quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Estrada parque Pantanal Sul - Passo do Lontra

Neste final de semana de 06 e 07/dezembro fizemos o esperado passeio pela estrada parque do Pantanal Sul, também conhecida por Curva do Leque ou Abobral, que passa pelo Passo do Lontra e sai perto de Corumbá/MS.
Saímos de Campo Grande eu, Marcel e Osmar, às 14 hs da sexta-feira, sob um calor escaldante de 39 graus! À medida que descíamos para o Pantanal, a altitude cai dos 550 metros de Campo Grande para 90 metros, e o calor parece que aumenta mais ainda!
Paramos para abastecer em Miranda, tomando muita água para hidratar.
Em Miranda, 39 graus, abastecimento e hidratação!
Depois de Miranda 100 km, chegamos na entrada da estrada parque, no local conhecido como Buraco das Piranhas. Paramos um pouco pra tirar algumas fotos, e seguimos, dali pra frente estrada de terra batida, de ótimas condições. Murchamos os pneus pra andar na terra, colocamos 22 libras, pois melhora bastante!
Na entrada da estrada parque
Havia chovido um pouco, e havia um leve barro, mas já secando. Se estiver chovendo na hora, ali é liso. Depois de uns 10 km e várias pontes sobre os corixos e lagoas, com muitos jacarés e tuiuiús, chegamos na ponte do rio Miranda, no Passo do Lontra. Mais algumas fotos, e seguimos em frente. A idéia inicial seria dormir ali, em algum dos hotéis que tem, na beira do rio. Mas tínhamos a idéia fixa em dormir em algum local que tivesse piscina, devido ao calor muito forte. Por isso, consegui achar uma pousada que nos proporcionasse este luxo, chamada Pousada Xaraés, muito boa por sinal! A entrada da pousada fica a 10 km após o Paso do Lontra, à direita, logo após a placa da fazenda São Bento. Já tinha colocado as coordenadas no GPS, e fomos tocando. A estrada boa, mas alguns trechos molhada, e um pouco perigosa. Se saísse do trilho dos carros, era tombo na certa!

Me pergunto: pra quê esta ponte tão grande?!


Logo chegamos na entrada da pousada, às 18:00 hs. Tínhamos mais 12 km até a pousada, de uma estrada vicinal, bem estreita, e o pior: areia! A moça da pousada tinha me falado que tinha uma "areinha", mas na verdade era areião mesmo, o tempo todo! Em alguns trechos mais firme, mas em outros bem pesada. Aonde dava, íamos pelo pasto mesmo, bem baixinho, e bem melhor pra andar. Mas tinha hora que não dava, e o jeito era enfrentar a areia. Eu na frente, com a moto "leve" e os pneus Mitas E-07, não sei se foi isto, mas cortando bem a areia, toquei bem, não tive nenhum problema, a não ser os sustos de vez em quando. O Marcel e o Moura caíram algumas vezes, mas bem devagar e sem perigo algum, e seguiram em frente.
Aqui areia leve...

