terça-feira, 27 de setembro de 2011

A volta dos que não foram...

SEGUNDA, DIA 05/SETEMBRO:
Saímos de Porto Velho na segunda de manhã, lá pelas 7:30. No domingo à noite, tive a visita no hotel do novo amigo Marcio Maluf "Xará". Ele é mineiro, e mora em Rondônia há uns 30 anos, pelo que me disse. Conhece tudo por lá, já viajou por outros países tbm, e apareceu por lá montado em uma Buel Ulisses, moto que eu quase comprei uma vez, e acho muito interessante, pena que já não vende mais aqui. Valeu Xará, pela conversa, e fica o convite para passar aqui em Campo Grande, e me visitar. Durante a conversa, fiquei em frente ao ar condicionado do hotel, muito forte, a minha garganta começou a reclamar, logo nesta noite, resultando em uma gripe, que durou quase 2 semanas...
O Nersão "Tracajá" (Leiam até o final que entenderão o porque do apelido...) estaria nos esperando em Ji-Paraná, e foi o que aconteceu. Almoçamos por lá, em um posto depois da cidade. Chegamos em Vilhena no final da tarde, e bem na entrada da cidade o figura encheu o pé numa tartaruga daquelas grandes, que ficam no meio da rodovia, na transversal. Desceu da moto dando sapituca, e gritando feito uma bicha louca, pedindo pra tirar a bota, que tinha quebrado o pé. Que nada! Estava devagar, e a bota protegeu, só o dedão ficou rocho, mas nada de sério. Mas pensa no movimento que ele fez! Chegou no hotel, pegou um táxi e foi tirar "chapa" do pé! Nem precisou, o médico só olhou e viu que não era nada! Ficamos hospedados no mesmo ótimo hotel Portinari, que ficamos na ida. À noite fomos jantar no Picanha, bom demais.
TERÇA, DIA 06/SETEMBRO:
Na terça, saímos cedo, antes das 7, com destino a Sorriso, pois resolvemos aproveitar o feriado do dia 07/setembro para pescar, já que a nossa viagem para Santarém foi abortada. O amigo Gilmar, que mora lá, é pescador inveterado, e ficou de ajeitar uma pescaria no Teles Pires para nós. Logo depois de Vilhena, anda 100 km e entra à esquerda, em Comodoro, sentido Campos de Julio/Sapezal. Ali começa a aparecer a pujança agrícola do Mato Grosso, o celeiro do Brasil atualmente. Inclusive passamos também em frente a dois confinamentos enormes, acredito que mais de 10 mil bois fechados, perto de Comodoro. Paramos para abastecer em Campos de Júlio, cidade pequena, 100% agricultura, e colonizada por gaúchos e paranaenses. Logo depois de Sapezal, sentido Campo Novo dos Parecis, passamos por um belo rio, o rio Papagaio, que fiquei sabendo depois é um dos afluentes do Teles Pires. É um rio de águas transparentes, e me lembrei na hora de Bonito. O calor estava de matar, 36-38 graus, e já era 11 hs da manhã. Logo após o rio, tem uma parada de pedágio, todo veículo tem que pagar (caminhão R$ 30,00 - carro R$ 20,00 - moto R$ 10,00). É o pedágio dos índios Parecis, pois ali começa a área de reserva deles. Um verdadeiro absurdo, é claro, pois todos tem o direito de ir e vir dentro do país, e além disto eles não construíram a estrada, e nem dão manutenção nela, então não deveriam cobrar coisa alguma. Paramos para pagar o pedágio, e o Nersão falou comigo pra gente voltar e parar no rio logo atrás, pra almoçar e tirar umas fotos. Na hora disse não, pois estava querendo almoçar em Campo Novo. Mas pensei de novo, e "Porque não?". Voltamos, e fomos com as motos direto para e beira d'água, aquele paraíso logo ali, na beira da rodovia, de graça. Olhamos uns para os outros, descemos das motos, tiramos aquelas roupas quentes, colocarmos shorts, e fomos nadar! Parecia uma cena daqueles filmes, coisa que eu nunca tinha feito até então, e como foi bom! Refrescou e diminuiu a temperatura corporal, além de darmos muitas risadas e tomarmos uma gelada, antes de irmos almoçar, pois tinha um pequeno restaurante de comida caseira logo ao lado. Valeu a pena!
Quando vimos a água, resolvemos nadar!

Lugar abençoado por Deus!

