sábado, 30 de março de 2013

Paso Água Negra & Desencontros...

Haja tempo para tudo... Ufa! Já estamos voltando!
Vamos ao segundo desafio, a travessia do paso Água Negra! Saímos de La Serena/Chile, na sexta-feira santa, dia 29/março, às 9:20 hs da manhã. Incrível, lá do outro lado do continente sul americano, vendo o oceano pacífico, e o mesmo horário de Brasília... Deveria ser umas 2 horas a menos! Acordei às 6 hs, escuro. Dormi até às 7:00 hs, levantei, e ainda escuro. Mas foi assim mesmo. Fui chamando o pessoal nos quartos, o já tradicional "Bóra, bóra!". Todos foram acordando, levantando, e se arrumando. Estávamos todos acomodados em 2 quartos quadruplos e 1 duplo, em 10 pessoas, pois o Pintado foi embora sozinho na quinta cedo, de Copiapó, já que tem compromisso na segunda-feira cedo. O dia foi amanhecer já passado das 8 hs.
Vista do oceano pacífico, do hotel

A turma se arrumando pra sair, estava frio!

Boa pousada, familiar, a US$100/quarto quadruplo
Passamos em um posto Copec para comprar e encher os "bidons" (galão de carregar gasolina), pois o trecho é longo, e não tem posto. A temperatura marcando 15 graus, e o tempo enevoado. Seguimos para Vicuña, a 60 km de La Serena, rumo ao paso Água Negra. O tempo foi abrindo, e o sol aparecendo aos poucos. A paisagem, muito bonita, com muitos vinhedos, campings, a estrada com curvas e o asfalto muito bom. Tinha uma represa, muito legal. E já começamos a subir, saímos de 9 metros à beira mar, e chegamos em Vicuña para abastecer marcava 700 metros. Estávamos acabando e se preparando para sair quando chegaram 2 motociclistas argentinos, de Rio Gallegos, em duas GS1150, das antigas. Dois amigos, estão viajando há uns 30 dias... Também irão fazer o paso.
Saímos, e pegamos um bom asfalto. Agora sim a cordilheira se abriu de vez, e fomos subindo cada vez mais, uns 90 km até a aduana chilena. Muitos vinhedos pelo caminho, pequenas chácaras e criações de cabras. Chegamos na aduana, a 2.000 mts de altitude, deixamos as motos e fomos fazer os tramites de sempre. Haviam algumas pessoas por lá, em jipes e outros carros menores também, a aduana é muito bonita, um barracão feito todo em madeira, até o teto, deve ser por causa do frio e da neve. Já dava pra ver que o rípio nos esperava dali pra frente, a uns 100 metros da aduana começava... 
Perguntei para o oficial dos Carabineros del Chile, quantos km tinha até a aduana argentina, e ele me disse que eram 3 horas, não sabia falar em km, apesar de eu já saber que eram 174 km, e queria apenas confirmar. Já eram 10:30 hs da manhã, o sol a pino, tempo muito bom, com céu azul. Estava calor, mas mesmo assim já colocamos as roupas de frio, pois iríamos subir a 4.800 mts em apenas 90 km. O rípio, muito bom, mas muito melhor do que o San Francisco, muito tranquilo. A estrada vai serpenteando por um vale, e as montanhas te acompanhando o tempo todo, dos dois lados. Logo chegamos em uma lagoa, e o Maluf e o Kikico estavam lá parados tirando fotos. Parei também, mas saí logo, pois vinha vindo uns carros que eu havia acabado de ultrapassar, e no rípio não é fácil ultrapassar... Aliás, nunca vi um movimento assim! Eram MUITOS CARROS! Camionetes, carros pequenos, jipes, indo e vindo, a todo momento. Depois de uns 40 km, já deu pra ver os picos nevados. A estrada, muito bonita, e não tinha o stress do outro paso, estava bem melhor de andar. Fui indo sozinho, mas sabia que atrás e à frente de mim havia gente. De vez em quando nos víamos, nas curvas e nas subidas íngremes. Parei várias vezes pra tirar fotos, e fiz muitos filmes com a câmera do capacete.
Os motociclistas argentinos

Esta moto é uma lenda...