Areião pesado, com a GSA não é fácil!
Gastamos 45 minutos pra andar 12 km! Chegamos exaustos, totalmente molhados de suor, devido ao esforço de segurar a moto, e ainda com as roupas quentes, jaquetas, botas, etc...
Fizemos o check-in e fomos direto para a piscina nos refrescar. Havia somente a gente e um casal de alemães por lá. À noite jantamos uma comida pantaneira, muito boa por sinal. Dormimos o sono dos justos, com todo o conforto, ar condicionado, etc... A pousada é de primeira!
No outro dia cedo, acordamos, café e saímos às 7:30 hs da pousada, pra enfrentar novamente a terrível estradinha de areia! Mas não sei se já estávamos acostumados, mas o fato é que nos pareceu bem mais perto, e mais rápido também. Passamos por uma comitiva de bois, foi legal.
Saímos de volta na estrada principal, e seguimos à direita, para concluir o nosso passeio. Pontes e mais pontes, e a estrada muito boa e bonita, tinha uma patrola arrumando a estrada, em alguns pontos uma areinha bem de leve, mas pra quem já tinha enfrentado a areia pesada, aquilo ali não era nada! rsrsrs...
Pousada Xaraés, estrutura muito boa!
Saindo da pousada, de manhã
Passamos por mais de 40 pontes de madeira!
Paramos um pouco no famoso ponto do Qué-Qué, pra tomar uma água. O Qué-Qué é um bar e mercado, que fica bem na curva do leque, perto do leilão. Ali quem acha caro alguma coisa e reclama, vai ouvir: quer quer, se não tem quem quer! kkk!
Bar e mercado do Qué-Qué
Dali até o rio Paraguai são 18 km, aonde pegamos uma balsa (R$15/moto e R$35/carro).
Travessia do rio Paraguai de balsa




Depois que atravessa o rio, o terreno muda completamente, da areia do pantanal, passa para chão vermelho do maciço do Urucum, rico em ferro e com várias minas de exploração na região, inclusive a OGX, do nosso amigo Eike Batista... Fomos por aquele cascalho, uns 20 km, até uma bifurcação, aonde pegamos à esquerda, sentido Albuquerque, que atalhava e saía mais perto no asfalto, para depois pegarmos sentido Miranda novamente.
A estrada muito boa, cascalhada
Nunca tinha passado ali antes, muito bonito, algumas fazendas de gado, e logo chegamos na estrada das minas de extração de ferro, bem compactadas, largas, e... Molhadas... Isto mesmo, eles molham pra diminuir a poeira, e também fica bem lisa e perigosa pra andar de moto. Fomos indo devagar e sempre, com muito cuidado, até sair no asfalto.
Paramos no posto perto do pedágio pra abastecer e encher os pneus. Havíamos rodado cerca de 260 km desde Miranda. Já era 11:00 hs da manhã comemos um salgado pra disfarçar e tocamos com objetivo de almoçar em Miranda. Chegamos lá já era quase 13 hs, novamente o calor absurdo na beira do rio, quase 40 graus!
Almoçamos, o Osmar parou pra abastecer, e tocamos de volta pra casa.
Chegamos em Campo Grande a temperatura estava por volta dos 26 graus, muito agradável, pois além de ser mais alto, tinha chovido a pouco tempo. Fomos cada um para a sua casa. Cheguei em casa fui direto pra piscina me refrescar!
Muito bom este passeio, quero fazer mais deste tipo, com off-road de leve, que possa ser feito com a GS sem grandes sustos, e ir treinando pra rodar mais na terra.
Uma coisa é certa: o medo da areia acabou! kkk!
Abraços!


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Visitas ilustres: nuestros hermanos de Catamarca!

O motociclismo é um dos únicos hobbies que nos proporciona estas maravilhas: fazer amizades do nada, sem qualquer interesse, simplesmente por pura afinidade! Com certeza hoje temos um grande laço de amizade em Catamarca, na região norte da Argentina, que durará para sempre! Desde a viagem da semana santa de 2013, aonde tivemos a grata satisfação de conhecer o Amado e o Amin, que nos acompanharam e nos deram total apoio em toda a viagem, fizemos o convite para virem nos visitar.
Durante a última semana de agosto e a primeira semana de setembro, tivemos a grata satisfação de recebê-los!
Vieram Amin, Amado, e os novos amigos Jorjão ("Rorjão") e o Jorginho... kkk!
Foram recebidos já em Pedro Juan Caballero, pelo Marco Túlio, Rezek e Pintado, na quarta, dia 28. De lá, seguiram para Campo Grande, aonde estávamos esperando no rancho do truco, do Maluf, com uma bela galinhada. Era dia de reunião da Confraria, e haviam muitos confrades esperando para conhecê-los, mesmo com o frio que estava fazendo por estes dias.
A chegada em Pedro Juan Caballero

A turma toda reunida no Maluf
No outro dia, após passarem o dia conhecendo a nossa bela cidade de Campo Grande, ciceroneados pelo amigo Padilha, foram jantar na minha casa, aonde experimentaram a saborosa carne do MS, oriunda do Vermelho Grill.
Em casa, na quinta-feira, total descontração!