Olha esta água!
Saímos dali, para enfrentar a estrada e o calor de novo. Eu acredito que o calor é bem maior, das 2 às 4 da tarde. Por isso hoje dou razão aos Argentinos e Chilenos, que trabalham das 9 às 14 hs, param das 14 às 16 hs, e depois voltam, até às 21 hs. Dá pra aproveitar melhor a manhã com alguma atividade pessoal, e nas horas mais quentes, dá pra descansar. O Rogério e o Jardim, os roda presa, andando a 90-110 km/h, iam ficando pra trás, eu e o Nersão andando a 120 cravado. De vez em quando a gente parava, e esperávamos eles. Depois de Campo Novo, aonde paramos para abastecer, tocamos sempre para o oeste, e saímos em Nova Mutum, na BR-163, estrada MUITO movimentada. Dali até Sorriso foram 150 km mais ou menos. Chegamos em Sorriso às 17:30 hs, fui direto para o salão da Olga, esposa do Gilmar, que já estava nos esperando. Ele já tinha arrumado tudo, feito todas as compras do rancho, arrumado toda a traia de pesca, etc... Era só acordar no outro dia e ir pescar, uns 30 km após Sinop, que fica a 80 km de Sorriso. Fomos para o hotel, muito bom aliás, o dono já morou em Ponta Porã, de origem alemã, o Nersão já tramou na conversa com ele, pra variar. À noite fomos comer uma pizza, com a família do Gilmar, não sem antes tomar uma gelada e conhecer a casa deles, muito bonita e bem decorada. O Gilmar, a Olga, a Ayala, são pessoas maravilhosas, verdadeiros amigos, muito gentis e sempre educados e servidores. Agradeço pela atenção que nos dispensaram por estes dias.
QUARTA, DIA 07/SETEMBRO:
Na Quarta, dia 07/setembro, saímos de Sorriso já meio tarde, passado das 8 da manhã. Alugamos um carro, um Uno Mille, e deixamos as motos no hotel. Algumas roupas eu mandei lavar, e foi a melhor coisa que fizemos. Eu fui com o Gilmar no carro dele, puxando a carretinha com o barco e as traias. O hômi corre feito doido, com aquilo tudo e ainda puxando a carretinha, tinha que ver! O pesqueiro é em um tipo de condomínio só de pesqueiros, com portaria, guarda e tudo. É um sobradinho feito de madeira, muito legal! Mas não tinha água, pois roubaram a bomba d'água, nem gáz de cozinha, e a luz é de gerador. Mesmo assim muito bom, todo telado, demos uma arrumada, varremos, eu já fui assar uma carne para o almoço, fizemos um fogo de lenha mesmo, num fogão que tinha lá, e as coisas funcionaram legal. Almoçamos, e começamos a arrumar tudo, para pescar. Já no meio da tarde eu e o Gilmar fomos dar um rolé no rio, reconhecimento do terreno, e subimos até a barra do rio Verde no Teles Pires, lugar muito bonito. O Teles Pires ali é grande, acredito que uns 300 mts de largura ou até mais, mas no meio é raso, tem uns bancos de areia, que o pessoal usa pra tomar banho e brincar, nos feriados e finais de semana. O Jardim foi visitar um amigo em Sinop, então pegamos o Rogério, e fomos tomar banho de rio mesmo, já que não tinha água no rancho, em um lugar chamado Praia do Cortado, não havia ninguém lá, foi legal, tomamos o banho e voltamos para o rancho. O Jardim já estava lá nos esperando. Fizemos a janta, bebemos algumas, e fomos dormir cedo. Impressionante como ali é frio à noite! O Gilmar tinha falado, e eu não acreditei. Mas à noite fez tanto frio que tive que puxar coberta!
QUINTA, DIA 08/SETEMBRO:
Acordei cedo, antes das 6 da manhã. À noite, as situações engraçadas: a cama do Nersão quebrou o estrado, o barulho foi grande e as reclamações tbm. Ele levantou, deu uma arrumada, e depois quebrou de novo. E o Jardim começou a falar sozinho, chamando o Neeeerrrrssooooo, muito engraçado, acordei assustado com aquilo, e vi que ele estava sonhando mesmo... O Gilmar parecia um trator de esteira, roncando que a casa quase tremia. rsrsrs... Desci e tomei um café improvisado, pão com Nescafé, queijo, um arroz requentado da noite anterior com ovo frito, e tá bom demais! Este dia, foi uma sucessão de fatos engraçados, envolvendo o Nelson, leiam abaixo.
PRIMEIRO FATO ENGRAÇADO DO DIA: O Nersão foi pescar bem cedo, iscou um TOMATE, e jogou na água. Mal o anzou caiu na água, puxou, e ele já pensou: "Vou pegar um pacú aqui, antes de todo mundo acordar!". Quando ele puxou a linha, era uma tartaruga da região, chamada TRACAJÁ. Ele mais que depressa quis retirar o anzol da boca da coitada, e jogá-la de volta na água, antes que alguém visse, já pensando nas consequências, pois estávamos ainda tirando sarro dele do episódio do chute na tartaruga da estrada, em Vilhena, na segunda. Mas não adiantou, cada vez que ele ia tirar o anzol, a tartarura recolhia a cabeça pra dentro, e quando ele olhou para o barranco estava vindo o Gilmar, que viu e disse: "Pegou uma tartaruga, hem!?" hehehe... Não teve jeito, ficamos todos sabendo do ocorrido, e na hora já saiu o apelido "NERSÃO TRACAJÁ", pois Tartaruga não teve jeito, já tem um na Confraria, o Pres. Ricardo. Saímos pra pescar embarcados eu, o Nersão e o Gilmar  pilotando o barco. O Jardim e o Rogério ficaram no rancho descansando, fizeram o almoço e ainda deram uma geral por lá, lavaram tudo carregando água do rio em baldes, um serviço de primeira. O Gilmar logo de cara pegou um Tucunaré de uns 3 kg, ficamos animados. Este tipo de pescaria eu nunca tinha feito, e gostei demais, subindo o rio, depois desliga o motor, e desce de rodada, só arrumando o barco com um motor elétrico, e arremessando nas margens com isca artificial. Muito gostoso, e não enjoa. Eu deixei escapar por duas vezes um peixe chamado Bicuda. Na primeira vez, puxou com tanta força que arrancou a garatéia da isca artificial, nunca tinha visto isto antes! Ela tem um bico, parecido com bico de pato, duro, é difícil de fisgar. Além disto é agressiva, pula pra retirar o anzol, é um peixe grande, diz o Gilmar que passava de uns 6 kg. Logo abaixo puxou outra, e novamente não consegui fisgar. E fiquei por isto mesmo. Subimos novamente o rio, um pouco mais acima, e voltamos a refazer o mesmo processo, arremessando nas margens.