Arrumando pra entrar no rípio. Ao fundo a aduana chilena

Olha ele ali!
A laguna, já subindo a cordilheira


O pessoal parou pra tirar fotos

As paisagens são lindas!
O paso Água Negra é muito mais bonito e mais fácil de atravessar do que o San Francisco. A diferença é que enquanto no San Francisco você anda nas retas e planícies sobre a cordilheira, no Água Negra são só montanhas e mais montanhas, além da estrada ser muito melhor. E a paisagem é de tirar o fôlego nos dois, mas no Água Negra é mais bonita ainda, por causa da neve! O Pintado mesmo pegou uma nevasca na tarde de quinta, quando passou por lá. Por isso o movimento tão intenso de carros.
Fui subindo e subindo, e aqueles picos de neve lá em cima começaram a ficar cada vez mais perto! Já estava chegando na casa dos 4 mil metros, aquela falta de ar normal de sempre... Aliás, desta vez não tomei nada, nenhum remédio nem chá. Encarei assim mesmo, pra ver como vai ser, e deu certo! Logo cheguei na neve, ao lado dela, parei a moto pra ver, mas o esforço pra fazer qualquer tarefa rotineira como descer da moto parece quase impossível! Já estava a 4.400 metros!
Logo cheguei no paso, a divisa entre o Chile e a Argentina. O Marco Tulio e o Flávio já estavam lá, pois tinham me ultrapassado. Ficamos ali um tempo, curtindo, sob os efeitos da altitude, a emoção de estar naquele lugar, todo nevado. Haviam alguns carros parados, tinha um jipe Land Rover Defender de um casal de ingleses que estão dando a volta ao mundo. Conversamos um pouco, peguei o site deles, disseram que irão passar no Brasil também, em Campo Grande. Vamos ver...
Cheguei na neve!

A estrada muito boa!

Show de imagens!

A Mula Preta finalmente está aqui...

Os pneus Mitas E-07 fizeram a diferença na terra

No paso, estava tudo branco!



Estávamos lá! Segundo desafio cumprido!

O jipe dos ingleses
Saímos do paso juntos, e começamos a descida, em caracol, que apesar da estrada ser boa, não deixa de ser difícil, ainda mais com tantos carros passando na contra mão, e a estrada muito estreita. Depois de uns 30 km mais ou menos, começou um asfalto tímido, misturado com terra, pois estão asfaltando. Chegamos em um posto da gendarmeria argentina, mas ainda não era a aduana, apenas um guarda anota a placa da moto em um papel, e te entrega, para controle. A aduana mesmo fica a 38 km dali. Continuamos a descer, até que de repente, a 2.000 metros mais ou menos de altitude, a paisagem muda drasticamente, acabam-se as montanhas, e começa o verde, e o calor. Estávamos em um asfalto ruim, a caminho de Las Flores, aonde fica a aduana. Chegamos lá, e ficamos esperando o pessoal nos atender. Eram 15:00 hs mais ou menos. Ou seja, gastamos mesmo 3 horas pra fazer tudo, como disse o guarda chileno! Tinha muita moto subindo, de tudo quanto é marca e modelo, até BMW RT e K1200 tinha... O pessoal tá animado, mas afinal é feriado!
No posto da policia argentina, Flávio e Marco Tulio

Na aduana
A paisagem muda drasticamente!



Ficamos ali comentando a travessia, o quanto foi legal e diferente da outra. Ninguém teve problema algum, pelo menos até aquela hora não sabíamos de nada... Tramites feitos, seguimos para um posto ACA ali perto, que não tinha gasolina... Mas estavam lá o Amin, o Amado, o Rezek e um uruguaio que conhecemos na aduana chilena. Ficamos lá conversando e contando as histórias de cada um, aproveitei pra tirar a segunda pele, pois estava com calor, e comer alguma coisa, afinal estávamos sem comer nada, desde cedo, pois hoje não teve café da manhã. Mas... acabamos nos esquecendo dos amigos que ficaram para trás, o Nelson de Jardim, Maluf e Kikico. Demoramos muito tempo no posto, que fica dentro da vila de Las Flores, escondido, e eles acabaram passando direto... Ainda tínhamos 300 km pra rodar até Chilecito, saímos do posto 17:30 hs, perdemos muito tempo lá, mas isto eu conto amanhã, já são quase meia noite e amanhã vamos sair cedo. Estamos hoje em Santiago del Estero, amanhã vamos rodar 1.000 km até Asuncion, no Paraguay, e segunda se Deus quiser chegamos em casa. Abraços e obrigado pelos comentários!


quinta-feira, 28 de março de 2013

Paso San Francisco: primeiro desafio cumprido!

