terça-feira, 27 de setembro de 2011

A volta dos que não foram...

SEGUNDA, DIA 05/SETEMBRO:
Saímos de Porto Velho na segunda de manhã, lá pelas 7:30. No domingo à noite, tive a visita no hotel do novo amigo Marcio Maluf "Xará". Ele é mineiro, e mora em Rondônia há uns 30 anos, pelo que me disse. Conhece tudo por lá, já viajou por outros países tbm, e apareceu por lá montado em uma Buel Ulisses, moto que eu quase comprei uma vez, e acho muito interessante, pena que já não vende mais aqui. Valeu Xará, pela conversa, e fica o convite para passar aqui em Campo Grande, e me visitar. Durante a conversa, fiquei em frente ao ar condicionado do hotel, muito forte, a minha garganta começou a reclamar, logo nesta noite, resultando em uma gripe, que durou quase 2 semanas...
O Nersão "Tracajá" (Leiam até o final que entenderão o porque do apelido...) estaria nos esperando em Ji-Paraná, e foi o que aconteceu. Almoçamos por lá, em um posto depois da cidade. Chegamos em Vilhena no final da tarde, e bem na entrada da cidade o figura encheu o pé numa tartaruga daquelas grandes, que ficam no meio da rodovia, na transversal. Desceu da moto dando sapituca, e gritando feito uma bicha louca, pedindo pra tirar a bota, que tinha quebrado o pé. Que nada! Estava devagar, e a bota protegeu, só o dedão ficou rocho, mas nada de sério. Mas pensa no movimento que ele fez! Chegou no hotel, pegou um táxi e foi tirar "chapa" do pé! Nem precisou, o médico só olhou e viu que não era nada! Ficamos hospedados no mesmo ótimo hotel Portinari, que ficamos na ida. À noite fomos jantar no Picanha, bom demais.
TERÇA, DIA 06/SETEMBRO:
Na terça, saímos cedo, antes das 7, com destino a Sorriso, pois resolvemos aproveitar o feriado do dia 07/setembro para pescar, já que a nossa viagem para Santarém foi abortada. O amigo Gilmar, que mora lá, é pescador inveterado, e ficou de ajeitar uma pescaria no Teles Pires para nós. Logo depois de Vilhena, anda 100 km e entra à esquerda, em Comodoro, sentido Campos de Julio/Sapezal. Ali começa a aparecer a pujança agrícola do Mato Grosso, o celeiro do Brasil atualmente. Inclusive passamos também em frente a dois confinamentos enormes, acredito que mais de 10 mil bois fechados, perto de Comodoro. Paramos para abastecer em Campos de Júlio, cidade pequena, 100% agricultura, e colonizada por gaúchos e paranaenses. Logo depois de Sapezal, sentido Campo Novo dos Parecis, passamos por um belo rio, o rio Papagaio, que fiquei sabendo depois é um dos afluentes do Teles Pires. É um rio de águas transparentes, e me lembrei na hora de Bonito. O calor estava de matar, 36-38 graus, e já era 11 hs da manhã. Logo após o rio, tem uma parada de pedágio, todo veículo tem que pagar (caminhão R$ 30,00 - carro R$ 20,00 - moto R$ 10,00). É o pedágio dos índios Parecis, pois ali começa a área de reserva deles. Um verdadeiro absurdo, é claro, pois todos tem o direito de ir e vir dentro do país, e além disto eles não construíram a estrada, e nem dão manutenção nela, então não deveriam cobrar coisa alguma. Paramos para pagar o pedágio, e o Nersão falou comigo pra gente voltar e parar no rio logo atrás, pra almoçar e tirar umas fotos. Na hora disse não, pois estava querendo almoçar em Campo Novo. Mas pensei de novo, e "Porque não?". Voltamos, e fomos com as motos direto para e beira d'água, aquele paraíso logo ali, na beira da rodovia, de graça. Olhamos uns para os outros, descemos das motos, tiramos aquelas roupas quentes, colocarmos shorts, e fomos nadar! Parecia uma cena daqueles filmes, coisa que eu nunca tinha feito até então, e como foi bom! Refrescou e diminuiu a temperatura corporal, além de darmos muitas risadas e tomarmos uma gelada, antes de irmos almoçar, pois tinha um pequeno restaurante de comida caseira logo ao lado. Valeu a pena!
Quando vimos a água, resolvemos nadar!

Lugar abençoado por Deus!

Olha esta água!