SEGUNDO FATO ENGRAÇADO DO DIA: Já no início da descida, o Gilmar pegou uma traíra pequena, de uns 2 kg. Na mesmo momento, o Nersão deixou a vara dele cair na água, com carretilha e tudo! Quando ele viu que ia perder a vara, pulou atrás, e ainda conseguiu pegar a vara, mas perdeu o óculos e quase perdeu o chapéu! Lembro que o óculos, era um cor de rosa e preto, coisa de primeira linha, que ele tinha comprado um pouco antes de sair de C.Gde em um grande fornecedor... Pensa! Eu fiquei ali, não sabia se acudia o Nersão ou se ajudava o Gilmar a tirar o peixe da água! Como vi que o náufrago estava bem, primeiro resolvi ajudar o Gilmar com a traíra, e depois encostamos o barco no barranco, e ele subiu, molhado igual pinto na chuva... Mas tava calor, acabou ficando bom... hehehe... Depois fomos descendo o rio, entramos de novo no Teles Pires (sim, porque estávamos pescando no Verde), e fomos tentar pegar outro tucunaré naquele mesmo lugar que o Gilmar havia pego outro, mais cedo. E não é que tinha outro mesmo?! Assim que arremessamos, pulou um pra fora d'água, e ficamos loucos atrás dele, arremessando pra tudo quanto é lado. Mas nada do peixe!
TERCEIRO FATO ENGRAÇADO DO DIA: Enfim, já indo embora, o Nersão arremessou no mato, e fomos desenroscar, mas teve que cortar a linha. Enquanto isto, com o barco parado, eu arremessei pra baixo, tentando pegar o tal Tucunaré, e deu uma puxada muito forte, não deu pra ver que peixe era. Desta vez não iria deixar escapar, pensei comigo, e dei uma boa fisgada. Quando fui dar outra fisgada, arrebentou a linha, e bati sem querer com a vara no rosto do Nersão, que tava de olho pra ver o que era. Deu um pequeno corte no rosto dele, até sangrou um pouco, ele começou a ficar assustado com o sangue, e eu e o Gilmar só querendo saber do peixe, que peixe era, etc... Aí o hômi ficou brabo, que tava ferido, que tinha que ir embora, e tal. E nós rindo, meio que sem graça, mas vi que não era nada sério, apenas um pequeno arranhão, tava tudo bem. Descemos para o rancho, o pessoal tinha assado um frango, e almoçamos. Depois arrumamos as coisas e fomos embora. Chegamos em Sorriso quase no final da tarde, fomos para o hotel, devolvemos o carro, acertamos tudo com o Gilmar, e arrumamos as coisas pra sair no outro dia cedo. À noite só comemos um lanche rápido na rua. Aliás o Rogério é muito estranho. Ele não come nada o dia inteiro, como diz o Jardim, é movido a energia eólica, mas quando resolve lanchar, come dois de uma só vez! Nunca tinha visto isto! rsrsrs...
SEXTA, DIA 09/SETEMBRO e SÁBADO, DIA 10/SETEMBRO:
Saímos cedo de Sorriso pela BR-163, com o objetivo de dormir em Coxim, um trecho de quase 900 km. Fomos descendo até Rosário D'Oeste, entramos ali para a esquerda, pra fugir da 163. Aliás estão duplicando de Cuiabá até Nobres. Daqui a 1 ou 2 anos estará pronto. Também com aquele movimendo de caminhões, se não fizer isto, vai morrer muita gente! O Mato Grosso é um estado em pleno desenvolvimento, dá pra ver isto, bem mais dinâmico e movimento do que o MS, sem dúvida!
Acertamos em ir por este outro caminho, e logo estávamos chegando em Cuiabá. O Jardim, que estava de Falcon, tinha que abastecer com maior frequência do que eu, o Rogério e o Nersão. Antes de Cuiabá uns 30 km, parou em um pequeno posto, pra colocar R$ 10,00 de gasolina, só pra dar pra chegar em um posto melhor. Eu e o Rogério encostamos as motos longe das bombas, mas o Nersão encostou na bomba, e mandou encher o tanque. Eu fui ao banheiro, e não vi, mas parece que o frentista encheu demais o tanque da moto dele, e derramou muito pra fora, sujando a moto. Ele ficou bem brabo, deu piti, e depois ficou sabendo ainda que ali não aceitavam cartão de crédito. Pronto! Ficou me culpando e o Rogério, por não tê-lo avisado que era somente para esperar o Jardim! hehehe! Esse Nersão, meu grande companheiro de viagem, vc ri o dia inteiro viajando com ele! Nersão, vc é o cara! Na próxima eu te aviso, eu prometo! hehehe! Desviamos de Cuiabá, pegando a estrada para a Chapada dos Guimarães, lugar muito bonito, tenho que vir de novo pra conhecer melhor, se Deus quiser! Almoçamos lá, e depois tiramos umas fotos no mirante.
Mirante na Chapada dos Guimarães/MT
Tocamos o resto da tarde, passamos por Rondonópolis, e conseguimos a muito custo chegar em Sonora, já no MS, com o tempo esfriando, e ameaçando chuva. Foi encostar no hotel em Sonora, e caiu água! Acertamos na mosca! Comemos uma pizza ali no hotel mesmo, nem saímos, e fomos dormir cedo, todos cansados, eu ainda gripado, tossindo muito.
No sábado amanheceu um dia maravilhoso, limpo, temperatura agradável e ótimo pra viajar de moto. Saímos  lá pelas 8:00 hs de Sonora, e fomos descendo a BR-163. Engraçado como achei a 163 aqui bem mais tranquila do que perto de Cuiabá, pois em Rondonópolis os caminhões se repartem, e o fluxo diminui bastante. Abastecemos em Rio Verde de MT, e chegamos em Campo Grande ao meio dia mais ou menos. Fomos direto para o posto da Afonso Pena, nosso ponto de encontro tradicional, aonde vários amigos nos esperavam pra comemorar.
Chegada no posto em Campo Grande

