sábado, 24 de dezembro de 2011

100 mil km rodados somente de moto. É muito?!

Em outubro/2011 ultrapassei os 100 mil km andando de moto, em 6 anos que passei a andar neste curioso veículo de 2 rodas, que me proporciona tanto prazer, sensação de liberdade e aventura.
Somei as quilometragens das motos que tive à partir de 2005, e cheguei neste número. O curioso é que eu fui andando cada vez mais ano a ano, mais do que dobrando às vezes. Mas foram as viagens longas as maiores responsáveis pelo aumento brusco de quilometragem, começando com a viagem para o Deserto do Atacama em 2009, com a BMW GS1200 azul, a "Frida", que totalizou quase 7 mil km rodados. Antes disto, a maior viagem de moto que havia feito na  minha vida, tinha sido para o encontro de motos de Tiradentes/MG, em 2008, com a VStromDL1000, chegando a quase 3 mil km. A VStrom na verdade foi a minha primeira moto realmente estradeira, e que me despertou a vontade de pegar a estrada, viajar, viajar, com prazer em pilotar, e com o estilo de moto que eu mais gosto, as BigTrail. Descobri isto no dia que andei em uma pela primeira vez!
Mas isto tudo são apenas curiosidades pessoais, a título de informação, e que quase nada quer dizer, mediante os meus objetivos e sonhos da minha vida "motociclística".
Eu ainda me sinto às vezes muito "cru" andando de moto, e sei que muito tenho a aprender. Ainda me falta aquela "intimidade" com a motoca, como se a moto fizesse parte de mim, que eu vejo em algumas pessoas. Dá pra ver isto quando a pessoa sai com a moto de um posto. E isto só se adquire andando! Também acho este número de 100 mil km rodados pequeno e quase que insignificante! Acho que é apenas o começo. Ainda quero fazer 100 mil km com apenas uma moto. Nos USA existem vários sites de clubes de motociclistas que rodaram 100 mil milhas (cerca de 160 mil km), com apenas uma moto.
Eu mesmo conheço, pessoalmente ou virtualmente, alguns amigos, que acredito já terem passado de 1 milhão de km rodados de moto já faz tempo. O conhecido "Gau" fundador do Brazil Riders, irmandade da qual tbm participo é um deles. O amigo virtual e grande escritor motociclístico Guillermo Godoy também com certeza já passou do milhão faz tempo! Outros amigos fizeram quase 100 mil km em apenas uma viagem, para o Alaska, por exemplo, como o Adriano Vanderstappen de Ilhabela, e o Renato Lopes de Santa Maria. Isto sim é andar de moto pra valer! Também ainda quero fazer alguns Iron-Butt's, rodar mil milhas (1.600 km) em 24 horas, ou até algo a mais. O máximo que já rodei em um dia apenas sem descanso para dormir, foram 1.350 km, de Blumenau a Campo Grande, em agosto/2010.
Mas estes números não valem para motoboys e moto taxistas... Senão vira covardia! Esta quilometragem tem que ser em moto grande, acima de 600 cc, e predominantemente em longas viagens, seja no Brasil ou para fora. Agora eu quero ver!
Outro detalhe: temos uma cultura de ficar trocando de moto todo ano, ou quando vence a garantia. Conheço pessoas que fazem isto, quase que como uma religião! Troca a moto usada, às vezes com 2 ou 3 mil km rodados ou até menos, por outra nova, perdendo muitas vezes R$ 20 mil ou até mais na troca. Ou seja, nem chegou a aproveitar, nem curtiu a moto, e já troca por outra. Estas pessoas, pra mim não gostam de moto, elas gostam é de trocar de moto! A minha moto (O "Baú") completou 3 anos agora em dezembro. Saiu da garantia antes mesmo da viagem a Ushuaia, no ano passado, e nunca me deixou na mão até hoje. Mas eu cuido, e dou a merecida manutenção. Bateria, revisões, trocas de fluidos, etc...
Na Europa e nos USA, já ouvi falar que é comum vermos motos com mais de 100, 200, e até 300 mil km rodados, e em perfeito estado.
Abraços, um Feliz Natal e um 2012 cheio de saúde, paz, alegrias, sucesso e muitas viagens de moto!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Estradas da Bolivia...

Curtam as estradas da Bolívia, país vizinho, e com grandes atrações para quem gosta de aventuras e belas paisagens!
Em breve novidades...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pelas curvas do sul do Brasil...

De 07 a 12 de outubro passado, fizemos uma viagem sensacional ao sul do Brasil. Fomos em 5 motos, eu com os amigos da Confraria: Capitinga, Jorge, Gilson e "Brima" Rezek.
Saída de Campo Grande
Saímos de Campo Grande na manhã de uma quinta-feira, para andar os primeiros 1.320 km da ida, rumo a Santa Maria/RS. Estava acontecendo o  Décimo Quinto Mercocycle, encontro de motos mais famoso da região, e iríamos prestigiar como prometido ao amigo Renato Lopez em janeiro deste ano, quando voltei de Ushuaia. O Renato mora lá, e acaba de chegar de uma mega viagem ao Alasca/Ushuaia, de 5 meses e 62 mil km!
No primeiro dia da viagem andamos cerca de 900 km e dormimos em São Miguel D'Oeste/SC. Chegamos em Sta Maria para o almoço, na sexta. Viagem muito boa e tranquila, todos tocando bem e firme, turma boa de estrada. Pegamos algumas curvas antes e depois de São Miguel, mas o restante foram quase só de retas. Em Santa Maria ficamos hospedados no ótimo hotel Continental, no centro da cidade. Fomos ao evento no final da tarde. Lá  encontrei-me com o Renato, conversamos rapidamente, vimos as motos da viagem, duas BMW G650GS, que eles deixaram exatamente como chegaram da viagem, para mostrar ao público do evento. Conhecemos alguns Gaudérios, e ali ficamos até a manhã de domingo, quando saímos para o retorno.
Com o amigo Renato Lopes e as motos da viagem ao Alasca!
Choveu no sábado, mas nada que atrapalhasse o evento, que é famoso e muito bem organizado. Ressalto o grande envolvimento e participação de todos os participantes do MC Gaudérios do Asfalto na organização. Desde a chegada, já fomos recebidos na rodovia por um grupo, com barraca, água, churrasco e escolta até o hotel. Parabéns a todos os Gaudérios pela dedicação!
Posto de recepção dos Gaudérios
No domingo, saímos do hotel por volta de 8 hs da manhã, rumo a Sta Cruz do Sul. O objetivo era dormir na Serra do Rio do Rastro, no hotel que tem lá em cima, aonde eu já havia feito reserva prévia. Paramos para almoçar em Gramado, cidade linda e maravilhosa, já faziam alguns anos que não passava por lá!
Em Gramado, parada rápida para o almoço...
Depois descemos a serra pela Rodovia do Sol, até o litoral. Seguimos pela BR-101 rumo norte, até a entrada de Criciúma, à esquerda. Entrei ali, seguindo o GPS, mas acabamos entrando dentro da cidade, e que cidade grande! Com alguma dificuldade, consegui sair rumo a Lauro Muller/Orleans. Chegamos na base da serra do Rio do Rastro às 17 hs, final da tarde, dia limpo e maravilhoso. Começamos a subir aquilo ali, a adrenalina alta, curvas e mais curvas. Um pequeno susto, havia um acidente com um motociclista que estava descendo a serra, estava bastante machucado mas aparentemente nada de mais grave. Seguimos subindo e subindo, devagar e sempre, pois as curvas são muito fortes, em aclive e em cotovelo, não dá pra fazer em alta. Saímos de 200 metros na base para chegar a 1.400 metros no topo da serra, em menos de 14 km. Paramos nos mirantes pra tirar fotos várias vezes, a serra estava limpa, e nem sempre isto acontece, estávamos com sorte!
A serra vista lá de cima, visual de arrepiar!
Os amigos, e ao fundo, a serra do Rio do Rastro
Chegando lá em cima, paramos um pouco no mirante, e já entramos no hotel, na verdade um hotel-fazenda chamado ECO RESORT RIO DO RASTRO. Recomendo muito, um dos melhores hotéis que já fiquei, um show. Parece uma fazenda. Na verdade era uma fazenda que foi transformada em hotel.
A turma toda reunida antes do jantar no hotel
Vista do hotel Rio do Rastro, um show de hospedagem!
São chalés ao pé da serra, à noite a temperatura marcava 14 graus. Isto acontece o ano todo, e no inverno despenca até para temperaturas negativas, já que fica na região mais fria do Brasil! Fomos jantar, uma refeição maravilhosa, mesmo acabando a luz do hotel! A conversa estava animada, quando chegou o dono do hotel para nos fazer companhia à mesa. O Sr. Ivan, gente boa e bom de papo, nos fez companhia no jantar, e depois ainda nos levou de carro pra ver a serra toda iluminada lá de cima. Logo depois, começou a garoar. Fomos eu, Rezek e o Gilson. Conhecemos alguns locais históricos do local, que o Sr. Ivan nos mostrou, mesmo à noite foi legal.
A serra iluminada vale a pena ver!
No outro dia, plena segunda feira do feriadão do saco cheio, seguimos rumo a Blumenau, passando por Urubici. Ali começaram as curvas em alta, muito legal, desafiando os mais experientes a deitar a moto até o seu limite. Eu vinha na frente, dentro do meu limite, e confesso que quase que o ultrapassei por algumas vezes! Paramos em Urubici para tirar umas fotos, e seguimos para Blumenau.
Vista de Urubici, do mirante
A famosa catedral da cidade
A linda igreja de Urubici, agora de pertinho
Dali pra frente, sentido Blumenau, a estrada ficou MUITO movimentada, ruim de andar. Um trânsito infernal, ninguém passa ninguém, em uma pista simples cheia de caminhões e carros. Não sei porque não duplicam aquele trecho, é uma vergonha! Acabamos tomando uma multa, e foi CRÉÉÉUUU em todo mundo, não adiantou chorar nem reclamar. O Jorge passou ileso por pura sorte, pois estava logo a nossa frente. O Rezek também, pois abandonou o grupo para voltar a Campo Grande mais cedo, à partir de Urubici rumo ao litoral. Como era segunda feira, cedo ainda para pernoitar, muito calor e começava a garoar, resolvemos tocar e dormir em Curitiba mesmo, pra no outro dia fazer a serra Rastro da Serpente.
Chegamos em Curitiba debaixo de uma garoa fina e frio de 18 graus. Ficamos no Barigui Park Hotel, perto do parque de mesmo nome. À noite saímos para jantar, fomos ao Taj, um bar que serve comida japonesa, muito bom estava lotado.
No outro dia, café e saímos do hotel às 8:30 hs, com neblina, rumo a Bocaiúva do Sul, para dali seguirmos para Adrianópolis e Apiaí já em SP. Realmente é surpreendente a quantidade de curvas desta estrada! É uma atrás da outra, não dá tempo de pensar, é pra lá e pra cá, serpenteando o tempo todo. Praticamente não há reta. A pilotagem é tensa, vc não pode se descuidar da estrada nem por 1 segundo. Gastamos quase 3 horas pra andar 160 km, e ainda para piorar em alguns trechos estava garoando fino e com neblina. A técnica era andar na ponta dos dedos, e evitar de passar e frear nas faixas amarelas, pois é tombo na certa! O trecho dentro do Paraná, até Adrianópolis, está um tapete, mas quando entra em São Paulo, está um lixo! A estrada está totalmente abandonada, com crateras a cada 100 metros, e nas curvas, vc tem que cuidar se vem carro ou caminhão, pois eles pra escapar dos buracos andam na contra mão, um verdadeiro perigo! Chegamos em Apiaí quase meio dia, fomos direto ao posto no centro da cidade. Ali abastecemos, e o dono veio conversar com a gente, tem um certificado e um pin com o nome da serra "Rastro da Serpente" apelido que os PHD deram ao local, e estão aproveitando pra fazer um marketing. Bem em frente ao posto, tem a placa, foto obrigatória é claro!
A placa prova que vc passou por ali...


