terça-feira, 2 de abril de 2013

Paso de San Francisco e Paso Água Negra: considerações gerais

Após concluir a travessia dos dois pasos, posso fazer algumas considerações a respeito, para os amigos que desejarem fazer algum dia. Informações atualizadas entre os dias 27 a 30 de março de 2013.
Estes dois pasos atravessam a cordilheira dos andes, na fronteira entre a Argentina e o Chile, partindo da região noroeste da Argentina. A cidade base para a aventura é San Fernando del Valle de Catamarca, ou simplesmente Catamarca, a capital da província de mesmo nome. É uma cidade razoavelmente grande (200 mil habitantes) e com uma boa infra estrutura de apoio, inclusive com aeroporto internacional.
PASO DE SAN FRANCISCO
Após Catamarca, seguimos para dormir em Fiambalá, a cerca de 320 km, que é realmente a última "cidade" antes da divisa com o Chile. Fiambalá é quase uma vila, tem poucos hotéis, todos de baixa qualidade, pousada mesmo, bem simples. Achei o Paso de San Francisco o mais difícil de fazer, tanto pela maior distância (482 km entre Fiambalá e Copiapó), como também pelo trecho de cerca de 65 km de rípio mais perigoso que ainda resta entre a aduana argentina e a aduana chilena, com algumas partes mais soltas, com um facão (baldrame) muito alto no meio e o risco de perder o controle da moto e queda potencial. Mas estão asfaltando, e acredito que mais um ou dois anos e estará tudo asfaltado. E aí acabou-se o rípio mais difícil.
Depois, os 182 km da aduana chilena até Copiapó é de estrada de terra batida com piche, cortando o deserto do Atacama, e dá pra andar a 120-130 km/h se quiser, com exceção de um trecho com uma serra, logo no início, mas que tbm é de estrada boa. De Fiambalá até a aduana argentina, são 200 km de um ótimo asfalto. Bem no meio do caminho, em Cortadera, tem um hotel muito bom, com internet e tudo, padrão 4 estrelas, só que a 3.400 metros de altitude! Havia neste dia que passamos por lá uma equipe do rally Dakar definindo as rotas do evento por ali para 2014. Dá inclusive pra dormir neste hotel se quiser, ao invéz de Fiambalá, para quem não tem problemas com altitude, é claro! Na aduana argentina, tem gasolina vendida em tambores, e o "frentista" abastece com um balde de 10 litros. A gasolina é um pouco mais cara, é claro, e nos custou AR$8,50/litro, cerca de R$ 2,43 em março/2013. Após a aduana argentina, tem mais uns 15 km de asfalto, e chega-se no paso, na placa. Após a placa começa o rípio, que vai até uns 65 km, aonde começou o asfalto novo. No início, o rípio é muito bom, até a laguna verde. Depois, tem trechos bons e trechos ruins, e tem que andar devagar. Chegando no asfalto, roda-se mais uns 30 km, até a aduana chilena. De lá até Copiapó é estrada de terra batida, de excelente qualidade. Tem algum movimento de camionetes, caminhões e ônibus das mineradoras locais. A cidade de Copiapó não tem muito o que ver, não é bonita, e tudo é mais caro do que na Argentina. A economia da cidade gira em torno das mineradoras.
Aduana Argentina

Abastecimento na aduana

Hotel em Cortadera, 100 km de Fiambalá

O paso...

Rípio bom, perto da laguna verde

San Francisco: paisagem lunar, insólita e cheio de retas
PASO ÁGUA NEGRA
O Paso Água Negra, fica entre La Serena, no Chile, e a vila de Las Flores, na Argentina, com uma extensão de cerca de 324 km. Após La Serena, em uma linda estrada, ladeada de vinhedos, roda-se cerca de 60 km até a cidadezinha de Vicuña. Lá é o último posto de combustível nos próximos 224 km, e tem que abastecer a moto. Depois roda-se mais 90 km de um ótimo asfalto até a aduana chilena. Neste caminho, você vai fazer por um vale entre as montanhas da cordilheira, e mais vinhedos. A aduana chilena fica a 2.000 metros de altitude, e ali começa o rípio, na verdade terra batida, de muito boa qualidade. Depois, em apenas 70 km, você subirá para cerca de 4.800 metros, que é aonde fica o paso, a divisa entre os dois países. Estava completamente branco de neve, quando passamos, pois havia nevado no dia anterior. Na verdade a neve começou um pouco antes, uns 15 km. Cuidado com neve por ali! Nestes pasos, geralmente as aduanas sabem quando não tem condições de passar devido a nevascas, e alertam ou até mesmo impedem a passagem dos turistas. Tirando a neve, o Água Negra tem que tomar cuidado apenas com as curvas e precipícios, um atrás do outro, sendo assim o segredo é andar devagar e com todo o cuidado, pois a estrada é boa, e se abusar da velocidade o risco é maior...
A diferença básica entre os dois pasos, é que enquanto que no San Francisco você atravessa as planícies por sobre a cordilheira, um pampa, com longas retas, no Água Negra é um cânion, um vale, subindo e descendo entre as montanhas, cheio de curvas, precipícios e neve. No Água Negra, a estrada de rípio, os 134 km entre a aduana chilena e o posto da polícia argentina, é de excelente qualidade, sem problema qualquer, mas cheia de precipícios e curvas, e com muito movimento de carros, e tem que tomar muito cuidado! Nos dois pasos subimos a quase 4,8 mil metros de altitude, mas por pouco tempo, pois os pontos mais altos são exatamente nas divisas, nas placas. As aduanas sempre ficam antes dos pontos mais altos, pois eu acredito que ninguém merece sofrer com a altitude!
Pessoalmente, eu gostei muito mais do Água Negra! Lembrando que entre a aduana chilena e um posto da gendarmeria argentina, cerca de 134 km, não tem absolutamente nada, nem posto, nem restaurante.
Posto Copec em Vicuña/Chile