Tiramos algumas fotos ali, eu fui pra casa. O Jardim tinha chamado pra almoçar na casa dele, e só o Rogério foi lá. Eu não pude ir, e o Nelson ainda tinha que ir pra Jardim à tarde. O Rogério tbm ainda teve que rodar cerca de 200 km até Dourados, pra chegar em casa. Mais uma viagem concluída, pra mim foram cerca de 5.400 km, e tudo correu bem graças a Deus. A moto não deu nenhum problema, e se comportou muito bem. Não foi possível concluir como foi planejado, mas vai ficar para outra oportunidade, eu não sei quando, mas uma hora sai! Um grande abraço a todos, especialmente para o Nersão, gostei muito de viajar com vc meu amigo! Divertido, sempre de alto astral, foi um grande companheiro. Me desculpe pelas brincadeiras, e por contar as cenas engraçadas aqui, mas não resisti! Os amigos Jardim e Rogério, incrível como combinaram perfeitamente! Parece que foram feitos pra viajar juntos! Na verdade fui eu quem os apresentei, no início do ano, no dia que cheguei de Ushuaia, em Dourados, pois sabia que o Jardim iria para a Amazônia, e o Rogério tinha me falado que queria ir tbm. E não é que deu certo?! Fizeram juntos a BR-319, passaram muita dificuldade juntos, e isto parece que os uniu. Só andavam juntos na estrada, na mesma velocidade. Muito bom isto. Já ouvi dizer, que no dia que vc achar um companheiro que seja perfeito pra viajar junto de moto, grude nele, pois é difícil de encontrar, é ouro! Agora, vamos descansar um pouco, curtir a familia, colocar o trabalho em dia, e pensar daqui a uns dias qual será a próxima! Abçs!