Dali fomos almoçar, em um simpático e agradável restaurante da cidade.
Saímos do restaurante, e seguimos até Capão Bonito, mais uns 120 km à frente, sentido norte. Mais curvas! Somente à partir de Capão Bonito, é que a rodovia é duplicada, até Itapetininga. Ali pegamos à esquerda sentido Ourinhos, a rodovia Raposo Tavares, ainda pista simples. Chegamos em Ourinhos debaixo d'água, paramos em um posto pra abastecer, só eu e o Gilson. O Capitinga e o Jorge estavam tocando um pouco mais forte, na frente. Encontramos os dois logo depois dali, na pista dupla, sentido Presidente Prudente. Dormimos lá, no ótimo motel do irmão do Jorginho, cortesia e atendimento de primeira. Na quarta cedo o Gilson nos abandonou e saiu bem cedo, pois tinha que almoçar em casa. Eu, Jorge e Capitinga saímos às 8:03 hs mas chegamos em casa ao meio dia. Viagem completada, nos restam as lembranças e experiências, que só quem vive sabe o que é! Abraços a todos!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A volta dos que não foram...

SEGUNDA, DIA 05/SETEMBRO:
Saímos de Porto Velho na segunda de manhã, lá pelas 7:30. No domingo à noite, tive a visita no hotel do novo amigo Marcio Maluf "Xará". Ele é mineiro, e mora em Rondônia há uns 30 anos, pelo que me disse. Conhece tudo por lá, já viajou por outros países tbm, e apareceu por lá montado em uma Buel Ulisses, moto que eu quase comprei uma vez, e acho muito interessante, pena que já não vende mais aqui. Valeu Xará, pela conversa, e fica o convite para passar aqui em Campo Grande, e me visitar. Durante a conversa, fiquei em frente ao ar condicionado do hotel, muito forte, a minha garganta começou a reclamar, logo nesta noite, resultando em uma gripe, que durou quase 2 semanas...
O Nersão "Tracajá" (Leiam até o final que entenderão o porque do apelido...) estaria nos esperando em Ji-Paraná, e foi o que aconteceu. Almoçamos por lá, em um posto depois da cidade. Chegamos em Vilhena no final da tarde, e bem na entrada da cidade o figura encheu o pé numa tartaruga daquelas grandes, que ficam no meio da rodovia, na transversal. Desceu da moto dando sapituca, e gritando feito uma bicha louca, pedindo pra tirar a bota, que tinha quebrado o pé. Que nada! Estava devagar, e a bota protegeu, só o dedão ficou rocho, mas nada de sério. Mas pensa no movimento que ele fez! Chegou no hotel, pegou um táxi e foi tirar "chapa" do pé! Nem precisou, o médico só olhou e viu que não era nada! Ficamos hospedados no mesmo ótimo hotel Portinari, que ficamos na ida. À noite fomos jantar no Picanha, bom demais.
TERÇA, DIA 06/SETEMBRO:
Na terça, saímos cedo, antes das 7, com destino a Sorriso, pois resolvemos aproveitar o feriado do dia 07/setembro para pescar, já que a nossa viagem para Santarém foi abortada. O amigo Gilmar, que mora lá, é pescador inveterado, e ficou de ajeitar uma pescaria no Teles Pires para nós. Logo depois de Vilhena, anda 100 km e entra à esquerda, em Comodoro, sentido Campos de Julio/Sapezal. Ali começa a aparecer a pujança agrícola do Mato Grosso, o celeiro do Brasil atualmente. Inclusive passamos também em frente a dois confinamentos enormes, acredito que mais de 10 mil bois fechados, perto de Comodoro. Paramos para abastecer em Campos de Júlio, cidade pequena, 100% agricultura, e colonizada por gaúchos e paranaenses. Logo depois de Sapezal, sentido Campo Novo dos Parecis, passamos por um belo rio, o rio Papagaio, que fiquei sabendo depois é um dos afluentes do Teles Pires. É um rio de águas transparentes, e me lembrei na hora de Bonito. O calor estava de matar, 36-38 graus, e já era 11 hs da manhã. Logo após o rio, tem uma parada de pedágio, todo veículo tem que pagar (caminhão R$ 30,00 - carro R$ 20,00 - moto R$ 10,00). É o pedágio dos índios Parecis, pois ali começa a área de reserva deles. Um verdadeiro absurdo, é claro, pois todos tem o direito de ir e vir dentro do país, e além disto eles não construíram a estrada, e nem dão manutenção nela, então não deveriam cobrar coisa alguma. Paramos para pagar o pedágio, e o Nersão falou comigo pra gente voltar e parar no rio logo atrás, pra almoçar e tirar umas fotos. Na hora disse não, pois estava querendo almoçar em Campo Novo. Mas pensei de novo, e "Porque não?". Voltamos, e fomos com as motos direto para e beira d'água, aquele paraíso logo ali, na beira da rodovia, de graça. Olhamos uns para os outros, descemos das motos, tiramos aquelas roupas quentes, colocarmos shorts, e fomos nadar! Parecia uma cena daqueles filmes, coisa que eu nunca tinha feito até então, e como foi bom! Refrescou e diminuiu a temperatura corporal, além de darmos muitas risadas e tomarmos uma gelada, antes de irmos almoçar, pois tinha um pequeno restaurante de comida caseira logo ao lado. Valeu a pena!
Quando vimos a água, resolvemos nadar!

Lugar abençoado por Deus!

