terça-feira, 3 de outubro de 2017

Não é ruim pilotar na chuva??

Neste ultimo final de semana fiz uma viagem curta, de 1.800 km ida e volta, para o interior de São Paulo, de moto, claro! Sai de casa na sexta-feira e cheguei na segunda, embaixo de chuva torrencial.
Uma das coisas que a grande maioria de amigos motociclistas evita – pelo menos os que eu conheço – é andar de moto com chuva, e confesso que quando acordei, na manhã de sexta-feira, eu até pensei em ir de carro e deixar a moto na garagem... Mas passou rápido e logo depois resolvi encarar, e sai de casa literalmente debaixo d’água, já devidamente bem equipado e preparado. O engraçado é que, após a confirmação de que estava realmente bem protegido e não ia me molhar, a pilotagem ficou muito boa e prazeirosa! A temperatura ambiente, que uns dias atrás batia na casa dos 37 graus, com um calor insuportável, ficou na casa dos 18 a 20 graus, pra mim a ideal para viajar de moto. Com uma música no capacete, e uma tocada na faixa de 110/120, de boa, a viagem foi muito bem. Quase meditando ou ainda "matutando" assuntos diversos comigo mesmo ali dentro do capacete, fiz uma bela de uma moto-terapia... Mas aonde eu parava, as pessoas perguntavam: “Andar de moto com este tempo é ruim, né?” e eu concordava e com um pequeno sorriso respondia: “É. Mas acostuma...” rsrsrs...
A máquina, um colosso chamado BMW R1200GS Adventure, que pra mim é muito melhor do que andar de carro, parecia não se importar com aquela água toda, e andava até melhor, nesta tocada ela parece ronronar...
Engraçado também são as opiniões e conselhos dos frentistas de postos e outras pessoas que conheci e conversei nas paradas que fiz. Todas quase sempre pessimistas e um tanto exageradas! Um deles me disse que deveria dar uma volta de 200 km a mais pra não passar no trecho entre Água Clara e Três Lagoas, no MS, pois a estrada estava literalmente desmanchando, e isto fora o perigo de cair em cima de mim toras de eucalipto dos treminhões que infestam este trecho, transportando a matéria prima básica para as fábricas de celulose da Fíbria e Eldorado... Um outro me disse que havia tanta “panela” na rodovia, que iria estourar a minha roda e pneu. Eu fiz que não ouvi, simplesmente segui adiante e  passei o tão famigerado trecho, sem ver as tais panelas (tem um pouco logo na saída, mas logo acabam), e nem as toras de eucalipto na pista... Não tenho nada contra esta importante categoria de trabalho, mas o tal do frentista de posto é um caso à parte! Já ouvi tanta coisa, tantos exageros ou mesmo total desconhecimento, que nem parece que a pessoa mora ali naquela cidade e conhece a região! Ou seja, se queremos seguir com a nossa viagem, não podemos ouvir os conselhos negativos das pessoas...
Quanto a pilotagem, pra mim, o mais importante, principalmente na chuva, é a visão clara e total do ambiente que estamos trafegando. A visão da estrada, a visão do todo, você precisa estar atento tanto para frente como para trás. Nas ultrapassagens, os grandes caminhões e carros maiores soltam aquela neblina, ou “spread” de água, que tira muito da visão do que vem pela frente nas ultrapassagens, e isto é um perigo, pra mim o maior deles. Na verdade foi a única situação de risco que passei, por menor que seja. O resto é tomar cuidado, andar devagar, com pneus novos e sempre atento.
Uma outra observação que eu quero fazer, é a respeito de equipamentos, que é muito importante, e na chuva mais ainda. Só quem já sofreu com um capacete embaçado em uma chuva, sabe do que eu estou falando... É por isso que ás vezes temos que pagar um pouco mais caro em coisa boa, pois quanto vale a sua vida??! A única coisa que realmente evita do capacete embaçar na chuva ou no frio/neblina é usar uma viseira dupla, ou pin-lock. Muitos capacetes já tem faz tempo, e realmente vale a pena usar! Eu estou usando atualmente o Shoei Neotec, pra mim o melhor capacete escamoteável que eu conheço. Recomendo! Em relação a roupa, estou usando atualmente a jaqueta Badland, da marca americana KLIM, que garante 100% que o piloto não vai se molhar, e realmente não molha! Impressionante, esta roupa funciona muito bem! Sai e cheguei em casa totalmente seco, apesar de andar mais de 1.000 km do total sob chuva intensa, sem colocar capa de chuva. Em 2015, também usei esta roupa em uma viagem para a Carreteira Austral, pegamos chuva por vários dias, e pude comprovar que realmente não entra água.
Enfim, pra quem tem medo ou receio de viajar de moto com chuva, equipe-se e saia de casa, que vale a pena! Fiz uma ótima viagem, solo, e pude curtir tanto a estrada quanto a moto, de maneira até melhor do que se não estivesse chovendo. A única ressalva é a despesa pra lavar a moto e a roupa quando cheguei em casa... Mas isto eu iria fazer de qualquer forma... E bora viajar! Abraços!