É difícil falar tudo o que sentimos e vivemos ontem. Por mais que já tenha pesquisado, estudado, programado e se preparado para tudo, a emoção e a ansiedade tomam conta de você, sem pedir licença! Como estará o clima? Será que todos irão se sair bem com a altitude? E o rípio, será daqueles traiçoeiros? Estas perguntas só podem ser respondidas lá na hora, quando as coisas acontecem. Aí é pedir a Deus para nos proteger, e confiar nos companheiros de viagem e no preparo.
Depois de postar no blog, lá no hotel em Cortadera, a uns 100 km da aduana argentina, estávamos esperando os outros amigos chegarem, pois ficaram para trás, arrumando a roda da moto do Pintado. Neste momento chegaram dois motociclistas argentinos, dizendo que pelo visto a coisa não ia bem, pois eles tinham visto 3 motos em Fiambalá, e conversaram com nossos amigos, e não tinham conseguido arrumar a roda até aquela hora. Já eram 11:30 hs da manhã, e tínhamos uma difícil decisão para tomar: Voltávamos para Fiambalá, ou encarávamos o Paso? Estávamos em 5 (eu, Marco Túlio, Rezek, Flávio e Maluf), e fizemos uma pequena votação, aonde todos concordaram que a melhor opção seria seguir em frente, pois já haviam 6 outros amigos lá com eles, ajudando, e de nada adiantaria voltarmos. Resolvemos tocar, e esperar em Copiapó...
Saímos do hotel eram 11:45 hs, rumo ao paso San Francisco. Estávamos a cerca de 3.400 metros, e continuou a subida, as montanhas, os vulcões e as paisagens mais espetaculares e insólitas que vocês podem imaginar! Já disse isto, e repito: todos deveriam um dia experimentar a sensação única de atravessar a cordilheira dos andes, de carro, ou de moto.
O frio, já amenizado com o sol a pino, mas ainda se mantendo a 11 - 12 graus. Paramos para tirar algumas fotos dos vulcões "Ojos del Sallado" e "Incahuasi", os dois com mais de 6 mil metros de altura, os mais altos do mundo em atividade, e logo chegamos na aduana argentina, cerca de 12:30 hs. Ao fundo da aduana, o majestoso vulcão San Francisco. Não tinha nenhum carro parado lá. Paramos as motos em fila, e os funcionários vieram simpáticos nos receber, perguntando de onde éramos, elogiando as motos, etc... Difícil ver esta reação em aduanas... Geralmente são sérios e não dão muito papo. Dei alguns adesivos da viagem para um deles, o mais simpático, que o colou em um mural, cheio de adesivos de tudo quanto é lugar.
Aduana Argentina no Paso San Francisco

Agora estamos todos juntos novamente!

Colei um adesivo da Confraria e da viagem aí!

Ao fundo o vulcão San Francisco
Iniciei os procedimentos na imigração, e quando estava fazendo a aduana, ouvimos um barulho de motor: eram os nossos amigos! Lá estavam o Amir e o Amado, e logo chegaram todos, Nelson, Padilha, Pintado e Kikico. Ficamos muito alegres e felizes com a chegada deles, graças a Deus conseguiram arrumar a moto, e estávamos todos juntos novamente!
Agora todos foram fazer a imigração e a aduana, bastante lenta. Um a um fomos saindo, e levando as motos para abastecer, cerca de 50 metros dali, em baldes de 10 litros, e a um custo de AR$ 8,50 pesos o litro. Muito bom ter esta gasolina ali, pois só teremos posto há 282 km, em Copiapó. No final das contas, não precisa levar galão de gasolina reserva, para motos com autonomia inferior a 500 km.
Saímos da aduana cerca de 14:30 hs, muito tarde, depois de todos já terem abastecidos, tomado água, comer alguma coisa (barra de cereal, bolachas, etc...), e bater um papo com os montanhistas que por lá estávam, eram muitos, pois ali há um refúgio para eles.
Rodamos uns 15 km em um ótimo asfalto, e já aparece a placa indicando a divisa entre Chile e Argentina, o famoso Paso San Francisco, a 4.726 MSNM.