domingo, 4 de setembro de 2011

ENTRADA E SAÍDA DA AMAZÔNIA!

QUARTO DIA: JARÚ/RO a PORTO VELHO/RO - 300 km
Na sexta-feira acordei 6 hs, tomei o café e saí do hotel - muito simples, mas serve para passar a noite, a R$ 40,00/quarto - rumo a casa da irmã do Nelson. Saímos de Jarú às 8:30 hs. O asfalto até Porto Velho está razoável, com alguns remendos, buracos que foram remendados, mas dá para o gasto. Paramos na metade do caminho, em um local chamado Fazendinha, pra tomar uma água e descansar um pouco. Chegamos em Porto Velho ao meio dia, com o sol a pino, fazendo 38 graus. Achei o hotel com facilidade, usando o gps é claro, e nos acomodamos no Oasis Hotel, a R$ 155/quarto duplo. No momento que cheguei aqui, entrei em contato com o pessoal do Brazil Riders, e nos encontramos com o amigo Papaléguas, que nos recebeu muito bem, e nos levou até um bom restaurante, aonde provamos um ótimo peixe da região. Saímos dali, e escoltados pelo Papaléguas, fomos até o bar do MadMax, também do Brazil Riders, e presidente do MC Anacondas, daqui de Porto Velho. Ficamos lá conversando um tempo, e depois visitamos alguns pontos turísticos, o ponto de travessia da balsa, o mirante do rio Madeira, e enfim fomos até um encontro de motos do Giramundo MC. Neste momento o tempo fechou, e começou a chover, uma grande tempestade. Ficamos por lá, jantamos, e fomos para o hotel dormir.
QUINTO DIA: PORTO VELHO/RO a HUMAITÁ/AM - 208 km
No sábado acordamos às 7 hs, tomamos o café no hotel, e saímos para pegar os pneus na Suzuki. Explico: enviamos 2 pares de pneus KarooT de SP para Jarú. De lá, foi enviado para a Suzuki de Porto Velho, para trocarmos, antes de irmos para Humaitá, já que ali iríamos começar o trecho de terra. Como várias pessoas nos recomendaram a troca dos pneus na MASTER MOTTO, concessionária Honda de Porto Velho, pegamos os pneus na Suzuki e fomos pra lá, já passado das 10 da manhã. Encontramos alguns motociclistas na Suzuki, que nos convidaram para conhecer o point da cidade, aonde todos se encontram, e ficamos por um tempo lá, inclusive encontramos algumas pessoas que estavam chegando da BR-319 e nos recomendaram o trecho. Acabamos nos atrasando um pouco. Chegamos na Moto Master, e fomos MUITO bem atendidos. A loja é muito grande e bem estruturada, e recomendamos. Com certeza, é o melhor local para manutenção e troca de pneus de Porto Velho. Pegaram as motos, levaram para dentro, lá tem um mecânico muito bom, o Rogério, recomendado pelo Renato, motociclista de Porto Velho que conheci dentro da concessionária BMW de Campo Grande. Inclusive por coincidência o Renato estava lá na hora que chegamos, foi aquela festa! Ficamos por ali, esperando, já quase meio-dia, quando o Renato nos convidou para almoçar na casa dele. Fomos com ele, de carro, para uma casa e um almoço maravilhosos. Ele nos recebeu em casa, almoçamos e nos levou de volta à concessionária. Pegamos as motos, abastecemos e fomos para o hotel, acompanhamos pelo Renato e o filho dele, uma simpatia. Fizemos o check-out e fomos pegar a balsa, já quase 3 da tarde, com um calor de fritar.
Em frente ao hotel em Porto Velho
Na balsa para Humaitá