domingo, 14 de maio de 2017

Dias 13 a 15: Do Pacífico ao Brasil em 3 dias!

Dia 13: Arica/CL a Cochabamba/BOL - 672 km
Acordamos as 6:00 hs, escuro ainda. Às 6:30 estávamos tomando café, e as 6:45 hs saímos do hotel. O Guy pediu para abastecer, calculou mal, e paramos no mesmo posto que eu havia parado na noite anterior... rsrsrs... Seguimos rumo a Putre, o GPS teimava por uma rota diferente, mas eu fui pelas placas, que já tinha visto antes. Seguimos pela estrada para Putre agora, e o dia começou a clarear, conforme íamos subindo cada vez mais, e o tempo esfriando... A estrada muito boa, e muito bonita também. Quando chegamos em Putre, a 140 km de Arica, o Guy me pediu para abastecermos, pois possivelmente não haveria gasolina na Bolívia, e poderíamos passar aperto... Como não tem posto em Putre, tivemos que comprar um galão de 20 litros, e dividimos. Deu pra encher os dois tanques, até derramar. Seguimos nosso roteiro, por um parque nacional muito bonito, e a estrada começou a encher de caminhões, indo para a Bolívia. A maioria caminhões com combustíveis. Logo chegamos na aduana do Chile, com reformas na estrada, e várias partes de rípio, ou uma pista só. Fizemos a saída do Chile, sob uma altitude de 4.100 metros... Novamente aquela altitude... Seguimos em frente. Entre as duas aduanas, um espetáculo à parte, tem 2 vulcões à beira da estrada. O clima estava limpo e o sol a pino, mas muito frio. Deu pra tirar muitas fotos! Depois de uns 5 km, tinha a aduana da Bolívia, mas bem diferente daquelas de Desaguadero e Corumbá. Esta é arrumada, organizada e não tinha quase ninguém! Paramos as motos, e fomos fazer os procedimentos: imigração (entrada na Bolívia), aduana (foram ver as motos, chassi, documento, CNH), e depois para finalizar tem uma parte sanitária. Não falaram nada de pagar alguma taxa para a policia. No final, tinha que devolver um papel em uma guarita, mas não tinha ninguém lá. Entregamos para outra pessoa, e fomos embora. Logo à frente, tinha uma fila enorme de caminhões, para entrar no Chile, e um posto de gasolina. Portanto, TEM POSTO SIM NA ADUANA DA BOLIVIA COM O CHILE POR PUTRE. Como já tínhamos abastecido em Putre, não abastecemos, e seguimos rumo a Patacamaya, a 190 km dali. Dava pra chegar tranquilo! Paramos pelo menos umas 3 ou 4 vezes para tirar fotos, até chegar em Patacamaya, aonde abastecemos, pagando o preço para estrangeiros ($ 8,00 bolivianos, ou cerca de R$ 4,00). Nesta estrada entre a aduana boliviana e Patacamaya, é muito bonita e vale a pena passar! Montanhas, nevados, vulcões, lhamas, etc... Depois pegamos a mesma pista dupla que havíamos passado na ida, entre La Paz e Cochabamba, só que no sentido contrário. Rodamos por uns 90 km, até Caracollo, bem no trevo que vai para Oruro, e paramos ali para comer. Eu estava MUITO mal, dor de cabeça, febre, não queria saber de nada, nem comer nada. Tomei uma água, um energético, e o Guy comeu um prato de filé com fritas. Acho que o jantar do dia anterior piorou o meu quadro de infecção intestinal mais ainda. Eu estava com um tipo de virose, na verdade. Seguimos então para os últimos 190 km até Cochabamba, só que desta vez estava seco, a estrada boa, e só nos dois, a tocada firme nos 110/120, rendeu bem. Chegamos em Cochabamba as 16 hs da tarde, com o sol alto. Paramos para abastecer na entrada da cidade, e depois fomos para o mesmo hotel que ficamos na ida (Hotel Regina, a $380,00 o quarto duplo). O Guy ainda sugeriu tocarmos até Villa Tunari, mas eu não tinha a menor condição. Tomei um banho, e fui pra cama, tremendo de frio, por causa da febre. Tomei um remédio para gripe que havia levado, bastante água, e um sal de fruta. Acordei depois de umas 2 horas com o Guy chegando no quarto com uma bandeja, com sopa para os dois... Este é meu companheiro de viagem! Grande Guy! Aquela sopa me fez muito bem, tomei, e melhorei bastante! Fomos dormir, Cochabamba fica a 2.600 metros, ainda senti um pouquinho de falta de ar, mas dormi assim mesmo, sem problema. Outro dia estava zerado!
Conseguimos fazer o "pulo" da cordilheira, em um único dia, de forma tranquila, sem correr, andando a 120/130 km/h de cruzeiro. Esta com certeza será a nossa rota de agora em diante, em viagens para o norte, Colômbia, etc...