Olha esta água!
Saímos dali, para enfrentar a estrada e o calor de novo. Eu acredito que o calor é bem maior, das 2 às 4 da tarde. Por isso hoje dou razão aos Argentinos e Chilenos, que trabalham das 9 às 14 hs, param das 14 às 16 hs, e depois voltam, até às 21 hs. Dá pra aproveitar melhor a manhã com alguma atividade pessoal, e nas horas mais quentes, dá pra descansar. O Rogério e o Jardim, os roda presa, andando a 90-110 km/h, iam ficando pra trás, eu e o Nersão andando a 120 cravado. De vez em quando a gente parava, e esperávamos eles. Depois de Campo Novo, aonde paramos para abastecer, tocamos sempre para o oeste, e saímos em Nova Mutum, na BR-163, estrada MUITO movimentada. Dali até Sorriso foram 150 km mais ou menos. Chegamos em Sorriso às 17:30 hs, fui direto para o salão da Olga, esposa do Gilmar, que já estava nos esperando. Ele já tinha arrumado tudo, feito todas as compras do rancho, arrumado toda a traia de pesca, etc... Era só acordar no outro dia e ir pescar, uns 30 km após Sinop, que fica a 80 km de Sorriso. Fomos para o hotel, muito bom aliás, o dono já morou em Ponta Porã, de origem alemã, o Nersão já tramou na conversa com ele, pra variar. À noite fomos comer uma pizza, com a família do Gilmar, não sem antes tomar uma gelada e conhecer a casa deles, muito bonita e bem decorada. O Gilmar, a Olga, a Ayala, são pessoas maravilhosas, verdadeiros amigos, muito gentis e sempre educados e servidores. Agradeço pela atenção que nos dispensaram por estes dias.
QUARTA, DIA 07/SETEMBRO:
Na Quarta, dia 07/setembro, saímos de Sorriso já meio tarde, passado das 8 da manhã. Alugamos um carro, um Uno Mille, e deixamos as motos no hotel. Algumas roupas eu mandei lavar, e foi a melhor coisa que fizemos. Eu fui com o Gilmar no carro dele, puxando a carretinha com o barco e as traias. O hômi corre feito doido, com aquilo tudo e ainda puxando a carretinha, tinha que ver! O pesqueiro é em um tipo de condomínio só de pesqueiros, com portaria, guarda e tudo. É um sobradinho feito de madeira, muito legal! Mas não tinha água, pois roubaram a bomba d'água, nem gáz de cozinha, e a luz é de gerador. Mesmo assim muito bom, todo telado, demos uma arrumada, varremos, eu já fui assar uma carne para o almoço, fizemos um fogo de lenha mesmo, num fogão que tinha lá, e as coisas funcionaram legal. Almoçamos, e começamos a arrumar tudo, para pescar. Já no meio da tarde eu e o Gilmar fomos dar um rolé no rio, reconhecimento do terreno, e subimos até a barra do rio Verde no Teles Pires, lugar muito bonito. O Teles Pires ali é grande, acredito que uns 300 mts de largura ou até mais, mas no meio é raso, tem uns bancos de areia, que o pessoal usa pra tomar banho e brincar, nos feriados e finais de semana. O Jardim foi visitar um amigo em Sinop, então pegamos o Rogério, e fomos tomar banho de rio mesmo, já que não tinha água no rancho, em um lugar chamado Praia do Cortado, não havia ninguém lá, foi legal, tomamos o banho e voltamos para o rancho. O Jardim já estava lá nos esperando. Fizemos a janta, bebemos algumas, e fomos dormir cedo. Impressionante como ali é frio à noite! O Gilmar tinha falado, e eu não acreditei. Mas à noite fez tanto frio que tive que puxar coberta!
QUINTA, DIA 08/SETEMBRO:
Acordei cedo, antes das 6 da manhã. À noite, as situações engraçadas: a cama do Nersão quebrou o estrado, o barulho foi grande e as reclamações tbm. Ele levantou, deu uma arrumada, e depois quebrou de novo. E o Jardim começou a falar sozinho, chamando o Neeeerrrrssooooo, muito engraçado, acordei assustado com aquilo, e vi que ele estava sonhando mesmo... O Gilmar parecia um trator de esteira, roncando que a casa quase tremia. rsrsrs... Desci e tomei um café improvisado, pão com Nescafé, queijo, um arroz requentado da noite anterior com ovo frito, e tá bom demais! Este dia, foi uma sucessão de fatos engraçados, envolvendo o Nelson, leiam abaixo.
PRIMEIRO FATO ENGRAÇADO DO DIA: O Nersão foi pescar bem cedo, iscou um TOMATE, e jogou na água. Mal o anzou caiu na água, puxou, e ele já pensou: "Vou pegar um pacú aqui, antes de todo mundo acordar!". Quando ele puxou a linha, era uma tartaruga da região, chamada TRACAJÁ. Ele mais que depressa quis retirar o anzol da boca da coitada, e jogá-la de volta na água, antes que alguém visse, já pensando nas consequências, pois estávamos ainda tirando sarro dele do episódio do chute na tartaruga da estrada, em Vilhena, na segunda. Mas não adiantou, cada vez que ele ia tirar o anzol, a tartarura recolhia a cabeça pra dentro, e quando ele olhou para o barranco estava vindo o Gilmar, que viu e disse: "Pegou uma tartaruga, hem!?" hehehe... Não teve jeito, ficamos todos sabendo do ocorrido, e na hora já saiu o apelido "NERSÃO TRACAJÁ", pois Tartaruga não teve jeito, já tem um na Confraria, o Pres. Ricardo. Saímos pra pescar embarcados eu, o Nersão e o Gilmar  pilotando o barco. O Jardim e o Rogério ficaram no rancho descansando, fizeram o almoço e ainda deram uma geral por lá, lavaram tudo carregando água do rio em baldes, um serviço de primeira. O Gilmar logo de cara pegou um Tucunaré de uns 3 kg, ficamos animados. Este tipo de pescaria eu nunca tinha feito, e gostei demais, subindo o rio, depois desliga o motor, e desce de rodada, só arrumando o barco com um motor elétrico, e arremessando nas margens com isca artificial. Muito gostoso, e não enjoa. Eu deixei escapar por duas vezes um peixe chamado Bicuda. Na primeira vez, puxou com tanta força que arrancou a garatéia da isca artificial, nunca tinha visto isto antes! Ela tem um bico, parecido com bico de pato, duro, é difícil de fisgar. Além disto é agressiva, pula pra retirar o anzol, é um peixe grande, diz o Gilmar que passava de uns 6 kg. Logo abaixo puxou outra, e novamente não consegui fisgar. E fiquei por isto mesmo. Subimos novamente o rio, um pouco mais acima, e voltamos a refazer o mesmo processo, arremessando nas margens.
SEGUNDO FATO ENGRAÇADO DO DIA: Já no início da descida, o Gilmar pegou uma traíra pequena, de uns 2 kg. Na mesmo momento, o Nersão deixou a vara dele cair na água, com carretilha e tudo! Quando ele viu que ia perder a vara, pulou atrás, e ainda conseguiu pegar a vara, mas perdeu o óculos e quase perdeu o chapéu! Lembro que o óculos, era um cor de rosa e preto, coisa de primeira linha, que ele tinha comprado um pouco antes de sair de C.Gde em um grande fornecedor... Pensa! Eu fiquei ali, não sabia se acudia o Nersão ou se ajudava o Gilmar a tirar o peixe da água! Como vi que o náufrago estava bem, primeiro resolvi ajudar o Gilmar com a traíra, e depois encostamos o barco no barranco, e ele subiu, molhado igual pinto na chuva... Mas tava calor, acabou ficando bom... hehehe... Depois fomos descendo o rio, entramos de novo no Teles Pires (sim, porque estávamos pescando no Verde), e fomos tentar pegar outro tucunaré naquele mesmo lugar que o Gilmar havia pego outro, mais cedo. E não é que tinha outro mesmo?! Assim que arremessamos, pulou um pra fora d'água, e ficamos loucos atrás dele, arremessando pra tudo quanto é lado. Mas nada do peixe!
TERCEIRO FATO ENGRAÇADO DO DIA: Enfim, já indo embora, o Nersão arremessou no mato, e fomos desenroscar, mas teve que cortar a linha. Enquanto isto, com o barco parado, eu arremessei pra baixo, tentando pegar o tal Tucunaré, e deu uma puxada muito forte, não deu pra ver que peixe era. Desta vez não iria deixar escapar, pensei comigo, e dei uma boa fisgada. Quando fui dar outra fisgada, arrebentou a linha, e bati sem querer com a vara no rosto do Nersão, que tava de olho pra ver o que era. Deu um pequeno corte no rosto dele, até sangrou um pouco, ele começou a ficar assustado com o sangue, e eu e o Gilmar só querendo saber do peixe, que peixe era, etc... Aí o hômi ficou brabo, que tava ferido, que tinha que ir embora, e tal. E nós rindo, meio que sem graça, mas vi que não era nada sério, apenas um pequeno arranhão, tava tudo bem. Descemos para o rancho, o pessoal tinha assado um frango, e almoçamos. Depois arrumamos as coisas e fomos embora. Chegamos em Sorriso quase no final da tarde, fomos para o hotel, devolvemos o carro, acertamos tudo com o Gilmar, e arrumamos as coisas pra sair no outro dia cedo. À noite só comemos um lanche rápido na rua. Aliás o Rogério é muito estranho. Ele não come nada o dia inteiro, como diz o Jardim, é movido a energia eólica, mas quando resolve lanchar, come dois de uma só vez! Nunca tinha visto isto! rsrsrs...
SEXTA, DIA 09/SETEMBRO e SÁBADO, DIA 10/SETEMBRO:
Saímos cedo de Sorriso pela BR-163, com o objetivo de dormir em Coxim, um trecho de quase 900 km. Fomos descendo até Rosário D'Oeste, entramos ali para a esquerda, pra fugir da 163. Aliás estão duplicando de Cuiabá até Nobres. Daqui a 1 ou 2 anos estará pronto. Também com aquele movimendo de caminhões, se não fizer isto, vai morrer muita gente! O Mato Grosso é um estado em pleno desenvolvimento, dá pra ver isto, bem mais dinâmico e movimento do que o MS, sem dúvida!
Acertamos em ir por este outro caminho, e logo estávamos chegando em Cuiabá. O Jardim, que estava de Falcon, tinha que abastecer com maior frequência do que eu, o Rogério e o Nersão. Antes de Cuiabá uns 30 km, parou em um pequeno posto, pra colocar R$ 10,00 de gasolina, só pra dar pra chegar em um posto melhor. Eu e o Rogério encostamos as motos longe das bombas, mas o Nersão encostou na bomba, e mandou encher o tanque. Eu fui ao banheiro, e não vi, mas parece que o frentista encheu demais o tanque da moto dele, e derramou muito pra fora, sujando a moto. Ele ficou bem brabo, deu piti, e depois ficou sabendo ainda que ali não aceitavam cartão de crédito. Pronto! Ficou me culpando e o Rogério, por não tê-lo avisado que era somente para esperar o Jardim! hehehe! Esse Nersão, meu grande companheiro de viagem, vc ri o dia inteiro viajando com ele! Nersão, vc é o cara! Na próxima eu te aviso, eu prometo! hehehe! Desviamos de Cuiabá, pegando a estrada para a Chapada dos Guimarães, lugar muito bonito, tenho que vir de novo pra conhecer melhor, se Deus quiser! Almoçamos lá, e depois tiramos umas fotos no mirante.
Mirante na Chapada dos Guimarães/MT
Tocamos o resto da tarde, passamos por Rondonópolis, e conseguimos a muito custo chegar em Sonora, já no MS, com o tempo esfriando, e ameaçando chuva. Foi encostar no hotel em Sonora, e caiu água! Acertamos na mosca! Comemos uma pizza ali no hotel mesmo, nem saímos, e fomos dormir cedo, todos cansados, eu ainda gripado, tossindo muito.
No sábado amanheceu um dia maravilhoso, limpo, temperatura agradável e ótimo pra viajar de moto. Saímos  lá pelas 8:00 hs de Sonora, e fomos descendo a BR-163. Engraçado como achei a 163 aqui bem mais tranquila do que perto de Cuiabá, pois em Rondonópolis os caminhões se repartem, e o fluxo diminui bastante. Abastecemos em Rio Verde de MT, e chegamos em Campo Grande ao meio dia mais ou menos. Fomos direto para o posto da Afonso Pena, nosso ponto de encontro tradicional, aonde vários amigos nos esperavam pra comemorar.
Chegada no posto em Campo Grande