Saímos dali, para enfrentar a estrada e o calor de novo. Eu acredito que o calor é bem maior, das 2 às 4 da tarde. Por isso hoje dou razão aos Argentinos e Chilenos, que trabalham das 9 às 14 hs, param das 14 às 16 hs, e depois voltam, até às 21 hs. Dá pra aproveitar melhor a manhã com alguma atividade pessoal, e nas horas mais quentes, dá pra descansar. O Rogério e o Jardim, os roda presa, andando a 90-110 km/h, iam ficando pra trás, eu e o Nersão andando a 120 cravado. De vez em quando a gente parava, e esperávamos eles. Depois de Campo Novo, aonde paramos para abastecer, tocamos sempre para o oeste, e saímos em Nova Mutum, na BR-163, estrada MUITO movimentada. Dali até Sorriso foram 150 km mais ou menos. Chegamos em Sorriso às 17:30 hs, fui direto para o salão da Olga, esposa do Gilmar, que já estava nos esperando. Ele já tinha arrumado tudo, feito todas as compras do rancho, arrumado toda a traia de pesca, etc... Era só acordar no outro dia e ir pescar, uns 30 km após Sinop, que fica a 80 km de Sorriso. Fomos para o hotel, muito bom aliás, o dono já morou em Ponta Porã, de origem alemã, o Nersão já tramou na conversa com ele, pra variar. À noite fomos comer uma pizza, com a família do Gilmar, não sem antes tomar uma gelada e conhecer a casa deles, muito bonita e bem decorada. O Gilmar, a Olga, a Ayala, são pessoas maravilhosas, verdadeiros amigos, muito gentis e sempre educados e servidores. Agradeço pela atenção que nos dispensaram por estes dias.
QUARTA, DIA 07/SETEMBRO:
Na Quarta, dia 07/setembro, saímos de Sorriso já meio tarde, passado das 8 da manhã. Alugamos um carro, um Uno Mille, e deixamos as motos no hotel. Algumas roupas eu mandei lavar, e foi a melhor coisa que fizemos. Eu fui com o Gilmar no carro dele, puxando a carretinha com o barco e as traias. O hômi corre feito doido, com aquilo tudo e ainda puxando a carretinha, tinha que ver! O pesqueiro é em um tipo de condomínio só de pesqueiros, com portaria, guarda e tudo. É um sobradinho feito de madeira, muito legal! Mas não tinha água, pois roubaram a bomba d'água, nem gáz de cozinha, e a luz é de gerador. Mesmo assim muito bom, todo telado, demos uma arrumada, varremos, eu já fui assar uma carne para o almoço, fizemos um fogo de lenha mesmo, num fogão que tinha lá, e as coisas funcionaram legal. Almoçamos, e começamos a arrumar tudo, para pescar. Já no meio da tarde eu e o Gilmar fomos dar um rolé no rio, reconhecimento do terreno, e subimos até a barra do rio Verde no Teles Pires, lugar muito bonito. O Teles Pires ali é grande, acredito que uns 300 mts de largura ou até mais, mas no meio é raso, tem uns bancos de areia, que o pessoal usa pra tomar banho e brincar, nos feriados e finais de semana. O Jardim foi visitar um amigo em Sinop, então pegamos o Rogério, e fomos tomar banho de rio mesmo, já que não tinha água no rancho, em um lugar chamado Praia do Cortado, não havia ninguém lá, foi legal, tomamos o banho e voltamos para o rancho. O Jardim já estava lá nos esperando. Fizemos a janta, bebemos algumas, e fomos dormir cedo. Impressionante como ali é frio à noite! O Gilmar tinha falado, e eu não acreditei. Mas à noite fez tanto frio que tive que puxar coberta!
QUINTA, DIA 08/SETEMBRO:
Acordei cedo, antes das 6 da manhã. À noite, as situações engraçadas: a cama do Nersão quebrou o estrado, o barulho foi grande e as reclamações tbm. Ele levantou, deu uma arrumada, e depois quebrou de novo. E o Jardim começou a falar sozinho, chamando o Neeeerrrrssooooo, muito engraçado, acordei assustado com aquilo, e vi que ele estava sonhando mesmo... O Gilmar parecia um trator de esteira, roncando que a casa quase tremia. rsrsrs... Desci e tomei um café improvisado, pão com Nescafé, queijo, um arroz requentado da noite anterior com ovo frito, e tá bom demais! Este dia, foi uma sucessão de fatos engraçados, envolvendo o Nelson, leiam abaixo.