Cidade de Putre

Guy abastecendo a moto em Putre

Vulcão na divisa Chile/Bolivia



Dias 14 e 15: Cochabamba/BOL a Campo Grande/MS - 672 km
Acordamos as 7:00 hs, e fomos tomar café. Eu tinha visto uma outra moto de cima do apartamento, no estacionamento, mas quando saímos já não estava lá. Desta vez conseguimos sair do trânsito louco de Cochabamba tranquilos, e logo estávamos na rodovia. Subimos novamente a quase 4 mil metros, e depois voltamos a descer, agora em definitivo, rumo a mata e o calor. O tempo começou a fechar. Chegamos em Vila Tunari, tentamos abastecer em 2 postos, mas não permitiram... Este negócio do abastecimento na Bolivia é pra acabar! Aí entra a vantagem da GS Adventure, pois eu estava bem mais tranquilo, se não der aqui, abasteço mais pra frente, mas o Guy começou a apavorar. Seguimos adiante, e tinha um posto com pouca fila, aonde entramos. Ficamos na fila das motos, e acabamos abastecendo pelo mesmo preço dos Bolivianos mesmo... Vai entender... Graças a Deus! O plano era dormir pra frente de Santa Cruz de La Sierra, se desse em San José de Chiquitos. Passamos por Sta Cruz, e o transito melhorou bastante. Abastecemos novamente antes de Sta Cruz, novamente a preços de nativos. Estávamos com sorte! Conseguimos tocar até San José de Chiquitos, chegando já escuro, as 18:30 hs. Abastecemos, e fomos procurar um hotel. Achamos um ótimo, um hotel Boutique da Mama, pensa em um hotel bom! Espaçoso, quartos grandes, ar condicionado, padrão 3 estrelas ou acima! Um achado! Tomamos banho, e fomos jantar à pé, bem em frente ao hotel. Tinha um mercado e ao lado um restaurante bem simples. Eu comi um lanche e o Guy um frango com batata, para se despedir! rsrsrs...
Passamos no mercado depois da janta, e compramos alguns vinhos bolivianos, da região de Tarija. Ainda cabia na moto...
No outro dia saímos após o café, lá pelas 7:30 hs. O mesmo roteiro de ida, sem surpresas, e chegamos na aduana em Puerto Quijarro, as 11:30 hs, parando para abastecer em Roboré, o mesmo local da ida.
Para dar a saída da Bolívia, mesma coisa, primeiro a imigração, e depois a aduana da moto. Depois fizemos o cambio, trocando o que restou de bolivianos por reais. Depois fomos para o lado brasileiro, e lá que foi o problema! Havia uma fila enorme, e apenas uma pessoa atendendo! Gastamos meia hora pra sair da Bolívia, e quase 2 horas pra entrar no Brasil! Mas... Precisa dar entrada no Brasil??? Esta era a minha dúvida! Fui perguntar, e me falaram que sim, que se eu dei saída, teria que dar entrada, ali mesmo, pois tinha entrado por terra... Ficamos ali na fila, até nos atenderem! Saimos dali já eram 14 hs, e paramos em Corumbá para abastecer e comer alguma coisa. O Casagrande e o Marcel iam nos esperar em Miranda, voltando de Bonito, mas com este atraso, mandei mensagem que iríamos demorar, e os dois foram embora. Após Corumbá, já em terras Sul-Matogrossenses, paramos para abastecer logo após Miranda, e depois chegamos em casa, às 19:00 hs de sábado, dia 22/04. Foram 15 dias de viagem, aonde rodamos cerca de 7.500 km. Estava com a barba enorme, e fui direto a uma barbearia perto da minha casa. O cara me viu com aquela roupa suja, e perguntou de onde eu estava vindo. Eu disse: "Do Chile, Peru e Bolívia" kkkk! Fiz a barba, e segui para casa, para o meu lar. Viajar é bom demais, mas chegar em casa é melhor ainda!
Realmente foi um grande prazer viajar com esta turma! Nunca havia viajado com nenhum deles, e foi espetacular, cada um do seu jeito, a sua maneira, contribuindo para o sucesso do grupo. Não temos que provar mais nada pra ninguém, cada um faz o que quer, e juntar um grupo de amigos assim, não é fácil, dar tudo certo. Tem o apurado, o atrasado, o engraçado, o sério, o reclamão, o solícito, o quieto, o falador, etc... Quando dá tudo certo, é bom demais! E deu tudo certo! Agradeço de coração aos meus amigos Renato Lopes, Edson e Castilho, de Santa Maria. O Renato, meu velho amigo de longa data, meu guru e mestre das artes motociclisticas, sempre foi o meu sonho viajar com este parceiro! Valeu demais, aprendi muito! O Edson, pessoa simples, companheirão, bom de conversa, sempre de alto astral, foi uma ótima surpresa! O Castilho, já conhecia, e se confirmou mesmo o que eu esperava, sempre à postos, topa tudo, não tem tempo ruim, sempre à postos! Em especial, quero agradecer ao meu companheiro Guy, meu amigo também de longa data, o qual escolhi para me acompanhar nesta trip. Ele foi fundamental em algumas situações, sempre proativo, querendo ajudar a todos, e muito participativo. Me ajudou demais, quando estava doente, foi um grande companheiro e estava ali! Eu me desculpo com ele por querer tocar à noite, no trecho entre Alis e San Vicente, pois eu quando coloco uma coisa na cabeça, vou até o fim! Mas deu tudo certo! Enfim, não fizemos todo o trecho programado, mas faltou pouco!
O trio Renato/Edson/Castilho, continuaram até Huaraz, fazendo o Canyon del Pato, e chegaram em casa 8 dias depois da gente. Realmente não podíamos, mas uma hora fazemos novamente.
Agradeço a todos que nos acompanharam, e me desculpo por para de postar, mas realmente eu não estava muito bem para escrever, e por isso não continuei. E quando cheguei em casa, nunca havia tempo.
Agora está tudo ai! Um grande abraço a todos e até a próxima trip!

Aduana do Brasil... A pior!
Parada no Redondo, na ida, primeiro dia

Hotel em Santiago de Chiquitos

Igreja de Santiago de Chiquitos

Entre Roboré e Sta Cruz de La Sierra

Em Sta Cruz com o amigo Arley

Restaurante em Villa Tunari


Entre Cochabamba e Coroico


Hotel em Coroico

Começando a Estrada da Morte!






Dias 9 a 12: Canyons e Litoral peruano!