Paisagens estonteantes e maravilhosas!



O paso é o local mais alto da travessia

Posto da gendarmeria argentina. O asfalto começa um pouco antes
Nos dois pasos é essencial levar água e comida (lanches), ir preparado para altitude, e verificar a autonomia da moto/carro. No Água Negra, se abastecer em Vicuña, dá tranquilo pra chegar em Rodeo ou San José de Jachal, em qualquer moto com autonomia em torno de 200 km.
Enfim, vale a pena fazer uma aventura destas com certeza! Qualquer um dos dois pasos, é uma experiência única e maravilhosa, e que ficará guardada na memória para o resto da vida! Encontrei pessoas do mundo todo por lá, de carro, bicicleta e de moto. Programe-se, e faça a sua aventura! Abraços!

Santiago del Estero - Asunción - Campo Grande: 1.720 km!

Nos encontramos no café às 6:30 hs, e saímos de Santiago del Estero às 8 hs da manhã. Friozinho gostoso, 20 graus, seguindo pelo mesmo caminho que viemos. Dia longo, muitas retas e logo o calor chegou com força! Paramos em Quimili para abastecer, depois de rodar 200 km. Não tinha "nafta" no posto YPF. Mas tinha em outro posto, dentro da cidade. Fomos para lá. De lá, rodamos mais 135 km e paramos em Charata, para abastecer novamente e comer alguma coisa, pois já eram 11:30 hs. De Charata paramos um pouco em Roque Saenz Peña, para tomar uma água. O Marco Tulio e o Padilha seguiram à frente, até Resistencia, aonde nos reencontramos.
Margarita Belén, tema de um lindo chamamé...
De Resistencia até Formosa fomos todos juntos, novo abastecimento, e de Formosa até Clorinda deu a sapituca no Nersão, que resolveu andar a 200 km/h e chegar na frente, pra não andar à noite... Vai entender... O que é mais perigoso, andar a 200 km/h ou à noite?! kkk! Chegamos, tbm não tinha gasolina no posto YPF, e tivemos que fazer o último abastecimento em solo argentino em um outro posto, mais à frente. Como o peso argentino se desvalorizou, a gasolina lá hoje está custando cerca de AR$ 7,80 pesos, ou cerca de R$ 2,22/litro. Ficou barato, além de ser bem melhor do que a nossa, pura e sem àlcool... Fizemos a aduana, o Nersão já estava lá nos esperando e ficou cuidando das motos. Por acaso do destino estava vazia, pois aquilo ali vive cheio e é uma bagunça... Talvez por ser domingo. Seguimos os 45 km restantes para chegar em Asunción, pedi no GPS o hotel Sheraton, top de linha, só pra ver quanto estava. Fizeram a US$ 160/quarto doble. Vai este mesmo... Último dia da viagem, sobrou $$ vamos aproveitar um pouco... Excelente hotel! Tomamos um banho rápido e saímos, o primo do Rezek, o preto, nos acompanhou, até o Passeio das Carmelitas, um local nobre, cheio de bares e muito legal de Assunção. Jantamos sanduíches mesmo, regados a chopes e muita conversa animada. Fomos dormir já era meia noite.
Na segunda cedo, tomamos o café 7 hs, e a maioria queria ir na concessionária BMW para conhecer e comprar alguma coisa, pois é bem mais em conta do que aqui no Brasil. Acabou que lá não tinha quase nada em estoque, comprei só uma luva, e 9 hs seguimos para ir embora.
Na BMW de Asunción, no Paraguay

