, a 135 km dali. Passamos ao lado de uns paredões de pedra muito legais! Abastecemos em San José, um posto muito ruim, não tinha estrutura alguma, sem comida. Tomamos só água, e uns lanches e castanhas que o Guy nos deu. Por falar em abastecimento, por enquanto não tivemos perrengue algum, mas estamos pagando o DOBRO do preço que os bolivianos pagam, cerca de R$ 4,06/litro. É aquela história de que o posto tem que ter autorização para abastecer para estrangeiro, abrir um tipo de fatura, com o seu nome e passaporte, etc... E tem os militares ali cuidando... Isto é um absurdo, tratar turista assim, não dá pra entender também!
Depois de San José, faltavam 270 km pra chegar em Sta Cruz. Paramos mais uma vez no meio do caminho, em Pozo del Tigre, tomamos uma água, e seguimos. A chuva apareceu, mas tivemos sorte, e quando passamos já havia passado, pegamos só uma garoa leve, que até foi bom que refrescou. Chegamos em Santa Cruz, em um domingo, com o trânsito muito pesado, à procura do hotel, na verdade um apart-hotel chamado Terra Nova. Abastecemos, a chuva veio, e chegamos no hotel, graças ao Guy que lembrou do local, pois era impossível de achar com o GPS. Hotel ruim de achar, mas muito bom, apartamento grande, e bem confortável. Estamos aqui, agora, no restaurante do hotel, conversando, tomando uma cerveja, e combinando para amanhã, que realmente vai começar a ficar bom... Começam as curvas e a subida da cordilheira. Fiquem com a gente!
Abraços! Seguem algumas fotos, consegui baixar agora!


Igreja em Santiago de Chiquitos





Bolívia e Canyons do Peru

Após mais de um ano sem fazer viagem longa, lá vamos nós para mais uma aventura de moto!
Mas desta vez com uma turma e organização totalmente diferente e nova. Fui convidado pelo meu amigo de longa data Renato Lopes, de Santa Maria/RS, para acompanhá-lo até o Peru, e visitarmos os Canions, na região de Alis, Tomaz e Huaraz, na região chamada de "Cordilhera Blanca". São lugares totalmente diferentes e muito bonitos, mas um tanto longe, são necessários pelo menos 20 dias para fazer tudo.
O coronel Castilho ficou responsável de fazer o roteiro, pois já tinha ido lá de jipe há alguns anos atrás. O Castilho é extremamente organizado, e fez um roteiro impecável e muito detalhado. O Edson, também de Santa Maria, foi chamado para nos acompanhar.
Como o roteiro do Renato, Castilho e Edson ficou um pouco grande, voltando pelo Chile, convidei o meu amigo Guy para me acompanhar, e voltarmos juntos pela Bolívia, reduzindo o tempo da viagem em quase 1 semana.
Enfim, estava feita a cagada! kkk! O tempo passou rápido, e já perto da saída da viagem, uma semana, quase que tive que cancelar, pois apareceram muitos problemas para resolver, tanto do lado pessoal como do profissional. Tive que pensar muito, e pesar os ganhos e perdas, e com certeza fazendo a viagem só teria a ganhar, pois além de estar acompanhado de grandes e bons amigos, não poderia perder a oportunidade. Problemas vem e vão, e a vida é muito curta, e passa rápido...
Boraaaaaaa!!

Viagem Argentina e Chile Dez2016

Viagem com a familia pelo Paraguay, Argentina e Chile, em dezembro/2016.
8600 km ida e volta de carro.


Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.