Brindando sempre a amizade
Na sexta, passei a manhã com eles, fomos ao mercado municipal, e depois almoçamos no restaurante Figueira, do nosso amigo Kikico. À noite fomos ao bar Tábua ouvir um bom rock.
No sábado pela manhã, nuestros amigos conheceram um pouco do "circuito de sábado das motos" de Campo Grande (BMW, Harley, postinho), e depois fomos comer a tradicional feijoada do Parks.
Mas o grande evento do sábado foi o batizado do Padilha, festa das grandes, realizada no salão de festas do Terras do Golfe. Show! Praticamente toda a Confraria estava presente, com as esposas, em uma reunião muito bonita e que valeu a pena esperar.
No domingo, todos de ressaca, e um calor insuportável. Após o conserto da moto do "Rorginho" já quase 11 hs da manhã, seguimos para Bonito, passando por Aquidauana, Miranda e Bodoquena. Fomos acompanhados por quase 20 motos até Aquidauana.
Almoçamos todos em Aquidauana, e seguimos em frente. Em Miranda, momento de tensão: "Rorginho" se perdeu, e quase foi parar em Corumbá! Felizmente mais tarde o achamos, e deu tudo certo!
No posto em Miranda/MS: calor de 40 graus!
Em dois dias, conhecerão Bonito e depois retornarão para suas casas.
"Rorjão" posando como tucanito gordito... kkk!

Turma da pesada...

Mergulhadores em ação!
Esperamos que esta seja a primeira de várias visitas, e que esta amizade continue crescendo! Para o ano que vem, já marcamos outras visitas, desta vez iremos para lá novamente, mas com as famílias. A amizade realmente não tem fronteiras, e com a moto, abrem-se mais ainda as oportunidades de conhecermos novas culturas e fazermos novas e verdadeiras amizades!
E viva el Panaco! jajajajaja!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Viagem Norte e Nordeste: Osmar Moura & amigos!

Relato de viagem organizada pelo amigo Osmar Moura, que acompanhado dos amigos Casagrande, Ribas e Rey, rodaram pelo Nordeste e Norte do Brasil, de 21/julho a 03/agosto/2013. O relato é do próprio Osmar:

"Marcio, nosso roteiro foi:
1° dia Campo Grande a Goiânia-GO, 2° dia Goiânia a Barreiras-BA, 3° dia Barreiras a Floriano-PI, todos trechos acima de 800km. No 4° dia fomos até Picos-PI, minha cidade natal. Foram somente 200 km, e ali foi aonde revi alguns parentes, que admiraram muito a nossa coragem em realizar esta viagem de moto!
No 5° dia fomos até a capital Teresina-PI, somente 310 km, aonde pudemos comemorar nossa grande viagem, com os parentes que estavam esperando. No 6° dia mais 450 km até São Luis-MA. Lá ficamos 2 dias para descansar, sem pegar nas motos. Curtimos as belas praias e os barzinhos agitados na orla da lagoa.
No 8° dia fomos em direção a Salinas-PA. Neste dia pegamos em quase todo o trajeto muita chuva! Nesta região do Maranhão e Pará chove quase todos os dias. Foram mais de 500 km. Encurtamos um pouco o trecho pois pegamos o ferry-boat.
No 9° dia em Salinas, pudemos apreciar um excelente balneário, nas águas quentes do norte. Neste mesmo dia tinha uma frente fria no sul com temperaturas abaixo de zero! Pudemos andar com as motos na areia da praia com a maré baixa, foi muito legal!
Mais um dia, o décimo, fomos em direção a Belém e pegamos mais chuva! Chegamos no  horário de pico, final do dia, o trânsito pesado, acabei me perdendo dos demais! Depois de uma hora encontrei os outros já no hotel todos limpinhos e enxutos. Em Belém, fomos visitar a empresa do Casão e o mercado Ver o Peso. Bem, agora era a hora de voltarmos!
Partimos em direção a Imperatriz-MA, e no 11° dia, pegamos a Belém -Brasilia, rodovia com trânsito pesado e muitos caminhões.
No 12° dia já estávamos em Palmas-TO. É uma bela cidade, toda planejada, onde mora meu irmão Erasmo. Neste dia, estava acontecendo nada mais do que a chegada do Rally dos Sertões! A toda hora chegava um integrante de carro, moto, quadriciclo etc. Rodaram no jalapão o dia inteiro no areião!
No 13° dia, rodamos 900 km, até Rio verde-GO. Nos hospedamos no mesmo hotel dos antigos encontros de moto, quando tinha!
No 14° dia mais 700 km até a nossa casa, Campo Grande. Saímos cedo, quando ainda estava escuro, com temperatura de 9 graus. Foi o único dia que colocamos o forro na jaqueta! Mas logo o sol brilhou e a temperatura subiu rapidamente, chegamos em Campo Grande já era quase meio dia. Vários amigos da CONFRARIA DA MOTOCICLETA estavam lá no posto da Afonso Pena nos esperando, foi legal! No total, rodamos 7.180 km,  por 7 estados.
Segue abaixo algumas fotos.
Realmente vale a pena conhecer o nosso Brasil e seu  gigantismo, e melhor ainda se for de moto, com os amigos!
Abraços e até a próxima viagem!"











domingo, 4 de agosto de 2013

Rumo ao frio: serras de SP, PR e SC!

Desta vez fiz um roteiro passando novamente pela serra da Serpente, na BR-476, entre Capão Bonito/SP e Bocaiúva do Sul/PR. Esta serra é muito gostosa de fazer, com muitas curvas. Já tinha passado ali em outubro/2011, maio/2013 e agora tinha que colocar no roteiro, pois alguns amigos ainda não conheciam. Mas sempre é um prazer passar ali.
Para completar, coloquei no roteiro a serra do Corvo Branco e a boa e velha conhecida serra do Rio do Rastro, uma das mais belas estradas do Brasil.
Tinha desenhado este roteiro em junho, e logo juntou uma meia dúzia de loucos pra fazer junto. O problema é que São Pedro resolveu fazer a sua graça, e justo na semana da viagem, fez um dos maiores frios dos últimos 10 anos na região, inclusive aqui no MS, com direito a duas geadas!
Como quem viaja de moto não tem medo de chuva e nem de frio, a turma se manteve firme, mesmo correndo por fora algumas apostas de quem iria arregar, é claro! Mas a maioria do grupo se manteve. Alguns desistiram (Renan alegou trabalho e Maninho que a moto tava falhando), e como multa terão que pagar um almoço para o grupo... Estamos esperando.
Ficamos eu, Padilha, Marcel, Maluf, Maninho e Gaudêncio. Combinamos a saída na quarta, dia 24/julho, 6:30 hs, com a primeira parada em Nova Alvorada do Sul. O negócio tava punk, com o termômetro da moto marcando 6 graus na saída! Em Nova Alvorada, o Maninho disse que a moto estava falhando e a luz do ABS acendendo, e retornou pra casa.
Conforme fomos rodando, a temperatura foi aumentando, chegando ao meio dia a "confortáveis" 15 graus. O objetivo deste primeiro dia era Capão Bonito, porta de entrada da serra da serpente. Após rodarmos 900 km, chegando lá, pegamos uma leve garoa e neblina, e a temperatura novamente caiu para 6 - 7 graus. Hotel já reservado (Hotel Baguassú, R$ 150,00/quarto duplo), uma boa janta, a conversa animada, compensa o cansaço!
Depois de um sono reparador, no outro dia saímos para fazer a serra. Tinha feito 3 graus negativos em Apiaí à noite! Rodamos os 100 km até Apiaí, para a já tradicional foto na placa, e tbm abastecer as motos. Neste trecho já começa a serra, e tem bastante curvas, é um tipo de um treino para o que vem na frente. No posto de gasolina aconteceu um fato curioso, que acontece muito em viagens. Um dos amigos, o "tio" Gaudêncio, tem uma moto street (Kawasaki Z1000 carenada), e não é muito chegado em fazer off-road de espécie alguma, além da moto dele não ser a mais indicada pra isto. Enquanto abastecia, o frentista do posto disse a ele que os 30 km até a divisa com o Paraná estava intransitável, com partes de terra e barro que era um sabão! O hômi fechou a cara e falou em dar a volta e abortar a serra. Precisamos conversar muito para convencê-lo a ir. Falei com o dono do posto, que me disse que não tinha nada disto, que estava passando sim. Fomos, e não tinha um metro sequer de terra e nem de barro! Isto nos lembra a máxima de que nem sempre devemos ouvir os conselhos dos pessimistas, se quisermos alcançar os nossos objetivos!
Seguimos, com o tempo emburrado, mas após a divisa com o Paraná, o asfalto estava seco, e foi muito bom pra fazer as curvas! Curva após curva, fomos conquistando aquela serra, cada vez mais animados, mas sempre com respeito e sem abusar. Valeu a pena!


