domingo, 28 de abril de 2019

Redescobrindo o interior do MS!

De volta ao blog!
Ontem, dia 27/04/2019, fizemos um tour off-road pelos arredores de Campo Grande, com o objetivo de explorar, além da descontração e prazer de pilotagem na terra, com as nossas "crianças" de 260 kg... As GS vão muito bem na terra sim, obrigado!
Já fazia tempo que estou programando um passeio assim. Tem também a turma do Sul que virá aqui em breve, e quero - e preciso - mapear algumas rotas off road para Big Trail, que não seja tão radical mas que tenha algum desafio.
Assim, quando o amigo Max me mandou uma mensagem na quarta-feira, convidando, aceitei na hora, e já marcamos para este sábado, de manhã. Convidei alguns amigos, mas... cri, cri, cri, o grilo cantou... kkk! Como sempre quase ninguém topa, uns porque não sabem andar na terra ou tem medo mesmo, outros pra não sujar a moto, ou seja nutelagem mesmo... kkk! Brinco muito com esta situação, pois acho que menos de 1% dos donos de GS ou Big Trail se atrevem a andar com as motos na terra, nem que seja em pequenas incursões, esta é a realidade. Aviso a todos, que não precisa ter curso, a moto vai quase que sozinha, desde que andando de boa, claro, e com pneus e uma calibragem corretos. Não sabem o que estão perdendo! Estas motos andam na terra sim, foram feitas pra isso, é claro que sofre um pouco mais, pois são pesadas, principalmente em areia pesada e barro, mas aí é só escolher aonde vamos andar, e se aparecer algum destes desafios, encaramos, mas será uma exceção. É bom demais!
Combinamos de encontrar no sábado de manhã, as 8:30 hs, no Posto Figueira, do meu amigo João Francisco "Kikico". No final ficamos eu, o Max Codorninha e o Capitão Amora, nosso deputado Renan Contar. O meu primo Flávio desistiu de última hora pois teria que ficar com os filhos.
Encontramos, e saímos as 9:00 hs da manhã de Campo Grande, sentido norte/Cuiabá. O objetivo seria entrar à esquerda antes de Jaraguari, na placa para Rochedinho, perto da sede da Sementes Minuano, e passar na Furna do Dionísio, aonde temos muitos amigos fazendo trilha no sábado, como de costume.
E assim fizemos. Entramos na estradinha de cascalho batido, em um milharal, e já de cara tinha um pouco de areia, mas batida e molhada, já que tinha chovido na quinta. Areia molhada é uma beleza pra andar, pois fica mais firme. Tinha murchado um pouco os pneus (Heidenau K60, coloquei 25/35), e fica uma beleza! A moto fica na mão, melhora demais. Seguimos por uns 25 km até a Furna, e paramos um pouco lá, em um restaurante bem simples. Tinha uns trilheiros, conversamos um pouco, tomamos uma água e seguimos, agora sentido Rochedo.
Logo após a Furna, pegamos a direita, e seguimos sempre à esquerda na estrada principal, feita de cascalho batido, excelente. Estava esperando uns trechos de areia, mas não teve nada, só um pedaço muito pequeno, pois estavam patrolando, inclusive passamos pelas máquinas uns 10 km antes de chegar no asfalto de Rochedo. Paramos uma vez para tomar água, e sempre esperando os companheiros nas bifurcações. O Max com a GS800 Adv e eu e o Renan com as nossas GSA1200. Todos com pneus Heidenau K60. Após uns 110 km rodados desde Campo Grande, sendo uns 80 de off-road, chegamos no asfalto, faltando 12 km pra chegar em Rochedo. Tocamos até Rochedo, no tradicional posto de gasolina BR que sempre paramos, pra tomar uma água, e ali o amigo Renan retornou para Campo Grande, pois tinha compromisso no almoço. Já eram 11 hs da manhã. O amigo Dione e a sua esposa, foi lá nos encontrar. Decidimos tocar até o vilarejo do Taboco, pra almoçar lá, e depois seguir sentido Ponte do Grego, e sair em Terenos. Esta seria a nossa rota do dia! De Rochedo ao Taboco o GPS marcava 51 km, sendo 5 de asfalto e o restante de terra.
