domingo, 1 de março de 2009

Villa Carlos Paz - Resistencia:1030 km!




Bem amigos, depois de perder tudo o que tinha escrito ontem, não sei porque, vou acabar o blog, continuando do dia 27/02, sexta feira, saindo de Villa Carlos Paz e chegando até Resistencia. Este foi o trecho mais longo da nossa viagem, totalizando 1030 km de uma cidade a outra! Realmente não esperávamos tal distância, e tudo aconteceu naturalmente, por acaso do destino. Villa Carlos Paz não foi tudo o que eu esperava que fosse. É uma cidade de uns 100 mil habitantes, a meu ver, de veraneio, pois fica às margens de um grande lago, e a apenas 30 km de Córdoba, ligada por pista dupla (Autopista). Ou seja, em 15 minutos vc está em Córdoba. Na beira do lago, tem uma avenida, com vários bares, restaurantes, clubes de regata, etc... Que devem ferver nos finais de semana e feriados, pois Córdoba é a segunda maior cidade da Argentina, com 3 milhões de habitantes. Saímos do hotel às 8 da manhã, depois do café da manhã, que foi um dos melhores da viagem. O nosso amigo Claudio, o gerente do hotel e motociclista, tinha me ensinado como sair da cidade, muito fácil, e como contornar a cidade de Córdoba. Se bem que o GPS foi certinho, e fez tudo como devia. Saimos de lá, com uns 20 graus de temperatura. Perto de Córdoba, chegamos em um "Peaje" e após entramos à direita, percorrendo uma avenida ao lado da base aérea argentina. Depois pega-se novamente à direita, já em um macro anel rodoviário, e segue-se por ele, até chegar a saída para San Francisco, uma das últimas, a uns 15 km. Ali vi a placa para Buenos Aires, a apenas 700 km de distancia, ao sul. Entramos em uma pista simples, com destino a San Francisco e Santa Fé, e começaram as cidadezinhas, a cada 50 km mais ou menos. Sempre tem uma curva acentuada à esquerda e outra à direita, antes e depois de cada cidade, como que para frear a toada dos carros. Em Arroyito, já na saída da cidade, tinha um carro velho na nossa frente (e como tem carro velho na Argentina! Carros com 40 anos!), e Hilton ultrapassou pela direita, em uma avenida com terceira faixa. Eu fiquei atrás do carro, colado, pra ele abrir e eu ultrapassar também. Só que na Argentina eles não abrem pra vc passar, de jeito nenhum. Então eu resolvi passar assim mesmo, pela esquerda, é claro, mesmo com faixa contínua, já que o tal carro estava andando a 20 km/h. Quando acabei de passar, surgiu do nada dois guardinhas da policia de transito local, que estavam mocozados em uma sombra, e nos mandaram parar. Paramos, e o mais alto, fumando um cigarro, começou a me falar que eu estava errado, que não poderia passar em faixa dupla, etc... Falei que a pista tinha duas faixas, e que o carro não abria para ultrapassagem, e ele disse que eu poderia ter passado pela direita. Então pediu meu RG e CNH, e documento da moto, olhou, e disse que a multa seria $700 pesos argentinos (uns R$ 500,00!), e que eu teria que acompanha-lo até a delegacia, e pagar no ato. Eu me assustei, disse que não tinha tanto dinheiro, e na lata ele disse: me dê $100 que tá tudo certo! Olhei, pensei, e já que estava errado, paguei, e fomos embora. O Gaudencio e o Hilton nem viram ele me cobrar. Depois contei pra eles. Mais um episódio da corrupta policia argentina! Eu não sei se a multa seria isto mesmo, e depois fiquei pensando se poderia ter pago menos, mas na hora, achei que foi a melhor solução, e queria sair dali, pois estava um calor danado. A estrada entre Córdoba e Santa Fé, foi aonde realmente vi muita agricultura e pecuária, fazendas, e plantações de soja e milho. Abastecemos uma vez, e chegamos em Santa Fé às 13:30 hs, depois de andar 370 km em 5 horas de viagem! Paramos em um posto na entrada da cidade, abastecemos, e fizemos um lanche. A nossa idéia era atravessar o rio, por um túnel, que queríamos conhecer, e subir até Resistencia pelo outro lado do rio, mesmo sabendo que era um pouco mais longe. Calculei que seria uns 80 km a mais. Fomos, pegamos um anel viário, pois Santa Fé é grande, dizem que tem quase 2 milhões de habitantes. Não deu pra ver a cidade. Começamos a atravessar pontes e mais pontes, até chegar no tal túnel, que deve ter uns 1000 metros de comprimento. Antes de atravessar o túnel, tem um pedágio de $3 por carro ou moto. Atravessamos, eu parei a moto, e pedi ao GPS para fazer o roteiro até Resistencia. Ele me mandou voltar pelo túnel. Como a gente iria subir pelo outro lado, esqueci o GPS e começamos a ir pelas placas mesmo, rumo ao norte. Depois que andamos uns 80 km, pedi novamente pra ele calcular a rota até Resistencia, e ele calculou por aquele caminho. Só que disse que chegaríamos lá às 22 hs! Olhei na distancia, e deu 575 km! Parei a moto, e disse aos companheiros: vamos dar uma volta de quase 150 km, por causa do tal túnel! Já que não tinha mais jeito, continuamos, em um calor infernal, quase 38 graus, até chegarmos em uma barreira na estrada, que estava em reforma! Mais esta! Andamos acho que uns 5 km em terra batida, com um pouco de cascalho, e outra barreira. E assim foi por uns 60 km mais ou menos. Depois acabou, e tocamos mais uns 80 km para abastecer em La Paz. Andamos mais 200 km, e paramos de novo para abastecer em Goya. Dali até Resistencia eram 220 km. Saimos do posto em Goya, da rede ACA (Automóvel Clube Argentino), já escurecendo, passando das 8 da noite. Atropelei uma codorna, e ela ficou presa dentro da moto, até perto de Corrientes! Quando anoiteceu, o bom foi que refrescou bastante, com a temperatura caindo para 28 graus, e ficou melhor pra viajar. Coloquei o Gaudencio na frente, pois a moto dele tem o melhor farol, e fomos tocando devagar, a 110/120 km/h. Assim fomos tranquilos, e chegamos em Corrientes às 23 hs horário local, que é uma hora a mais do que Córdoba. Fomos direto para o hotel Covadonga, que tínhamos ficado na ida. Chegando lá, tinha um fdp de um cara, que não queria que a gente ficasse no hotel, pois não tinha estacionamento para as motos, era muito mais caro do que tinha cobrado na ida, e ainda para pagar com cartão de crédito ficava mais caro ainda! Fomos para outro hotel que o GPS mostrou, e lá tinha vaga, era mais barato, e tinha estacionamento. Ficamos lá mesmo. Ainda tomamos banho, e descemos pra comer, já passado de meia noite! Fomos dormir depois da 1 da manhã, totalmente esgotados, depois de rodarmos 1030 km! O hotel era velho, mas tinha ar condicionado e uma cama muito boa, acho que pelo cansaço! Apesar de rodarmos tanto, o engraçado é que estávamos animados, dando risada. O psicológico estava bom! Quase não tirei fotos desta etapa, pois a paisagem não tinha nada de especial. Nem do túnel, pois não dava pra parar na entrada dele. Abraços!
Fotos:
-Abastecimento em um posto de La Paz, entre Paraná e Corrientes.

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Quem sou eu

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil
49 anos, casado, zootecnista, empresário e motociclista.