Em Bocaiúva do Sul, paramos para abastecer, e resolvemos almoçar ali mesmo, em um restaurante bem simples. Foi bom, pois começou a garoar. Colocamos as capas, toda a parafernália, ficamos mais gordos ainda, difícil até pra montar nas motos! Passamos por Curitiba sob uma leve garoa e temperatura de 10 graus.
Seguimos pela BR-101, sempre ao sul, com destino a Florianópolis. Após Joinville, o tempo começou a melhorar, e abrir, e a temperatura subiu. Chegamos em Floripa já escuro, tinha feito reserva no Ibis de São José, e às 18 hs vencia. Deu pra chegar a tempo. À noite fomos jantar no shopping ali atrás, à pé mesmo, pois é pertinho.
No outro dia, o grande dia, o tempo amanheceu limpo e maravilhoso! Deus é grande, pensei! A temperatura um friozinho agradável, claro que todos com segunda pele ainda e forro nas jaquetas, mas nada que se compare ao primeiro dia da viagem. Subi pela BR-282, rumo a Urubici, passando por Rancho Queimado e Bom Retiro. Que rodovia linda! Curvas de alta, um asfalto impecável, aquele trecho foi demais!
Chegamos em Urubici às 10 hs. O Gaudêncio não quiz fazer a Corvo Branco, deixamos ele nos esperando em um posto da cidade, e fomos conhecer a tal serra. Andamos cerca de 30 km sentido Grão Pará, o asfalto acaba, sobe-se por uma estradinha de terra batida e cascalho, até o início da serra. Demos de cara com o famoso paredão, dizem que foi feito à mão, de 90 metros de altura. Paramos para as fotos, estava cheio de gente ali.


Uma parte é asfaltada, creio que a parte mais difícil e perigosa, na época das chuvas. O restante - a maior parte - é de terra, uma estradinha estreita, e tem que andar devagar. Tranquilos, fomos descendo, até chegarmos no início das obras de pavimentação que estão vindo de Grão Pará. Novamente tiramos algumas fotos, e retornamos para subir a serra novamente e almoçarmos em Urubici, aonde o Gaudencio nos aguardava.
Resolvemos só fazer um lanche no posto mesmo, pois ainda tínhamos que rodar 1 hora até chegarmos na outra serra, o nosso maior objetivo. Na verdade o meu maior objetivo era a Corvo Branco, mas a Rio do Rastro sempre é um belo reencontro, seja lá quantas vezes for.
Chegamos no mirante, bem cheio, tiramos algumas fotos e já iniciamos a descida. Logo no início, nas primeiras curvas, o frio tinha congelado a água que desce, formando uma imagem muito bonita. Isto foi devido ao frio que tinha feito há 2 dias atrás, na quarta. Descemos toda a serra, e depois retornamos, subindo. Não tinha neblina nem qualquer ameaça de chuva. Tempo ótimo!