PRIMEIRO FATO ENGRAÇADO DO DIA: O Nersão foi pescar bem cedo, iscou um TOMATE, e jogou na água. Mal o anzou caiu na água, puxou, e ele já pensou: "Vou pegar um pacú aqui, antes de todo mundo acordar!". Quando ele puxou a linha, era uma tartaruga da região, chamada TRACAJÁ. Ele mais que depressa quis retirar o anzol da boca da coitada, e jogá-la de volta na água, antes que alguém visse, já pensando nas consequências, pois estávamos ainda tirando sarro dele do episódio do chute na tartaruga da estrada, em Vilhena, na segunda. Mas não adiantou, cada vez que ele ia tirar o anzol, a tartarura recolhia a cabeça pra dentro, e quando ele olhou para o barranco estava vindo o Gilmar, que viu e disse: "Pegou uma tartaruga, hem!?" hehehe... Não teve jeito, ficamos todos sabendo do ocorrido, e na hora já saiu o apelido "NERSÃO TRACAJÁ", pois Tartaruga não teve jeito, já tem um na Confraria, o Pres. Ricardo. Saímos pra pescar embarcados eu, o Nersão e o Gilmar  pilotando o barco. O Jardim e o Rogério ficaram no rancho descansando, fizeram o almoço e ainda deram uma geral por lá, lavaram tudo carregando água do rio em baldes, um serviço de primeira. O Gilmar logo de cara pegou um Tucunaré de uns 3 kg, ficamos animados. Este tipo de pescaria eu nunca tinha feito, e gostei demais, subindo o rio, depois desliga o motor, e desce de rodada, só arrumando o barco com um motor elétrico, e arremessando nas margens com isca artificial. Muito gostoso, e não enjoa. Eu deixei escapar por duas vezes um peixe chamado Bicuda. Na primeira vez, puxou com tanta força que arrancou a garatéia da isca artificial, nunca tinha visto isto antes! Ela tem um bico, parecido com bico de pato, duro, é difícil de fisgar. Além disto é agressiva, pula pra retirar o anzol, é um peixe grande, diz o Gilmar que passava de uns 6 kg. Logo abaixo puxou outra, e novamente não consegui fisgar. E fiquei por isto mesmo. Subimos novamente o rio, um pouco mais acima, e voltamos a refazer o mesmo processo, arremessando nas margens.
SEGUNDO FATO ENGRAÇADO DO DIA: Já no início da descida, o Gilmar pegou uma traíra pequena, de uns 2 kg. Na mesmo momento, o Nersão deixou a vara dele cair na água, com carretilha e tudo! Quando ele viu que ia perder a vara, pulou atrás, e ainda conseguiu pegar a vara, mas perdeu o óculos e quase perdeu o chapéu! Lembro que o óculos, era um cor de rosa e preto, coisa de primeira linha, que ele tinha comprado um pouco antes de sair de C.Gde em um grande fornecedor... Pensa! Eu fiquei ali, não sabia se acudia o Nersão ou se ajudava o Gilmar a tirar o peixe da água! Como vi que o náufrago estava bem, primeiro resolvi ajudar o Gilmar com a traíra, e depois encostamos o barco no barranco, e ele subiu, molhado igual pinto na chuva... Mas tava calor, acabou ficando bom... hehehe... Depois fomos descendo o rio, entramos de novo no Teles Pires (sim, porque estávamos pescando no Verde), e fomos tentar pegar outro tucunaré naquele mesmo lugar que o Gilmar havia pego outro, mais cedo. E não é que tinha outro mesmo?! Assim que arremessamos, pulou um pra fora d'água, e ficamos loucos atrás dele, arremessando pra tudo quanto é lado. Mas nada do peixe!
TERCEIRO FATO ENGRAÇADO DO DIA: Enfim, já indo embora, o Nersão arremessou no mato, e fomos desenroscar, mas teve que cortar a linha. Enquanto isto, com o barco parado, eu arremessei pra baixo, tentando pegar o tal Tucunaré, e deu uma puxada muito forte, não deu pra ver que peixe era. Desta vez não iria deixar escapar, pensei comigo, e dei uma boa fisgada. Quando fui dar outra fisgada, arrebentou a linha, e bati sem querer com a vara no rosto do Nersão, que tava de olho pra ver o que era. Deu um pequeno corte no rosto dele, até sangrou um pouco, ele começou a ficar assustado com o sangue, e eu e o Gilmar só querendo saber do peixe, que peixe era, etc... Aí o hômi ficou brabo, que tava ferido, que tinha que ir embora, e tal. E nós rindo, meio que sem graça, mas vi que não era nada sério, apenas um pequeno arranhão, tava tudo bem. Descemos para o rancho, o pessoal tinha assado um frango, e almoçamos. Depois arrumamos as coisas e fomos embora. Chegamos em Sorriso quase no final da tarde, fomos para o hotel, devolvemos o carro, acertamos tudo com o Gilmar, e arrumamos as coisas pra sair no outro dia cedo. À noite só comemos um lanche rápido na rua. Aliás o Rogério é muito estranho. Ele não come nada o dia inteiro, como diz o Jardim, é movido a energia eólica, mas quando resolve lanchar, come dois de uma só vez! Nunca tinha visto isto! rsrsrs...