Seguimos para o Taboco, que eu nunca tinha ido, por uma estrada cascalhada, muito boa, as motos performando muito bem, na mão, andando a 80/90 km/h ou até mais algumas vezes. Logo chegamos, tiramos a tradicional foto na entrada da cidade, e fomos procurar um local para o almoço, pensando em algum lugar bem simples, um bar ou algo assim, pra comer um arroz com ovo frito. Mas, era dia de festa na cidade, um tipo de leilão, para arrecadar dinheiro para a igreja, e só tinha lá para almoçar, a R$15 por pessoa... Acabei encontrando alguns conhecidos, e fomos almoçar juntos, um belo de um churrasco raiz, no espeto de pau, típico daqui do MS, as mantas de carne muito arrumadas, carne excelente! Ficamos por lá até cerca de 13:30 hs, quando um dos conhecidos se ofereceu para nos guiar até umas cachoeiras da região, a tal da Ponte de Pedra, ou cachoeira do Constantino. Fomos ver o balneário do Taboco, e seguimos para a tal cachoeira, com o nosso guia à frente, em uma Lander 125, e outro carro junto, um casal, que também queria conhecer a tal cachoeira. Ali começou uma pequena aventura, com direito a travessia de córregos, areia mais pesada, pequenos sustos, até a entrada à esquerda em uma fazenda, e começamos a andar literalmente no mato, por estradinhas batidas, no meio das invernadas de gado, abre e fecha de colchetes/portões, até chegar no nosso destino final. Rodamos uns 18 a 20 km do povoado do Taboco até lá, mas parecia que era mais! Paramos as motos, e já dava pra ouvir o barulho do rio e as cachoeiras. Havia algumas motos paradas, e um pessoal acampado. Fomos andando até o rio, realmente muito bonito o lugar! Todo o volume de água do rio passa por baixo de uma pedra gigante, parecendo uma ponte de pedra, e tem alguns locais para nadar mais rasos. Eu estava usando uma bota de trilha que comprei a pouco, horrível para andar, estava apertando o meu pé, e quase não aguentava mais a pressão... Aquilo me desanimou demais, e com o horário já adiantado, já passava das 14:30 hs, resolvemos tocar para a Ponte do Grego logo, deixando os amigos por lá, pois não queríamos rodar à noite. Deixamos o banho para outro dia. Vale a pena programar uma hora para irmos lá e dormir acampado, assar uma carne, e curtir um pouco mais o lugar.
Saímos só eu e o Max novamente, abrindo e fechando um monte de colchete e portão, até a estrada principal, aonde pegamos à esquerda, agora sentido Ponte do Grego/Terenos. O meu GPS deu pau, e apagou de vez. Estava só por conta das instruções que o pessoal nos deu, de seguir sempre em frente, e na próxima bifurcação pegar à esquerda. Valeu demais este caminho! Passamos por lugares muito bonitos! Fazendas e mais fazendas, muito gado nelore bom, ladeados por paredões de pedra, rios, riachos, etc... Até um grande lobo Guará nos deu o prazer de avistá-lo na beira da estrada! Parou um pouco, me olhou, e seguiu o seu caminho! Passamos por alguns trechos de areia mais pesada com um pouco de emoção, mas nada demais! Rodamos uns 80 ou 90 km mais ou menos e chegamos na Ponte do Grego, aonde fizemos a última parada para tomar mais uma água e acabar de chegar em casa. Acho que tomei uns 3 litros de água ontem!
Saímos já quase 17 hs dali, por uma estrada cascalhada excelente, andando mais forte (100/110 km/h), por cerca de quase 50 km até chegar em Terenos, já quase escuro. Parecia que tinha garoado mais cedo, nem poeira tinha na estrada, estava boa demais de andar! Dali seguimos até Campo Grande, direto para o posto da Vania, para recalibrar os pneus, e tomar a última água (e "uma" que ninguém é de ferro...), pra acabar de chegar em casa. O meu GPS voltou a funcionar novamente, depois de retirá-lo da moto e reiniciar.
Esta foi a "aventura" do dia, rodamos cerca de 320 km no total, sendo cerca de 220 km de off-road e o restante asfalto. As motos estão bem sujas, as roupas também, e me cansei como há muito tempo não cansava, mas é bom demais!
A idéia é fazer todo mês uma dessa, pelo menos, agora no outono/inverno, que chove menos e o clima fica mais ameno.
Vamos aguardar os amigos do Sul, parte da turma que fez o Desafio Experience do Vantuir/Jackson, que ficaram de vir aqui agora em Maio/Junho! Esta será outra postagem, um tour off-road de 3 dias, saindo de Campo Grande, sentido Pantanal, e finalizando em Bonito!
Amanhã lavar a moto, e "com a alma lavada e enxaguada" começar uma ótima semana! E vamos que vamos!
Abraços a todos! Seguem algumas fotos para degustar:

As máquinas e a serra ao fundo!

Passamos por várias pontes de madeira!

A "ponte de pedra" da cachoeira do Constantino

A dupla: eu e o Max! Valeu parceiro!

Os pneus Heidenau K60 são excelentes para este tipo de tour off-road!

O prazer de ter o controle dessas motos não tem preço!

Amigo Dione e esposa conosco em Rochedo/MS

Povoado do Taboco


Estradão de terra, habitat natural das GS!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Paso Sico - uma maravilha da natureza!


Dia 8: Toconao a Salta - 540 km
Como está escrito abaixo do título do Blog, para tudo tem o seu tempo e hora... Deus é grande, fez tudo que existe, e mais uma vez nos abençoou com um dia maravilhoso, em uma travessia única, em um local abençoado!
Após uma noite mal dormida, preocupado, ansioso, tudo, absolutamente tudo, cooperou para que desse certo, desde o clima, o sol, a estrada, a companhia, a moto, enfim, tudo!
Achávamos que o rípio iria começar logo após a saída do hotel, mas na verdade, TODO O TRECHO DE SAN PEDRO DO ATACAMA, ATÉ O PASO, já está asfaltado! São 238 km de uma estrada maravilhosa, passando por locais cada vez mais bonitos e diferentes. Saímos da estrada várias vezes, subindo em morros, andando por trilhas, para tirarmos as fotos. Show! Fizemos estes 238 km em umas 3,5 horas mais ou menos. Saímos do hotel às 7:30 hs e chegamos na aduana Chile/Argentina quase 11 da manhã. Assim que acaba o trecho Chileno, começa o rípio. Um rípio meio solto, mas bom. Depois de uns 10 km, chegamos na aduana. Não tinha ninguém lá, e fizemos tudo em uns 15 minutos.
Depois fomos "almoçar", um lanche, e o pessoal da aduana, muito gente fina, nos deixou usar uma cozinha deles, com mesa, fogão, e tudo. Foi legal! O Stefano fez um café na cafeteira dele, e comemos um sanduíche de presunto e queijo. Saímos de lá era passado de meio dia, pra encarar os 135 km de rípio até San Antonio de Los Cobres, que o Amin tinha me falado que era do tipo "serrucho" (serrote), uma parte, e "fofucho" em algumas partes, com areia...
Esta areia que me preocupava mais, mas na verdade eram apenas em algumas partes da estrada, umas panelas de areia grossa, dava pra desviar e quanto tinha que passar, passamos de boa, a moto "sambava" um pouco e passava, na velocidade. Chegamos a andar a 90/100 km/h várias vezes, em uma paisagem show, parando várias vezes. Vimos muitas vicunhas, lhamas, burros selvagens, passamos por algumas vilas abandonadas, e outras com gente morando. Atravessamos alguns trechos de água. Passamos por vulcões, montanhas com altura passando dos 5 mil metros, cobertas por neve no seu topo. Campos verdes, lagunas de sal, e desertos de todas as cores possíveis. Obras de Deus mesmo! Os trecho de areia, são intercalados no meio do rípio bom, e tinha hora que dava uns sustos, mas não passamos perigo hora nenhuma. Na maior parte era rípio muito bom mesmo. Em uma parte, em um tipo de caracoles, passamos pela ferrovia do trem de las Nubes. Logo após, o pastor Stefano (Cabo Daciolo italiano), fez um tipo de altar e rezou um pouco, com a bíblia. Legal! O movimento já tinha aumentado, e passavam por nós carros, camionetes e caminhões carregados.