Tiramos algumas fotos ali, eu fui pra casa. O Jardim tinha chamado pra almoçar na casa dele, e só o Rogério foi lá. Eu não pude ir, e o Nelson ainda tinha que ir pra Jardim à tarde. O Rogério tbm ainda teve que rodar cerca de 200 km até Dourados, pra chegar em casa. Mais uma viagem concluída, pra mim foram cerca de 5.400 km, e tudo correu bem graças a Deus. A moto não deu nenhum problema, e se comportou muito bem. Não foi possível concluir como foi planejado, mas vai ficar para outra oportunidade, eu não sei quando, mas uma hora sai! Um grande abraço a todos, especialmente para o Nersão, gostei muito de viajar com vc meu amigo! Divertido, sempre de alto astral, foi um grande companheiro. Me desculpe pelas brincadeiras, e por contar as cenas engraçadas aqui, mas não resisti! Os amigos Jardim e Rogério, incrível como combinaram perfeitamente! Parece que foram feitos pra viajar juntos! Na verdade fui eu quem os apresentei, no início do ano, no dia que cheguei de Ushuaia, em Dourados, pois sabia que o Jardim iria para a Amazônia, e o Rogério tinha me falado que queria ir tbm. E não é que deu certo?! Fizeram juntos a BR-319, passaram muita dificuldade juntos, e isto parece que os uniu. Só andavam juntos na estrada, na mesma velocidade. Muito bom isto. Já ouvi dizer, que no dia que vc achar um companheiro que seja perfeito pra viajar junto de moto, grude nele, pois é difícil de encontrar, é ouro! Agora, vamos descansar um pouco, curtir a familia, colocar o trabalho em dia, e pensar daqui a uns dias qual será a próxima! Abçs!

domingo, 4 de setembro de 2011

ENTRADA E SAÍDA DA AMAZÔNIA!

QUARTO DIA: JARÚ/RO a PORTO VELHO/RO - 300 km
Na sexta-feira acordei 6 hs, tomei o café e saí do hotel - muito simples, mas serve para passar a noite, a R$ 40,00/quarto - rumo a casa da irmã do Nelson. Saímos de Jarú às 8:30 hs. O asfalto até Porto Velho está razoável, com alguns remendos, buracos que foram remendados, mas dá para o gasto. Paramos na metade do caminho, em um local chamado Fazendinha, pra tomar uma água e descansar um pouco. Chegamos em Porto Velho ao meio dia, com o sol a pino, fazendo 38 graus. Achei o hotel com facilidade, usando o gps é claro, e nos acomodamos no Oasis Hotel, a R$ 155/quarto duplo. No momento que cheguei aqui, entrei em contato com o pessoal do Brazil Riders, e nos encontramos com o amigo Papaléguas, que nos recebeu muito bem, e nos levou até um bom restaurante, aonde provamos um ótimo peixe da região. Saímos dali, e escoltados pelo Papaléguas, fomos até o bar do MadMax, também do Brazil Riders, e presidente do MC Anacondas, daqui de Porto Velho. Ficamos lá conversando um tempo, e depois visitamos alguns pontos turísticos, o ponto de travessia da balsa, o mirante do rio Madeira, e enfim fomos até um encontro de motos do Giramundo MC. Neste momento o tempo fechou, e começou a chover, uma grande tempestade. Ficamos por lá, jantamos, e fomos para o hotel dormir.
QUINTO DIA: PORTO VELHO/RO a HUMAITÁ/AM - 208 km
No sábado acordamos às 7 hs, tomamos o café no hotel, e saímos para pegar os pneus na Suzuki. Explico: enviamos 2 pares de pneus KarooT de SP para Jarú. De lá, foi enviado para a Suzuki de Porto Velho, para trocarmos, antes de irmos para Humaitá, já que ali iríamos começar o trecho de terra. Como várias pessoas nos recomendaram a troca dos pneus na MASTER MOTTO, concessionária Honda de Porto Velho, pegamos os pneus na Suzuki e fomos pra lá, já passado das 10 da manhã. Encontramos alguns motociclistas na Suzuki, que nos convidaram para conhecer o point da cidade, aonde todos se encontram, e ficamos por um tempo lá, inclusive encontramos algumas pessoas que estavam chegando da BR-319 e nos recomendaram o trecho. Acabamos nos atrasando um pouco. Chegamos na Moto Master, e fomos MUITO bem atendidos. A loja é muito grande e bem estruturada, e recomendamos. Com certeza, é o melhor local para manutenção e troca de pneus de Porto Velho. Pegaram as motos, levaram para dentro, lá tem um mecânico muito bom, o Rogério, recomendado pelo Renato, motociclista de Porto Velho que conheci dentro da concessionária BMW de Campo Grande. Inclusive por coincidência o Renato estava lá na hora que chegamos, foi aquela festa! Ficamos por ali, esperando, já quase meio-dia, quando o Renato nos convidou para almoçar na casa dele. Fomos com ele, de carro, para uma casa e um almoço maravilhosos. Ele nos recebeu em casa, almoçamos e nos levou de volta à concessionária. Pegamos as motos, abastecemos e fomos para o hotel, acompanhamos pelo Renato e o filho dele, uma simpatia. Fizemos o check-out e fomos pegar a balsa, já quase 3 da tarde, com um calor de fritar.
Em frente ao hotel em Porto Velho
Na balsa para Humaitá

A ponte em construção sobre o rio Madeira
A ponte sobre o rio Madeira já está em adiantada construção, e deve ficar pronta até o final de 2012. Por aqui também estão dizendo que irão ASFALTAR a BR-319 entre Humaitá e Manaus, pois é uma exigência da FIFA, que todas as cidades sede da Copa do Mundo de 2014 tenham pelo menos uma saída por terra. Os 208 km entre Porto Velho e Humaitá, já estão asfaltados, a estrada muito boa e sem defeitos. À partir da travessia do rio Madeira, vimos vários destacamentos militares fazendo a manutenção da rodovia, até Humaitá. Pegamos duas chuvas rápidas no caminho, mas nem chegamos a parar pra colocar capa nem nada, pois logo parou e a roupa seca por si só, com o calor de 37-38 graus e o vento morno. Chegamos às 17:30 hs, quase no final do dia. Ainda deu tempo de dar uma volta em uma parte da estrada para Lábrea, andamos uns 5 km, a estrada muito boa, toda cascalhada. Mas realmente, se chover, vira um sabão, pois tem várias partes de terra batida.

