terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Villa O'Higgins: o final da Carretera Austral! Chegamos lá!

Dia 9, segunda-feira: Passeio de barco em Villa O’Higgins: 0 km
Diário de Bordo
À noite, sem internet nem celular, a dona da pousada nos emprestou o celular dela, e ligamos para o hotel em Cochrane, pra falar com o Padilha. Estava tudo bem, e ele disse que estava mexendo com o seguro, muito enrolado como sempre!
Acordamos cedo, ou pelo menos mais cedo do que de costume, às 6:45 hs, pois teríamos que estar às 7:45 hs em frente ao Lodge Robinson Crusoé para pegar o ônibus que iria nos levar ao Puerto Bahamondez, para dali pegarmos o barco que nos levaria até o Glaciar O’Higgins, um dos vários glaciares dos “Campos de Hielo Sur”, um complexo de glaciares que se estendem por mais de 500 km quadrados, incluindo o Glaciar Perito Moreno, em El Calafate. Mas este de O’Higgins disseram que é maior do que o de El Calafate. Entramos no barco exatamente às 8:00 hs, conforme estava marcado. Saímos as 8:30 hs. No barco, tinha muita gente que estava na outra balsa do dia anterior, no Puerto Yungay, junto conosco. Muitos velhinhos, Europeus e Chilenos, uma turma da Austrália que iria continuar caminhando até a Argentina (tem gosto pra tudo...), jovens europeus de bicicleta, fazendo trecking, etc... No barco cabem 60 pessoas sentadas, devia ter umas 45 pessoas ali.
Seguimos por um canal de águas esverdeadas, ladeado por montanhas com picos nevados, aonde se podia ver de vez em quando alguns Condores voando ao longe. Afinal, ali é a Cordilheira dos Andes! Fomos até um outro porto, porta de entrada para a Argentina, um paso aonde só se passa à pé ou de bicicleta (Acho que se chama Rio Mayer, ou algo assim). Se abrisse uma estrada por ali, seria o caminho mais próximo da Argentina (sai em El Chalten), para quem quer ir a Ushuaia, ao invez de ter que voltar e dar a volta por Chile Chico. Dizem que irão abrir esta estrada em breve, pois iria aquecer muito o comércio local. Villa O’Higgins é o fim da linha. O fim do mundo. Ficamos sem internet, sem celular e totalmente isolados do mundo!
Seguimos no barco, este passeio eu comprei pela Robinson Crusoé (US$135 por pessoa, o dia todo, sem almoço). Tem que levar comida no barco. Lá tem uma pequena lanchonete, mas muito fraca. Levamos algumas maçãs, e sanduiches de queijo com geléia, água e suco. Serviram café no barco. O problema é que demorou demais! Gastamos 5 horas de navegação para chegar ao Glaciar O’Higgins. Mas chegando lá, vimos que valeu a pena! Tinha gelo boiando nas águas, uns km antes. O glaciar, um monstro de 3,2 km de largura por 80 metros de altura, impressiona! Lá atrás, duas grandes vertentes de gelo, empurrando pra frente aquele paredão, que de vez em quando se quebra e se parte, parecendo um trovão.
Um barco pequeno saiu e foi buscar uns pedaços de gelo, para tomarmos um whisky. Logo retornaram, e fizemos um brinde. Ficamos ali por cerca de 1 hora. Começamos a retornar, alguns começaram a cochilar, outros foram na parte de cima e aberta da embarcação, com um vento frio (fez até 8 graus perto do Glaciar), e ondas molhando, e assim fomos retornando. Paramos novamente no porto, para o pessoal que iria atravessar para a Argentina seguir viagem, e finalmente retornamos ao Puerto Bahamondez. Chegamos lá já eram 20:30 hs, ainda com o sol alto (escurece 22:30 hs). Pegamos o ônibus para Villa O’Higgins, que nos deixou na frente do Lodge novamente. Comprei uma camiseta do passeio, o Capitinga foi comprar um cigarro, e combinamos de nos encontrar na cabana, para dali irmos jantar. Ligamos no hotel em Cochrane novamente, e o Padilha tinha saído de lá às 19 hs, de carro, para Coyhaique, para pegar um avião até Santiago. A moto tinha ficado no hotel, para embarcar no outro dia.
Arrumamos as coisas, pegamos as motos, e fomos abastecer, para sairmos no outro dia. Depois fomos jantar, uma truta com salada e arroz, muito boa! Desta vez não bebi vinho, dei um tempo, pois praticamente todos os dias estamos tomando vinho na janta! O Capitinga tomou o vinho dele. Voltamos para o hotel, pagamos o hotel, e fomos dormir, já quase meia noite. Combinamos de sair as 8:30 hs.

