domingo, 21 de outubro de 2012

Dias 13, 14 e 15: de Salta a Campo Grande - 1.900 km

Dia 13: Salta a Resistência - 800 km
Saímos de Salta em torno de 8 hs, depois de abastecermos as motos na saída da cidade. Salta para mim é especial, foi a primeira cidade que conheci, e que gostei, quando fiz a minha primeira viagem longa de moto, em 2009. Vale a pena passar um ou dois dias por lá, com certeza! Tocamos firme por 38 km, por uma boa pista dupla, até o trevo que vai para Jujuy (esquerda), ou para o Chaco (direita). Seguimos pela direita, andamos mais uns 70 km de pista dupla, para então sair para a esquerda, sentido El Galpon/Joaquin V. Gonzales, aonde abastecemos, após rodarmos uns 220 km. À partir deste trecho, a estrada piora bastante, com pista simples, sem acostamento, e tem muitos animais soltos, porcos, cabras e cachorros. Mas a nossa tocada, de 120 km/h, é bastante segura. Mesmo assim tem que pilotar 100% atento. Andamos mais 165 km e paramos novamente em Monte Quemado, para abastecer. Já eram 11:30 hs mais ou menos, e lá encontramos um casal de brasileiros, de Florianópolis, que estavam em San Pedro de Atacama, almoçando. Aproveitamos e também fizemos um lanche (Lomito com pan e ensalada, com suco de Manzana). Fiquei encucado, depois que saí, fiquei pensando, e cheguei a conclusão que o frentista me roubou em $15 no abastecimento, pois as motos do Casão e do Padilha gastam como a minha, e paguei mais caro. Com certeza ele não zerou a bomba, pois na hora de abastecer veio correndo com pressa, dizendo que a luz havia acabado, etc... Nesta região, isto acontece. A polícia corrupta até que diminuiu, desta vez não nos abordaram, só paravam para perguntar da onde éramos e para onde íamos. Fiquei com raiva, não pelo valor, mas pela "esperteza" do vagabundo, que se achou esperto... Após o almoço, o calor veio forte, 32 graus, mas ventando. Paramos novamente em Pampa de Los Guanacos, a 110 km, e lá encontramos um motociclista solitário, um gaúcho. Logo saímos, e ele nos acompanhou por um tempo, só que depois sumiu. Nossa última parada foi em Presid. Roque Saenz Peña, depois de 170 km, aonde abastecemos e descansamos um pouco. Chegamos em Resistência às 17 hs. A entrada da cidade é bastante movimentada, quase presenciamos um acidente com um carro, e merece todo o cuidado. Fui direto para um posto, abastecemos, e coloquei no gps o endereço de um hotel indicado por um amigo (Niyat Urban Hotel). Fomos em direção ao centro da cidade, mas não consegui achar o hotel. Resolvi verificar em um outro hotel (Covadonga), que fiquei em 2009, perto da praça central. Achamos vaga e ficamos por lá mesmo. O custo da diária foi de $380 pesos argentinos por quarto duplo, com estacionamento e café da manhã, cerca de R$ 190,00. Saímos à noite, e fomos comer uma pizza em frente à praça. O Osmar não quis, e depois o acompanhamos em outro local, pois ele queria comer uma carne. As coisas na Argentina subiram  muito, em relação a 2009 e 2011. A gasolina está custando cerca de $7,60/litro, ou R$3,45. Comida também está caro, uma refeição não sai por menos de R$ 40,00. Depois fomos dormir, cansados mas felizes!
Dia 14: Resistencia a Ponta Porã - 780 km.
Acordamos, tomamos café, depois colocamos as roupas de viagem, e saímos, antes das 7 da manhã. Seguimos ao norte, rumo a Formosa e Clorinda. Tinha várias barreiras policiais pelo caminho, mas nenhuma nos parou, apenas perguntavam para aonde íamos. Antes de Formosa, começou a garoar, paramos, abastecemos e colocamos capa de chuva. Mas quando saímos, já havia parado, e não pegamos chuva alguma! Às vezes isto acontece... A temperatura agradável, 22 a 25 graus, não estava calor. Ainda. Chegamos em Clorinda, enchemos os tanques, e fomos para a divisa com o Paraguay, isto tudo antes das 11 hs da manhã. O dia rendeu! A aduana Argentina/Paraguay é uma verdadeira bagunça, despachantes nos cercam e nos indicam aonde parar a moto e aonde ir, tudo por uma gorjeta no final. Lá mesmo, tudo junto, você dá saída da Argentina, e dá a entrada no Paraguay, sua e da moto. Aproveitamos e fizemos um cambio de US$ 50,00 em guarani, para pagar abastecimentos e comida. Acho que gastamos uns 40 minutos para fazer isto tudo. Saímos, o Padilha achou que ainda tinha outra aduana, e perguntou para uma viatura da polícia paraguaya aonde era a aduana. Pra que... Eu parei para esperá-lo, e os guardas vieram, me pediram documentos, etc... Achei que ia ser achacado e iam pedir dinheiro, mas logo o Padilha chegou, e entendi o porque de terem me parado. Acharam que havíamos passado sem dar a entrada no Paraguay. Como estava tudo certo, me liberaram. Seguimos, passando por fora de Assunción, depois entramos à esquerda, rumo a Emboscada e San Estanislau, no Chaco Argentino. Seguimos por aquela estrada, altitude de 60 metros, praticamente nível do mar, e nada de chuva, apesar das ameaças. Não aguentei e parei para retirar o forro de chuva da jaqueta, pois o calor estava forte. Depois de 165 km, em San Estanislao, paramos para abastecer, e bem ao lado tinha um restaurante bonito e bem arrumado. Fomos almoçar, comemos um filé de surubim com arroz FRIO e salada. Seguimos mais 170 km até o trevo de Iby-Yau, aonde paramos para o último abastecimento antes de chegarmos ao nosso querido Brasil. Rodamos os 100 km restantes, ansiosos, passando por várias barreiras policiais, no entanto nenhuma nos parou, todas mandavam seguir. O Paraguay melhorou demais, pelo menos eu achei, parece que acabou aquele negócio de propinas e pedição de dinheiro da polícia. Chegamos em Pedro Juan Caballero, às 17:03 hs horário de Brasília, 16:30 hs horário MS. Como é bom chegar ao Brasil! Fomos direto para a aduana paraguaya, carimbar o passaporte, dar a saída daquele país. Ficamos em dúvida, se tínhamos ou não que dar "entrada" no Brasil, já que havíamos dado a saída, lá em Assis Brasil, no Acre, e até carimbado o passaporte. Fomos na sede da Polícia Federal, e lá carimbaram os nossos passaportes, por via das dúvidas. Fomos para o hotel HERVAL, aonde descansamos e nos preparamos para sair à noite, com o compadre do Padilha. O Moura não quis ir com a gente, pois queria comer feijão com arroz de qualquer jeito, e saiu sozinho, de moto. Nós saímos de carona, e fomos comer um filé de peixe, no Paraguay. Voltamos cedo, e fomos dormir.
Aduana Argentina - Paraguay