Todos queriam alguma coisa, mas não tinha nada...
Passamos em outra oficina, o Klein Motos, pois as motos do Flávio, do Rezek e do Marco Túlio estavam lá, fazendo manutenção nas rodas, pneus, trocando óleo, etc... Como já era tarde, 10 hs, MUITO CALOR (35-36 graus), resolvemos ir tocando em frente, eu, Padilha, Maluf, Nelson e Kikico, e o Marco Tulio, Rezek e Flávio ficaram pra ir mais tarde. Nos despedimos e fomos seguindo por aquele trânsito caótico da saída da cidade, por Límpio, Embozcada, Santa Rosa, etc... Depois de rodar uns 220 km, paramos na churrascaria Boi na Brasa, que é de um brasileiro, ao lado de um posto. Já abastecemos, e almoçamos lá, um belo de um churrasco e finalmente, depois de 9 dias, arroz com feijão... Como é bom! rsrsrs... O calor muito forte, apertamos um pouco mais o ritmo para 140-150 km/h, até chegarmos em Ponta Porã, às 15 hs. 
Na aduana em Pedro Juan Caballero, a saída do Paraguay
Fizemos a saída do Paraguay na aduana, abastecemos e continuamos a viagem, por Vista Alegre. O Maluf e o Kikico pararam em Sidrolândia para tomar um suco, e eu e o Padilha continuamos. Cheguei em casa às 18:45 hs em ponto. Viagem terminada, a família veio me receber, tudo correu bem, graças a Deus, Nossa Senhora nos protegeu e nada de grave nos aconteceu!
Foi um grande prazer rodar acompanhado de tantos amigos, e fazer uma viagem desta magnitude com tão boa companhia! Atravessamos dois pasos, em rípio, um grande desafio, que pouca gente fez até hoje, pelo menos dos que eu conheço, e nada aconteceu, em tantas motos! Isto é muito bom! A recepção dos amigos de Catamarca também fez toda a diferença, foram grandes companheiros, com certeza temos novos amigos, fizemos grandes amizades, que ainda irão resultar em outras viagens e conquistas.
Esperamos vocês aqui, amigos argentinos! Amado, Amin, e todos meus queridos amigos, meu sincero MUITO OBRIGADO! E me desculpem pelas falhas, erros e às vezes falta de algo, durante a viagem...
Abraços!