Dali para frente é tal do rípio. Ele mesmo. É um cascalho, só que as pedras são mais arredondadas, mas a estrada é boa, larga. O problema é que às vezes o rípio é solto e fofo, e é aí que mora o perigo. Você se anima e se acostuma, e quando vê já está andando a 100 km/h, de repente aparece um trecho mais fofo, e a moto "samba" pra lá e pra cá, e aí, é pedir a Deus e confiar na pilotagem... Após uns 15 km, passamos pela Laguna Colorada, de uma cor verde esmeralda, muitas curvas, baixadas e subidas, paisagens lindas, rípio ruim, rípio bom, isto por uns 65 km. Aí apareceu um desvio, e entramos por ele, mas depois de andar por uns 5 km, o Flávio encostou do meu lado, e me indicou a estrada principal. Olhei para o lado e vi o Rezek passando. Já era asfalto... Logo saímos para o asfalto também, novinho, e paramos para esperar os "retardatários" que faltavam. O asfalto continuou por mais uns 35 km, até a aduana chilena. Paramos todos lá, o Amin já havia chego antes. Aliás, o Amin, com 61 anos, pilota MUITO a sua KTM990. Tudo bem que a moto ajuda, mas ele abusava, e passava por nós a 120 km/hora em pleno rípio ruim, e não dava bola pra nada... O Amado andava com a gente, de boa. Fizemos a aduana e imigração chilenas, depois um tiozinho revista a moto e faz algumas perguntas, e depois te libera. Alguns de nós já passando mal, o Rezek com azia, dor de cabeça e enjôo, o Marco Tulio com ansia de vômito, o Amado com dor de cabeça. É a Puna, o mal das alturas, cada um tem uma reação diferente do outro. A maioria não sentiu quase nada, além da falta de ar, que é normal. Fomos saindo da aduana e o Amir já falou pra ir seguindo e indo embora, pois já eram 17:30 hs. Saímos todos separados, em duplas, alguns sozinhos, outros em grupos de 3 ou 4. Mas depois vi que isto é um erro, pois se acontecer alguma coisa com alguém, quem está na frente não saberá, e a coisa pode se complicar... Mas, nada aconteceu, graças a Deus. Da aduana chilena pra frente, até Copiapó, são 182 km de estrada de terra batida, muito boa, pois há trânsito intenso dos caminhões das mineradoras. Dá pra andar tranquilo a 100-120 km/h. No início, ainda meio tímido, andei a 80km/h, passei por algumas curvas e serras, mas depois eram muitas retas, e dava pra andar bem. Mesmo assim não rendia muito. Eu seguia acompanhando o Amado e o Maluf estava atrás de mim.