Depois da subida, descansamos mais um pouco ali no mirante, e saímos rumo a São Joaquim. Dormimos lá, para iniciarmos o retorno pelo interior de SC, via Lages - Xanxerê - Pato Branco - Cascavel. No domingo, chegamos em casa, após 3.250 km rodados em 5 dias, sem dia de descanso. Viagem que surpreendeu e superou as expectativas!
Obrigado pela ótima companhia dos amigos Padilha, Marcel, Maluf e Gaudencio!
Abraços!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Paso de San Francisco e Paso Água Negra: considerações gerais

Após concluir a travessia dos dois pasos, posso fazer algumas considerações a respeito, para os amigos que desejarem fazer algum dia. Informações atualizadas entre os dias 27 a 30 de março de 2013.
Estes dois pasos atravessam a cordilheira dos andes, na fronteira entre a Argentina e o Chile, partindo da região noroeste da Argentina. A cidade base para a aventura é San Fernando del Valle de Catamarca, ou simplesmente Catamarca, a capital da província de mesmo nome. É uma cidade razoavelmente grande (200 mil habitantes) e com uma boa infra estrutura de apoio, inclusive com aeroporto internacional.
PASO DE SAN FRANCISCO
Após Catamarca, seguimos para dormir em Fiambalá, a cerca de 320 km, que é realmente a última "cidade" antes da divisa com o Chile. Fiambalá é quase uma vila, tem poucos hotéis, todos de baixa qualidade, pousada mesmo, bem simples. Achei o Paso de San Francisco o mais difícil de fazer, tanto pela maior distância (482 km entre Fiambalá e Copiapó), como também pelo trecho de cerca de 65 km de rípio mais perigoso que ainda resta entre a aduana argentina e a aduana chilena, com algumas partes mais soltas, com um facão (baldrame) muito alto no meio e o risco de perder o controle da moto e queda potencial. Mas estão asfaltando, e acredito que mais um ou dois anos e estará tudo asfaltado. E aí acabou-se o rípio mais difícil.
Depois, os 182 km da aduana chilena até Copiapó é de estrada de terra batida com piche, cortando o deserto do Atacama, e dá pra andar a 120-130 km/h se quiser, com exceção de um trecho com uma serra, logo no início, mas que tbm é de estrada boa. De Fiambalá até a aduana argentina, são 200 km de um ótimo asfalto. Bem no meio do caminho, em Cortadera, tem um hotel muito bom, com internet e tudo, padrão 4 estrelas, só que a 3.400 metros de altitude! Havia neste dia que passamos por lá uma equipe do rally Dakar definindo as rotas do evento por ali para 2014. Dá inclusive pra dormir neste hotel se quiser, ao invéz de Fiambalá, para quem não tem problemas com altitude, é claro! Na aduana argentina, tem gasolina vendida em tambores, e o "frentista" abastece com um balde de 10 litros. A gasolina é um pouco mais cara, é claro, e nos custou AR$8,50/litro, cerca de R$ 2,43 em março/2013. Após a aduana argentina, tem mais uns 15 km de asfalto, e chega-se no paso, na placa. Após a placa começa o rípio, que vai até uns 65 km, aonde começou o asfalto novo. No início, o rípio é muito bom, até a laguna verde. Depois, tem trechos bons e trechos ruins, e tem que andar devagar. Chegando no asfalto, roda-se mais uns 30 km, até a aduana chilena. De lá até Copiapó é estrada de terra batida, de excelente qualidade. Tem algum movimento de camionetes, caminhões e ônibus das mineradoras locais. A cidade de Copiapó não tem muito o que ver, não é bonita, e tudo é mais caro do que na Argentina. A economia da cidade gira em torno das mineradoras.
Aduana Argentina

Abastecimento na aduana

Hotel em Cortadera, 100 km de Fiambalá

O paso...