A ponte em construção sobre o rio Madeira
A ponte sobre o rio Madeira já está em adiantada construção, e deve ficar pronta até o final de 2012. Por aqui também estão dizendo que irão ASFALTAR a BR-319 entre Humaitá e Manaus, pois é uma exigência da FIFA, que todas as cidades sede da Copa do Mundo de 2014 tenham pelo menos uma saída por terra. Os 208 km entre Porto Velho e Humaitá, já estão asfaltados, a estrada muito boa e sem defeitos. À partir da travessia do rio Madeira, vimos vários destacamentos militares fazendo a manutenção da rodovia, até Humaitá. Pegamos duas chuvas rápidas no caminho, mas nem chegamos a parar pra colocar capa nem nada, pois logo parou e a roupa seca por si só, com o calor de 37-38 graus e o vento morno. Chegamos às 17:30 hs, quase no final do dia. Ainda deu tempo de dar uma volta em uma parte da estrada para Lábrea, andamos uns 5 km, a estrada muito boa, toda cascalhada. Mas realmente, se chover, vira um sabão, pois tem várias partes de terra batida.

BR-319, entre P.Velho e Humaitá, ótimo asfalto


Destacamento do Exército de Selva, em Humaitá/AM
Depois de algumas fotos, fomos para o hotel Macedônia, o melhor da cidade, a R$ 88/quarto duplo, com ar condicionado e internet wireless. Assim que chegamos e descarregamos as motos, fomos ver aonde chega a balsa que vem de Manaus. De repente o tempo virou, com muito vento, e previsão de chuva iminente. Só deu tempo de chegar no hotel, e começou a garoar fraco. Com a ventania, a luz da cidade toda acabou, por umas 2 ou 3 horas. Tomamos um banho sob luz de velas, e fomos comer algo ali perto do hotel mesmo, à pé e com lanternas nas mãos. No fim a chuva foi fraca, mas choveu, como todos os dias, aliás, nas últimas semanas. Este ano a chuva se antecipou um pouco mais do normal, disseram os habitantes locais. Jantamos uma excelente picanha, e fomos dormir. Deixamos um quarto reservado para o Jardim e o Rogério, que deveriam chegar na madrugada, pois vieram de barco.
SEXTO DIA: HUMAITÁ/AM a PORTO VELHO/RO - 208 km
De madrugada ouvi barulho no hotel, dos amigos chegando. Acordamos às 7 hs, e nos encontramos no salão do café do hotel. Foi aquela festa, colocar toda a conversa em dia, contar tudo, como foi a travessia da BR-319, e as dificuldades. Para saber mais detalhes desta primeira etapa da viagem, o Rogério está contando tudo no site dele também, com excelentes fotos: https://sites.google.com/site/cartapecuaria2/viagem-ao-norte.
Tinha um pessoal de jipe lá no hotel também, chegaram tarde da noite, vindos de Manaus, pela BR-319. As motos do Jardim e do Rogério tinham ficado no barco, pois não tinha como descarregá-las de madrugada. Fomos lá buscá-las. Descarregamos as motos, é incrível como as descarregam, andando sobre uma estreita e muito resistente tábua. Não dá pra acreditar que  por ali vai passar uma moto que pesa mais de 250 kg, mas passou! Tiramos as tradicionais fotos (eu não levei a minha câmera!), e voltamos para o hotel para decidir o que fazer.
A equipe toda reunida, no "porto" de Humaitá
Nossos amigos passaram grandes dificuldades na travessia da BR-319, na semana passada, e estavam com a moral e o psicológico abalados para continuar pela BR-230, a Transamazônica. Nós sentimos isto logo de cara, quando nos vimos. Além disto, o problema das chuvas que se anteciparam, inviabilizando o trânsito com as grandes e pesadas motos que estamos viajando. Resolvemos assim cancelar o restante da viagem, voltando pelo mesmo caminho que viemos. Ouvimos várias pessoas, muitas nos animaram, muitas nos desanimaram, mas todas tinham a mesma opinião: disseram que se chovesse, não teria como andar. Teria que parar a moto, e esperar secar, pelo menos 2 ou 3 horas. Mas como faríamos isto, no meio da Amazônia, sem lugar pra ficar, sem estrutura alguma? O problema maior então foram as chuvas que começaram antes da hora. A estrada está boa, foi toda patrolada, mas continua o problema do barro liso, um verdadeiro sabão. E com uma moto pesada com a BMW R1200GS Adventure, simplesmente inviabiliza a viagem, se vier a acontecer alguns tombos. Teríamos que parar a viagem a toda hora. Todos temos os nossos compromissos profissionais, e temos data marcada para terminar a viagem. Por isso tomamos a decisão mais difícil e com o coração apertado, abastecemos as motos, e começamos a voltar para Porto Velho! Nem sempre conseguimos realizar alguns sonhos, e este fica adiado para a próxima estação seca. Que me desculpem os amigos! Abraços a todos!
O amigo Rogério e a sua GS bastante suja...