Dia 9: Uripa a Huancayo: 425 km
Enfim começamos a rodar nos canyons que viemos procurar! Hoje, saímos logo após o café que quase não sai, mas depois a filha do gerente do hotel resolveu fazer pra gente... Frio, agasalhados, saímos. O Castilho se perdeu em uma rua de terra, coisas de GPS... Pegamos a rodovia e seguimos rumo a Ayacucho, a próxima cidade grande do dia. Muitas curvas, e aquelas passagens de água por cima da rodovia, muito perigosas, pois é liso... Acabei comprando um terreninho numa destas, mas foi tranquilo, estava bem devagar, nada aconteceu. Eu sabia do perigo, mas mesmo assim, não teve como evitar... Não sei se por causa do pneu mais off-road (Estou usando o Heidenau K-60 Scout), mas a moto literalmente "saiu de baixo"... Bem, seguimos viagem, sempre andando em altitudes entre 2,5 a 4,5 mil metros. As paisagens maravilhosas, parecendo Europa, muito verdes, pequenas criações de gado, carneiros, plantações de milho, as pessoas as margens da estrada, trabalhando, realmente vale a pena passar ali! Após uma breve parada em Ayacucho para abastecer e fazer um lanche em um mercado, seguimos para o nosso destino final, Huancayo. O Castilho parou por um instante para colocar um retrovisor na moto dele, pois havia quebrado o original quando comprou um terreninho na Estrada da Morte, na Bolivia, há uns dias atrás... O curioso é que a mesma oficina que ele parou, foi a que havia dado socorro a um casal de franceses que conhecemos na aduana da Bolivia com o Peru, em Desaguadero... Mundo pequeno! Depois de Ayacucho, seguimos por um vale, e parecia que a estrada estava errada! Foi ficando cada vez pior, parecia um desvio, umas partes de terra, outras de asfalto, com uma mão só. Mas era ali mesmo! Seguimos por esta "rodovia" por uns 150 km, demorando muito, mais de 4 horas, pois não tem como andar rápido! Andamos ao lado de um rio, em uma estrada MUITO PIOR que a estrada da morte... Pois passam muitos carros e caminhões, no sentido contrário, e às vezes não tem como saber se vem carro ou não. Perigoso! Tem que andar bem devagar e sempre buzinando nas curvas. Paramos várias vezes para tirar fotos, água do joelho e mesmo lanchar. Houveram várias travessias de pequenos riachos, de cascalho/pedras, nível intermediário pra passar... O segredo é não parar no meio do rio, acelerar firme e devagar, em primeira marcha. Mas nada aconteceu. Depois, uns 80 km antes de chegar em Huancayo, a estrada melhora bastante, ficando "normal", mesmo assim, chegamos à noite, e fomos para um ótimo hotel, o melhor da cidade, Hotel Turismo Huancayo. Hotel antigo, mas excelente, espaçoso, estacionamento, bem no centro da cidade. Consegui um tubo de O2 tbm... kkkk! Estamos a 3.300 metros, não saimos disto! No hotel mesmo tem restaurante, muito bom, e jantamos por ali mesmo. Tomei uma "sopita de pollo", parecendo uma canja, mas sem arroz, com batata e frango, e só. O pessoal comeu bem, carnes, etc... Estava bem frio, e após o jantar, conversamos um pouco e fomos dormir. Ali eu e o Guy resolvemos começar o nosso retorno para casa, com o objetivo de chegar até o dia 20/04, domingo, pois nós dois temos compromissos profissionais. Dormi bem com o oxigênio, até que este acabasse, lá pelas 2 da manhã... Depois, fiquei acordado até amanhecer o dia... Não teve jeito, desta vez eu não consegui me adaptar a altitude, mesmo passando quase 1 semana nela! Seguem algumas fotos, agora sim tenho um monte aqui pra mostrar!