Aqui saímos da Argentina e entramos no Paraguay


Abastecimento em Iby-Yau
Dia 15: Ponta Porã a Campo Grande - 330 km
É o dia da chegada. Os amigos e as famílias combinaram de nos encontrar na estrada, em um restaurante há 50 km de Campo Grande. Saímos 8 hs, e fomos administrando o tempo, para chegarmos lá ao meio dia. Paramos para abastecer em Dourados, e para tomar um suco, antes de Rio Brilhante. Enfim, chegamos no ponto de encontro, o restaurante Ingazeiro, do meu primo William e sua esposa Dna Maria Augusta, excelente cozinheira, para um almoço típico sul-matogrossense, leitoa assada, bife de picanha, frango caipira, arroz com guariroba, e FEIJÃO! Fazia tempo que não comia tão bem assim! A recepção como sempre foi calorosa, muitos abraços e sorrisos, apertos de mão, perguntas e respostas. A chegada em casa com certeza é uma parte importante da viagem, pois chegar na sua casa é bom demais! Almoçamos, e seguimos os 50 km restantes, para acabar de chegar em casa. A minha família não pode ir, tinham vários compromissos, etc... Cheguei na porta da minha casa ás 14 hs, já nem esperaram, abriram o portão, e os meus filhos vieram me abraçar ainda na moto. Isto é bom demais! Fui descarregar a moto, enquanto contava sobre a viagem, sobre cada dia, o que conseguia me lembrar ali naquela hora. Enfim, contar aquilo que vivi, e que vai ficar comigo para o resto da minha vida! Só quem viaja sabe!
Espero fazer uma outra viagem, ano que vem, ainda não sei para onde, nem o destino, nem o rumo. Mas só sei que vou! Um grande abraço, e obrigado por nos acompanhar por estes dias tão bons!
Os amigos esperando...

A Chegada...



As familias, os reencontros...

Todos queriam saber tudo, ao mesmo tempo...




2 comentários:

  1. muito show a viagem de vocês. Foi bacana acompanhar os desafios superado por vocês. Se possível, post um mapa, com traçado, por onde vocês passaram. Desta forma será possível ter a dimensão dessa viagem. Bom retorno as atividades e nao esqueçam de agradecer o grande arquiteto do mundo. Abraço.

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  2. Carlos, obrigado por nos acompanhar! Com certeza ELE nos acompanhou, nos guiou e nos protegeu o tempo todo, e agradecemos MUITO a ELE quando chegamos!
    Nosso roteiro: Campo Grande/MS - Rio Branco/AC - Puerto Maldonado/PE - Cusco/PE - Machupichu-Águas Calientes/PE - Cusco/PE - Puno/PE - Cabanaconde/PE - Arequipa/PE - Arica/Chile - San Pedro de Atacama/CL - Uyuni/Bolívia - San Pedro/CL - Salta/AR - Resistencia/AR - Pedro Juan Caballero/PY - Campo Grande/MS. Tudo feito em 15 dias. Qualquer dúvida entre em contato. Postarei um mapa tbm. Abçs!

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.