Já bem perto de Los Cobres, paramos em uma igrejinha na beira da estrada, pra tirar umas fotos, e aconteceu uma cena engraçada... Tinha 2 lhamas lá. Uma parida e a outra solteira. A solteira ficou nos encarando um tempo, e de repente partiu pra cima do Stefano, dando uns coices. Ele meio que se assustou, mas não correu, e ela ficou ali nos encarando... kkkk! Foi muito engraçado! Logo apareceram mais dois motociclistas, uns amigos do Ricardo Atacama, que estavam subindo para Tolar Grande. Conversamos um pouco, a lhama ali por perto, cheirou as motos, tentamos dar comida pra ela, mas não quiz, e saiu de perto. É uma sem vergonha! kkkk O Stefano não esquece a lhama!
Logo chegamos em San Antonio de Los Cobres, eram 13:40 hs da tarde, mais ou menos. De Los Cobres a Salta, já é tudo asfalto. Por isso fomos encher os pneus das motos, que estavam baixos, pois murchamos em Toconao pra fazer a parte de rípio. Não tinha ninguém no posto, pra usarmos o "aire" , e o paramos as motos em frente ao mercado de artesanato para usarmos o compressor do Stefano. Enchemos os pneus, e saímos rumo a Salta. Passamos em frente ao posto da policia local, e vimos um monte de gente parada na rodovia. Era uma greve, que acabava de começar, fechando a rodovia... Os moradores locais, a maioria indios, estavam reclamando da água da cidade, que não é potável, e tem problemas de contaminação com metais pesados, e estavam protestando e fecharam a estrada, para que as autoridades tomassem alguma providência... Tentamos passar, mas não deixaram. Havia uma possibilidade de dar uma volta por um caminho velho, mas já estava fechado também. Logo se formou uma longa fila de carros, com a gente lá na frente. Conversamos, dialogamos, tentamos negociar, mas não teve jeito! Se a estrada estivesse aberta, iríamos chegar em Salta às 16:30 hs da tarde! Mas ficamos ali por umas 2:30 horas, e abriram a estrada somente às 16:30 hs. Saímos na frente da fila, descendo aquela cordilheira, curvas e mais curvas, até chegar em Salta, às 18:30 hs. Demora muito até chegar na cidade, pois passamos por outras cidades, bairros e vilas. Fomos direto abastecer no primeiro posto YPF que eu vi. Abastecemos, tomamos um lanche, muita água e sucos, e fomos atrás do hotel. Eu acabei reservando um hotel trocado, muito ruim, um tipo de pousada, e cancelei. Fomos para outro hotel (Ankara Suites), no centro da cidade. Após um bom banho, fomos à pé jantar no Dona Salta, uma obrigação quando estou em Salta, pra mim a melhor carne que existe na Argentina! Tomamos um vinho, comemos umas saltenhas, e o famoso "Bife de Chorizo" argentino! Show pra fechar o dia! Voltamos para o hotel para dormir o sono dos justos, após um dia tão intenso e legal! Pra mim, que já fiz uns 12 pasos, nas minhas contas, o Sico superou todas as expectativas, e acredito que seja o paso mais bonito que já fiz até hoje! Muito legal mesmo! Valeu a pena demais ter feito!

