quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Dia 06: Puno a Cabanaconde - 340 km

Hoje, por incrível que pareça, eu dormi bem! Mesmo a quase 4 mil metros, acho que agora meu organismo se acostumou. Tio Gaudêncio, vc tem toda a razão, e eu já tinha diagnosticado isto: não me preparei adequadamente, como quando fomos para o Atacama em 2009. Se tivesse tomado aquele comprimido (Diamox), desde Rio Branco, certamente não teria acontecido nada, ou pelo menos teria sofrido menos. Mas tudo bem, é bom pra aprender!
Acordamos mais tarde do que de costume, e tomamos o café às 7, para sair às 8 hs. Eu praticamente não conheci a cidade de Puno! Entrei no hotel ontem à tarde e fui sair hoje cedo! Nem ao menos dei uma voltinha na cidade. O que ajudou também é que o hotel é EXCELENTE (Hotel Royal Inn, US$60/quarto duplo, padrão 4 estrelas). Mas acho que foi bom, afinal acho que me curei do “Soroche” de vez.
Saímos de Puno quase 8:30 hs, para abastecer em um “Grifo” (posto). Acabamos abastecendo quase chegando em Juliaca. Minha moto fez 20,7 km/litro de gasolina 84 octanas! Tem a gasolina melhor, com 90 oct, mas estamos usando a mais parecida com a nossa mesmo, para as motos não “estranharem” depois, na volta... hehehe...
Abastecemos, fizemos um cambio rápido ali mesmo no posto, e seguimos, para atravessar Juliaca, e pegar para Arequipa. Puno e Juliaca estão a 3.900 mts de altitude. Por um capricho do meu GPS, acabei passando por dentro de Juliaca, até mesmo para conhecer a cidade, mas me arrependi amargamente, pois poderia ter dado a volta por fora, pelo “anel viário” da cidade. Quase tivemos um pequeno incidente, muitos animais na pista, mas graças a Deus nada aconteceu, mas quase... Juliaca é parecida com uma favela, cidade muito feia, não vale a pena conhecer nem ficar ali. Deixamos a estrada para Cusco, e seguimos para o sul, rumo a Arequipa. Subimos mais um pouco, e viajamos praticamente 200 km a 4.000 metros, sendo o ponto mais alto a 4.300 MSNM. Engraçado, nestes pontos mais altos, sempre param os ônibus de turistas, e por isso mesmo, tem um monte de indígenas locais vendendo todo tipo de coisa, desde artesanato, chapéus, comida, até casacos feitos de lã de alpaca, muito fina e quente. Sempre paramos nestes pontos, batemos umas fotos, comemos algo e vamos embora. É curioso como os turistas se admiram, ficam olhando e fotografando as motos, perguntam da onde viemos e para onde vamos. É, somos aventureiros... Agora os índios, nem ligam, parece que não existimos! Hehehe...
Chegando perto de um pedágio, já rodados 200 km, é a entrada para Chivay, e temos que entrar à direita, deixando a estrada para Arequipa. Antes passamos pela Reserva Nacional Salinas Aguadas Blancas, no início estranha, mas depois fica bonita, diferente, com suas montanhas, lindos picos nevados, e cheio de carneiros, guanacos, lhamas e alpacas selvagens pastando. E como tinha cachorro na pista hoje! A explicação é simples: como tem muitos rebanhos de ovelhas, todos os proprietários tem um ou dois cachorros para cuidar das suas ovelhas, assim, os “Perros” ficam por ali, olhando os carros passarem, enquanto “cuidam” do seu rebanho.
Paramos ali para lanchar um café com bolacha, e renovar o estoque de água. Logo continuamos, e começou o enxame de vans e microônibus de turistas, todos acredito que indo para a região de Chivay e Cabanaconde, a mesma cidade que nós, para ver os condores e o famoso Canion de Colca, além de vários outros pontos turísticos que existem nesta região. Estes passeios são muito famosos em Arequipa. Sério mesmo, acho que passamos por mais de 30 destes veículos, se não for mais. Só que aconteceu o inesperado, pelo menos pra mim: subimos absurdamente, chegando a 4.930 metros! Passamos até por neve na beirinha da pista. É a maior altitude que pegamos até agora! Logo chegamos no ponto mais alto, e lá estavam os ônibus de turistas, vários deles, um monte de gente, e os índios vendendo coisas! Como esfriou MUITO, chegando a 10 graus, e muito vento, o Padilha passou aperto, pois teimoso não quis colocar a segunda pele cedo no hotel, e passou frio... Acabou comprando um casado destes de lã de alpaca, que serviu muito bem para proteger.
Logo começamos a descer, descer e descer, em um caracol que poucas vezes vi assim! Fantástico! Isto fora a paisagem, as montanhas com neve lá ao fundo, e lá embaixo a cidadezinha de Chivay. Demoramos quase 30 minutos pra andar 15 km, de tanta curva! Chegando na entrada de Chivay, paramos para murchar o pneu das motos, colocamos 26/30, pois fica bem melhor pra andar na terra. Lembro que de Chivay até Cabanaconde são 54 km, de estrada de rípio... Acabamos entrando em Chivay, para almoçar, pois já era passado das 13 hs. Eu não almocei, ontem aquela sopa “Criolla” não me fez bem... Mais esta agora! Mas o pessoal almoçou, e lá pelas 14:30 hs saímos.
Para boa surpresa, já tem uns 10 km asfaltados, reduzindo para 45 km de rípio até Cabanaconde. Nem bem começamos a rodar na estrada de terra, já tinha uma equipe de trabalhadores regando a estrada com água, e uma patrola mexendo na estrada! Isto é muito ruim, além de ficar liso, ainda a patrola para afofar a estrada. Mas acabamos passando bem, ficamos à direita, a patrola passou, e deu tudo certo. Ali começou um rípio bom, mas com muitas pedras, fiquei meio com medo de furar pneu, devido ao fato de te-los murchado. Mas fomos bem. Olha, este trechinho de rípio pra mim pagou a viagem! A estrada passa ao lado do cânion de Colca, com um visual arrebatador, coisa de cinema mesmo, só vendo para comprovar! E além do mais, estamos todos de big trail, esta moto anda muito bem em estrada de terra, sem problemas. Até o Casão, que não tem praticamente nenhuma experiência em estrada de terra, tirou de letra, e acompanhou de boa. É claro que andamos devagar e de boa, a 60 km/h. Mas passamos por vários riachos, e para grande surpresa UM TÚNEL, isto mesmo, um túnel muito escuro! Muito legal! Chegando perto de Cabanaconde, tem o mirador Cruz Del Condor, aonde  paramos para ver e tirar umas fotos. Conseguimos avistar um condor, bem ao longe. Amanhã cedo vamos lá novamente, pois de manhã é melhor para avistá-los por lá. Estas aves são sagradas para os Incas e indígenas daqui, é um tipo de urubu gigante, que chega a 3 metros de envergadura, e fica plainando bem acima, com toda a calma e leveza. É uma ave difícil de ver, só se consegue em locais altos, e com correntes de ar quentes. Quero ver se amanhã avisto e fotografo um destes!
Dali pra frente, a estrada estava asfaltada, até chegar em Cabanaconde, um asfalto impecável! Ou seja, no final, só andamos 30 km de estrada de terra, mas valeu demais a pena, pois deu um tchan na viagem, uma injeção de emoção. Acho bom isto, são coisas que todos irão se lembrar quando chegarem em casa, no final da viagem. É ou não é, Capitinga?
Chegamos em Cabanaconde às 16 hs, é uma cidade MUITO PEQUENA. Fomos direto para a praça central, e dali para o hotel, o melhor da cidade, chamado KUNTUR WASI, excelente, estilo rústico, com garagem para as motos, muito bom! Tomamos um banho rápido, e ainda deu tempo de dar uma caminhada até um mirante, para ver mais um pouquinho do cânion. Agora vamos jantar, e amanhã de manhã voltaremos pelo mesmo caminho, vamos tentar avistar os condores, e depois Arequipa.
Pessoal, a turma aqui está com uma grande dúvida, e gostaria de perguntar uma coisa pra vocês daí do Brasil: como estão os últimos capítulos da novela Avenida Brasil? A Nina já acabou de vez com a Carminha? Foi feliz para sempre com o Jorginho? Pelo amor de Deus, nos falem! KKKKKK! Um grande abraço a todos, e amanhã tem mais!


