Dia 10: Huancayo a San Vicente: 280 km
Levantei cedo - acordado desde às 2 hs da manhã! - e fui tomar o café logo que abriram, às 6:30 hs. Lá pelas 7:30 por aí os amigos começaram a aparecer. Tomamos um ótimo café da manhã, um dos melhores da viagem aliás, e depois fizemos uma longa reunião, pois hoje iríamos nos separar do grupo, e iniciar o nosso retorno. Conversamos bastante, e resolvemos ir até o Canyon todos juntos, e dali eu e o Guy seguiríamos viagem até o litoral, com o objetivo de dormir em San Vicente de Cañete. O restante do grupo (Renato, Edson e Castilho), retornaria a Huancayo e no outro dia seguiriam viagem ao norte, para fazer os outros canyons e pontos turísticos programados na viagem. E assim fizemos! O Guy precisava comprar uns "regalos" para a sua amada, e acabamos indo todos para lá, ver as tais roupas peruanas. Acabamos comprando também, casacos e coletes de lã de alpaca, uma lã muito fina e delicada, que não existe no Brasil. É o tal do alvará... rsrsrs... Saímos lá tarde, quase 10 hs da manhã, o trânsito de Huancayo bem bagunçado, como é de praxe no Perú, com muitas vans e todos buzinando a toda hora para tudo. De lá até o Canyon, não é muito perto, passa de 120 km, são mais de 2 horas de viagem, por uma estrada muito bonita, tranquila e quase sem movimento. A turma andando bem devagar, eu na frente a 90-100 km/h, às vezes os faróis sumiam no retrovisor e tinha que parar e esperar, o que rendia algumas fotos legais da turma. Uma hora parei para esperar, perto de San José de Quero-Quero, e já ia "tirar a água do joelho" quando vi que tinha uma mulher bem pertinho, quase ao meu lado, cortando o pasto para dar aos animais, e algumas vacas de leite perto dela, esperando. Eu não tinha visto! rsrsrs... Engraçado que estes trabalhadores rurais, não dão atenção nem conversam com a gente. Quase que fingem que nem nos viram ali... Imagina o que pensam, estes doidos com estas motos grandes! Depois, passamos por um trecho bem alto, passando de 4760 metros, o ponto mais alto da viagem, até ali! Tinha umas partes de rípio, mas muito bom. Depois, começamos a descer, rumo a Tomaz e Alis, nosso objetivo. Passei por Tomaz, tinha um tipo de um portal, e entrei na cidadezinha. Parei na praça central, perto de um hotel/restaurante que estava fechado. As crianças estavam saindo do colégio, e ficaram nos olhando, estávamos eu e o Guy. Logo o pessoal chegou, e eu peguei uma fita Duch Tape, para tentar fixar a minha câmera no capacete, pois o suporte quebrou pela segunda vez, estava soltando, e dali pra frente eu queria realmente filmar aquilo tudo! O Castilho tinha, e me emprestou. Sempre é bom levar esta fita, pois quebra galho para quase tudo! Câmera colada, seguimos adiante. Logo pegamos novamente a estradinha ao lado do rio Cañete, que já havíamos seguido desde uns quilômetros antes, mas desta vez com os paredões ao lado, majestosos, e a estrada se afunilando cada vez mais. O trecho que eu queria tanto passar, e que fiz a viagem para ver, estava ali, na minha frente. Parei, liguei a câmera, o celular, e comecei a filmar e narrar. O Guy me passou, e comecei