Rípio bom, perto da laguna verde

San Francisco: paisagem lunar, insólita e cheio de retas
PASO ÁGUA NEGRA
O Paso Água Negra, fica entre La Serena, no Chile, e a vila de Las Flores, na Argentina, com uma extensão de cerca de 324 km. Após La Serena, em uma linda estrada, ladeada de vinhedos, roda-se cerca de 60 km até a cidadezinha de Vicuña. Lá é o último posto de combustível nos próximos 224 km, e tem que abastecer a moto. Depois roda-se mais 90 km de um ótimo asfalto até a aduana chilena. Neste caminho, você vai fazer por um vale entre as montanhas da cordilheira, e mais vinhedos. A aduana chilena fica a 2.000 metros de altitude, e ali começa o rípio, na verdade terra batida, de muito boa qualidade. Depois, em apenas 70 km, você subirá para cerca de 4.800 metros, que é aonde fica o paso, a divisa entre os dois países. Estava completamente branco de neve, quando passamos, pois havia nevado no dia anterior. Na verdade a neve começou um pouco antes, uns 15 km. Cuidado com neve por ali! Nestes pasos, geralmente as aduanas sabem quando não tem condições de passar devido a nevascas, e alertam ou até mesmo impedem a passagem dos turistas. Tirando a neve, o Água Negra tem que tomar cuidado apenas com as curvas e precipícios, um atrás do outro, sendo assim o segredo é andar devagar e com todo o cuidado, pois a estrada é boa, e se abusar da velocidade o risco é maior...
A diferença básica entre os dois pasos, é que enquanto que no San Francisco você atravessa as planícies por sobre a cordilheira, um pampa, com longas retas, no Água Negra é um cânion, um vale, subindo e descendo entre as montanhas, cheio de curvas, precipícios e neve. No Água Negra, a estrada de rípio, os 134 km entre a aduana chilena e o posto da polícia argentina, é de excelente qualidade, sem problema qualquer, mas cheia de precipícios e curvas, e com muito movimento de carros, e tem que tomar muito cuidado! Nos dois pasos subimos a quase 4,8 mil metros de altitude, mas por pouco tempo, pois os pontos mais altos são exatamente nas divisas, nas placas. As aduanas sempre ficam antes dos pontos mais altos, pois eu acredito que ninguém merece sofrer com a altitude!
Pessoalmente, eu gostei muito mais do Água Negra! Lembrando que entre a aduana chilena e um posto da gendarmeria argentina, cerca de 134 km, não tem absolutamente nada, nem posto, nem restaurante.
Posto Copec em Vicuña/Chile



Paisagens estonteantes e maravilhosas!



O paso é o local mais alto da travessia

Posto da gendarmeria argentina. O asfalto começa um pouco antes
Nos dois pasos é essencial levar água e comida (lanches), ir preparado para altitude, e verificar a autonomia da moto/carro. No Água Negra, se abastecer em Vicuña, dá tranquilo pra chegar em Rodeo ou San José de Jachal, em qualquer moto com autonomia em torno de 200 km.
Enfim, vale a pena fazer uma aventura destas com certeza! Qualquer um dos dois pasos, é uma experiência única e maravilhosa, e que ficará guardada na memória para o resto da vida! Encontrei pessoas do mundo todo por lá, de carro, bicicleta e de moto. Programe-se, e faça a sua aventura! Abraços!

Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.