Dia 10: Villa O’Higgins – Caleta Tortel – Cochrane: 275 km de rípio
Diário de Bordo
Acordei mais cedo, 6:45 hs, e fui tomar banho. Saí, o Capitinga já estava se arrumando. O porco não tomou banho... rsrsrs... Tomamos o “desayuno” que a Angélica deixou lá pra nós na noite anterior (o café a gente mesmo que faz, com sache e água quente. Aqui não tem café coado, só Nescafé ou sache, e é muito bom!). Arrumamos as coisas, nos vestimos e saímos. A minha mala de tanque tinha arrebentado de um lado, e consegui arrumar, com o velho e bom “enforca gato” que sempre carrego nestas viagens. O tempo meio nublado mas sem chuva. Lembrei, antes de pegarmos a estrada, de ir no placa de fim da Carretera, lá no porto Bahamondez (7 km da cidade, ao sul), e fui lá, sozinho, pois o Capitinga não quis ir, e ficou esperando no posto Copec. Gastei uma meia hora pra ir e voltar. Não sei porque, estava tenso, braço meio duro, quase cai de bobeira, deixei a moto apagar em uma subida... Acordei assim hoje... Voltei para a cidade, dei uma volta na praça, tirei umas fotos, e seguimos viagem. Pegamos a ruta de volta para Cochrane, na verdade os primeiros 100 km são até o porto para pegar a balsa, que sai às 11 hs. Saímos de Villa O’Higgins exatamente às 8:45 hs. Tinha muito gado na pista, o gado típico daqui, vermelho e branco, parece um cruzamento de Hereford com Holandes (acho que a raça de chama Colorada, ou uma mistura disto com outras raças), e tem pra todo lado. Vacas, bezerros, touros, etc... Tem que tomar cuidado. Esperando a balsa nos disseram que este ano um cara do Brasil, em um grupo de 5 viajantes, em uma GS1200, bateu em uma vaca e se machucou, chegando em Villa O’Higgins. Outra curiosidade aqui, o povo das fazendas, o nativo, o colono, adora CHAMAMÉ! Isto mesmo, chamamé! Kkkkk! Ouvimos no táxi voltando para o hotel em Cochrane, e nos vídeos que passaram no barco até o Glaciar O’Higgins, toda hora tocava. Ouvi até a rancheira Mate Amargo, nome da nossa fazenda, que o meu pai colocou por causa desta música... Que mundo pequeno! Eu aqui no fim do mundo, na Villa O’Higgins, no final da Carretera Austral, ouvindo Mate Amargo tocada por um nativo. O povo gosta de rodeios, montarias e muita criação de gado. O povo nativo que colonizou isto aqui, foram trazidos pelos tropeiros, atrás de madeira (até hoje tem muita extração de madeira por aqui). Como sempre, a nossa querida pecuária desbravando este mundo, e ainda tem gente que fala mal, sem saber de nada! O que este povo sofreu e morreu por aqui, enfrentando este frio e sem acesso algum! Tem que valorizar isto!
Seguimos pela linda ruta7, de volta. Passamos vários carros, motos e bicicletas, de pessoas que vimos ontem no barco. Paramos para tirar algumas fotos na placa da Comuna de Villa O’Higgins, e logo chegamos no Puerto Yungay. Eram 10:15 hs. Fizemos os 100 km em 1:30 hs, como na ida. Tranquilo e bem feito. Não esperamos nem meia hora, e a balsa chegou. Entramos primeiro, guardamos as motos lá no fundo, como na ida, e ficamos esperando. Tinha alguns carros, e logo chegou o Cris, o americano, que tinha vindo com a gente na ida, e não tinha visto mais. Ele ficou em um hostel, dormindo o dia inteiro... rsrsrs... É uma figura. Tem uma empresa de encanamento, em Denver, no Colorado. Anda em uma moto Honda 650 cc, toda equipada e preparada por ele por esse mundo. Novamente conversamos mais um pouco na balsa. Em 45 minutos já chegamos. Resolvemos ir até Caleta Tortel, um povoado a 45 km do porto, que sai somente 22 km da nossa rota (44 ida e volta), e que tem umas palafitas, não tem rua, é tudo passarela. Eu queria ver aquilo já faz tempo!
Entramos 22 km à esquerda, em um rípio solto e muito ruim de andar, a moto fica balançando pra lá e pra cá, sem aderência alguma, mesmo com pneus off. E fomos tocando. Chegando lá, tem um estacionamento grande para parar os carros e motos. Paramos as motos, veio um menino e ficou ali nos olhando. Tiramos as coisas da moto (mala de tanque), e pegamos o capacete e fomos descendo uma rampa. Um morador local nos disse para ficarmos tranquilos, que seria seguro para deixarmos as motos com as malas amarradas em cima por ali. Começamos a descer uma série de passarelas elevadiças, a cidade toda é feita assim, descendo um morro. Não tem ruas. Descemos até perto do mar, e achamos um restaurante que servia Cordeiro Patagônico assado com batatas e salada. Era o que queríamos comer! Conversamos com a dona, que nos disse que iria demorar cerca de meia hora pra ficar pronto. Deixamos as nossas coisas lá dentro, e fui andar nas passarelas. O Capitinga não quis ir, mas eu fui até o final. Muito diferente! Tirei bastante fotos, e meia hora depois voltei para o restaurante. Já era 13 hs, e a fome do Capitinga já batia duro! Kkkk! Esse cara tem fome o dia inteiro! Logo chegaram outras pessoas, inclusive um casal de chilenos que nos acompanham desde a ida, e acabamos ficando amigos (Cecilia e Carlos). Almoçamos juntos, e logo iniciamos a subida das escadas, quase morremos para subir de volta aquilo lá... rsrsrs... Chegando lá em cima, tivemos que parar e descansar por um tempo. Logo já saímos de volta. Pegamos o rípio solto novamente, gado na pista, e fomos tocando. O rípio você acostuma, só tem que tomar cuidado com as curvas e o rípio solto e novo. E é exatamente assim que está esta parte da estrada... Pegamos novamente aquela parte que eu quase cai na ida, a moto sambou pra lá e pra cá, mas parecia que eu estava mais acostumado e passei bem melhor. Depois o rípio foi melhorando cada vez mais, a tocada foi ficando boa (70-90 km/h) e por volta das 17 hs chegamos em Cochrane. Fomos direto no posto Copec abastecer, tinha fila mas logo andou. Colocamos $10.000 pesos chilenos da gasolina 95 octanas. A gasolina aqui está custando cerca de R$ 5,15 o litro! Muito caro! O bom é que a moto está fazendo 19 km/litro andando no rípio... Pelo menos isto!
Fomos no hotel Ultimo Paraiso, e estava lotado. A dona Suzi nos indicou uma cabana ali perto, e deu certo. Por $ 30.000/cabana para 2 pessoas, com 2 quartos, foi o hotel mais barato do Chile até agora! Estamos aqui, banho tomado, em frente a um restaurante e bem perto da praça da cidade, com internet wifi e tudo, atualizando o blog, e tomando um vinho... As motos aqui na frente da cabana... Pode existir vida mais barata, mas melhor do que isto não! Rsrsrs...
Amanhã vamos direto a Chile Chico, 180 km de rípio, e depois a aduana para a Argentina, Los Antiguos, Perito Moreno, e vamos tentar chegar em Esquel, 530 km a frente. Provavelmente passaremos o ano novo em Bariloche.
Um abraço e continuem conosco!

Seguem as fotos, algumas, pois tem muito!























domingo, 27 de dezembro de 2015

CARRETERA, A ESTRADA MAIS BONITA DA AMÉRICA DO SUL!