a filmar ele ali naquela estrada maravilhosa. O trecho realmente legal é bem curto, não deve ultrapassar uns 5 km, com os paredões e uns túneis. Depois a estrada continua descendo costeando o rio, que vai ficando cada vez maior e mais forte. Logo chegamos em Alis. Aonde fui até o final da cidade, e depois fiz o retorno e comecei a voltar. Entrei na cidade, pela única entrada possível, fui até uma bela praça, tirei algumas fotos, depois sai em busca dos meus amigos. Encontrei o Guy, e depois o Renato, e fomos lá de volta na praça, para procurar um local para comer alguma coisa, para depois nos separarmos e seguirmos viagem. Achamos um restaurante, e eu e o Guy pedimos uma "Trucha com arroz", e o Edson um sanduíche de queijo. O Castilho e o Renato não quiseram comer nada. Comemos rapidamente, tiramos algumas fotos, nos despedimos com emoção, e nos separamos! Foi muito legal, naquele lugar ali, a vontade era de continuar com os amigos, mas tínhamos que retornar... Saímos de Alis já 15 hs, bem tarde e acima do que eu queria ter saído, mas o importante foi que curtimos ao máximo o canyon, o objetivo da viagem! A estrada depois de Alis, continua muito bonita, sempre às margens do Cañete, quase praticamente até chegar no litoral. Rodamos sem parar, passando por várias vilas e povoados, riachos, e muitos carros e caminhões. Até chegar em uma barreira, com o trânsito interrompido, pois estavam consertando a estrada. Ficamos ali esperando por preciosos 40 minutos, o que iria nos impedir de chegar no destino traçado, pois iria anoitecer, e o nosso acordo, é não andar á noite, só em último caso! Na parada, tinha um micro-ônibus na nossa frente, e vieram tirar foto na moto do Guy, foi uma festa!
Saímos, ultrapassando carro a carro. Depois peguei o "vácuo" de uma Hilux, que estava andando muito, e como diz o Guy, ficou de nosso "batedor", pois ajudava muito nas curvas, evitando que nos arriscássemos com os carros no sentido contrário. Lembro que esta estrada toda, é em mão única, só passa um carro por vez, então por isso estou relembrando! Por fim anoiteceu, já estávamos abaixo de 1.500 metros, e começamos a procurar hotel. Eu até que estava a fim de tocar até San Vicente, mas o Guy começou a ter problemas com o óculos dele, e me pediu pra parar. Faltava pouco, uns 50 km para chegar em San Vicente, começamos a passar em frente a um monte de hotéis, parecia uma vila turística, devia ser por causa do rio, que aquela altura já virou um rio enorme. Paramos em um hotel, não tinha café da manhã e muito caro. Fomos a outro, mais barato e com desayuno. Paramos ali. Só tinha a gente ali. Tomamos banho, estava calor, acabou a altitude e o frio! Enfim iria dormir sossegado! Pedimos um tuc-tuc (tipo de moto-táxi que tem no Peru pra todo lado), e fomos jantar. Acabamos achando só o tal do Pollo com papa fritas, e foi este mesmo! Comemos, eu doido pra tomar uma cerveja e não tinha. Fui até um bar ali perto e comprei uma. Voltamos para o hotel e fomos dormir. A perna do Guy ainda não estava boa, e ele sempre passando remédios e cuidando. E assim passamos aquele dia!




