BR-319, entre P.Velho e Humaitá, ótimo asfalto


Destacamento do Exército de Selva, em Humaitá/AM
Depois de algumas fotos, fomos para o hotel Macedônia, o melhor da cidade, a R$ 88/quarto duplo, com ar condicionado e internet wireless. Assim que chegamos e descarregamos as motos, fomos ver aonde chega a balsa que vem de Manaus. De repente o tempo virou, com muito vento, e previsão de chuva iminente. Só deu tempo de chegar no hotel, e começou a garoar fraco. Com a ventania, a luz da cidade toda acabou, por umas 2 ou 3 horas. Tomamos um banho sob luz de velas, e fomos comer algo ali perto do hotel mesmo, à pé e com lanternas nas mãos. No fim a chuva foi fraca, mas choveu, como todos os dias, aliás, nas últimas semanas. Este ano a chuva se antecipou um pouco mais do normal, disseram os habitantes locais. Jantamos uma excelente picanha, e fomos dormir. Deixamos um quarto reservado para o Jardim e o Rogério, que deveriam chegar na madrugada, pois vieram de barco.
SEXTO DIA: HUMAITÁ/AM a PORTO VELHO/RO - 208 km
De madrugada ouvi barulho no hotel, dos amigos chegando. Acordamos às 7 hs, e nos encontramos no salão do café do hotel. Foi aquela festa, colocar toda a conversa em dia, contar tudo, como foi a travessia da BR-319, e as dificuldades. Para saber mais detalhes desta primeira etapa da viagem, o Rogério está contando tudo no site dele também, com excelentes fotos: https://sites.google.com/site/cartapecuaria2/viagem-ao-norte.
Tinha um pessoal de jipe lá no hotel também, chegaram tarde da noite, vindos de Manaus, pela BR-319. As motos do Jardim e do Rogério tinham ficado no barco, pois não tinha como descarregá-las de madrugada. Fomos lá buscá-las. Descarregamos as motos, é incrível como as descarregam, andando sobre uma estreita e muito resistente tábua. Não dá pra acreditar que  por ali vai passar uma moto que pesa mais de 250 kg, mas passou! Tiramos as tradicionais fotos (eu não levei a minha câmera!), e voltamos para o hotel para decidir o que fazer.
A equipe toda reunida, no "porto" de Humaitá
Nossos amigos passaram grandes dificuldades na travessia da BR-319, na semana passada, e estavam com a moral e o psicológico abalados para continuar pela BR-230, a Transamazônica. Nós sentimos isto logo de cara, quando nos vimos. Além disto, o problema das chuvas que se anteciparam, inviabilizando o trânsito com as grandes e pesadas motos que estamos viajando. Resolvemos assim cancelar o restante da viagem, voltando pelo mesmo caminho que viemos. Ouvimos várias pessoas, muitas nos animaram, muitas nos desanimaram, mas todas tinham a mesma opinião: disseram que se chovesse, não teria como andar. Teria que parar a moto, e esperar secar, pelo menos 2 ou 3 horas. Mas como faríamos isto, no meio da Amazônia, sem lugar pra ficar, sem estrutura alguma? O problema maior então foram as chuvas que começaram antes da hora. A estrada está boa, foi toda patrolada, mas continua o problema do barro liso, um verdadeiro sabão. E com uma moto pesada com a BMW R1200GS Adventure, simplesmente inviabiliza a viagem, se vier a acontecer alguns tombos. Teríamos que parar a viagem a toda hora. Todos temos os nossos compromissos profissionais, e temos data marcada para terminar a viagem. Por isso tomamos a decisão mais difícil e com o coração apertado, abastecemos as motos, e começamos a voltar para Porto Velho! Nem sempre conseguimos realizar alguns sonhos, e este fica adiado para a próxima estação seca. Que me desculpem os amigos! Abraços a todos!
O amigo Rogério e a sua GS bastante suja...

O Jardim, nosso guia e guru
Todos na balsa. À esquerda não sei quem é!


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

LUGAR DE MOTO É NA ESTRADA!

Cada vez que eu viajo, tenho mais a certeza: lugar de moto é na estrada! Não gosto de andar na cidade com a minha moto, apenas ando nos sábados e domingos, e de vez em quando. O bom mesmo é viajar, pegar a rodovia, isto sim!
Bem, como alguns já sabem, o Jardim e o Rogério já saíram de Campo Grande há cerca de 10 dias, já fizeram a BR-319 (foi MUITO difícil!), e estão voltando de balsa, de Manaus até Humaitá, aonde nos encontraremos com eles, no sábado, para dali seguirmos juntos pela BR-230, e concluir a viagem.
Vamos a minha viagem e do Nelson.
PRIMEIRO DIA: CAMPO GRANDE/MS a RONDONÓPOLIS/MT - 485 km
Saímos de Campo Grande logo depois do almoço, às 13:30 hs. O Nelson "Carandá" chegou de Jardim de manhã, às 9 hs, pegou a moto dele lá em casa, e levou pra abastecer e carregar as malas. Apareceu de volta às 11:30 hs, almoçamos uma linguiça de Maracajú que a minha mãe fez, aliás muito boa, e seguimos viagem. Um calor insuportável, saímos com 36 graus da cidade Morena. No caminho, paramos em Rio Verde de MT para abastecer e tomar uma água. Em Coxim a temperatura bateu nos 39 graus! Na estrada filas e mais filas de caminhões, indo e voltando, transportando riquezas deste nosso Brasil Central para resto do país.
Divisa MS/MT em Sonora. Ao fundo o Rio Correntes.
Chegamos em Rondonópolis no finalzinho da tarde, antes de escurecer, já quase 18:00 hs. Ficamos hospedados no hotel Monjardim, ao custo de R$ 114,00 o quarto duplo, sem café da manhã. Hotel muito bom, recomendo.
SEGUNDO DIA: RONDONÓPOLIS/MT a VILHENA/RO - 945 km
Acordamos bem cedo, 4:30 da manhã, e saímos do hotel 5:15, sem tomar o café da manhã. O objetivo era escapar um pouco do trânsito infernal de caminhões entre Rondonópolis e Cuiabá, e a estratégia deu certo! Mas o mais engraçado é que estava frio! Isto mesmo, frio! Saí do hotel com a jaqueta totalmente aberta, pra entrar vento, e passei frio! Fomos até Cuiabá com a temperatura entre 23 a 26 graus, agradável na verdade. Tomamos o café na Pensão Seca, cujo proprietário tbm é motociclista (Coyotes), de Jaciara/MT, e conversou conosco. Seguimos, atravessamos por Cuiabá, e pegamos a estrada para Cáceres (MT-070/BR-364?), sentido Poconé. O asfalto um tapete, muito bom e novinho, e o melhor: não havia caminhões! Com a estrada tranquila, tocando de boa, logo chegamos em Cáceres, às 11 da manhã. Cáceres é o portal do Pantanal do Mato Grosso, região famosa pelo turismo de pesca. A região é baixa, altitude de 120-130 metros, e muito quente. Paramos somente para uma rápida foto na ponte do rio Paraguay, pois já havíamos abastecido as motos uns 100 km antes.
Rio Paraguai, em Cáceres, no Pantanal Mato-Grossense
video
Paramos depois de Cáceres para abastecer e almoçar, em Porto Esperidião. Estamos parando a cada 180-200 km para descansar, às vezes sem abastecer, pois as motos nos permitem, com o tanque de 33 litros. Uns 130 km à frente, antes de Pontes Lacerda, o Nelson começou a fazer sinal. Paramos, e ele disse que o pneu dele havia furado, pois estava aparecendo no painel da moto, e a pressão estava caindo cada vez mais. Como faltava apenas 10 km para chegar em Pontes Lacerda, tocamos devagar, até o primeiro posto, chamado Tuiuiú. Realmente tinha um pedaço de osso encravado no pneu dele. Paramos em uma borracharia daquelas de posto de gasolina, o rapaz retirou o pedaço de osso, e colocou o remendo do tipo macarrão, vedando o furo. E acabou-se o problema.
Nersão e a sua BM, consertando o pneu...