Dia 8: Cochrane a Villa O’Higgins: 240 km
Diário de Bordo
Hoje o tempo amanheceu bom e limpo. O Padilha acordou mais cedo, e já conseguiu ir no banheiro andando. Tomamos o café, aliás muito bom, fomos arrumar as coisas e ver como estava o pé do Padilha. Fui até uma farmácia ali perto, para ver se estava aberta e comprar uma bota ortopédica ou tala, mas estava fechada, pois era domingo. Enquanto isso, o Capitinga foi ajudar a arrumar as malas da moto do Padilha, e ele foi organizando as roupas para deixar a maior parte possível dentro das malas, e levar com ele somente o necessário e mais leve, já que iria voltar de avião. O capacete, a jaqueta KLIM e o pelego de cima do banco colocamos em um saco de plástico e amarramos, para seguir junto com a moto. O restante, inclusive a bota, coube tudo nas malas laterais da moto. O pé estava mais desinchado, mas ainda dolorido. Ele tomou o café da manhã no quarto. Então fizemos uma reunião, e ali decidimos que iríamos eu e o Capitinga até Villa O’Higgins, ou seja terminaríamos a Carretera Austral, e voltaríamos no outro dia, ou na terça-feira. O Padilha ficaria em repouso ali no quarto, e na segunda-feira teria que providenciar a autorização no cartório, para o guincho levar a moto dele. Só isso. Pedi a dona Suzi, a gerente do hotel, uma senhora muito gente boa, educada e solícita, que cuidasse do Padilha, indo lá a cada hora, levasse almoço e janta pra ele, e colocasse a bolsa quente no pé, além de um remédio caseiro que ela mesma trouxe e ofereceu pra passar no pé machucado. Estava tudo organizado! Resolvemos ali mesmo, abortar a ida a Ushuaia também, já que tanto eu como o Capitinga já fomos lá em 2010/11, e estávamos indo novamente mais para acompanhar o Padilha. Já que ele estava voltando, não teria muita graça ir lá de novo... Além disto, os 4 amigos que estão em Ushuaia, e já voltando de lá (Gaudencio, Marcel, Elieber e Ravedutti), disseram que já estavam retornando, queriam voltar pra casa, e que não iriam nos encontrar mais em El Calafate, aonde tínhamos combinado de passarmos o ano novo juntos. Mais um  motivo pra não irmos mais... E assim decidimos! Então, cancelamos todos os hotéis reservados pelo Booking, na hora. Nos cobraram multa por cancelamento, mas ficou bem  mais barato do que ir e voltar até lá... Fazer o que?!
Assim, a viagem mudou totalmente de rumo. Ficamos ali no hotel até as 10:30 hs, conversei mais um pouco com o casal de alemães, que me contaram da viagem deles. Vão ficar 60 dias rodando pelo sul do Chile, e depois voltam pra casa. O Matias, que também usa uma roupa da KLIM, me disse que um amigo dele encontrou o dono da KLIM (Americano), no Alasca, com uma GS1200, todo equipado com as roupas e acessórios da marca, voltando de uma caça, com um veado amarrado na garupa da moto... rsrsrs... Pensa! Eles estavam indo para Caleta Tortel.
Começamos a nos arrumar para seguirmos até Villa O’Higgins, para fechar o objetivo de chegar até o final da Carretera Austral e talvez fazermos um passeio no glaciar O’Higgins na segunda-feira, se fosse possível, e se o Padilha estivesse bem. Nos despedimos, e acabamos saindo do hotel 11 hs da manhã.
O rípio começou já dentro da cidade, muito bom, e fomos seguindo. A natureza foi muito generosa, e a cada curva parecia ainda mais bela e diferente, com florestas e campos, ladeados pelas montanhas nevadas, realmente um local muito pouco habitado e irretocável, sem quase nenhuma interferência do homem, a não ser a estrada que ali passava! Muitas fazendas, e placas de conservação ambiental, e da preservação do Huemul, um tipo de cervo daqui, que está em extinção.
Eu já sabia que haveria um porto, uma travessia de balsa, a uns 120 km distante de Cochrane, e fomos seguindo. Antes de Caleta Tortel uns 20 km, logo após uma ponte, pegamos de repente um trecho de um rípio profundo e solto, a moto dançou para os dois lados, pernas tentando "caranguejar", a adrenalina foi a mil, e quase comprei um terreno ali... Rapaz, pensa no susto! São locais que acabaram de reformar, e o rípio ainda não está firme o suficiente. Logo depois tinha barro também, mas passamos bem. Realmente o pneu Karoo3 está fazendo a diferença nesta viagem! A tração é outra!
Passamos a entrada de Caleta Tortel, e começamos a subir sem parar, uma montanha, com curvas cotovelo. Depois entramos em um vale, que cortou por entre as montanhas, com muitas cachoeiras ladeando as estradas, dentro de uma mata densa de fechada, com neblina e inicio de chuva. Paisagem mais bonita e exuberante ainda! Logo chegamos no porto Yungay, que fica na metade da distância. Rodamos 125 km em 2 horas. Chegamos lá junto com uma garoa fina. Paramos as motos perto da entrada da rampa de acesso a balsa, só tinha um carro lá, com um casal chileno, o escritório da balsa, e uma cafeteria ao lado. Fomos para a cafeteria, eram cerca de 13 hs, a dona nos disse que a balsa tinha saído de lá as 12 hs e que só voltaria as 18 hs... Ou seja, teríamos que esperar por cerca de 5 horas! Fazer o que?! Ficamos lá! A chuva foi só aumentando, e foi chegando mais gente, de carro, de van, de bicicleta e de moto! Este último, de moto, um canadense que mora nos USA, o Cris, com uma Honda 650cc, toda equipada e carregada, já foi do Alasca a Ushuaia, depois Colômbia e Bolivia (aonde foi assaltado 2 vezes), está rodando a América do Sul e em breve irá ao Brasil. Conversamos bastante, trocamos idéias, e assim foi passando o tempo.
Enfim chegou a balsa, manobrou e ficamos esperando chamar. Por volta das 17:30 hs começaram a chamar, primeiro as motos, e depois os carros. Sempre debaixo de chuva. Entramos primeiro na balsa, estacionamos as motos lá no fundo, e ficamos lá esperando a travessia, de 45 minutos. A balsa é do governo do Chile, e não tem custo algum para os usuários. Os horários de travessia são 10 hs, 12 hs e 18 hs, para quem vai de Cochrane a Villa O’Higggins e 11 hs, 13 hs e 17 hs para quem vai no sentido contrário. Entraram na balsa gente de todo lugar do mundo. Da Europa, Austrália, Canadá, USA, Chile e Brasil. Aqui tem gente do mundo todo! Já quase chegando no porto, já nos arrumamos, colocando capa, casacos, luvas de inverno, balaclava, etc... Saímos preparados para o pior!
Fomos embaixo de chuva forte e sem parar, e fizemos os 110 km restantes da Carretera, até Villa O’Higgins. Muitas curvas, montanhas, lagos, florestas, etc... Havia muita neblina também, e o Capitinga com o capacete embaçando, tomando todo o cuidado pra não complicar a pilotagem. O Cris, o americano, com uma moto 650 cc e bem mais leve, nos disse que tocava a 100 km/h de média no rípio, e foi na nossa frente. Mas não foi isso que vimos, pois nós estávamos acompanhando e chegamos juntos no destino, mando andando a 60-80 km/h. A chuva complica um pouco, mas o rípio excelente e muito firme, sem problema algum, facilitou a tocada. Chegamos na vila as 20:30 hs.
Fomos para o hotel, na verdade uma cabana, que já havia reservado pelo Booking (Ruedas de La Patagonia). A Angelica, dona e gerente, nos atendeu muito bem, tomamos um banho, e fomos jantar ali perto, à pé mesmo, com capas, pois a chuva não parou mais!
Jantamos uma carne de panela com arroz, e pra variar um vinho tinto.
Agora é descanso que amanhã faremos o passeio final no Glaciar O'Higgins, para fechar a Carretera com chave de ouro!

Continuem conosco!

CARRETERA ATUALIZADA!