Parei pra conversar com o Padilha, que estava fotografando, e senti uma vontade de urinar, mas não conseguia. Sentia também um leve incômodo no abdômen, do lado esquerdo, aonde ficam os rins. Rodei mais uns 30 km, e o desconforto aumentou mais ainda. Parei, peguei um remédio na mala da moto (Dipirona Sódica), e tomei umas 40 gotas. Melhorou um pouco, e logo cheguei no trevo da entrada para Copiapó. Novamente separamos um grupo, e o Padilha e o Maluf ficaram no trevo esperando os outros amigos, para indicar o hotel. Não havíamos reservado hotel em Copiapó, e fomos pela indicação do Amir, que acertou com o Chagal, bem no centro da cidade, um hotel bom, mas um pouco caro, cerca de US$ 90,00/pessoa. Mas tudo no Chile é mais caro, desde o hotel até a comida. Subi para o quarto, tomei banho, e logo chegou o Padilha, e toda a turma que faltava. O pessoal ficou por ali mesmo, alguns foram a um shopping por perto, outros jantaram no hotel. Eu fiquei no quarto, a dor no abdômen aumentou, e tomei mas uma dose alta de remédio. Mas não adiantou muito... Eram 11:30 da noite e não conseguia dormir, resolvi ir para um hospital, e ver o que era. Ou era cólica renal, ou vesícula, pois a dor não passava, era constante, e incomodava muito. O Padilha, companheirão, me acompanhou. Já no caminho para o hospital, de taxi, liguei para o seguro saúde que havia feito antes da viagem, mas não adiantou muito, a atendente me pediu um monte de informação que eu não sabia, endereço do hotel, telefone, etc... Fiquei uns 10 minutos com ela no celular, e não adiantou nada... Tive que sacar pesos chilenos no hospital, pois não tinha feito cambio ainda, para pagar a consulta, em um hospital muito feio, tipo Santa Casa de Campo Grande, cheio de gente entrando e saindo. Demorou cerca de 1:30 hs para me atender, já era 1:30 da manhã quando o médico me recebeu. Me examinou, e pediu dois exames e me receitou um medicamento para aliviar a dor, em soro na veia. Tomei o soro, mas a dor não passava. Tomei outro. Aí então começou a melhorar... Coitado do Padilha, esperando lá fora, estava um frio danado, uns 10 a 15 graus. Resultado, não fiz os exames que ele pediu, pois não ia adiantar, e peguei uma receita de mais medicamentos pra tomar depois. Pegamos outro taxi, comprei os remédios em uma farmácia, e chegamos no hotel já eram 3:30 hs da madruga... Bêbado de sono, e aliviado da dor, consegui dormir finalmente... Que dia! Depois fiquei sabendo que o Marco Tulio passou mal com vômitos, e o Rezek também, mas nada de mais grave. Foi a Puna.
Hoje acordamos 8:00 hs, tomei um café leve, pois desde as 10 hs de ontem não comia nada, e nos arrumamos pra sair do hotel. Às 10:30 hs saímos de Copiapó, rumo a La Serena (326 km). Estrada muito boa, no começo duplicada, e o clima muito frio, 15 graus, com névoa. Atravessávamos o Deserto do Atacama! Passei ali em 2009, quando fiz a minha primeira viagem, junto com o Gaudêncio e o Hilton. O Pintado foi na frente e se separou do grupo, pois ele tem que chegar mais cedo em casa, no sábado. O restante da turma, seguiu toda junta, desta vez direitinho, até La Serena. O Amin não sei se esqueceu, ou achou que tinha posto, mas ninguém abasteceu em Vallejar, a 150 km de Copiapó, pois o posto era do outro lado da rodovia, pista dupla, e passamos aperto por causa de gasolina, tivemos que parar e passar gasolina das GSA para outras motos. Depois o Flávio e o Kikico acharam um lugar para abastecer, clandestino. Chegamos em La Serena eram 14 hs mais ou menos, e fomos procurar a concessionária BMW, mas chegamos lá e não tinha nada pra ver, acessórios, peças, nada... Fomos então almoçar, frutos do mar, em frente ao pacífico, em um lugar muito bacana, apesar de caro (R$ 150,00/pessoa)... Depois fomos procurar hotel, achamos um apart-hotel a US$100,00/quarto para 4 pessoas, na verdade um apartamento com dois quartos, sala e banheiro. Tá bom demais! Abastecemos, o pessoal foi para o shopping, e amanhã acordamos cedo, pra fazer o paso Água Negra, fechando a volta e o nosso segundo desafio da viagem. O Pintado passou lá hoje à tarde, pegou um pouco de neve, e já está em Jachal, foi tudo bem. Amanhã falamos, e vamos ver como isto vai ser... Abçs!