SEXTA, DIA 09/SETEMBRO e SÁBADO, DIA 10/SETEMBRO:
Saímos cedo de Sorriso pela BR-163, com o objetivo de dormir em Coxim, um trecho de quase 900 km. Fomos descendo até Rosário D'Oeste, entramos ali para a esquerda, pra fugir da 163. Aliás estão duplicando de Cuiabá até Nobres. Daqui a 1 ou 2 anos estará pronto. Também com aquele movimendo de caminhões, se não fizer isto, vai morrer muita gente! O Mato Grosso é um estado em pleno desenvolvimento, dá pra ver isto, bem mais dinâmico e movimento do que o MS, sem dúvida!
Acertamos em ir por este outro caminho, e logo estávamos chegando em Cuiabá. O Jardim, que estava de Falcon, tinha que abastecer com maior frequência do que eu, o Rogério e o Nersão. Antes de Cuiabá uns 30 km, parou em um pequeno posto, pra colocar R$ 10,00 de gasolina, só pra dar pra chegar em um posto melhor. Eu e o Rogério encostamos as motos longe das bombas, mas o Nersão encostou na bomba, e mandou encher o tanque. Eu fui ao banheiro, e não vi, mas parece que o frentista encheu demais o tanque da moto dele, e derramou muito pra fora, sujando a moto. Ele ficou bem brabo, deu piti, e depois ficou sabendo ainda que ali não aceitavam cartão de crédito. Pronto! Ficou me culpando e o Rogério, por não tê-lo avisado que era somente para esperar o Jardim! hehehe! Esse Nersão, meu grande companheiro de viagem, vc ri o dia inteiro viajando com ele! Nersão, vc é o cara! Na próxima eu te aviso, eu prometo! hehehe! Desviamos de Cuiabá, pegando a estrada para a Chapada dos Guimarães, lugar muito bonito, tenho que vir de novo pra conhecer melhor, se Deus quiser! Almoçamos lá, e depois tiramos umas fotos no mirante.
Mirante na Chapada dos Guimarães/MT
Tocamos o resto da tarde, passamos por Rondonópolis, e conseguimos a muito custo chegar em Sonora, já no MS, com o tempo esfriando, e ameaçando chuva. Foi encostar no hotel em Sonora, e caiu água! Acertamos na mosca! Comemos uma pizza ali no hotel mesmo, nem saímos, e fomos dormir cedo, todos cansados, eu ainda gripado, tossindo muito.
No sábado amanheceu um dia maravilhoso, limpo, temperatura agradável e ótimo pra viajar de moto. Saímos  lá pelas 8:00 hs de Sonora, e fomos descendo a BR-163. Engraçado como achei a 163 aqui bem mais tranquila do que perto de Cuiabá, pois em Rondonópolis os caminhões se repartem, e o fluxo diminui bastante. Abastecemos em Rio Verde de MT, e chegamos em Campo Grande ao meio dia mais ou menos. Fomos direto para o posto da Afonso Pena, nosso ponto de encontro tradicional, aonde vários amigos nos esperavam pra comemorar.
Chegada no posto em Campo Grande

Tiramos algumas fotos ali, eu fui pra casa. O Jardim tinha chamado pra almoçar na casa dele, e só o Rogério foi lá. Eu não pude ir, e o Nelson ainda tinha que ir pra Jardim à tarde. O Rogério tbm ainda teve que rodar cerca de 200 km até Dourados, pra chegar em casa. Mais uma viagem concluída, pra mim foram cerca de 5.400 km, e tudo correu bem graças a Deus. A moto não deu nenhum problema, e se comportou muito bem. Não foi possível concluir como foi planejado, mas vai ficar para outra oportunidade, eu não sei quando, mas uma hora sai! Um grande abraço a todos, especialmente para o Nersão, gostei muito de viajar com vc meu amigo! Divertido, sempre de alto astral, foi um grande companheiro. Me desculpe pelas brincadeiras, e por contar as cenas engraçadas aqui, mas não resisti! Os amigos Jardim e Rogério, incrível como combinaram perfeitamente! Parece que foram feitos pra viajar juntos! Na verdade fui eu quem os apresentei, no início do ano, no dia que cheguei de Ushuaia, em Dourados, pois sabia que o Jardim iria para a Amazônia, e o Rogério tinha me falado que queria ir tbm. E não é que deu certo?! Fizeram juntos a BR-319, passaram muita dificuldade juntos, e isto parece que os uniu. Só andavam juntos na estrada, na mesma velocidade. Muito bom isto. Já ouvi dizer, que no dia que vc achar um companheiro que seja perfeito pra viajar junto de moto, grude nele, pois é difícil de encontrar, é ouro! Agora, vamos descansar um pouco, curtir a familia, colocar o trabalho em dia, e pensar daqui a uns dias qual será a próxima! Abçs!

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.