Dia 7: Coyhaique a Cochrane: 420 km
Diário de Bordo
A ESTRADA MAIS BONITA DA AMÉRICA DO SUL! MAS TEMOS QUE PILOTAR COM CUIDADO...
Após uma noite de sono reparadora, já que “dormimos” na balsa na noite anterior, aquela cama do hotel Los Nires ($54.000 pesos/apto duplo) caiu muito bem! Acordamos 7:00 hs, com uma garoa fina e de vez em quando um sol muito tímido. Tomamos o café, e a chuva aumentou. Arrumamos tudo, colocamos as capas e seguimos, sem abastecer, pois tínhamos abastecido 100 km antes, no vilarejo Manihuales. As motos estão fazendo 18 a 19 km/litro de gasolina na carretera. Se for no rípio, fazem 19 ou até 20. Nossa tocada no rípio é de 60-80 km/h e às vezes em algumas retas dá pra andar a até 100 km/h mas o melhor mesmo é ir mais devagar, e sempre cuidando a estrada, e prestando atenção, pois pode ser traiçoeiro...
Saímos de Coyhaique debaixo de uma chuva fina e intermitente, um frio de 12 a 14 graus, seguindo por uma estrada de concreto estreita e como sempre por paisagens muito bonitas, sempre acompanhados por alguma montanha com neve. Andamos uns 80 km, e distraídos com algumas bicicletas (os 3 com GPS...), acabamos errando a entrada à direita para a ruta7 (Carretera), e tivemos que voltar uns 13 km. Tem muitos ciclistas na rodovia, toda hora passamos por algum, em casais ou sozinhos. Depois que entramos à direita, subimos a mais de 1000 metros, esfriou ainda mais, e entramos em um vale, em um parque nacional, simplesmente maravilhoso, mesmo com a chuva, aquilo ali é muito bonito e vale a pena ver. Depois descemos uns caracoles, com curvas em cotovelo. Com os pneus Karoo3, e ainda com o concreto molhado, tem que fazer curva devagar e com cuidado... Logo passamos a entrada para Puerto Ibanez à esquerda, aonde em janeiro de 2011 eu e o Capitinga entramos para pegar a balsa para Chile Chico. Passamos direto, claro, e logo começou o rípio! Debaixo de chuva, com a estrada molhada, e em construção... O receio era grande, pois alguns amigos já tinham falado a respeito desta estrada “pesada” e das condições mais difíceis. Mas o rípio molhado é surpreendentemente firme e não escorrega nada, ficando até melhor do que o seco. Mas como era sábado, não havia obras nem máquinas na pista, e nem interrupções. Seguimos tranquilos e curtindo aquilo tudo.
Rodamos uns 120 km de rípio bom, sem surpresa alguma, e a chuva foi parando, até acabar. Logo avistamos o magnífico lago General Carrera, o segundo maior lago da América do Sul, com as suas águas azuis esverdeadas. As paisagens deslumbrantes, paramos algumas vezes para tirar fotos. Chegamos em Puerto Tranquilo já eram 12 hs e paramos para abastecer (isto mesmo, tem um posto Copec lá). Almoçamos um “lomo a lo pobre”, que é um bife gigante, com cebola, dois ovos fritos e batatas fritas ($6.000 pesos/pessoa) e fomos fazer o passeio nas Capilas de Marmol ou Capelas de Mármore ($7.000 pesos/pessoa). O passeio dura em torno de uma hora e meia, e sai de um pequeno porto que fica a uns 1000 metros das lojinhas e da vila. O dono da agencia nos levou até lá de Hilux. O barco é aberto, com motor 50cv e cabem 10 pessoas sentadas. Fomos com as roupas da moto mesmo, só deixamos os capacetes e as malas de tanque na agencia, e as motos ficaram lá, paradas em frente, com as malas amarradas em cima, mas eles garantiram que seria seguro, e uma pessoa ficaria lá cuidando. O lago estava meio agitado, mas o piloto garantiu que estava calmo aquele dia. Logo chegamos nas Capilas, que ficam às margens, do lado direito do lago pra quem desce. São pedras de mármore esculpidas pela água, com 450 milhões de anos, e formaram-se cavernas, buracos dentro das pedras, em formas variadas, como se fossem várias janelas. O barco entrou dentro de algumas delas, paramos, dá pra encostar a mão. Muito bonito! O sol se abriu, iluminando ainda mais a água. Ficamos ali, rodamos por várias estruturas, tem a Catedral, e várias outras formações curiosas, com formas de animais. Voltamos ao porto, descemos, pegamos as motos e voltamos ao posto, para dali seguirmos até o nosso destino do dia, Cochrane, a 120 km dali. Já eram 16 hs quando saímos de Puerto Tranquilo. Entre o almoço e o passeio, gastamos 4 horas. Enquanto nos preparávamos para sair, chegou um carro com duas alemãs e um americano, que moram em Brasília, e falavam português, e ficaram impressionados com as motos, com a placa do Brasil, e nos encheram de perguntas (Quantos km já tínhamos rodado, se tínhamos saído do Brasil, se estávamos cansados, etc...). Saímos, agora com tempo firme e sol, a estrada estava totalmente seca e muito boa. Peguei a frente, e segui na tocada de cruzeiro, de vez em quando olhando o lago à esquerda, que a cada curva se mostrava mais belo, um cartão postal atrás de outro! Acho que rodamos uns 50 km mais ou menos, de repente olhei no retrovisor e não vi o farol do Capitinga. Parei para esperar, e não aparecia ninguém. Resolvi voltar. Manobrei a moto na difícil e estreita estrada, e comecei a retornar. Não andei nem 3 km e apareceram os dois. O Padilha só acenou com a mão. Fiz o retorno novamente, e o alcancei. O Padilha havia caído um pouco atrás, estava com a capa de chuva rasgada nas costas, o guidão da moto um pouco torto do lado esquerdo, e o retrovisor quebrado, do mesmo lado. Ele disse que estava bem, só o pé estava doendo um pouco, e que iria seguir, mas que iria despachar a moto e a viagem estava acabada. Falei que nada disso, que iríamos ver o que aconteceu e que continuaríamos. Nem chegamos a descer das motos, ele já acelerou e seguiu na frente. Sei como é isto. Quando se cai, ficamos atônitos e cheios de adrenalina, no começo. Depois, batem as perguntas (Porque caí? Mas que bobeira! Logo eu! E agora?), e a sua moral cai lá embaixo. Andamos uns 10 km, e em uma ponte o Padilha parou a moto. Descemos, e agora sim fomos ver a moto e conversar a respeito. A estrada estava MUITO BOA e por isso mesmo não devemos descuidar. As estradas de rípio tem duas ou três marcas de pneus dos carros (trilhos), aonde sempre rodamos. Normalmente gosto de andar na do meio ou na da direita, pois se vier carro de frente, passa tranquilo. No meio das marcas dos pneus dos carros, tem os “montinhos” de pedra solta, que a moto dança pra lá e pra cá, dependendo do tamanho destes montinhos de terra e pedra. Mas nas laterais da estrada, tem muita pedra solta e fofa, e quase sempre valetas fundas. Ou seja, se a moto for pra lateral da pista, a chance de cair é muito grande e quase certa! E foi isto que aconteceu com o Padilha. Ele disse que não sabe se dormiu ou foi só distração, mas ao olhar para à esquerda da estrada, para o lago, e se distrair por alguns segundos, a moto foi para a lateral da pista, caiu na valeta e derrapou para a direita, batendo a caixa metálica e o guidão do lado esquerdo. Ele saiu da moto, e deve ter batido ou apertado o pé entre o chão e a moto, pois torceu e machucou, estava inchado, e ele quase não aguentava ficar com a bota, teve que abrir. Mais uma reflexão a respeito de segurança em viagens: sempre compre e use uma bota MUITO BOA, de preferência de cano alto e bem firme, pois isto pode salvar o seu pé! A primeira coisa que machuca em tombos de moto é o pé. Mesmo com o pé assim, o Padilha resolveu pilotar pelos 70/80 km que ainda faltavam pra chegar em Cochrane, e lá resolver o que fazer. Sabe-se lá o que passa pela cabeça da gente por este tempo todo... Em um rípio seco e muito bom, sem chuva alguma, peguei a frente e fui seguindo um pouco mais rápido do que os dois, para achar um hotel, já que tínhamos feito reserva, uma indicação do Martin (Ultimo Paraiso), mas não sabia aonde era. Cheguei lá, sábado à tarde, estava havendo uma carreira de cavalos na cidade, de 3 mil habitantes, e bem ao estilo interior, que vive de pecuária somente. Perguntei em um posto, e quando achei o hotel, o Capitinga e o Padilha já estavam chegando, logo atrás de mim. Outra reflexão: eu fui na frente andando a 80-120 km/h e correndo risco de cair, e eles vieram a 60-80 km/h, bem mais tranquilos e com segurança. A diferença de tempo entre eu e eles não foi nem de 10 minutos! Por isso, não vale a pena correr no rípio, e sim andar devagar, entre 60 e 80 km/h pois você consegue apreciar melhor a paisagem e com MUITO MAIS SEGURANÇA! Paramos no hotel, já haviam duas motos lá no fundo, duas BMWGS1200WC, com placa da Alemanha. Eram de um casal, cada um com a sua moto. Pegamos dois quartos, estacionamos as motos e fomos ver como estava o Padilha. Quando tirou a bota, vimos que estava bastante inchado e feio. Ele quase não conseguia colocar o pé no chão. Tomamos banho, trocamos de roupa, e chamamos um carro para irmos ao hospital, que ficava a duas quadras do hotel. Logo chegou um taxi e nos levou. Não havia ninguém no hospital para nos receber, a recepção totalmente vazia, e fomos entrando. Havia uma enfermeira e um médico de plantão, atendendo uma senhora, aparentemente pressão alta ou algo assim. Esperamos por cerca de 20 minutos, e nos atenderam. A enfermeira, uma senhora baixa e gorda, fez a ficha do Padilha, e encheu de perguntas. Mediu a pressão, a temperatura e depois encaminhou para o médico ver, um médico novo, com cara de enfermeiro. Ele examinou o pé, e disse que provavelmente estava quebrado, pelo inchaço. Mas iria fazer uma radiografia. Ali mesmo ao lado era a sala de raio-x e logo já fizeram a radiografia. O resultado foi animador, pois não havia fratura! Até ali ainda estávamos alimentando a esperança do Padilha continuar a viagem, se o pé melhorasse, claro! Arrumaríamos a moto, desentortando um pouco o guidão com um cano, e amarrando a proteção da mão com fita adesiva.
Mas não era bem assim... O médico disse que ele teria que imobilizar o pé e que não poderia mexer por pelo menos 1 semana... E que teria que engessar, ou colocar uma tala. Engessar nem pensar, falamos! Vamos colocar uma tala. Iríamos em uma farmácia ali perto, compraríamos uma bota ortopédica ou tala, e iríamos esperar o pé desinchar, para irmos embora.
VIDEO CASSETADA!
Chamei um táxi na rua, por sorte vinha passando um, e com o Padilha sentado em uma cadeira de rodas, já que não conseguia andar direito, fui descer uma rampa para fora do hospital, já chegando na calçada. O cara com quase 100 kg pendeu pra frente e não consegui segurar a cadeira, pois a rampa era muito íngreme, e entrei errado, de frente... Ele ainda falou: “Cuidado pra não me derrubaaaaaar!” Mas foi dito e feito! E lá se foi o Padilha pro chão, rolando, com o pé pra cima, com cara de dor, em uma cena digna de uma vídeo cassetada do Faustão! O táxi estava nos esperando a alguns metros, o taxista viu tudo de camarote, e balançava a cabeça para os lados, certamente pensando: “Que malucos!”. Ajudei o Padilha a se levantar, ele com cara de mais dor ainda, aquilo parecia cena de filme de comédia e drama... Dispensamos o táxi e voltamos para o hospital novamente, agora dispostos a engessar o pé, pois pelo menos imobilizaria. Mas na última hora, devido ao tamanho do gesso e da impossibilidade de tirar e colocar roupas, resolvemos novamente colocar a tala mesmo... rsrsrs... Enquanto chamavam outro táxi, sai na rua, à pé, atrás de uma farmácia aberta, que disseram que tinha uma a 2 quadras dali. Mas naquelas alturas, já eram 21:30 hs, e tudo estava fechado! Não havia farmácia nenhuma aberta naquela cidade. Tentamos chamar o dono da farmácia, que mora no fundo, gritamos, batemos palma, mas nada. Resolvemos voltar para o hotel... Com o Padilha devidamente deitado e agora com gelo em cima do pé, e já tomado o remédio que o médico passou (Dipirona...), saímos para jantar, eu e o Capitinga, e com a missão de trazer uma janta para o enfermo. Achamos um único restaurante aberto, pedimos um salmão com arroz para 3 pessoas, um para viagem, comemos e voltamos para o hotel. Fomos dormir já tarde. O Padilha definitivamente desistiu de continuar, e acionou o seguro da moto, para leva-lo embora e buscar a moto no hotel. Dei pra ele um remédio mais forte, o Arcoxia 90, e uma pomada para dor, e colocamos uma bolsa de gelo no pé.
A viagem de agora em diante será somente eu e o Capitinga... E bora pra frente! Amanhã veremos o que vamos fazer, primeiro ajudar o amigo e companheiro, e depois ver se iremos completar até o final da Carretera, indo até Villa O’Higgins!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