Dia 11: San Vicente a Ocoña: 690 km
Acordamos lá pelas 6:30 hs, depois eu saí la fora, e não havia ninguém por ali... Era 7:30 estávamos com as motos carregadas e já íamos sair, quando chegou uma senhora, nos pediu desculpas, e disse que iria fazer o desayuno. Eu e o Guy pedimos ovos com queijo, pão e leite com café. Eu tinha que responder uns e-mails e aproveitei para colocar o trabalho em ordem. Tomamos o café e saímos do hotel já era 8:30 da manhã. Paramos para abastecer logo à frente. Tocamos, e logo à frente chegamos em San Vicente, uma cidade grande e boa, mas suja e com aparência não muito boa. Logo após pegamos a Carretera Panamericada Sur (1S), à esquerda, sempre rumo ao sul, sentido Pisco e Ica. O nosso objetivo era almoçar em Ica, naquela lagoa famosa que tem lá.
Ah! Não tinha contado, á noite, e de madrugada, o meu estômago deu sinal de vida, que não havia gostado muito de alguma coisa que eu havia comido... Pensei logo que só poderia ter sido a Truta frita com arroz de Alis... A verdade é que fui ao banheiro várias vezes de manhã no hotel, tomei 2 Imosec, subi na moto e fomos embora! Mas sentia a toda hora que a coisa não estava muito boa... Quando chegava no hotel aonde iria dormir, novamente outras visitas ao banheiro, mas não adiantava muito... Mas ainda bem que levei um bom remédio!
Chegamos em Ica, fomos na lagoa (Laguna Huacachina), que foi uma baita decepção... Pequena e cheia de turistas, construções em volta, que não dá pra ver nada. Depois ainda descobrimos que a lagoa é artificial, a água é bombeada para dentro dela todos os dias... Acabamos parando lá, pedimos um lanche, e conhecemos um casal de brasileiros que estavam de carro rodando desde o nordeste.
Seguimos viagem, e paramos nas linhas de Nasca para ver, de uma torre na beira da estrada, as tais linhas de Nasca. Dá pra ver alguma coisa da torre, bem perto da estrada tem alguns desenhos, mas pequenos. Os maiores só dá pra ver de avião.
Quando estávamos por lá, parou uma Hilux com um casal de brasileiros e o seu filho pequeno, que estão com o projeto de dar a volta ao mundo. Já tinham ido a Ushuaia, e agora iriam ao Alaska. São de São Paulo. Projeto: www.andradespelomundo.com.br. Conversamos um pouco, nos contaram da aventura e do projeto, e sempre é muito legal quando a gente encontra pessoas dispostas a abrir mão do conforto e da rotina para viver um sonho! Que Deus os proteja e abençoe, realizando os seus sonhos!
Depois de Nasca, eu queria parar em Camaná para dormir, de acordo com a indicação de um frentista, de um posto que abastecemos, mas acabou novamente que escureceu, e pegamos uma série de curvas e montanhas, à beira mar, com estrada ruim, alguns buracos, e parece que veio uma maresia forte, embaçando as viseiras dos capacetes, e o pior: o óculos do Guy! Além disto, tinha areia na pista, muita areia, em alguns trechos só tinha meia pista, um perigo, à noite não dá pra ver, e se entrar na areia, é tombo na certa, se freiar ou entrar em curva... Então, com o Guy sem ver quase nada, resolvemos parar para jantar, pois a fome apertou (novamente Pollo com papa frita, em um lugar boca de porco total!). Logo à frente, abastecemos e o cara do posto nos indicou um hostal, dentro da cidade (Hostal Secreto). Fomos lá, tinha vaga, um quarto duplo por $30 soles por pessoa. Era simples, mas bem limpo e confortável, com garagem fechada e segura para as motos. Tomamos banho, e fomos dormir, estávamos pregados! Apesar de não termos rodado muitos quilômetros, foram praticamente 12 horas de pilotagem. O que cansa mais é o longo tempo de pilotagem, e quando estamos sem visão da estrada. Anoiteceu, tem que parar mesmo!










