sábado, 30 de março de 2013

Paso Água Negra & Desencontros...

Haja tempo para tudo... Ufa! Já estamos voltando!
Vamos ao segundo desafio, a travessia do paso Água Negra! Saímos de La Serena/Chile, na sexta-feira santa, dia 29/março, às 9:20 hs da manhã. Incrível, lá do outro lado do continente sul americano, vendo o oceano pacífico, e o mesmo horário de Brasília... Deveria ser umas 2 horas a menos! Acordei às 6 hs, escuro. Dormi até às 7:00 hs, levantei, e ainda escuro. Mas foi assim mesmo. Fui chamando o pessoal nos quartos, o já tradicional "Bóra, bóra!". Todos foram acordando, levantando, e se arrumando. Estávamos todos acomodados em 2 quartos quadruplos e 1 duplo, em 10 pessoas, pois o Pintado foi embora sozinho na quinta cedo, de Copiapó, já que tem compromisso na segunda-feira cedo. O dia foi amanhecer já passado das 8 hs.
Vista do oceano pacífico, do hotel

A turma se arrumando pra sair, estava frio!

Boa pousada, familiar, a US$100/quarto quadruplo
Passamos em um posto Copec para comprar e encher os "bidons" (galão de carregar gasolina), pois o trecho é longo, e não tem posto. A temperatura marcando 15 graus, e o tempo enevoado. Seguimos para Vicuña, a 60 km de La Serena, rumo ao paso Água Negra. O tempo foi abrindo, e o sol aparecendo aos poucos. A paisagem, muito bonita, com muitos vinhedos, campings, a estrada com curvas e o asfalto muito bom. Tinha uma represa, muito legal. E já começamos a subir, saímos de 9 metros à beira mar, e chegamos em Vicuña para abastecer marcava 700 metros. Estávamos acabando e se preparando para sair quando chegaram 2 motociclistas argentinos, de Rio Gallegos, em duas GS1150, das antigas. Dois amigos, estão viajando há uns 30 dias... Também irão fazer o paso.
Saímos, e pegamos um bom asfalto. Agora sim a cordilheira se abriu de vez, e fomos subindo cada vez mais, uns 90 km até a aduana chilena. Muitos vinhedos pelo caminho, pequenas chácaras e criações de cabras. Chegamos na aduana, a 2.000 mts de altitude, deixamos as motos e fomos fazer os tramites de sempre. Haviam algumas pessoas por lá, em jipes e outros carros menores também, a aduana é muito bonita, um barracão feito todo em madeira, até o teto, deve ser por causa do frio e da neve. Já dava pra ver que o rípio nos esperava dali pra frente, a uns 100 metros da aduana começava... 
Perguntei para o oficial dos Carabineros del Chile, quantos km tinha até a aduana argentina, e ele me disse que eram 3 horas, não sabia falar em km, apesar de eu já saber que eram 174 km, e queria apenas confirmar. Já eram 10:30 hs da manhã, o sol a pino, tempo muito bom, com céu azul. Estava calor, mas mesmo assim já colocamos as roupas de frio, pois iríamos subir a 4.800 mts em apenas 90 km. O rípio, muito bom, mas muito melhor do que o San Francisco, muito tranquilo. A estrada vai serpenteando por um vale, e as montanhas te acompanhando o tempo todo, dos dois lados. Logo chegamos em uma lagoa, e o Maluf e o Kikico estavam lá parados tirando fotos. Parei também, mas saí logo, pois vinha vindo uns carros que eu havia acabado de ultrapassar, e no rípio não é fácil ultrapassar... Aliás, nunca vi um movimento assim! Eram MUITOS CARROS! Camionetes, carros pequenos, jipes, indo e vindo, a todo momento. Depois de uns 40 km, já deu pra ver os picos nevados. A estrada, muito bonita, e não tinha o stress do outro paso, estava bem melhor de andar. Fui indo sozinho, mas sabia que atrás e à frente de mim havia gente. De vez em quando nos víamos, nas curvas e nas subidas íngremes. Parei várias vezes pra tirar fotos, e fiz muitos filmes com a câmera do capacete.
Os motociclistas argentinos

Esta moto é uma lenda...