E a viagem começou...

Brincamos toda hora falando: hoje começou a nossa viagem! Na verdade era para ser em Osorno, após a revisão das motos, mas começou pra valer em Puerto Varas, na quinta, quando fizemos o primeiro passeio, e o tempo ajudou, abrindo o sol.
Na quarta acordamos, tomamos o café, e fomos fazer um câmbio no centro de Osorno. Não gostei muito da cidade de Osorno, achei que era melhor... Andamos por várias casas de cambio, mas tudo abre tarde, as 10 hs, e finalmente conseguimos achar uma (1 dólar = $685 pesos chilenos), e seguimos para a Motoaventura pra pegar as motos e irmos para o hotel. As motos já estavam prontas, só pagamos a conta e fomos correndo para o hotel, pois já estava em cima da hora de sair. Acabei também comprando uma bota nova, pois a minha soltou o solado. Ainda bem que foi lá! Todos compraram alguma coisa, pois a loja é muito boa e vale a pena.
Seguimos para Puerto Varas, a 80 km de Osorno, com clima frio e ameaçando chuva, para almoçar e conseguir um hotel. Abastecemos, perguntamos, e resolvemos ir para um hotel, deixar as coisas e depois almoçar. Parei no primeiro, muito caro, e fui para o segundo da lista do GPS, e ficamos lá mesmo, pois fizeram uma proposta muito boa. Só trocamos de roupa, e fomos almoçar, que a fome era grande, quase 15 hs. Após o almoço, fomos descansar, a gripe bateu duro, tomei uns remédios e apaguei. O Capitinga e o Padilha foram dar umas voltas na rua e eu fiquei no hotel. À noite fomos jantar, no hotel mesmo, um peixe. No outro dia cedo, como tínhamos praticamente o dia todo livre, já que a balsa para Chaiten sairia somente às 23 hs, e Puerto Montt fica a 20 km de Puerto Varas, resolvemos ir conhecer o vulcão Osorno, a 60 km dali, de moto. Fizemos o checkout do hotel, pois senão teríamos que pagar mais uma diária (aqui não tem choro nem vela, passou das 12 hs tem que pagar...). Aliás o hotel foi um achado, provavelmente o melhor hotel da viagem, em Puerto Varas (Cabanas do Lago), por US$78/quarto duplo, PENSA NO HOTEL. Top! Fomos ver o tal do vulcão, que teimava em não aparecer, encoberto. Logo chegamos, não sem antes vir uma garoa e termos que parar e colocar capa (haja paciência...). O frio como sempre, entre 12 e 14 graus, e conforme fomos subindo e chegando perto do vulcão, foi esfriando mais e mais, até chegar nos 5 graus lá em cima. No caminho passamos por uma camionete SW4 placa do Brasil, de Brusque/SC, era um casal. Chegamos lá, paramos as motos e fomos tomar um café. Logo chegaram vários brasileiros, a maioria casais, sempre perguntando: "Mas vocês vieram rodando?!" kkk! É sempre esta a pergunta e o espanto. Resolvemos tomar o teleférico, daqueles para esquiar, e ir até a próxima estação. Nunca tinha andado naquilo, e achei bem interessante. Quando estávamos perto de descer, o vulcão resolveu dar o ar da graça e apareceu, explêndido e todo branco de neve! Realmente valeu a pena ter ido lá!
Voltamos, fomos no hotel, pegamos as coisas e rumamos para Puerto Montt. Chegamos lá, abastecemos e fomos procurar aonde seria o embarque das motos, e o escritório da companhia aonde compramos os bilheres (Naviera Austral). Na verdade fica bem na frente do porto, em um tipo de rodoviária, aonde várias empresas tem guichê, mas estava fechado e só abriria as 18 hs. Fomos então almoçar. Rodamos pela orla, no sentido sul, e vi umas placas indicando Carretera Austral. Seguimos por ali, perguntei para uma pessoa a respeito de restaurante, e ele me indicou um mais a frente. Paramos, um lugar meio simples mas com bom atendimento, a própria dona veio nos atender. Pedimos a especialidade da casa, uma "parrilla", ou um pequeno buffet de carnes. Senha do wifi, um vinho, salada, comemos, e todos baixando as fotos e mensagens, como de praxe... rsrsrs... Tínhamos a tarde toda pra esperar, peguei a moto e resolvi, sozinho, ver até aonde ia este início da Carretera, para o sul. Andei por uns 45 km ao sul, por uma estrada muito bonita, até acabar em uma espera da balsa. Ali começa a Carretera Austral! Em Puerto Montt! Voltei, e fomos procurar o marco zero. Logo achamos o km zero (na verdade 0,1), e tiramos umas fotos, mas nada de muito legal, apenas uma placa de estrada normal. Paramos um pouco ali no centro da cidade, parou um cara de moto, puxou assunto, conversamos um pouco, e já voltando ao porto, paramos em um mercado, pra comprar comida e bebida (vinho, uns pães, queijo), para passar o nosso natal, na balsa, pois não sabia como era. Depois voltamos ao porto, já eram mais de 18 hs, fizemos o "check-in", imprimimos os bilhetes e as guias de embarque, e o cara disse pra voltar somente as 21:30 hs para o embarque. Como não tínhamos pra aonde ir, fomos até um posto, e ficamos lá esperando, comendo uns lanches, e tal, até dar a hora.
Às 21 hs, seguimos para o porto, direto no portão de embarque. A balsa já estava lá, com as portas abertas. Do jeito que chegamos, já fizeram sinal para entrar lá dentro, já amarramos as motos e pronto! A balsa é bem grande, com boa estrutura, tem até um pequeno restaurante, e as poltronas (butacas) muito confortáveis, iguais de avião, reclináveis. Tinha em torno de 250 cadeiras, mas somente 50 pessoas, logo, sobraram cadeiras, e deu pra dormir tranquilo! Abrimos o vinho, meio às escondidas, e eu e o Capitinga tomamos rapidinho, logo que a balsa saiu, exatamente as 23 hs. Acho que no máximo meia noite, apagaram as luzes internas, e todos estavam dormindo, daquele jeito, mas bem melhor do que imaginei. O ambiente era climatizado, quente, e dormimos até bem. Acordei eram 6 hs da manhã, fui ao banheiro, escovei os dentes, e fui pegar o lanche que havia comprado no mercado (pão, queijo e chocolate em caixa). Serviu bem, pois a lanchonete da balsa só abriria as 8 hs, ou seja, quando chegasse em Chaitén. Comemos, e ficamos ali esperando chegar. Foram exatamente 9 horas de balsa. Pagamos em torno de US$50,00/pessoa+moto. Dava pra ver as montanhas da Carretera do lado esquerdo, e logo chegamos. Antes mesmo da balsa ancorar, já estávamos montados nas motos, com tudo pronto. Quando ancorou, fomos os primeiros a descer, e já seguimos pelas ruas de Chaiten. É uma cidade bem pequena, tem um posto da Copec, uns escritórios de empresas de navegação, hotel, etc... Paramos pra tirar umas fotos, e seguimos então a nossa viagem, agora sim, estamos em plena Carretera Austral!
O asfalto perfeito, muito bom, e as montanhas nevadas ao fundo, começaram a nos hipnotizar, e realmente mostrar que valeu a pena ter vindo até aqui! Provavelmente esta é uma das estradas mais bonitas do planeta! Tem asfalto até uns 45 km após Chaitén. Paramos umas duas ou tres vezes para tirar fotos. Quando começou o rípio, muito bom, paramos também algumas vezes. Como estão mexendo para asfaltar, em uns desvios, tomamos alguns sustos, atravessando uma água, com muita pedra solta no fundo, as motos afundaram e quase atolaram, mas saímos bem. Depois teve um trecho de barro, mas como o solo aqui é pedregoso, não escorrega, além dos pneus karoo3 ajudarem bastante também. Logo já estávamos acostumados com o rípio e curtindo bastante. Mas logo também acabou, e recomeçou o asfalto, exatamente no trevo que vai para Futaleufu. Na verdade, estão asfaltando a Carretera, e daqui a 1 ou 2 anos, vai estar tudo asfaltado. Hoje, dos aproximadamente 400 km entre Chaiten e Coyhaique, não rodamos 150 km de rípio no total, em pedaços intercalados, e muito bons. Somente estes desvios, logo no inicio, e alguns pedaços com rípio solto, novo, que tem que entrar com cuidado, mas nenhum susto nem nada. Paramos em La Junta, lá pelas 11:30 hs, e fomos almoçar. Na verdade queríamos matar a saudade daquele lugar, que tínhamos parado em 2010, a exatamente 5 anos atrás. E lá estavam os adesivos da nossa viagem, colados na porta do hotel! kkkk! Muito legal! Pedimos um almoço, um salmão com salada, e enquanto isso aproveitei para baixar os vídeos e fotos no notebook, pois as câmeras estavam cheias. Almoçamos, e ficamos ali um pouco, esperando o Padilha dar uma soneca, até meio dia e meio. Saímos, tinha um pouco de asfalto, e logo veio o ripio, solto, mas muito bom. Antes da pequena Puyuhuape, veio o rípio antigo, que eu gosto bem mais, pois é mais firme, e muito melhor pra andar. Descemos e subimos muitas montanhas, vimos paisagens espetaculares, montanhas nevadas, vales, morros de pedra pura, pastos verdes cheios de gado (sempre vermelho e branco, parecendo holandês), e por ai fomos! Paramos em uma pequena vila Manihuales, e abasteci. Tinha abastecido em Puerto Montt, rodei uns 100 km lá, e depois 340 km. Qual não foi a minha surpresa, pois a moto fez 20 km/litro! Foram 22 litros para 440 km! Rodando mais devagar, gasolina pura, além da revisão de 10 mil km ter feito algum ajuste. Bom demais! Seguimos, agora por asfalto, continuando as paisagens belíssimas, com destino a Puerto Aysen. Começou a ventar e esfriar. Mesmo marcando 18 e 19 graus, o vento parecia vindo de uma geladeira, muito frio. Eu tinha tirado a segunda pele em La Junta, pois estava calor (20 graus com sol), e comecei a passar frio... Chegamos em Aysen, mas não vi nada de interessante, e o tempo fechando, frio... Voltamos na estrada sentido Coyhaique, uma estradinha cheia de curvas, estreita, de concreto. Firmei a tocada, um pouco acelerada para aquela estrada (110/120), pra chegar logo, e fui no endereço do hotel que o Martin tinha me indicado. Mas estava cheio. Na outra esquina achamos um hotel (Los Nires), e estamos aqui agora.
Pessoal, pra quem está na dúvida se vem ou não, se vale a pena ou não conhecer a Carretera Austral, eu digo uma coisa: VENHA LOGO! Esta estrada é muito bonita, dá de 10 a zero em qualquer rodovia do Brasil e América do Sul, e talvez do mundo. E o rípio está acabando. Daqui a 2 anos não vai ter mais rípio, talvez somente na parte final, de Cochrane a Villa O'Higgins.
Amanhã seguiremos até Cochrane, cerca de 340 km ao sul, passando pelo Puerto Tranquilo, fazer o passeio das Capilas de Marmore, e no outro dia iremos até o final da carretera, em Villa O'Higgins. Passaremos dois dias por lá!
Um grande abraço, e continuem conosco!
Abaixo algumas fotos da viagem, eu sei que estou devendo... rsrsrs...