quarta-feira, 27 de março de 2013

Catamarca - Fiambalá: 306 km


Pessoal, estou postando este blog hoje, dia 27/03, porque não havia internet em Fiambalá ontem. Estamos em um local insólito: a 90 km de Fiambalá, rumo ao paso San Francisco, a 3.400 metros de altitude, 5 graus (pegamos 3 graus agora a pouco...), em um hotel de luxo no meio do nada! O porque disto? Explico: é que a moto do Pintado bateu em uma pedra no meio da estrada, e amassou a roda traseira, a uns 50 km de Fiambalá. Por sorte ele não caiu, mas a moto não tinha condições de rodar. Assim, o Amin, acompanhado do Padilha e do Nelson, voltaram a Fiambalá, para arrumar a roda, e nós tocamos para frente, até este local, para esperá-los. Esperamos que tudo se resolva logo, já são 10:40 hs da manhã, senão vai complicar a nossa travessia... Chegar em La Serena hoje já não será mais possível, pelo que tudo indica. Mas vamos em frente, tudo tem um motivo e finalidade, Deus sabe o que faz, acredito muito nisto.
O Pintado vamos benzê-lo hoje, pois está com azar. Já teve vários problemas pequenos, hoje cedo, 6:20 hs da manhã, perdeu o capacete, tinha esquecido em uma Lan House ontem... Foi só o susto. Agora a pedra no caminho... Esperamos que não aconteça mais nada! rsrsrs....
Vamos ao dia de terça:
Ontem à noite, dia 25/03, demos uma volta à pé no centro de Catamarca, mas não tinha muita coisa pra ver. Alguns compraram souvenirs e camisetas. Depois voltamos para o hotel para jantar. O atendimento estava demorado. Jantei uma lasanha verde e fui dormir já era quase meia noite.
Hoje, 26/03, acordamos cedo para os padrões argentinos, às 6:30 da manhã, e ainda estava bastante escuro. Arrumamos tudo, pagamos o hotel, e colocamos as motos em frente da recepção. O hotel, excelente, padrão 4 estrelas, por uma diária de cerca de R$ 80,00/pessoa, muito barato. Aliás, com a desvalorização do peso argentino (R$ 1,00 = AR$ 3,60), ficou novamente interessante vir pra cá, tudo está mais barato.
Logo chegaram nuestros amigos argentinos e guias da viagem, Amin e o Amado, pois programamos de sair às 8 hs. Acabamos atrasando um pouco, seguimos pelo centro, para a saída da cidade, e paramos para abastecer no posto do Amado. O Amin sempre muito preocupado com todos, se não tem alguém para trás, e cuidando do grupo.
Com a chegada ontem do Flávio e do Kikiko, o grupo agora cresceu mais ainda, estamos em 11 motos. Imagina a confusão na hora de abastecer e sair de algum local! Sempre fica alguém para trás, e tem que esperar. As paradas sempre muito animadas e divertidas, com muita risada.
Saída do hotel em Catamarca
A turma toda na estrada, perto de Aimogasta





No pequeno hotel em Fiambalá...
Saímos de Catamarca eram passados das 9 hs, seguindo para o sudoeste. A estrada, muito boa, atravessando uma região cheia de oliveiras e empresas produtoras de azeitonas e azeite. No início eram só retas, mas logo chegaram as montanhas, com muitas curvas e paisagens de tirar o fôlego, algo para se lembrar! Todos ficamos extasiados com a paisagem, e paramos algumas vezes para tirar fotos. Em Aimogasta paramos para abastecer, depois de rodar uns 150 km. Novamente a confusão se instala, é moto pra todo lado, forma-se uma fila enorme nas bombas, com curiosos querendo saber quem são, olhar e fotografar as motos, etc... Muito engraçado!
Seguimos em direção a Tinogasta, a paisagem cada vez mais bonita, e chegamos em Fiambalá, nosso destino, passado das 13 hs. Paramos na frente da pequena pousada por um tempo, e fomos almoçar. Provei o “Estofado” um cozido de carne com legumes, muito bom. A maioria não está bebendo nada de álcool, se preparando para a altitude. Alguns estão tomando o Diamox, inclusive eu, pois ajuda muito. Hoje à noite, nada de janta, só um chá com torradas, pois isto vai ajudar muito amanhã quando passarmos dos 4 mil metros!
Após o almoço, fomos para o hotel, cada um descarregou as suas coisas, troca de roupa, e fomos visitar as Termas de Fiambalá, um ponto turístico daqui, além das Bodegas de vinho que tem aos montes. São  12 km até as termas, lugar legal, com águas termais naturais, várias piscinas começando com 40 até 36 graus. Haviam muitas pessoas lá, tomamos um banho de uns 40 minutos, e começamos a nos arrumar para sair.

Termas de Fiambalá
O bando tomando banho quente...
Na saída, uma surpresa, a moto do Marco Túlio estava com o pneu furado. Achamos o responsável, um prego... Enchi o pneu com o compressor de ar portátil, e deu pra rodar de volta à cidade, aonde havia uma borracharia que consertou o estrago. Abastecemos, compramos água e lanches, estamos prontos para enfrentar o paso San Francisco! Amanhã serão 482 km até Copiapó no total. Os primeiros 200 km são de asfalto, até a aduana argentina. Depois começa o famigerado rípio, pelo que todos me disseram, a pior parte será nos primeiros 100 km, até chegar na aduana chilena. E é ali que veremos as paisagens mais bonitas, os vulcões, as lagunas e os salares. Mas isto eu vou contar só amanhã...
Abraços a todos!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Dia Livre em Catamarca