O "macarrão" resolveu, ainda bem!
Aproveitamos e tomamos um café. Antes de Comodoro, uma grande chuva se formou a nossa frente. Parei pra fechar as aberturas de ventilação da jaqueta, mas não precisou. A chuva passou na nossa frente, refrescando o final de tarde, a viagem ficou muito gostosa, temperatura na casa dos 25-28 graus. Gosto de citar a temperatura nas viagens, porque acho que este é um fator stressante em viagens de moto. Sempre deixo o computador de bordo da moto mostrando a temperatura. É claro que estrada ruim, vento, transito pesado, também são stressantes, mas tirando isto, classifico a temperatura como uma das mais importantes.
Após Pontes Lacerda, em pleno vale do rio Guaporé, a vegetação mudou bastante, dá pra notar as árvores mais altas, e que entramos na Amazônia, com as grandes Castanheiras do Pará, e a vegetação muito mais exuberante e maior, mais alta. Muitos animais selvagens atropelados na pista, uma pena. Antas, capivaras, etc... Chegamos em Vilhena, chamada de portal da Amazônia, às 17:20 hs, com o sol ainda alto por aqui. Aliás, aqui em Rondonia hoje amanheceu às 6:15 hs, mais tarde mais de meia hora em relação a Campo Grande.
Em Vilhena, ficamos hospedados no hotel Portinari, hotel novinho, inaugurou há apenas 3 meses atrás. Muito bom! Passei uma mensagem para o Totto, do Brazil Riders, e ele foi lá me encontrar, em alguns minutos já estava lá! Muito legal esta irmandade, é a primeira vez que participo em uma viagem, realmente faz a diferença, são grandes amigos e companheiros da estrada.
À noite me encontrei com o meu grande amigo e compadre Hugo, que mora em Ji-Paraná, e estava indo para Cáceres. Já havia combinado de encontrar com ele antes, e jantamos todos juntos, uma bela picanha na chapa. O curioso, é que mesmo após acordar às 4:30 da manhã, andar quase 1.000 km durante o dia todo, de moto, não estávamos cansados, e fomos dormir quase 11 da noite, inteiros.

TERCEIRO DIA: VILHENA a JARU/RO - 400 km
Acordamos às 5:30 hs e saímos do hotel às 7. A pressa hoje era do Nelson, que queria almoçar em Jaru, aonde mora a mãe dele, junto com a irmã. Mas eu ainda tinha que passar em Ji-Paraná, pra conhecer a indústria do meu compadre e amigo Hugo, antes de Jaru. Chegamos em Ji-Paraná às 10:30 hs, andando 300 km em pouco mais de 3 horas. Estrada boa, mas não é igual a outra no Mato Grosso. Já tem muito buraco, mesmo tampado incomoda a pilotagem. E o trânsito também aumentou bastante. Como Rondônia cresceu, as cidades bem desenvolvidas, ficamos impressionados com o tamanho de Vilhena! Já tem até shopping! Chegamos a tempo de almoçar na casa da irmã do Nersão em Jaru, a família toda estava nos esperando. O clima esquentou pra valer, e agora sim eu estava sentindo o tão falado calor da amazônia! Almoçamos, fui para um pequeno hotel pertinho, e amanhã vamos para Porto Velho, aonde vamos trocar os pneus das motos, colocar os KarooT, para no sábado começar o primeiro trecho de terra, entre Humaitá e Apuí. Está chovendo por aqui... Que seja o que Deus quiser! Amazônia aqui vamos nós!
Abraços a todos, e sigam conosco!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"DEUS OS FAZ, E ELES SE JUNTAM."

A estória de uma bela viagem, realizada de 22 a 27/junho/2008 de Campo Grande/MS a Tiradentes/MG, por 4 grandes amigos.
Durante a viagem, na ida, primeiro dia, sofri um acidente. A moto escorregou em uma poça de óleo, na entrada de uma rotatória, e eu caí. Nada de sério, a não ser alguns hematomas nas pernas e uma pequena torção do pé direito, além de um grande susto, é claro! Pensei em desistir da viagem, e o que aconteceu, na íntegra, eu conto no relato abaixo. Por algum motivo, constrangimento, sei lá, na época pedi sigilo do ocorrido aos companheiros de viagem, e nem mesmo a minha esposa ficou sabendo, a não ser na volta da viagem. No entanto, uma semana depois que voltamos, visitando o site “Rock Riders”, li um relato de um acidente de um cara na Fernão Dias, indo para Tiradentes, no mesmo dia que eu cai também! Era o Renzo Querzoli, personagem conhecido no mundo motociclístico de São Paulo e Rio. Ele é uma figura, cineasta, já fez dois ótimos documentários a respeito de motos (Alma Selvagem 1 e 2). No Rock Riders ele estava contando a respeito do ocorrido com ele, no mesmíssimo dia que aconteceu o “meu” acidente, só que muito mais sério, na rodovia Fernão Dias, já em Minas Gerais. Ele vinha com a sua moto custom em alta velocidade, não conseguiu fazer uma curva, e bateu na mureta que divide a pista, caindo. Só não se machucou mais porque estava bem equipado. E só não morreu porque não vinha carro atrás na hora da queda. Nasceu de novo. Li o relato, e me identifiquei na hora: tinha que contar o meu acidente pra alguém, como que fazer um desabafo, e ele me parecia a pessoa ideal. Assim, fiz este relato, de casa, à noite, e mandei para o email dele, sem nunca tê-lo visto na vida, nem conhecê-lo de lugar nenhum. Como todo irmão motociclista, uns 3 dias depois o cara me retornou com uma simpatia surpreendente, muito receptivo, e dali pra frente trocamos vários emails. Ficamos amigos pela internet, trocando vários emails por algumas semanas, só que depois nunca mais nos falamos. Segue abaixo o relato que fiz, com os comentários dele, exatamente como o email que mandei, em julho/2008:

Renzo: “Oi Marcio! O que vc escreveu é tão legal, mas tão legal, que em vez de responder normalmente, vou comentando o que vc diz. Vc vai achar que sou maluco - num certo sentido sou mesmo - mas acho que desse jeito eu consigo transformar essa tua bela história, numa espécie de papo gostoso entre nós. E lá vou eu!”
Marcio: “Olá, Renzo, li o seu relato no Rock Riders, sobre a ida para Tiradentes. Estou te escrevendo pra dizer que li o seu depoimento sobre o seu acidente na Fernão Dias, e me identifiquei na hora! Aconteceu comigo tbm, na mesma viagem, e no mesmo dia! Moro em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, estado que tem belas estradas, muito retas e planas. Vc já deve conhecer. Ter uma moto sempre foi o meu sonho. Comecei com uma moto pequena em 2005, e em 2007, realizei o meu sonho: comprei a minha Suzuki VstromDL1000. Gosto de motos altas, estilo Big Trail, e queria uma moto para viajar.
Já com alguma experiência em pequenas viagens, moto encontros, e tal, resolvi com mais 3 amigos, quase que de última hora, ir no famoso encontro de Tiradentes/MG. Saímos na quarta feira à tarde, dia 25/06, já que tínhamos 1.400 km para percorrer! O plano era chegar lá na quinta à tarde. Éramos quatro motos: 3 Harleys e eu de VStrom, tocando na média a 120-140 km/h, todos sozinhos, sem garupa. A tocada foi um pouco mais "forte" até a cidade de Três Lagoas/MS, pois havíamos marcado de encontrar um dos amigos por lá, o Marco Girão. Na entrada da cidade, ainda no MS, na divisa com SP, em uma rotatória, tinha uma poça de óleo diesel derramado no chão. O famoso óleo na pista. O primeiro amigo, Jorge, que estava um pouco na frente, passou fora do óleo. O segundo, Julio, passou sobre a poça e quase caiu, e o terceiro, que era eu, foi o escolhido. Entrando na rotatória e, mesmo devagar, quando passei sobre o óleo, a moto deslizou um pouco a traseira e “rabeou” com força. Eu me assustei, freei (creio eu!), a moto foi reto, bateu no meio fio do canteiro do lado direito, e eu fui para o chão, sem saber como, nem quando, naquele que seria o primeiro tombo de moto, na estrada, da minha vida. Devia estar a uns 40-50 km/h. No tombo eu sai da moto pela esquerda, também sem saber como. Quase que pulei da moto e cai de pé, em puro reflexo mesmo. Estava bem equipado, com jaqueta e calça de cordura com proteções, luva, protetor de coluna, botas, etc... Nada de grave aconteceu, a não ser o meu pé esquerdo que ficou roxo na altura do tornozelo, e doeu por uns 3 dias, e uma mancha roxa na perna direita, em toda a extensão do joelho até a virilha, que ficou por até uns 15 dias depois. Nem o capacete encostou no chão. Saí da moto, olhei, e pensei: É o fim da viagem pra mim!
O Júlio, o único que me viu cair, e que quase caiu tbm, voltou e me ajudou a levantar a moto, com outras pessoas que estavam por ali. Olhei a VStrom, e parecia que tudo estava bem, a não ser alguns arranhões na carenagem do lado esquerdo. Funcionei o motor e montei, com a adrenalina alta, tremendo de susto, e pensei: se estiver boa, continuo! Quando andei os primeiros metros, vi que a roda da frente estava torta, e o guidão balançava bastante quando andava. Pensei na hora: aqui em Três Lagoas tem Suzuki! Vou lá agora (Eram umas 4 da tarde). Troco ou mando desamassar a roda, se é que é só isto mesmo, e continuo a minha viagem! Quando cheguei na Suzuki, o pessoal me desanimou. Disseram que roda nova nem pensar, tinha que encomendar na Suzuki e levava uns 30 dias pra chegar. Como não havia quebrado nem trincado nada, restava a opção de tentar consertar. Fizeram umas duas ou três ligações telefônicas, e chegaram à conclusão de que eu tinha que levar para Araçatuba, para tentar desamassar. Nisto chegaram os amigos Jorge e Girão, que estavam nos esperando no posto do Cristo. Ali eu desanimei, e também lembrei que tinha seguro da moto. Pensei: vou pôr a moto em um guincho, e voltar para Campo Grande. Eles seguem a viagem deles, não posso atrapalhar os amigos, já que o nosso plano naquele dia era dormir em Bauru, 300 km à frente, na Marechal Rondon. Foi aí que eu conheci na prática, o real sentido da amizade na estrada, e da frase "Cumpanhêro é cumpanhêro, e fdp é fdp": nenhum dos amigos me permitiu pensar em voltar sozinho, e ainda disseram que se a roda não ficasse boa, voltaríamos todos, pois a viagem já havia valido a pena! Ali a coisa mudou, fiquei me sentindo realmente muito apoiado, e resolvi levar a moto até Araçatuba para tentar desamassar a roda.
Chegamos lá às 9 da noite, eu de Corolla do dono do guincho, e a moto em cima do caminhão. A adrenalina baixou, e a minha perna direita começava a formigar, na altura da coxa. Eu pensei: "Devo ter batido no guidão, quando saí por cima dela no tombo".”
Renzo: “Aqui interrompo pra comentar uma coisa maluca, que não contei na minha matéria: quando cheguei na minha Pousada e tirei a calça, quase desmaiei quando vi a minha canela direita. Tinha um galo do tamanho de um ovo de galinha - sem exagero - e sangrava um pouco pelos cortezinhos. A outra canela igual, mas com a pancada mais espalhada. Mão e cotovelo também muito inchados, quase não conseguia acelerar, ao chegar. Passei a noite quase inteira fazendo compressas de gelo. Bendito freezer do térreo. Dia seguinte, comecei a andar e não parei mais, até chegar em casa. Claro que não contei nada antes. Depois que cheguei, no dia seguinte, parecia o Day after verdadeiro. Só consegui andar mais ou menos bem, depois de 3 dias. Minha conclusão: a adrenalina era tamanha, que as dores só vieram no final, que nem num Dakar... Loco, né?”
Marcio: "Descarregamos a moto, e um senhor, a "fera" das rodas, que já estava lá nos esperando, olhou e disse: "Eu conserto! Pode passar aqui amanhã às 9:30 da manhã que estará pronta. Não vai precisar nem balancear." Eu me animei novamente. Fomos para o hotel, eu tirei a calça de cordura e ver o que tinha acontecido, aonde estava formigando (até então ainda não tinha tido tempo de olhar direito), já tinha uma grande mancha roxa, do joelho até a virilha, do lado direito. Não falei pra ninguém em casa do acidente. Liguei para a esposa, e disse que estava tudo bem, e que tínhamos resolvido dormir ali, porque atrasou, e coisa e tal. Saímos para comer uma pizza, eu com o astral lá embaixo, voltamos e fui dormir cedo aquele dia. No outro dia, acordei bem, e às 8:30 já fui ver a moto como estava. Estava acabando de consertar, e o Sr. Alcides deu garantia que ia ficar melhor do que antes! Ali paguei os R$ 100,00 mais felizes da minha vida, que ainda achei muito barato! Só pra ilustrar, uma roda nova custava perto de R$ 3 mil... Montei na moto, e falei para o Julio: vou pegar a Rondon e dar uma esticada. Se ficar boa, vamos embora. Estiquei a moto e nem sinal de tremedeira, estava boa! A não ser algumas carenagens quebradas e riscadas, a moto estava normal. Nem o pisca quebrou. Senti falta de um protetor de motor, de cano, daqueles grandes.
Cheguei ao hotel buzinando, feliz da vida, enquanto os outros 2 companheiros Girão e Jorge aguardavam as notícias. Pagamos o hotel, e saímos de Araçatuba às 11 hs da manhã. Perdemos quase um dia de viagem com o problema! Ou melhor: ganhamos um dia!
Foi o que descobri durante o resto da viagem. Com o tombo, acabou a pressa, e a viagem tomou outro rumo: a de que estávamos ali para curtir a estrada, e pra que a pressa de chegar?! O meu pequeno acidente na verdade nos uniu! Um dos amigos, o Girão, religioso, citou Deus, que sabe o que faz, o que concordo plenamente. Por algum motivo aquilo deveria ter acontecido. Dali para frente, estávamos muito mais unidos, e preocupados uns com os outros. Saímos da rodovia Marechal Rondon para pegar a estrada para Jaú e Brotas, maravilhosa, andando a 120 km/h, curtindo a estrada e parando para tirar fotos. Atravessamos por cima da Washington Luis e da Anhanguera, e fomos dormir em Poços de Caldas. Chegamos lá ainda com o dia claro e clima frio. Paramos, pois um dos amigos estava reclamando muito da suspensão da sua moto, e pediu pra parar que queria ver o que era. Por mim continuava, mas pensei depois: Pra quê? Queria conhecer Poços faz tempo! Assim, resolvemos dormir lá, e curtimos a noite na cidade, em um boteco, com um maravilhoso feijão tropeiro, ao lado do hotel. Naquele dia ainda mudamos a nossa rota original para Tiradentes, graças a esta parada em Poços. Quando chegamos, conhecemos uma pessoa da cidade, que nos deu um roteiro melhor, nos livrando de uma estrada ruim e cheia de buracos que íamos pegar... Olha Deus falando com a gente de novo! Fomos por Pouso Alegre, e a estrada era bem melhor. Saímos na Fernão Dias, e como vc disse, estrada perigosíssima! Muito caminhão e carreta, e curvas a cada 500 metros! Mesmo de VStrom, que é boa de curva, passei aperto várias vezes. Parecia que a curva não acabava! Chegamos em Tiradentes às 3 da tarde. Que cidade maravilhosa, e que viagem! Nem preciso contar do encontro, pois vc estava lá e viu tudo. É o melhor encontro do Brasil sem dúvida!”
Renzo: “É mesmo! No ano passado (2007) eu não vi nada! Filmávamos o tempo todo, num corre-corre, saindo de um take pro outro sem parar. É outro olhar. Desta vez praticamente não fiz muita coisa. O Berg e o filho dele me cederam espaço na tenda oficial, aquela na pracinha, que vendia as camisetas do Bike Fest. Lá pusemos um banner e dvd’s à venda. Desta vez eu pude conhecer um monte de gente e jogar conversa fora. Foi uma delícia, e aí comecei a mudar muitos planos que eu já tinha para fazer o Alma 2, que será só sobre viagens.”
Marcio: "No domingo voltamos, saindo às 9 da manhã por causa da neblina. No sábado à noite, conheci um senhor em Tiradentes, que me passou outro roteiro, mais curto. Desci a Fernão Dias no sentido SP, e entrei à direita, para Varginha. Antes de chegar a Alfenas, pegamos uns 15 km de estrada péssima, quase intransitável, em manutenção. O plano era almoçar em Passos, mas quando chegamos a Alfenas, o mesmo amigo que estava reclamando da suspensão da sua Harley, o Júlio, me disse para parar que ele estava arrebentado, a suspensão estava batendo. Pensei: hora do almoço, pois já era 12:30 hs. Parei num posto, e perguntei por um bom restaurante, com uma área para descanso. O cara indicou uma pousada a 20 km, no sentido para Passos, ou seja, no nosso roteiro, chamada Pousada do Porto. Chegamos lá, no lugar mais bonito de toda a viagem, um restaurante na beira da lagoa de Furnas, coisa de cinema! Ou seja, sem querer, e por questões diversas, a gente acabava acertando todas! Saímos de lá quase duas da tarde, e fomos em frente. Andando juntos, sempre devagar, a 120-130/h. Andamos quase 800 km no domingo, e dormimos em São José do Rio Preto. Na segunda tocamos os 600 km restantes e chegamos em Campo Grande às 3 da tarde, cansados fisicamente, mas renovados de cabeça e alma! Antes de irmos para as nossas casas, paramos as motos, nos abraçamos, rezamos um Pai Nosso, e agradecemos por tudo. Pensei comigo: esta foi a melhor viagem da minha vida!"
Renzo: “Realmente, uma viagem e tanto. Vc viajou muito mais interiormente do que esses quilômetros rodados. Pode ter certeza que isso vai ficar na alma de todos vocês até o finalzinho da vida, naquele momento em que terminamos de editar o filme da nossa vida para nós mesmos, em primeira mão. Se vc ainda não leu, leia o livro "Zen e a arte da manutenção de motocicletas". É meio chato, mas maravilhoso. Li varias vezes e dei para cada um dos meus filhos quando compraram suas primeiras motocicletas. Vc vai adorar.”
Marcio: "Fui pra casa, e depois contei tudo para a esposa, que foi a única que soube da história toda, na época. Eu tinha que contar a minha experiência, e quando vi o seu relato, me deu vontade, mesmo sem te conhecer. Estranho isto..."
Renzo: “Estranho nada, isso é cósmico! Um dos capítulos do meu filme intitulei com um ditado que minha mãe diz desde que me conheço por gente: "Deus os faz e eles se juntam". E acho que vc escreve bem, deveria editar um pouco e mandar para algum jornal ou revista da tua região, juntando fotos desses teus amigos. Assim as pessoas vão saber que turma legal vcs são. E mais, vamos continuar nos falando, eu pretendo viajar e filmar muito ainda. Na verdade, pretendo fazer isso até  os 80 anos...rererere. Quem sabe a gente ainda não se cruza por aí?”
Marcio: "Daquele tombo pra frente, senti que algo mudou, principalmente entre nós, durante as viagens. Não digo que nunca mais darei alguns piques, mas loucura, correria, não faço mais. E andar equipado, é o melhor investimento que posso fazer. Agradeço e parabenizo vc pelo depoimento, o que me motivou a tbm lhe enviar o meu. Um grande abraço!"
Renzo: “Marcio foi um prazer falar com vc e não duvido que a gente se encontre mesmo, um dia destes! Abração! Renzo Querzoli”