Arrumando pra entrar no rípio. Ao fundo a aduana chilena

Olha ele ali!
A laguna, já subindo a cordilheira


O pessoal parou pra tirar fotos

As paisagens são lindas!
O paso Água Negra é muito mais bonito e mais fácil de atravessar do que o San Francisco. A diferença é que enquanto no San Francisco você anda nas retas e planícies sobre a cordilheira, no Água Negra são só montanhas e mais montanhas, além da estrada ser muito melhor. E a paisagem é de tirar o fôlego nos dois, mas no Água Negra é mais bonita ainda, por causa da neve! O Pintado mesmo pegou uma nevasca na tarde de quinta, quando passou por lá. Por isso o movimento tão intenso de carros.
Fui subindo e subindo, e aqueles picos de neve lá em cima começaram a ficar cada vez mais perto! Já estava chegando na casa dos 4 mil metros, aquela falta de ar normal de sempre... Aliás, desta vez não tomei nada, nenhum remédio nem chá. Encarei assim mesmo, pra ver como vai ser, e deu certo! Logo cheguei na neve, ao lado dela, parei a moto pra ver, mas o esforço pra fazer qualquer tarefa rotineira como descer da moto parece quase impossível! Já estava a 4.400 metros!
Logo cheguei no paso, a divisa entre o Chile e a Argentina. O Marco Tulio e o Flávio já estavam lá, pois tinham me ultrapassado. Ficamos ali um tempo, curtindo, sob os efeitos da altitude, a emoção de estar naquele lugar, todo nevado. Haviam alguns carros parados, tinha um jipe Land Rover Defender de um casal de ingleses que estão dando a volta ao mundo. Conversamos um pouco, peguei o site deles, disseram que irão passar no Brasil também, em Campo Grande. Vamos ver...
Cheguei na neve!

A estrada muito boa!

Show de imagens!

A Mula Preta finalmente está aqui...

Os pneus Mitas E-07 fizeram a diferença na terra

No paso, estava tudo branco!



Estávamos lá! Segundo desafio cumprido!

O jipe dos ingleses
Saímos do paso juntos, e começamos a descida, em caracol, que apesar da estrada ser boa, não deixa de ser difícil, ainda mais com tantos carros passando na contra mão, e a estrada muito estreita. Depois de uns 30 km mais ou menos, começou um asfalto tímido, misturado com terra, pois estão asfaltando. Chegamos em um posto da gendarmeria argentina, mas ainda não era a aduana, apenas um guarda anota a placa da moto em um papel, e te entrega, para controle. A aduana mesmo fica a 38 km dali. Continuamos a descer, até que de repente, a 2.000 metros mais ou menos de altitude, a paisagem muda drasticamente, acabam-se as montanhas, e começa o verde, e o calor. Estávamos em um asfalto ruim, a caminho de Las Flores, aonde fica a aduana. Chegamos lá, e ficamos esperando o pessoal nos atender. Eram 15:00 hs mais ou menos. Ou seja, gastamos mesmo 3 horas pra fazer tudo, como disse o guarda chileno! Tinha muita moto subindo, de tudo quanto é marca e modelo, até BMW RT e K1200 tinha... O pessoal tá animado, mas afinal é feriado!
No posto da policia argentina, Flávio e Marco Tulio

Na aduana
A paisagem muda drasticamente!



Ficamos ali comentando a travessia, o quanto foi legal e diferente da outra. Ninguém teve problema algum, pelo menos até aquela hora não sabíamos de nada... Tramites feitos, seguimos para um posto ACA ali perto, que não tinha gasolina... Mas estavam lá o Amin, o Amado, o Rezek e um uruguaio que conhecemos na aduana chilena. Ficamos lá conversando e contando as histórias de cada um, aproveitei pra tirar a segunda pele, pois estava com calor, e comer alguma coisa, afinal estávamos sem comer nada, desde cedo, pois hoje não teve café da manhã. Mas... acabamos nos esquecendo dos amigos que ficaram para trás, o Nelson de Jardim, Maluf e Kikico. Demoramos muito tempo no posto, que fica dentro da vila de Las Flores, escondido, e eles acabaram passando direto... Ainda tínhamos 300 km pra rodar até Chilecito, saímos do posto 17:30 hs, perdemos muito tempo lá, mas isto eu conto amanhã, já são quase meia noite e amanhã vamos sair cedo. Estamos hoje em Santiago del Estero, amanhã vamos rodar 1.000 km até Asuncion, no Paraguay, e segunda se Deus quiser chegamos em casa. Abraços e obrigado pelos comentários!


3 comentários:

  1. Parabéns Marcião & Cia. Ltda.!
    Belíssima viagem e paisagens!
    Uma aventura p/ contar p/ o resto da vida!
    Ótima viagem de retorno p/ vcs.
    Grande Abç. do amigo Sisti.

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  2. Mácio, belas fotos, excelente relato.
    Vc está realizando um sonho, que era o de viajar pelo ripio, e tudo indica que está gostanto.
    Façam uma boa viagem de volta, com a proteção de Deus.
    Feliz Pascoa a todos.
    Um forte abraço.

    Gaudêncio.

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  3. Casa Grande e seus Amigos. Anotem meus contatos e quando forem ao Rio me liguem que faço questão de fazer as honras e apresentá-los a meus amigos Harleyros.
    (21) 8097-0304. Face: https://www.facebook.com/bruno.ribeirodacosta.7.

    Abraço e boa viagem.

    Bruno Costa.

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.