Hoje passamos o dia livre em Catamarca. Acordamos mais tarde um pouco, tomamos o desayuno (café da manhã) e lá pelas 9:30 hs o Amado e o Amin chegaram no hotel para nos levar para conhecer a região. Fomos em dois carros, primeiro conhecer alguns locais da cidade, depois fomos ao posto de combustíveis do Menen e família, e passamos na casa de ambos para conhecer. Os dois também são motociclistas, e irão nos acompanhar na travessia dos pasos. O Amin inclusive já atravessou outras vezes.
Seguimos para um mirante, em uma das montanhas que cercam a cidade. A vista é deslumbrante, e para completar tivemos a sorte de avistarmos um grande e belo condor, a sobrevoar o mirante! Foi legal, a subida em caracol, deu vontade de voltar ali de moto depois.

A turma reunida. Reparem ao fundo as montanhas...
Aqui os caracóis para subir em uma delas, no mirante
Descemos a montanha novamente, e fomos para "El Rodeo", um povoado distante uns 30 km de Catamarca. É um distrito, aonde algumas pessoas tem casas de verão, um lugar muito bonito, tranquilo, mais alto e com um clima bem mais ameno. Inclusive estava um pouco frio. Chegamos já era passado de uma da tarde, e fomos almoçar. Experimentamos a deliciosa empanada da região, com um vinho feito aqui em Catamarca, excelente! Depois vieram os pratos, fui em uma truta com salada, maravilhosa. Ficamos ali conversando e colocando o papo em dia, até quase 4 da tarde, quando retornamos. Todos com sono, fomos repor as energias para amanhã, quando iniciaremos a subida da cordilheira, e dormiremos em Fiambalá, a 350 km daqui.
Hoje estão chegando o Flávio e o Kikiko, que saíram de Campo Grande ontem, e dormiram em Clorinda, a 1.150 km de Catamarca. Assim o grupo vai ficar completo, com 9 companheiros. Devem chegar cansados, mas com a adrenalina a mil, pois é a primeira viagem longa dos dois, para fora do país.
Na quarta subimos a montanha, para atravessarmos o Paso San Francisco, até La Serena, no Chile.
E vamos que vamos!
Abraços!

domingo, 24 de março de 2013

Primeira etapa concluída: chegamos em Catamarca!

Esta viagem pra mim tem 3 etapas:
-A primeira é a ida até Catamarca, 1.900 km atravessando o Paraguay e o Chaco argentino.
-A segunda é a melhor parte, que é a saída de Catamarca, e a travessia para o Chile pelo Paso San Francisco e o retorno pelo Paso Água Negra, chegando de volta a Catamarca na sexta-feira santa ou no sábado, totalizando cerca de 2.000 km.
-E a terceira etapa é o retorno para casa, mais puxado, em dois dias, direto para Assunção e depois Campo Grande.
Hoje concluímos a primeira etapa. Já estamos na cidade de San Fernando del Valle de Catamarca, mais conhecida como Catamarca, capital do estado (província) do mesmo nome, no noroeste Argentino. Correu tudo bem, graças a Deus!
É a primeira vez que viajo com um grupo tão grande (7 pessoas/motos). É estranho no início, com receio de algum problema. É cada um do seu jeito, todos velhos amigos e conhecidos, mantendo o respeito, mas com certeza é muito divertido! Cada parada é muita conversa e causos pra contar...

Ontem, sábado, 23/março, saímos 6:40 hs de Ponta Porã, já com a aduana feita e com moeda na mão, rumo a Roque Saenz Peña, no Chaco Argentino. Paramos uma vez em um posto uns 200 km depois, já perto de San Estanislao, e depois tocamos praticamente direto até Clorinda, já na Argentina. Perto de Formosa, o Rezek me disse que a moto estava acusando pneu murcho. Paramos em um posto de Formosa, e tinha um prego no pneu, novinho, que ele acabou de trocar. Tinha uma borracharia (Gomeria) lá, mas não tinha nada, atendimento péssimo, e tive que pegar o kit de reparo de pneus que sempre carrego, mas nunca uso, e deu certo, apesar do "macarrão" já estar velho. Perdemos uma meia hora ali, e isto fez falta lá na frente. Paramos mais uma vez em Resistencia para abastecer, e tocamos direto até Presidencia Roque Saenz Peña, chegando lá quase 8 da noite, já escuro. Quando chegamos, entrei no primeiro posto YPF que tem na entrada da cidade, e o Rezek não viu e passou direto. Se perdeu, mas acabou achando o hotel sozinho, e quando chegamos ele já estava lá. Hotel excelente (Atrium Glalok), padrão 4 estrelas, por meros R$ 110/quarto duplo... Jantamos lá mesmo, no restaurante do hotel, já cansados. Rodamos ontem 920 km.
A saída no hotel Barcelona, em Ponta Porã
Na aduana Paraguay/Argentina, em Clorinda


