sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Paso Sico - uma maravilha da natureza!


Dia 8: Toconao a Salta - 540 km
Como está escrito abaixo do título do Blog, para tudo tem o seu tempo e hora... Deus é grande, fez tudo que existe, e mais uma vez nos abençoou com um dia maravilhoso, em uma travessia única, em um local abençoado!
Após uma noite mal dormida, preocupado, ansioso, tudo, absolutamente tudo, cooperou para que desse certo, desde o clima, o sol, a estrada, a companhia, a moto, enfim, tudo!
Achávamos que o rípio iria começar logo após a saída do hotel, mas na verdade, TODO O TRECHO DE SAN PEDRO DO ATACAMA, ATÉ O PASO, já está asfaltado! São 238 km de uma estrada maravilhosa, passando por locais cada vez mais bonitos e diferentes. Saímos da estrada várias vezes, subindo em morros, andando por trilhas, para tirarmos as fotos. Show! Fizemos estes 238 km em umas 3,5 horas mais ou menos. Saímos do hotel às 7:30 hs e chegamos na aduana Chile/Argentina quase 11 da manhã. Assim que acaba o trecho Chileno, começa o rípio. Um rípio meio solto, mas bom. Depois de uns 10 km, chegamos na aduana. Não tinha ninguém lá, e fizemos tudo em uns 15 minutos.
Depois fomos "almoçar", um lanche, e o pessoal da aduana, muito gente fina, nos deixou usar uma cozinha deles, com mesa, fogão, e tudo. Foi legal! O Stefano fez um café na cafeteira dele, e comemos um sanduíche de presunto e queijo. Saímos de lá era passado de meio dia, pra encarar os 135 km de rípio até San Antonio de Los Cobres, que o Amin tinha me falado que era do tipo "serrucho" (serrote), uma parte, e "fofucho" em algumas partes, com areia...
Esta areia que me preocupava mais, mas na verdade eram apenas em algumas partes da estrada, umas panelas de areia grossa, dava pra desviar e quanto tinha que passar, passamos de boa, a moto "sambava" um pouco e passava, na velocidade. Chegamos a andar a 90/100 km/h várias vezes, em uma paisagem show, parando várias vezes. Vimos muitas vicunhas, lhamas, burros selvagens, passamos por algumas vilas abandonadas, e outras com gente morando. Atravessamos alguns trechos de água. Passamos por vulcões, montanhas com altura passando dos 5 mil metros, cobertas por neve no seu topo. Campos verdes, lagunas de sal, e desertos de todas as cores possíveis. Obras de Deus mesmo! Os trecho de areia, são intercalados no meio do rípio bom, e tinha hora que dava uns sustos, mas não passamos perigo hora nenhuma. Na maior parte era rípio muito bom mesmo. Em uma parte, em um tipo de caracoles, passamos pela ferrovia do trem de las Nubes. Logo após, o pastor Stefano (Cabo Daciolo italiano), fez um tipo de altar e rezou um pouco, com a bíblia. Legal! O movimento já tinha aumentado, e passavam por nós carros, camionetes e caminhões carregados.
Já bem perto de Los Cobres, paramos em uma igrejinha na beira da estrada, pra tirar umas fotos, e aconteceu uma cena engraçada... Tinha 2 lhamas lá. Uma parida e a outra solteira. A solteira ficou nos encarando um tempo, e de repente partiu pra cima do Stefano, dando uns coices. Ele meio que se assustou, mas não correu, e ela ficou ali nos encarando... kkkk! Foi muito engraçado! Logo apareceram mais dois motociclistas, uns amigos do Ricardo Atacama, que estavam subindo para Tolar Grande. Conversamos um pouco, a lhama ali por perto, cheirou as motos, tentamos dar comida pra ela, mas não quiz, e saiu de perto. É uma sem vergonha! kkkk O Stefano não esquece a lhama!
Logo chegamos em San Antonio de Los Cobres, eram 13:40 hs da tarde, mais ou menos. De Los Cobres a Salta, já é tudo asfalto. Por isso fomos encher os pneus das motos, que estavam baixos, pois murchamos em Toconao pra fazer a parte de rípio. Não tinha ninguém no posto, pra usarmos o "aire" , e o paramos as motos em frente ao mercado de artesanato para usarmos o compressor do Stefano. Enchemos os pneus, e saímos rumo a Salta. Passamos em frente ao posto da policia local, e vimos um monte de gente parada na rodovia. Era uma greve, que acabava de começar, fechando a rodovia... Os moradores locais, a maioria indios, estavam reclamando da água da cidade, que não é potável, e tem problemas de contaminação com metais pesados, e estavam protestando e fecharam a estrada, para que as autoridades tomassem alguma providência... Tentamos passar, mas não deixaram. Havia uma possibilidade de dar uma volta por um caminho velho, mas já estava fechado também. Logo se formou uma longa fila de carros, com a gente lá na frente. Conversamos, dialogamos, tentamos negociar, mas não teve jeito! Se a estrada estivesse aberta, iríamos chegar em Salta às 16:30 hs da tarde! Mas ficamos ali por umas 2:30 horas, e abriram a estrada somente às 16:30 hs. Saímos na frente da fila, descendo aquela cordilheira, curvas e mais curvas, até chegar em Salta, às 18:30 hs. Demora muito até chegar na cidade, pois passamos por outras cidades, bairros e vilas. Fomos direto abastecer no primeiro posto YPF que eu vi. Abastecemos, tomamos um lanche, muita água e sucos, e fomos atrás do hotel. Eu acabei reservando um hotel trocado, muito ruim, um tipo de pousada, e cancelei. Fomos para outro hotel (Ankara Suites), no centro da cidade. Após um bom banho, fomos à pé jantar no Dona Salta, uma obrigação quando estou em Salta, pra mim a melhor carne que existe na Argentina! Tomamos um vinho, comemos umas saltenhas, e o famoso "Bife de Chorizo" argentino! Show pra fechar o dia! Voltamos para o hotel para dormir o sono dos justos, após um dia tão intenso e legal! Pra mim, que já fiz uns 12 pasos, nas minhas contas, o Sico superou todas as expectativas, e acredito que seja o paso mais bonito que já fiz até hoje! Muito legal mesmo! Valeu a pena demais ter feito!