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Carretera Austral & Ushuaia 2016 - A viagem!



Esta viagem será do dia 18/12/2015 ao dia 10/01/2016, saindo de Campo Grande/MS, até Osorno, no Chile (primeira etapa, de 3630 km), depois de Osorno até Villa O’Higgins (Carretera Austral, meta principal), depois de Villa O’Higgins até Ushuaia, e finalmente o retorno pra casa, após mais de 12 mil km rodados. Tudo isto em 23 dias. Iremos eu, Padilha e Capitinga, 3 motos BMW R1200GS Adventure do modelo novo a água: uma verde, uma azul e uma branca. Ficou legal o trio! Já viajamos juntos várias vezes, gosto muito e conheço bem estes dois amigos, fechou 100% com tudo, e a viagem promete ser muito boa! A data, bastante incomoda para alguns, pois pega o natal e o ano novo, é a melhor para alguns de nós, pois geralmente fechamos as empresas, todos ficam em casa, é o tempo que precisamos. Nem sempre gosto de fazer isto, mas confesso que é uma das melhores datas, uma ou outra vez na vida passar longe da família não chega a dar problema, e conseguimos realizar alguns sonhos e roteiros difíceis de fazer fora desta época. Resumindo: a família não gosta muito, mas acabamos conseguindo um alvará...
Tem um outro grupo de amigos de Campo Grande, da Confraria, viajando para o mesmo destino (Ushuaia), mas eles escolheram ir por outra rota, pela ruta03, com mais asfalto. O grupo é formado pelo Gaudencio, Marcel, Elieber e Raveduti, e estão na estrada desde o dia 16, quarta, 2 dias antes de nós. Devemos nos encontrar em El Calafate, e passarmos o ano novo juntos por lá. Depois eles seguem o nosso roteiro pela ruta40 acima, e nós descemos para Ushuaia, da onde eles vieram. Vamos viajar!