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Próximo desafio: BR-319 & Transamazônica

Pessoal, vai começar uma nova e desafiadora empreitada: O Norte do Brasil!
No final de semana de 09-10 de julho, demos uma volta de cerca de 700 km pelo interior do MS, sendo 500 de asfalto e 200 de estrada de terra. Saímos de Campo Grande eu, Jardim e "Brima" Rezek, e seguimos para Sidrolândia. Andamos 50 km de asfalto, e entramos à esquerda, pelo bom cascalho da estrada do Capão Seco, rodando cerca de 150 km no total, sendo 100 km somente de estrada de chão. Dormimos na fazenda Erva Mate, da minha família, em Rio Brilhante/MS, aonde jantamos um delicioso cupim soleado, prato tradicional da região, junto com o meu pai. No outro dia cedo, em Maracajú/MS, nos encontramos com o Nelson e o Rogério, que vieram de Jardim e Dourados, respectivamente.


Chegando na fazenda, parada para uma foto

Nossa janta: cupim soleado com mandioca. Bom demais!
O objetivo deste pequeno passeio "Off-Road" foi de reunir e fazer um pequeno treino do grupo que irá fazer a próxima viagem, em setembro próximo, para o norte do país. Mais precisamente Amazonas e Pará, mas passando pelos estados do MT, RO e RR, com o foco da viagem nas rodovias BR-319 e BR-230, a rodovia fantasma e a conhecida Transamazonica, respectivamente.
O grupo, até agora, é composto pelo amigo Jardim, nosso líder e guru, e o idealizador desta viagem, o companheiro Rogério Goulart, de Dourados/MS, a figuraça Nelson "Carandá" de Jardim/MS e eu. O Jardim irá em uma Honda Falcon400, e o restante de BMW R1200GS Adventure. A frase que resume a nossa viagem é: "Estrada do Norte, lugar de Forte".

Jardim, eu, Rezek, Nelson e Rogério



Todos se preparando para uma nova saída
 É um grande desafio, tanto para nós como para as motos, principalmente pelas condições das rodovias, pois uma boa parte do roteiro total de 9.500 km (cerca de 2.500 km), será de estrada de terra batida, em condições precárias, e ainda se chover vira um sabão, por isso temos que ir nesta época mais seca do ano. Mas pelo menos dizem que não tem areia...
O roteiro já está praticamente definido, e a saída está prevista para o final do mês de agosto, daqui a pouco mais de 30 dias.
Além do barro e da poeira, tbm enfrentaremos a pouca infra-estrutura disponível na região, com longas distâncias sem postos de combustíveis, pontes precárias e grande chance de dormir em barracas ou redes.
Mas são justamente estes desafios que nos impulsionam, pois se fosse muito fácil não teria graça nenhuma!
Para quem não conhece, segue abaixo um pequeno resumo das principais estradas que passaremos em breve:
RODOVIA FANTASMA/BR-319:
Visão do alto de uma das torres da Embratel



Que tal esta ponte?
A BR-319 é uma rodovia federal diagonal (Norte-Sul) brasileira, que liga as cidades de Porto Velho e Manaus, na Região Norte do Brasil. Ela é o principal acesso a várias cidades do sul do Amazonas, tais como: Humaitá, Careiro, Manaquiri, Beruri, Borba, Lábrea e Careiro da Várzea. Sua extensão é de 880,4 km, dos quais 859,5 no Amazonas e 20,9 em Rondônia.
Foi inaugurada em 1973 durante o regime militar brasileiro, dentro do contexto de colonização da Amazônia. Segundo algumas fontes, a obra foi feita as pressas, sem uma fundação de cascalho sob o asfalto. Alguns anos depois a rodovia se tornou intransponível na prática.
Por esse motivo, as margens da rodovia sofrem bem menos com grilagem e desmatamento do que outras partes da Amazônia, mas por outro lado o acesso a Manaus tem que ser feito por barco ou avião, não havendo serviço regular de ônibus entre Manaus e a maior parte do país. O percurso de barco entre Porto Velho e Manaus leva cerca de 3 a 4 dias.
Em 2005, o governo federal anunciou a recuperação da BR-319. As obras começaram em 21 de novembro de 2008, com duas frentes de trabalho partindo dos extremos da rodovia. Modelos desenvolvidos por cientistas demonstram que essas obras, caso não sejam acompanhadas de ações governamentais sem precedentes na Amazônia, levarão ao desmatamento e ocupação desordenada do entorno da rodovia: Desde o seu anúncio, criaram-se dois assentamentos às margens da estrada (Castanho e Tupanã Igapó-Açu).
Este trecho é considerado o mais desafiador da viagem, pois quase não tem trânsito e as pontes são muito precárias. São cerca de 580 km entre Careiro Castanho e Humaitá, de estradas péssimas, intercalando asfalto abandonado há 30 anos com buracos e atoleiros, aonde há apenas as torres de repetição da Embratel e é possível montar acampamento e dormir, caso seja necessário.
*Fonte: Wikipédia, adaptado.

RODOVIA TRANSAMAZÔNICA/BR-230:

A estrada dentro da mata Amazônica!


Estrada até boa, mas se chover...
A rodovia Transamazônica, foi criada durante o regime militar, no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974) sendo considerada uma obra "faraônica" devido às suas grandes proporções. A intenção da rodovia era integrar os estados do Norte do Brasil com o resto do Pais. Foi inaugurada no dia 30 de agosto de 1972. Atualmente a BR-230 ou Transamazônica é uma rodovia transversal, cortando o norte do Brasil no sentido leste-oeste, e considerada a terceira rodovia mais longa do Brasil com cerca de 4.977 km de extensão, ligando a cidade portuária de Cabedelo na Paraíba ao município de Benjamin Constant, no Amazonas e cortando sete estados brasileiros.
Nasce na cidade de Cabedelo, na Paraíba, e segue até Lábrea, no Amazonas. Em grande parte, principalmente no Pará e no Amazonas, a rodovia não é pavimentada.
Inicialmente projetada para ser uma rodovia pavimentada com 8 mil quilômetros de comprimento, conectando as regiões Norte e Região Nordeste do Brasil com o Peru e o Equador, não sofreu maiores modificações desde sua inauguração.
Na sua construção, os trabalhadores ficavam completamente isolados e sem comunicação por meses. Alguma informação era obtida apenas nas visitas ocasionais a algumas cidades próximas. O transporte geralmente era feito por pequenos aviões, que usavam pistas precárias.
Por não ser pavimentada, o trânsito na Rodovia Transamazônica é impraticável nas épocas de chuvas na região (entre outubro e março). O desmatamento em áreas próximas à rodovia é um sério problema criado por sua construção. É o sonho de muitos jipeiros, pois sua precariedade instiga aos mais aventureiros sua travessia em veículos off-road e motocicletas.
*Fonte: Wikipédia, adaptado.

Vamo que vamo minha gente, agora é contar os dias e se preparar para mais esta aventura, que faremos em duas etapas:
-A primeira etapa subindo de Campo Grande/MS até Porto Velho/RO, e de Humaitá/AM até Manaus pela balsa. Depois subindo ainda mais até a linha do equador e entrando em Roraima, e descendo novamente até Manaus, para enfrentar então até Humaitá agora pela BR-319, distancia total de cerca de 4.900 km em cerca de 12 dias, feita pelo Jardim e o Rogério somente.
-A segunda etapa, agora todos juntos, saindo de Humaitá/AM pela Transamazonica, passando por Santarém e Tucuruí, até Marabá/PA, e a volta descendo pelo vale do rio Xingú, no MT, Barra do Garças e chegando de volta a nossa querida Campo Grande. A distancia desta segunda etapa, coincidentemente também tem cerca de 4.900 km, que faremos em cerca de 12 dias. Será um sinal?! Espero que seja um bom sinal...
Eu e o Nelson faremos somente a segunda etapa, por problema de tempo, pois a viagem toda levará 23 dias, e o trabalho nos cobra! Sairemos de Campo Grande cerca de 10 dias depois da primeira dupla, e nos encontraremos em Humaitá, para dali seguirmos juntos.

Posto mais novidades assim que tiver! Abçs!

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.