Dia 9: Salta a Formosa - 940 km
Pra resumir: hoje fizemos o caminho pela ruta81, que o Stefano não conhecia, e quiz conhecer. Foi legal, mas atravessar o Chaco, não se compara com um Paso fronteiriço... Graças a um erro do GPS, que atalhou e fez a graça dele, passamos por um trecho de rípio, entre San Pedro de Jujuy e Embarcacion... Mas deu tudo certo. Foi cansativo, calor de 34 graus no fim da tarde, e encerramos o dia no mesmo hotel da ida, o Asterion, com uma bela cerveja Quilmes, uma janta e até licor de sobremesa! Guenta!
A viagem até aqui já soma os 5.400 km e deve passar dos 6 mil km com certeza! Os pneus já estão no seu final (eu estou usando o Anakee Wild, já com 6,5 mil km rodados, e o Stefano com o Karoo3, com 4,5 mil km), mas devem aguentar chegar em casa sim.
Amanhã chegaremos em casa se Deus assim quiser! Um abraço a todos, e continuem conosco!
Seguem algumas fotos do Paso Sico!

Placa antes de San Pedro do Atacama

Foto pra fazer um quadro!


Amigo Stefano fazendo pose...


Olha só essa!


Esta é a placa do Paso Sico

Rípio bom do techo entre a aduana e San Antonio de Los Cobres

Nosso almoço na aduana

travessia de riachos


A greve dos moradores locais, bloqueando a rodovia para Salta!

A já famosa lhama do Stefano! kkkk



Trechos de off road!


Nosso altar nos caracoles do Paso Sico!






San Pedro do Atacama pela quinta vez!

Dia 6: Copiapó a Taltal - 300 km
Em Copiapó, após a manhã livre, saímos para almoçar na Bahia Inglesa, a 70 km ao norte, nosso caminho de subida a San Pedro de Atacama, nosso destino no outro dia, já que eu e o Stefano resolvemos fazer o Paso Sico. Bahia Inglesa é um tipo de balneário de Copiapó, uma praia bem pequena e muito bonita, com águas transparentes, mas com aquele típico vento frio do pacífico... Almoçamos bem em frente a praia, e após o almoço nos despedimos dos amigos Ricardo e Luis Aurélio, gente boa demais, companheiros de viagem pra qualquer hora! Já agradeci o Ricardo mais de uma vez por ter me convidado para esta viagem, e aqui lembro mais uma vez! Graças a ele conheci o Paso Pircas Negras e Sico! Eu e o Stefano tocamos mais 230 km até Taltal, uma cidadezinha litorânea, bem legal, pegamos o hotel Gali, e à noite fomos jantar e tomar um vinho em um restaurante local, à beira mar.

Dia 7: Taltal a Toconao - 530 km
Na quarta, saímos de Taltal às 8 da manhã, após uma boa noite de sono. Estava frio, uns 17 graus, mas logo que subimos e pegamos a via Panamericana (5), esquentou bem, chegando a 34 graus. Encontramos 3 motos do Brasil, um pessoal de Venancio Aires, motos pequenas (300 cc), bem carregadas, indo para San Pedro do Atacama. Conversamos um pouco e seguimos. Tivemos que voltar um pouco, uns 17 km, pela R5 para irmos ver a Mão do Deserto. Paramos lá por um tempo e tiramos algumas fotos. Sempre vale a pena! Depois passamos em Antofagasta, abastecemos, comemos em lanche rápido no Macdonald's e fizemos um pouco de câmbio em um shopping local (1 dólar = 695 pesos chilenos). Depois fomos em uma loja de motos (Big Trail Service), do amigo Zeferino, um argentino figuraça, que nos recebeu muito bem, conversamos um pouco, trocamos a pastilha de freio da moto do Stefano, vimos os nossos pneus, que ele achou que chegaria em casa tranquilo (estávamos ansiosos com isto!) e seguimos rumo a Calama/San Pedro/Toconao. A escolha de Toconao foi coisa do Stefano, que achou mais barato, e mais perto do Paso Sico (38 km...). Passamos pelo deserto do Atacama mais uma vez, Calama, e chegamos em San Pedro mais ou menos 17:30 hs. Fomos abastecer, andando naquele labirinto pra achar o posto! Não me esqueço da vez que perdemos do Gaudêncio em San Pedro... rsrsrs... Abastecemos, paramos as motos perto do centro, e fomos fazer um lanche e tomar um café na praça perto da igreja de San Pedro. Ali você encontra gente do mundo todo, americano, suiço, alemão, etc... E muito brasileiro, claro! Depois compramos uns lanches para a travessia do Paso Sico, no outro dia, em um mercadinho (Água, suco, sanduiches). Tocamos até Toconao, já quase 19 hs, mas o sol em cima, e alto ainda! Depois de uns 40 km chegamos, e tivemos uma certa dificuldade de achar o hotel, pois era fora da cidade, um tipo de hotel fazenda. Mas achamos. Na verdade era um tipo de clube, que os funcionários estão administrando, e está um pouco abandonado, mas funcionando. Naquela hora, já fim do dia, o pessoal das mineradoras estavam chegando em peso, pois é bem mais barato que os hotéis de San Pedro (US$45 o quarto duplo com desayuno). Paramos as motos perto do quarto, tiramos as coisas, tomamos um banho e fomos jantar, junto com o pessoal das mineradoras. É uma janta com prato feito (Salmão com arroz), simples mas muito boa. O quarto tinha pernilongo (aonde estão procriando, naquele deserto?!), e fedia um tipo de cera. Acabei não dormindo bem, demorei muito pra pegar no sono, dormi mal, acho que por causa de um chá preto que tomei após a janta... Mas no final consegui dormir um pouco.