Diário de Bordo

Dias 1, 2, 3 e 4: Campo Grande a Osorno: 3.654 km em 38 horas de pilotagem, média horária de 95 km/h.
O combinado era pra sair no sábado, dia 19, mas a necessidade de estarmos em Osorno um dia antes do agendado (dia 23), e também a ansiedade da partida, fizeram que marcássemos para sair na tarde do dia 18, com destino a Ponta Porã, como sempre fazemos nas viagens para aqueles lados. A estrada por Foz não tinha como passar, ou tinha que dar uma volta muito grande, ou tinha que pegar um desvio muito ruim de areião pesado. Sendo assim, resolvemos ir pelo Paraguai mesmo, o que aliás encurta a rota em 200 km
Na sexta, dia 18, saímos 15 hs, uma hora após o combinado inicial de 14 hs, pois não tínhamos muito o que fazer em Ponta Porã, além de carimbarmos os passaportes. Chegando lá fomos direto na aduana fazer o "permiso" ou seja carimbar os passaportes de entrada no Paraguai e deixar tudo pronto para no outro dia sairmos cedo. Entrei primeiro, carimbei o meu passaporte, e fiquei esperando o Capitinga e o Padilha na moto. Passados alguns minutos eles voltaram dizendo que o passaporte do Padilha estava vencido! Achei que era brincadeira, mas era verdade... E para piorar, o Padilha não tinha levado o RG. Saimos dali para abastecer as motos e irmos para o hotel Barcelona, para vermos o que fazer, ou mandar o RG pelo ônibus, algo assim. O Padilha saiu doido na frente, já pensando no que fazer. Chegando no hotel, ele já tinha resolvido mandar um motorista trazer o RG, sendo que alguém iria pegar o documento no cofre. Após alguns telefonemas nervosos e idas e vindas no saguão do hotel, deu certo. Jantamos ali mesmo no hotel, e quando íamos dormir é que vimos mais 3 motos paradas ao lado das nossas, uma GSA1200 igual a minha e duas GS800. Era um pessoal de Sorriso/MT, também descendo para Ushuaia, que por coincidência estavam em um grupo do Whatsapp com gente do Brasil inteiro, que está indo rumo ao Fim do Mundo. Ficamos lá conversando com eles até umas 23 hs e fomos dormir, ou pelo menos tentar... O motorista chegou era quase meia noite e entregou o RG para o ansioso Padilha, que não dormiu direito aquela noite, e nem eu, que estava no mesmo quarto... Primeiro problema resolvido!
No sábado, tínhamos que esperar a aduana abrir as 8 da manhã. Saímos do hotel 7:45 hs, e quando chegamos o Padilha, que tinha saído um pouco antes da gente, já tinha feito o permiso. Seguimos em frente, já dentro do Paraguai, exatamente as 8 hs saímos de Pedro Juan Caballero. Não deu nem tempo de esperar o pessoal de Sorriso, que iriam passar em Assunção, para almoçar por lá. Não rodamos nem 15 km já branqueou de chuva na nossa frente, bem perto. Parei pra colocar a capa, pra mim só a parte de baixo, pois a minha jaqueta da Klim é impermeável. Saímos já com chuva em cima. Paramos pra abastecer no posto do Boi na Brasa, que fica bem no meio do caminho até a aduana. Tomamos chuva direto até Clorinda, molhando um pouco. Fizemos a aduana, um pouco de cambio de dólar para peso argentino (1 dólar = 15 pesos), e seguimos para abastecer no posto YPF na saída da cidade, e fazer um lanche. O nosso objetivo era bem apertado, dormir em Reconquista, a 500 km dali, já era quase duas da tarde, e não tínhamos andado nem a metade! Saímos com esta meta, o tempo abriu e melhorou, com sol a pino e temperatura agradável. A roupa e a luva secaram com o vento, ficou muito bom pra rodar. Abastecemos uns 10 km antes de Resistencia, e conseguimos chegar em Reconquista, as 19:30 hs, com o sol ainda alto. Cumprimos a meta do dia, e rodamos 975 km! Abastecemos em um posto YPF, e ao lado dele tinha um hotel. Fomos lá e tinha vaga, vai esse mesmo! Tomamos um banho, e fomos jantar em um restaurante bem ao lado do hotel, muito bom por sinal. Tomamos um vinho e comemos o primeiro bife de chorizo da viagem, aliás muito bom! Apesar do cansaço, dormi mal novamente, acho que devido ao jantar pesado. Os primeiros sintomas da falta de costume e do longo trecho percorrido apareceu: dor nas mãos (a palma das mãos, pois força nas manetes da moto), a panturrilha esquerda e o pescoço. Até acostumar vai uns dias... Isto porque eu tomei um remédio anti-inflamatório e analgésico para a dor no cóccix, que teima em doer muito.
No domingo, saímos do hotel as 7:15 da manhã. O objetivo era rodar cerca de 1.100 km, até Santa Rosa, adiantando a nossa rota inicial em praticamente 1 dia! E deu certo! Fizemos duas tocadas de 370 km, que rendeu demais! No final, já cansados, chegamos ao nosso destino, ainda sol alto (escurece cada vez mais tarde, após as 20 hs), ficamos no hotel Cuprum, banho, e fomos jantar à pé ali perto mesmo, outro bife de chorizo, mas desta vez estava muito salgado e não agradou. Mesmo assim traçamos e voltamos pra dormir. Todo este trecho, de Resistencia até Santa Rosa, só passamos por retas e mais retas, com lavouras de soja e milho. Muita agricultura. No outro dia tínhamos “só” 735 km pra fazer até Zapala, estava mais tranquilo, e resolvemos sair as 8 hs. O café da manhã dos hotéis aqui começam à partir das 7 da manhã, ou até mais tarde. Além de serem muito ruins, não tem frutas, nem queijo, com raríssimas exceções. Mas o deste hotel até que foi razoável. Acordamos com chuva. O Capitinga e o Padilha já se prepararam colocando as capas e luvas impermeáveis, e ficaram me esperando. Fiquei por último, e vi pela janela que o tempo abria e que a chuva estava passando... De qualquer forma, novamente coloquei apenas a parte de baixo da capa. Quando saímos do estacionamento do hotel, realmente já tinha passado a chuva, mas estava bem frio, abaixo dos 16 graus! Tempo doido! Chegou a fazer 14 graus! Parei uns km à frente para trocar de luva, de tanto frio. De Santa Rosa para frente, na verdade muda tudo. A geografia e as paisagens mostram que você está entrando na Patagônia. Acabam as lavouras, é só gado, pasto e começa a parecer um tipo de deserto, com pequenos arbustos. Após rodarmos uns 200 km, paramos em Chacharramendi para abastecer, em um posto bem suspeito, em reforma, mas era o único que tinha, e foi ali mesmo. Após abastecer, fomos comer alguma coisa em um restaurante na esquina, e a dona nos disse que a gasolina do posto que tínhamos acabado de abastecer era batizada com água... Ficamos olhando um para a cara do outro, e dissemos “foda-se vai assim mesmo..." kkkk! Tínhamos colocado uns 14 litros, ou seja quase meio tanque. Dali até a próxima parada (Neuquen), eram 370 km. Mas tinha posto antes. Atravessamos então um deserto, sem quase nada, e após 200 km paramos em um trevo, tinha um hotel e um posto bom, abastecemos e comemos umas saltenhas assadas com leite e café. A temperatura o dia todo muito boa, variando do frio da manhã para uns 28 a 29 graus ao meio dia. O tempo aberto e com sol. Depois seguimos até Neuquén, cidade grande e muito boa, e fomos com destino a Zapala, a 185 km dali. Começou a ventar muito! É o tal do vento patagônico... Incomoda demais, mas não tem jeito, temos que enfrentar. A paisagem virou um deserto total, com poeira e muito vento, indicando que estávamos chegando cada vez mais perto da Cordilheira dos Andes, o gigante que não perdoa nada. E assim foi... o frio aumentando, temperatura caindo já para uns 20 graus. Paramos em outro posto, não abastecemos, só lanche.  