9 comentários:

  1. bom dia compadre!! emocionante viajem,de tirar o fôlego...mas so teria coragem de land rover...rsssss.Um abraço a todos os amigos ai, estamos acompanhando essa aventura.
    QUE DEUS ACOMPANHE A TODOS.
    SERGIO(BRASIL IMPORT).

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  2. Marcio que viagem bacana, se cuida ai e tira bastante fotos ok?Conheco o Padilha que e amigo do Bosley ,no mais boa sorte pra vcs ,abs Niba.

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  3. E ai cuuuuunhado,
    Tô passando mal aqui na sua casa.. Tomando o seu melhor vinho, comendo um churrasco e deixando a conta pra vc pagar..kkkkk
    Depois de ver essa viagem, já convenci minha mulher de comprar uma máquina de primeira pra uma viagem dessas...
    Já encomendei uma máquina...um jegue MADE IN PARAIBA, dos bão. RSRSRSRSRS Pode me chamar pra próxima aventura, o jegue já tá chegando....kkkk
    Fiquem com DEUS e voltem com ele,abraco fraterno.
    Amarildo.

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  4. olá casão

    Estou aconpanhando sua viagem muito legal, pelo que eu estou vendo so a comida que vcs nao estao gostando, ai nao tem polenta e galinha caipira, formaio e radichi e um bom vinho da colonia? fico contente quando vc tira ferias pois eu tambem tiro aqui na sua casa.abracos a todos e curta um boa viagem que Deus estejam com vcs.
    Casinha (sobrinho)

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  5. Oi Casagrande
    Que viagem maravilhosa que vc esta fazendo curta pois isto que vc gosta de fazer andar de moto.
    estou aqui para fazer aquele carreteiro que vc tanto gosta, pois vc nao pode me
    ver que ja me pede para fazer um detalhe com muito alho.
    Abracos a todos.
    Darlene Casagrande

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  6. Falou, Niba! Dia 21 to chegando aí. Pode deixar que estou me cuidando. Pelo menos tentando... Abçs!

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  7. Obrigado mais uma vez pelas mensagem de carinho e forca, pois posso garantir que o pensamentos positivos de voces da muita energia e coragem para continuar essa maravilhosa espedicao. Posso garantir que sera dificil explicar, pois so vivendo essas emocoes para entender.
    Fiquem com Deus deixem pelo menos um pouco de vinho.
    Abcs e bjs a todos.

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  8. Viajão!
    Descrições em detalhes, espero que tudo continue dando certo!
    Que DEUS os acompanhe e guarde!
    Grande Abç. Sisti.

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  9. Ola amigos da estrada...
    Encontrei com voces na aduana em São Pedro, e depois nos postos na Argentina... Cheguei hoje a noite em Florianopolis.
    Abraços a todos
    Felipe e Luiza

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.