Aduana em Clorinda

Fila para abastecer em Clorinda... Isto não acaba?!
Hoje acordamos 6:45 hs (aqui é horário de Brasília), e saímos do hotel 8:10 hs, de café tomado. Tocamos pelo chaco direto 250 km até Quimili, aonde paramos para abastecer somente, pois o posto era muito ruim! Mas logo à frente tinha um "Parador" e fomos pra lá comer alguma coisa e tomar um café, pois hoje o trecho era mais curto e tínhamos mais tempo.

Depois seguimos sempre sentido Santiago del Estero. Neste trecho do chaco, uma curiosidade é a quantidade de pombas no acostamento, aos bandos, devido às lavouras que tem na região, elas ficam ali comendo o que cai dos caminhões de milho e arroz. Hoje uma dessas me acertou na cabeça, e quase quebrou a viseira do capacete, tive que parar para arrumar. Isto fora a meia dúzia que devo ter atropelado... O negócio é até engraçado, pois tem muito! Fomos tocando, e entre Suncho Corral e Taboada, tem a tal da estradinha de meia pista de concreto, 33 km de armadilha, que se passar à noite e chovendo é um perigo, pois tem que sair pra passar os caminhões, e o acostamento é muito ruim, de barro e terra fofa, em muitas partes. Mas foi tranquilo.
Logo chegamos em Santiago de Estero, cidade grande, uns 400 mil habitantes, paramos em um posto YPF para abastecer e "almoçar" o lanche de sempre. Cada um pede uma coisa, eu vou sempre em um sanduich de jamon con queso, um suco de maçã e um café.
Nelson, Pintado, Marco Tulio e Rezek lanchando no posto
Dali já entramos em contato com o Amado Menen, nosso amigo argentino, que junto com o Amin, tbm motociclista e amigo dele, estavam almoçando em um local, e iriam nos encontrar na estrada, em Las Cañas ou Lavalle. Saímos do posto em Santiago às 14:10 hs, e a paisagem foi melhorando um pouco, saímos dos 50-60 metros de altitude do chaco para 500-600 metros, logo veio uma serrinha muito agradável de fazer, com algumas curvas, finalmente, depois de quase 1500 km de retas...
As retas intermináveis do chaco...


Primeira placa mostrando Catamarca

Paramos pra tirar algumas fotos, e após esta serrinha, já apareceu outra, e neste momento eu avistei 2 faróis fortes, de moto grande. Já era o Amado e o Amin chegando para nos encontrar, faltando uns 150 km pra chegar em Catamarca! Foi uma festa, ali no meio da estrada, nos cumprimentando e conversando, tiramos várias fotos.
Logo seguimos viagem, parando apenas para abastecer, e chegando em Catamarca, fomos para um posto tomar uma água, café e conversarmos um pouco. Já estamos combinando a subida da cordilheira para terça, junto com o Flávio e o Kikiko, que saíram de Campo Grande hoje, domingo, e devem chegar aqui amanhã.
O Amado e o Amin irão nos acompanhar, de moto. O Amin já conhece bem o paso, já fez de moto e de carro. Amanhã vamos conhecer a cidade, descansar, fazer câmbio de moeda, e esperar os dois companheiros que estão faltando. Terça começa a parte mais aventureira da viagem, a subida da cordilheira e a travessia do Paso San Francisco, totalmente por terra. Teremos altitude, frio e estradas de rípio para enfrentar. São 480 km no meio do nada, sem postos nem restaurantes. Vamos levar água, comida e combustível reserva. Mas estamos confiantes, e vai dar tudo certo! Continuem conosco! Abraços!

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.