Na Bahia Inglesa, perto de Copiapó

Estrada Copiapó - Bahia Inglesa

Chegando na Bahia Inglesa!

Almoço de despedida dos amigos Ricardo e Luiz Aurélio (meninão do grupo... rsrsrs)

Parada para um café antes de Antofagasta...

Bahia Inglesa

Laguna Verde no Paso San Francisco, que o Ricardo e o Luiz fizeram no dia seguinte

Mais uma vez em San Pedro do Atacama!

Motos descansando no hotel em Toconao

Oficina Big Trail Service do amigo Zeferino

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Ruta 40 e Pircas Negras!

Dias 4 e 5: Calor de 42 e frio de 4 graus! Os extremos de viajar de moto!

Dia 4: Belén a Vinchina - 420 km
O hotel em Belén foi uma ótima surpresa! Um hotel rural, no meio do nada, com atendimento nota 10 e ótimo conforto. Acordamos, tomamos o café, e saímos às 9:30 hs rumo a Vinchina. O calor do dia anterior já não estava tão forte, 26 graus, mas esquentou rápido, chegando a 34 graus ao meio dia. Paramos em Chilecito para comer alguma coisa e abastecer, rodando pelo asfalto impecável da R40. Quem andou na R40 com rípio, guarde na lembrança, pois acabou... Só asfalto, e de ótima qualidade. É impressionante como a Argentina, com toda a dificuldade que está passando, tem estradas de tão boa qualidade, se comparado ao Brasil. Nossas estradas são uma vergonha! Após a parada em Chilecito, pegamos a Cuesta de Miranda, uma sequência de curvas e montanhas muito legal, que já havia passado 2 vezes, em 2013 e 2015, mas cada vez parece mais bonito! Paramos em Villa Union para abastecer novamente e comprar "mantimentos" para a subida do Paso no outro dia, pois já sabíamos que não teria nada para comer nem beber. O Stefano resolveu seguir sozinho e acampar lá em cima da cordilheira, ele gosta e fez questão, então em Vinchina nos despedimos, enchemos os tanques novamente, e fomos para o hotel, que o Ricardo havia reservado. Tomamos um banho e fomos procurar alguma coisa pra comer, mas estava tudo fechado! Como é o normal aqui, tudo fecha das 15 as 18 hs, e os restaurantes abrem tarde, lá pelas 21 hs. Conseguimos achar uma lanchonete aberta que nos salvou, tomamos umas cervejas com bolachas e deu pra aguentar até o jantar... Fomos jantar em um mercadinho perto do hotel, comemos um sanduiche e fomos dormir mais cedo, porque no outro dia seria o nosso primeiro desafio, com altitude, rípio e aduana pra encarar. O hotel é muito fraco, sem atendimento, mas o quarto grande e tinha ar condicionado pelo menos. Serviu bem, paramos $620 pesos cada um, ou cerca de US$18,00 dólares. Muito barato.