O Jardim, nosso guia e guru
Todos na balsa. À esquerda não sei quem é!


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

LUGAR DE MOTO É NA ESTRADA!

Cada vez que eu viajo, tenho mais a certeza: lugar de moto é na estrada! Não gosto de andar na cidade com a minha moto, apenas ando nos sábados e domingos, e de vez em quando. O bom mesmo é viajar, pegar a rodovia, isto sim!
Bem, como alguns já sabem, o Jardim e o Rogério já saíram de Campo Grande há cerca de 10 dias, já fizeram a BR-319 (foi MUITO difícil!), e estão voltando de balsa, de Manaus até Humaitá, aonde nos encontraremos com eles, no sábado, para dali seguirmos juntos pela BR-230, e concluir a viagem.
Vamos a minha viagem e do Nelson.
PRIMEIRO DIA: CAMPO GRANDE/MS a RONDONÓPOLIS/MT - 485 km
Saímos de Campo Grande logo depois do almoço, às 13:30 hs. O Nelson "Carandá" chegou de Jardim de manhã, às 9 hs, pegou a moto dele lá em casa, e levou pra abastecer e carregar as malas. Apareceu de volta às 11:30 hs, almoçamos uma linguiça de Maracajú que a minha mãe fez, aliás muito boa, e seguimos viagem. Um calor insuportável, saímos com 36 graus da cidade Morena. No caminho, paramos em Rio Verde de MT para abastecer e tomar uma água. Em Coxim a temperatura bateu nos 39 graus! Na estrada filas e mais filas de caminhões, indo e voltando, transportando riquezas deste nosso Brasil Central para resto do país.
Divisa MS/MT em Sonora. Ao fundo o Rio Correntes.
Chegamos em Rondonópolis no finalzinho da tarde, antes de escurecer, já quase 18:00 hs. Ficamos hospedados no hotel Monjardim, ao custo de R$ 114,00 o quarto duplo, sem café da manhã. Hotel muito bom, recomendo.
SEGUNDO DIA: RONDONÓPOLIS/MT a VILHENA/RO - 945 km
Acordamos bem cedo, 4:30 da manhã, e saímos do hotel 5:15, sem tomar o café da manhã. O objetivo era escapar um pouco do trânsito infernal de caminhões entre Rondonópolis e Cuiabá, e a estratégia deu certo! Mas o mais engraçado é que estava frio! Isto mesmo, frio! Saí do hotel com a jaqueta totalmente aberta, pra entrar vento, e passei frio! Fomos até Cuiabá com a temperatura entre 23 a 26 graus, agradável na verdade. Tomamos o café na Pensão Seca, cujo proprietário tbm é motociclista (Coyotes), de Jaciara/MT, e conversou conosco. Seguimos, atravessamos por Cuiabá, e pegamos a estrada para Cáceres (MT-070/BR-364?), sentido Poconé. O asfalto um tapete, muito bom e novinho, e o melhor: não havia caminhões! Com a estrada tranquila, tocando de boa, logo chegamos em Cáceres, às 11 da manhã. Cáceres é o portal do Pantanal do Mato Grosso, região famosa pelo turismo de pesca. A região é baixa, altitude de 120-130 metros, e muito quente. Paramos somente para uma rápida foto na ponte do rio Paraguay, pois já havíamos abastecido as motos uns 100 km antes.
Rio Paraguai, em Cáceres, no Pantanal Mato-Grossense
video
Paramos depois de Cáceres para abastecer e almoçar, em Porto Esperidião. Estamos parando a cada 180-200 km para descansar, às vezes sem abastecer, pois as motos nos permitem, com o tanque de 33 litros. Uns 130 km à frente, antes de Pontes Lacerda, o Nelson começou a fazer sinal. Paramos, e ele disse que o pneu dele havia furado, pois estava aparecendo no painel da moto, e a pressão estava caindo cada vez mais. Como faltava apenas 10 km para chegar em Pontes Lacerda, tocamos devagar, até o primeiro posto, chamado Tuiuiú. Realmente tinha um pedaço de osso encravado no pneu dele. Paramos em uma borracharia daquelas de posto de gasolina, o rapaz retirou o pedaço de osso, e colocou o remendo do tipo macarrão, vedando o furo. E acabou-se o problema.
Nersão e a sua BM, consertando o pneu...