Chilecito - Catamarca - Santiago del Estero: 580 km

Após o desencontro dos 3 amigos (Nelson, Maluf e Kikico), que passaram direto pelo posto que estávamos, saímos de Las Flores muito tarde, lá pelas 17:30 hs, rumo a Chilecito, a 300 km dali. Abastecemos em Rodeo, e logo chegamos em San José de Jachal, passando por uma estradinha horrível, muito perigosa, e cheia de remendos. No trevo da cidade, tinha um posto, aonde nos informaram que os três haviam passado um tempo ali, e seguiam à nossa frente. Nós atrás deles, e eles achando que nós estávamos na frente deles... hehehe... Pegamos um trecho de uns 100 km da famosa ruta 40, cheia de ondulações. Curioso, passa água por cima da pista, nas partes baixas das ondulações, pois não tem escoamento por baixo. Fico pensando nisto na época das chuvas intensas, deve ser muito ruim de andar ali, pois fica terra, pedras e barro nestas baixadas. Em algumas partes inclusive tinha algum barro e água correndo.
Trecho da Ruta40. Notem a ondulação na pista.
Rodamos uns 100 km deste trecho, e paramos em um posto perto de Villa Union para abastecer. Já estava escurecendo, eram passados das 19 hs, e queríamos ver a Cuesta de Miranda, uma cordilheira formada por pedras avermelhadas, muito bonita, mas não foi possível, pois escureceu rapidamente. Passamos por Villa Union, e novamente um guarda local nos avisou que os três amigos haviam passado por ali há pouco tempo. O Amin saiu como doido atrás deles, tocando a sua KTM a 150 km/h, e nós atrás, mas estava muito perigoso, muitas curvas, e começou a aparecer bicho na pista, raposas, etc... Diminuímos o ritmo para 120 km/h, e seguimos. De repente, passam por nós 3 motos, uma delas com um farol de milha quebrado, como a moto do Nelson. Mas como estava escuro, não deu pra ver direito se era ou não eles. Paramos, esperamos um pouco, trocamos idéia, e o Amado disse que não poderia ser eles, pois o rumo era o contrário, e como já haviam passado muitas motos por nós aquele dia, poderia ser outro grupo. Seguimos à frente, mas realmente aquelas 3 motos eram eles, voltando. O Rezek ficou pra trás, e os alcançou. Nós seguimos à frente, passamos por um trecho de 10 km de terra, estavam reformando a estrada, e logo paramos em uma vila, esperando o Rezek. Pensamos que ele havia caído, ou algo assim. O Marco Túlio e o Flávio voltaram, e eu, o Amado e o Padilha ficamos lá esperando. O Padilha com o pé machucado, pois tinha torcido, resolveu tocar e chegar logo em Chilecito, que estava somente a 55 km dali. Logo apareceu o Flávio de volta, dizendo que havia uns 15 km de rípio mais à frente, em uma "pirambeira", um serrinha, e que o Nelsão de Jardim não queria passar ali de jeito nenhum, ainda mais à noite, e que iria dormir em Villa Union, a uns 50 km atrás. Eu disse então que seguiria para a frente atrás do Padilha, e que dormiríamos em Chilecito, com o Amin, o Amado e o Padilha, e os esperaria no outro dia cedo. Sendo assim, o grupo se dividiu, e o Flávio, Marco Tulio, Rezek, Maluf, e o Kikico voltaram, para acompanhar o Nelson. Fui tocando com o Amado, em uma estrada realmente difícil. Já era 21:30 hs da noite, pegamos 15 km de rípio em uma serra muito ruim de passar, tinha bicho no meio da pista, burros, cavalos, e só conseguimos chegar em Chilecito quase 22 hs... Fomos direto para o hotel que estava reservado, o Amin e o Padilha já estavam lá. Tomamos um banho, e fomos jantar. Os companheiros que voltaram, penaram para achar hotel, pois Villa Union estava lotada, era feriado de sábado de semana santa. Acabaram dormindo 2 em um hospital, de favor, e 4 amontoados em um quarto só... Fazer o que?
No outro dia, acordamos 7 hs, tomamos o desayuno, nos arrumamos e saímos, para esperar os amigos em um posto, a 13 km de Chilecito, em um trevo. Eles chegaram 9:30 hs da manhã. Foi aquela gozação, o Amin chamando-os de "putitos" porque o Nelson arregou do rípio à noite, mas todos levaram na esportiva, abasteceram, e rumamos para Catamarca, afinal já era o nosso retorno para casa. Mesmo sem usar todos os quartos, tivemos que pagar o hotel de Chilecito, pois estava reservado para nós, e a cidade estava lotada...
Para Catamarca, rodamos por uma estrada praticamente só com retas, algumas montanhas no começo, mas quase só reta. Chegamos em Catamarca 13 hs, fomos para o posto do Amado, na saída da cidade, abastecemos, o Marco Tulio pegou as malas da moto dele que ficaram lá, fomos presenteados pelo Amado com azeite de oliva da região, e nozes confeitadas, realmente um show de hospedagem a recepção dos nossos amigos! Ficamos todos emocionados com a atenção e a hospitalidade deles! Depois já seguimos prontos e "listos" para uma chácara, às margens da rodovia que iríamos seguir para Santiago del Estero, nosso destino para dormir no sábado, já reduzindo o trecho até Asuncion em 230 km. Chegamos na chácara, o irmão do Amado e o José, dono do local, estavam lá nos esperando com o almoço pronto, um "asado" excelente, comida, bebida, tudo muito especial.
O amigo Amado Menen, nosso anfitrião, junto com o Amin


Todos se organizando a arrumando as motos
Um bando de viciado em celular e internet...

Maluf e a sua cerveja sagrada...

Outro viciado...

Mais um...

Ganhamos alguns "regalos" do Amado: azeite e nozes confeitadas!

A turma toda reunida, só faltou o Amin. Olha a cara do Padilha! kkk!

Na chácara aonde almoçamos

O irmão do Amado, e o José, dono da chácara

Almoço, um maravilhoso "asado", com salada!

Foto de despedida. De vermelho, o Amin, uma figuraça!
Após o almoço, ficamos lá descansando e conversando até às 16 hs, quando saímos para percorrer os 200 km que restavam para chegar em Santiago del Estero. Chegamos lá 18:30 hs, abastecemos e fomos direto para o hotel Carlos V, muito bom, em frente à praça principal da cidade. Santiago del Estero é a capital da província de mesmo nome, cidade grande e muito movimentada. Perto de lá tem as Termas do Rio Hondo, famosas. Gostamos muito da cidade e do seu movimento. Alguns foram para a piscina do hotel, outros foram tomar cerveja, outros foram jantar, outros dar uma volta pelo comércio local, mas todos já se preparando para encarar os 950 km até Assunção, no Paraguay, o nosso destino para domingo.
A catedral de Santiago del Estero. Linda!

A turma da cerveja, confraternizando.

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.