Dia 5: Vinchina a Copiapó – 390 km
Finalmente chegou o dia de encararmos o nosso primeiro desafio, atravessar a cordilheira dos Andes pelo Paso Pircas Negras! Este paso eu nunca tinha feito, e tem fama de ser mais difícil, apesar que ultimamente estão asfaltando tudo, o que facilita muito as travessias dos Pasos.
Acordamos às 6:00 hs e saímos do hotel às 7:30 hs. O "desayuno" muito fraco, e até arrumarmos tudo, demora um pouco. Logo após sairmos de Vinchina, já começa um rípio bom, mas um pouco solto e com muitas curvas. Depois, quando começa o altiplano, chegando em Alto Jaguel, começa o asfalto. Curvas é rípio, retas é asfalto. Mais ou menos assim, mas a maior parte é rípio. Quando subimos acima de 4 mil metros, começou um vento fortíssimo, e a temperatura firmou em 5-7 graus. Quase passei frio, o pé gelou (apesar de ter levado, não coloquei a meia grossa...), e mesmo com a segunda pele grossa, por causa do vento, estava bem frio.
E fomos tocando, para encontrar o Stefano, que iria nos esperar perto da Laguna Brava, inclusive tinha mandado a localização dele pelo Spot. Passando pela laguna, começou novamente o asfalto, e encontramos o italiano na beira da estrada. O vento era tão forte, que não dava nem pra parar e conversar... Por sorte tinha um abrigo de pedras, feito a mais de 100 anos para abrigar tropeiros, que o Stefano montou a barraca dentro e conseguiu se "abrigar" do vento e do frio. Mas não dormiu sozinho... Perto do abrigo havia um túmulo de pedras, com os ossos à mostra... Vai saber quem era? Enfim, esta história ele mesmo pode contar pra vcs...
Seguimos pelo asfalto muito bom, mas tinha umas partes com os "penitentes", a neve típica destes pasos, passava pela pista, e formou gelo, extremamente escorregadio. Eu estava na frente, e resolvi passar pelo acostamento, que é de rípio. Como a moto é pesada, o rípio afunda e quebra o gelo, então passei de boa. Logo atrás passaram o Stefano e o Luis Aurélio, sobre o asfalto, e por sorte não caíram. O Ricardo não teve tanta sorte, e a moto dele escorregou no gelo e caiu, mas bem devagar, sem problema. Para levantar a moto, deu um trabalho danado, pois não conseguíamos ficar em pé no gelo, é muito liso! Enfim tiramos a moto do gelo, e levantamos. O Ricardo passou pelo acostamento, aonde eu havia passado, e fomos em frente. O vento incomodando demais! Logo antes da aduana, passamos por dois viajantes, alemães, em duas motos, uma GS650 e GS800, bem carregadas. Eu nem parei, e fiquei sabendo que eram alemães na aduana. Antes da aduana passamos por outra parede de gelo, e agora todos passamos pelo acostamento de rípio, sem problema algum. Creio que é por isso que este paso fica fechado, devido ao gelo que fecha vários trechos da pista, durante o inverno. Lembro que o Pircas Negras estava fechado e abriu agora dia 05/novembro último.
Chegamos na aduana mais ou menos meio dia, paramos as motos em fila, e fomos fazer os trâmites normais (saída da argentina e entrada no Chile). As duas aduanas (Argentina e Chilena), são integradas. Só que ai a internet da aduana argentina caiu, e ficamos esperando por mais de 1 hora voltar. O vento parecia que ia arrancar o teto da aduana, assobiava forte, em rajadas. Após voltar a internet, demos entrada no Chile, e o fiscal foi revistar todas as motos, abrindo as malas uma por uma, e fuçando em tudo, até nas malas de roupas, escova de dentes, etc... Sempre fazem isso!