O "macarrão" resolveu, ainda bem!
Aproveitamos e tomamos um café. Antes de Comodoro, uma grande chuva se formou a nossa frente. Parei pra fechar as aberturas de ventilação da jaqueta, mas não precisou. A chuva passou na nossa frente, refrescando o final de tarde, a viagem ficou muito gostosa, temperatura na casa dos 25-28 graus. Gosto de citar a temperatura nas viagens, porque acho que este é um fator stressante em viagens de moto. Sempre deixo o computador de bordo da moto mostrando a temperatura. É claro que estrada ruim, vento, transito pesado, também são stressantes, mas tirando isto, classifico a temperatura como uma das mais importantes.
Após Pontes Lacerda, em pleno vale do rio Guaporé, a vegetação mudou bastante, dá pra notar as árvores mais altas, e que entramos na Amazônia, com as grandes Castanheiras do Pará, e a vegetação muito mais exuberante e maior, mais alta. Muitos animais selvagens atropelados na pista, uma pena. Antas, capivaras, etc... Chegamos em Vilhena, chamada de portal da Amazônia, às 17:20 hs, com o sol ainda alto por aqui. Aliás, aqui em Rondonia hoje amanheceu às 6:15 hs, mais tarde mais de meia hora em relação a Campo Grande.
Em Vilhena, ficamos hospedados no hotel Portinari, hotel novinho, inaugurou há apenas 3 meses atrás. Muito bom! Passei uma mensagem para o Totto, do Brazil Riders, e ele foi lá me encontrar, em alguns minutos já estava lá! Muito legal esta irmandade, é a primeira vez que participo em uma viagem, realmente faz a diferença, são grandes amigos e companheiros da estrada.
À noite me encontrei com o meu grande amigo e compadre Hugo, que mora em Ji-Paraná, e estava indo para Cáceres. Já havia combinado de encontrar com ele antes, e jantamos todos juntos, uma bela picanha na chapa. O curioso, é que mesmo após acordar às 4:30 da manhã, andar quase 1.000 km durante o dia todo, de moto, não estávamos cansados, e fomos dormir quase 11 da noite, inteiros.

TERCEIRO DIA: VILHENA a JARU/RO - 400 km
Acordamos às 5:30 hs e saímos do hotel às 7. A pressa hoje era do Nelson, que queria almoçar em Jaru, aonde mora a mãe dele, junto com a irmã. Mas eu ainda tinha que passar em Ji-Paraná, pra conhecer a indústria do meu compadre e amigo Hugo, antes de Jaru. Chegamos em Ji-Paraná às 10:30 hs, andando 300 km em pouco mais de 3 horas. Estrada boa, mas não é igual a outra no Mato Grosso. Já tem muito buraco, mesmo tampado incomoda a pilotagem. E o trânsito também aumentou bastante. Como Rondônia cresceu, as cidades bem desenvolvidas, ficamos impressionados com o tamanho de Vilhena! Já tem até shopping! Chegamos a tempo de almoçar na casa da irmã do Nersão em Jaru, a família toda estava nos esperando. O clima esquentou pra valer, e agora sim eu estava sentindo o tão falado calor da amazônia! Almoçamos, fui para um pequeno hotel pertinho, e amanhã vamos para Porto Velho, aonde vamos trocar os pneus das motos, colocar os KarooT, para no sábado começar o primeiro trecho de terra, entre Humaitá e Apuí. Está chovendo por aqui... Que seja o que Deus quiser! Amazônia aqui vamos nós!
Abraços a todos, e sigam conosco!

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.