Antes de chegar em Zapala, avistamos algumas grandes montanhas com neve, atrás da cidade. Chegamos cedo ainda, antes das 17 hs. Já tínhamos rodado 735 km, e como aqui escurece tarde, quase 21 hs, tínhamos tempo sobrando, pra tocar até a próxima cidade. Abastecemos, um café e resolvemos adiantar ainda mais e tocar até San Martin de Los Andes, distante 250 km dali. Caso batesse o cansaço, poderíamos dormir em Junin de Los Andes, a 190 km. Assim, no outro dia chegaríamos ainda mais cedo em Osorno, na terça. E seguimos. O vento aumentou bastante, e então pegamos a famosa Ruta40. Mas o problema não foi o vento, e sim o frio! Esfriou bastante, caindo para 11 graus no começo, e depois para 5! Não tínhamos nos preparado para isto, as jaquetas estavam sem os forros de inverno, e não colocamos segunda pele. Resultado: passamos muito frio! Toquei firme no 120/140 no que dava, pois começaram as curvas, e os pneus já “meia boca” não dava pra abusar muito... Estava no limite! Com muito frio, chegamos em Junin, e mesmo assim resolvemos seguir até San Martin, pois é maior e a apenas 35 km dali. Finalmente chegamos em San Martin de Los Andes, quase mortos de frio, abastecemos, e vimos uma garoa começar a cair, pra fechar o dia! Sem hotel reservado, puxei um pelo GPS e fomos lá conferir. Lá chegando, não tinha vaga, mas o gerente/dono, um senhor muito simpático, que também já teve moto, ligou para outro hotel, que tinha vaga, e o dono até foi lá nos buscar de carro. Seguimos o carro, e chegamos em um complexo de cabanas, muito legais. Ficamos lá. Por sinal, o melhor preço que pagamos na viagem, cerca de $900 pesos argentinos ou R$75 para cada um, com um quarto para cada. Com sala, cozinha e tudo, dá pra hospedar uma família de 8 pessoas, com 3 andares. Paramos as motos na frente, descarregamos as coisas, tomamos um banho e ficamos por ali. Bem ao lado, tem um restaurante, e fomos pra lá à pé, já passado das 21 hs. Tudo abre tarde por estas bandas... Se você chegar em um restaurante antes das 21/22 hs corre o risco de não ter ninguém, e você ser o primeiro a entrar. Fomos lá conferir, e degustamos uma excelente truta ao limão, prato típico da região dos 7 lagos, como chamam esta região de Bariloche, Villa La Angostura e San Martin de Los Andes. A região é magnífica, muito bonita mesmo, cheia de hotéis, pousadas, muita construção em madeira, parece muito a Europa. Toda hora se avistam montanhas com neve, e no inverno é o point da argentina. Esta região é o Campos do Jordão argentino. Após comermos a truta acompanhada de um ótimo vinho branco, voltamos ao hotel e fomos dormir, já passado da meia noite. Eu estava um farrapo, e a passagem pelo frio intenso já mostrava sinais de uma gripe vindo ai... Tomei 2 Resfenol, uma pancada, e apaguei! Acordei às 7 hs da manhã com o barulho do Padilha e o Capitinga andando na cabana. O piso de madeira, de longe se ouve os passos. Fiquei enrolando na cama mais um pouco, pois combinamos de sair as 9 hs. Finalmente me levantei pois lembrei que tinha que fazer uns trabalhos no computador ainda. Banheiro, café (ou o que parece ser um), fiz uns pagamentos e respondi alguns emails, e começamos a arrumar as coisas pra ir embora. O tempo aberto e bonito, mas muito frio, abaixo dos 10 graus. Pagamos a diária, arrumamos as motos, e saímos. Um ótimo hábito que tenho nestas viagens, é o de sempre abastecer as motos quando chegamos no destino do dia, pois no outro dia cedo, as motos já estão prontas, é só montar e sair, não precisa colocar e tirar luvas, capacetes, etc... Escolado pelo frio do dia anterior, coloquei a segunda pele POWER, para frio bravo, e me preparei para o pior... Ainda bem! Nem bem saímos de San Martin, naquelas paisagens de tirar o fôlego, coisa de outro mundo, e veio o frio de 5 a 6 graus, e... começou a chover! Putz! Paramos pra colocar capa, e seguimos. Fomos neste frio e garoa, de vez em quando parava e o asfalto secava, até a aduana da Argentina, que estava lotada. Ficamos cerca de 1 hora por lá. 40 km depois, fica a aduana do Chile (Paso Cardenal Antonio Samore). Estava bem mais vazia e foi mais rápido. O único inconveniente é que tem que abrir todas as malas da moto pra eles... E não pode levar nenhuma fruta nem nada de origem animal ou vegetal. Já sabia disto, e na noite anterior, orientei a todos a comerem as frutas que levávamos (maças, peras e ameixas), pois não passaria na aduana. O Capitinga tinha jogado tudo fora, menos um pacote de frutas secas que comprou em uma barraca de beira de estrada. Não teve jeito, perdeu... Assim, seguimos em diante, em um frio de lascar, como diz o meu amigo Osmar Moura, e as paisagens muito bonitas. Passamos pelo parque nacional que não me lembro o nome, que foi arrasado pela força de uma erupção vulcânica há uns dois ou três anos atrás, que arrasou tudo, parece que um incêndio passou por ali. Fizemos os pouco mais de 100 km que faltavam até Osorno, com chuva fina e frio, em menos de 45 minutos, em um asfalto impecável, padrão europeu. Chegamos, fomos direto ao hotel Blumenau, na verdade um complexo de cabanas também, que eu já tinha reservado pelo Booking. Deixamos as coisas lá nos quartos, tudo, e fomos levar as motos na concessionária BMW Moto Aventura, para fazermos as revisões e trocar os pneus, já que à partir do dia 25 começamos a percorrer a famosa Carretera Austral, com muitos trechos de rípio, o cascalho deles, e com esta chuva, é possível que tenhamos trechos de barro ou mais lisos para enfrentar. Por isso trouxemos os pneus Karoo3 amarrados nas motos, com maior tração e próprios para andar na terra. A loja é pequena, mas tem muitas motos, além de ter uma frota de cerca de 80 motos para alugar. É isto mesmo, 80 motos! Pelo menos foi isto que a vendedora nos disse! Tem também muitos acessórios e roupas pra vender. Deixamos as motos na oficina, e ficamos zanzando na loja, com o Capitinga reclamando de fome e que queria “almuerzo” logo. Aliás, hoje, dia 22/12, é aniversário dele! Rsrsrs... Por azar ou sorte, a minha bota velha soltou o solado de um dos pés de novo, pois já tinha mandado colar, após a viagem de Catamarca em abril, e resolvi comprar outra nova aqui na loja de Osorno. Eles trabalham com a marca Daytona, bota alemã top, melhor do que as da BMW, apenar do preço não ser nada barato (US$535,00), valem a pena o investimento, pois são 100% impermeáveis e muito resistentes. Pronto, já está trocado! O atendimento da loja é excelente, a ponto da vendedora (Paula) nos emprestar dinheiro dela mesma para pagarmos o taxi, já que não tivemos tempo de fazer cambio. Saímos da loja de taxi, embaixo de chuva fina, e fomos almoçar, com as roupas de moto e tudo, pois a fome era grande. Almoçamos uma ótima carne de Angus, no restaurante La Brasa, já quase 17 hs. O mesmo táxi veio nos buscar e nos deixou no hotel. Agora é esperar as motos ficarem prontas, amanhã até meio dia, e iniciarmos a nossa aventura pela Carretera Austral! Ficamos no hotel agora a tarde, arrumando as coisas, trocando as roupas de calor pelas de frio nas malas, o Padilha deu a tradicional dormida dele após o almoço, e agora a pouco o Capitinga passou aqui e saíram pra comprar umas águas e fazer o cambio.
Amanhã o tempo promete melhorar e abrir o sol, se Deus quiser! A nossa intenção é dormir em Puerto Varas amanhã, e na quinta irmos a Puerto Montt para pegarmos a balsa até Chaiten. Passaremos o natal dentro de uma balsa, pois o horário de saída é as 23 hs! Um abraço e continuem conosco!

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.