Saímos da aduana já passado das 14 hs, o vento pegando forte, muito forte mesmo. Tínhamos 200 km de rípio para enfrentar ainda, até Copiapó. Aprendi a pilotar em pé, colocando o peso na pedaleira contrária, e "jogando" a moto contra o vento. Até que funcionou. Por duas vezes o vento quase me tirou da pista. Mas pelo menos o sol a pino, até ajudou um pouco com a temperatura, fazia uns 7-8 graus. Logo após a aduana uns 30 km, tem o marco da divisa Argentina/Chile. Paramos um pouco lá pra tirar fotos, mas parecia quase impossível por causa do vento! Logo após este marco, começou a descer, e o vento deu uma enfraquecida, apesar de não parar até quase perto de chegar no asfalto! As paisagens de tirar o fôlego, muito, mas muito bonitas! Paramos várias vezes pra tirar fotos, tomar uma água e até lanchar. Antes de chegar no asfalto uns 90 km, o rípio melhora muito, fica um tipo de terra batida, e dá pra andar mais rápido, apesar de ainda ter uma outra cadeia de montanhas, que tivemos que subir, para só depois começar a descida de vez, mas bem lenta. Muitas criações de um tipo de jumento negro, que tem muito por aqui na cordilheira, além de gado bovino, cabritos e carneiros. Chegando perto de Copiapó tem bastante videiras de uvas.
Enfim, chegamos no asfalto! Já era quase 18 hs, mas o sol forte ainda. Eu estava muito cansado, um pouco de dor de cabeça, mas logo passou. Paramos em um posto Copec para abastecer, tomamos uma água e fomos para o hotel (Las Pircas), que o Ricardo havia pego o nome, mas não tínhamos reserva. Havia vaga sim, o valor US$64 o apto duplo, preço até bom para a qualidade do hotel e por se tratar de estarmos no Chile... Aqui tudo é mais caro! A gasolina 95 octanas aqui está o equivalente a R$ 7,80 o litro mais ou menos... Por isso não falem mais que a gasolina está cara no Brasil! O Luis Aurélio foi ver pneu pra moto dele, que já está do meio para o fim, e não vai aguentar voltar até o Brasil. Eu e o Stefano estamos com pneu meia vida pra frente, pois acaba que rodamos 90% asfalto, e estes pneus de terra acabam rápido! Se acharmos pneu aqui vamos comprar e levar na moto, pra trocar na Argentina, pois lá não acha pneu fácil! Mas vamos rodar mais com os nossos pneus, pelo menos mais uns 1500 km aguenta fácil.
Após um banho, à noite fomos jantar no hotel mesmo, comemos ceviche, frutos do mar e carne, regado a vinho chileno, em um jantar muito bom!
Hoje, após um sono reparador, tomamos o café, o Ricardo e o Luis Aurélio foram trocar o pneu da KTM, e eu e o Stefano ficamos aqui no hotel, arrumando as coisas, trabalhei um pouco no computador, atualizar blog, etc...
Daqui pra frente nós vamos nos separar. Eu e o Stefano vamos seguir até San Pedro do Atacama, passando por Taltal antes, e vamos fazer o Paso Sico, provavelmente na quinta feira. De San Pedro queremos chegar direto a Salta, no mesmo dia, ou até Cachi, se render bem. O Ricardo e o Luis Aurélio irão fazer o Paso San Francisco, e sair por Fiambalá. Talvez a gente se encontre em Resistência ou por ali, na sexta-feira, mas vai depender de tudo dar certo. A companheirada é muito boa! Quero deixar aqui registrado o meu agradecimento ao amigo Ricardo, por te me convidado para esta viagem! Está sendo muito bom, turma afinada, aventureira, que gosta de desafios!
Espero fazer muitas viagens como esta ainda!
Seguem algumas fotos da travessia de ontem!
Em breve atualizo novamente, possivelmente em San Pedro.
Abraços!

Luis Aurélio na subida do Paso



As vicunhas já começaram a aparecer na altitude!

Foto pra fazer um quadro!

Esperando na aduana!

Marco da divisa Chile/Argentina no Pircas Negras


Abrigo de tropeiros, que o Stefano dormiu acampado




Ossada encontrada em um túmulo ao lado do abrigo!

Aduana
Em pleno Paso, altitude e muito vento!


Interior do abrigo que o Stefano acampou


A neve algumas vezes quase atravessava a estrada!

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
51 anos, casado, zootecnista, empresário, carnívoro convicto e motociclista.