Dia 12: Ocoña/Perú a Arica/Chile: 570 km
Após um bom descanso, saímos cedo do Hostal aonde pernoitamos, rumo a Arica, no Chile. Vamos tentar uma rota alternativa, do oceano Pacífico até o MS, no Brasil, sem passar por Cusco ou Puno/Desaguadero, e sem ter que dormir na altitude. Logo que saímos - sem tomar café - passamos por alguns pontos com areia na pista, praticamente meia pista, que realmente seria perigoso de passar à noite. Logo após Camaná pegamos à esquerda rumo ao continente, e voltamos a subir, até 2.000 metros mais ou menos, sentido a Arequipa. Poderíamos ir pelo litoral, o Guy até sugeriu, mas iria demorar mais, e o GPS estava evitando, sinal de que poderia ter estrada de terra/areia, o que não era o nosso objetivo aquele dia. Seguimos pela paisagem desértica, até perto de Arequipa, quando pegamos para a direita, sentido Tacna. Não quis parar para abastecer, pensando que teria posto logo à frente, mas não tinha... Paramos algumas vezes para tirar fotos no deserto, e o Guy começou a ficar preocupado. Mas deu pra chegar em Tacna. Paramos para abastecer, bem ao lado tinha um restaurante grande e bonito, que eu não tinha visto! Fomos lá almoçar. Pedimos uma carne bovina, depois de praticamente uma semana comendo só frango! Comemos muito bem! Apesar do meu problema não ter acabado, estava com fome e comi bem. Logo após o almoço, fomos fazer câmbio ali perto, na estação rodoviária de Tacna, trocando os nossos soles por pesos chilenos e/ou dólares. Mais uns 40 km e estávamos na divisa com o Chile. Fizemos a saída do Peru, e fomos para a aduana Chilena. A entrada no Chile é mais demorada, e no final, eles pedem para abrir as malas de olham o que tem. Perdemos mais ou menos umas 2 horas nestes trâmites. O horário no Chile é 2 horas a mais do que no Peru. Então estávamos quase no final da tarde já. Quando entramos no Chile, já dá pra notar o asfalto melhor, e a cidade mais bonita. Arica parecia mais bonita do que antes, quando passei em 2012. Resolvemos ficar em um hotel bom, para compensar o outro do dia anterior. Fomos para o Arica Hotel, a beira mar, muito top! Pegamos uma cabana, e as motos ficaram ao lado, bem perto. Nos arrumamos, fiz os pagamentos do dia na empresa, que já havia marcado, e fomos dar uma volta na cidade, já quase escuro. Tem um morro bem no meio da cidade, a beira mar, que dá pra subir lá em cima de moto, e ver toda a cidade lá de cima. Bem legal! Descemos, abasteci, apesar de ter abastecido em Tacna, já tinha rodado uns 100 km, e deixei o tanque cheio. O Guy não quis abastecer... Voltamos para o hotel, e fomos jantar. Jantamos, pedi uma carne novamente, mas não gostei... Aquilo me fez mal novamente! Enfim, foi um dia tranquilo e de boa, e nos preparamos para atravessar a cordilheira no dia seguinte, pois o desafio era grande! E vamos que vamos!
















Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.