Dia 9: Salta a Formosa - 940 km
Pra resumir: hoje fizemos o caminho pela ruta81, que o Stefano não conhecia, e quiz conhecer. Foi legal, mas atravessar o Chaco, não se compara com um Paso fronteiriço... Graças a um erro do GPS, que atalhou e fez a graça dele, passamos por um trecho de rípio, entre San Pedro de Jujuy e Embarcacion... Mas deu tudo certo. Foi cansativo, calor de 34 graus no fim da tarde, e encerramos o dia no mesmo hotel da ida, o Asterion, com uma bela cerveja Quilmes, uma janta e até licor de sobremesa! Guenta!
A viagem até aqui já soma os 5.400 km e deve passar dos 6 mil km com certeza! Os pneus já estão no seu final (eu estou usando o Anakee Wild, já com 6,5 mil km rodados, e o Stefano com o Karoo3, com 4,5 mil km), mas devem aguentar chegar em casa sim.
Amanhã chegaremos em casa se Deus assim quiser! Um abraço a todos, e continuem conosco!
Seguem algumas fotos do Paso Sico!

Placa antes de San Pedro do Atacama

Foto pra fazer um quadro!


Amigo Stefano fazendo pose...


Olha só essa!


Esta é a placa do Paso Sico

Rípio bom do techo entre a aduana e San Antonio de Los Cobres

Nosso almoço na aduana

travessia de riachos


A greve dos moradores locais, bloqueando a rodovia para Salta!

A já famosa lhama do Stefano! kkkk



Trechos de off road!


Nosso altar nos caracoles do Paso Sico!






4 comentários:

  1. Show de viagem Amigo Márcio. Tudo perfeito.
    Realmente um presente de Deus.
    Abraços e Bora Bora

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    Respostas
    1. Valeu meu amigo! Viagens assim tem que fazer pelo menos uma vez por ano! Bora boraaaa!

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  2. Olá. Montando nosso Roteiro de ida ao Atacama e retorno pelo Paso Sico. Batia aquela dúvida ... e você veio com esse relato direto e reto e pah! Sairemos pelo Paso Sico. Valeu pela descrição detalhada da estrada e dica em Salta.
    Nos vemos pela estrada.
    Abraço
    Expedição Quijote

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  3. Olá Márcio! Bela viagem fizeste. Dentro de três semanas iremos eu e a patroa para o Atacama, saíremos em 07/09/19 por Uruguaiana. Estamos pensando na ida entrar pelo Paso Sico passando por Salta. Coincidência minha moto é igual a sua da foto e mesma adesivagem.
    Tanque 30 litros. Entrando por Salta em direção a Santo Antonio de Los cobres é necessário levar galão reserva de combustível? Tem ideia da calibragem ideal para os pneus no rípio? Pretendemos retornar pelo Paso Águas Negras.
    Abraço!

    Paulo - Novo Hamburgo - RS

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
51 anos, casado, zootecnista, empresário, carnívoro convicto e motociclista.